{"id":6981,"date":"2012-06-26T11:00:00","date_gmt":"2012-06-26T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/duas_estirpes\/"},"modified":"2012-06-26T11:00:00","modified_gmt":"2012-06-26T14:00:00","slug":"duas_estirpes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/duas_estirpes\/","title":{"rendered":"Duas estirpes"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-dad\/34541e5950b7f64298eea8e67e4aec02.jpg\">      <\/p>\n<div><b>&nbsp; <\/b><\/p>\n<div style=\"text-align: left;font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Viu a capa da <i>Veja<\/i>? Ela chama a aten\u00e7\u00e3o. Nem tanto  pelo assunto, mas pela l\u00edngua. Ali est\u00e3o dois pronomes que adoram nos pegar pelo  p\u00e9. S\u00e3o os demonstrativos <i>esse<\/i> e <i>este<\/i>. Azeite, castanhas e salm\u00e3o  aparecem na parte superior da p\u00e1gina. Logo abaixo, o texto: &#8220;<b>Esses<\/b>  alimentos sempre foram liberados&#8221;. No meio, a manchete: &#8220;A reden\u00e7\u00e3o da gordura&#8221;.  Em seguida, novo texto: &#8220;Agora a ci\u00eancia da nutri\u00e7\u00e3o diz que <b>estes<\/b> tamb\u00e9m  s\u00e3o saud\u00e1veis&#8221;. E mostra as imagens \u2014 chocolate, queijo amarelo, carne  vermelha&#8221;. Hummmmmmmmm! Que tenta\u00e7\u00e3o!<b> &nbsp; <\/b>Vira-latas<i style=\"font-weight: bold\"> <\/i><i>     <\/p>\n<p><\/i><i>Este<\/i> e <i>esses<\/i> t\u00eam dois  empregos vira-latas. Num, ficam de olho no <strong>lugar<\/strong>. Dizem se o  objeto est\u00e1 perto de quem fala ou de quem ouve; de quem escreve ou de quem l\u00ea.  Noutro, miram o <strong>tempo<\/strong>. Informam se a refer\u00eancia \u00e9 ao presente  ou ao passado. Quer ver?<b>      <\/p>\n<p><\/b>Lugar      <\/p>\n<p>Maria tem o livro na m\u00e3o. Mostra-o a Paulo e eles batem este  papo: \u2014 Paulo, este livro \u00e9 seu? \u2014 N\u00e3o. Esse livro \u00e9 da biblioteca.      <\/p>\n<p>***      <\/p>\n<p>Jo\u00e3o escreve um e-mail  para o gerente do banco. &#8220;Esse banco pode me fazer o empr\u00e9stimo?&#8221;, pergunta ele.  O outro responde: &#8220;Claro. Este banco existe para os clientes&#8221;.      <\/p>\n<p>Viu? <b>Este<\/b> indica que o objeto est\u00e1 perto do emissor \u2014  pessoa que fala ou escreve. <b>Esse<\/b> diz que est\u00e1 perto do receptor \u2014 quem  escuta ou l\u00ea.<b> &nbsp; <\/b>Tempo      <\/p>\n<p>A amada pergunta ao amado: \u2014 Quando vamos jantar fora? \u2014 Esta noite. \u2014 E a viagem \u00e0 praia? \u2014 Esta semana talvez n\u00e3o d\u00ea. Nem este m\u00eas. Mas, com  certeza, este ano iremos l\u00e1.      <\/p>\n<p>Reparou? As promessas se referem ao tempo presente \u2014 a  noite, a semana, o m\u00eas e o ano em curso. Da\u00ed a presen\u00e7a do <i>este<\/i>.        <\/p>\n<p>***      <\/p>\n<p>Uma semana depois,  ela comenta: \u2014 Que coisa! O jantar n\u00e3o rolou at\u00e9  hoje. \u2014 Pois \u00e9. Naquela noite, tive de fazer plant\u00e3o. Nesses  outros dias, pintaram mil problemas. Mas desta noite n\u00e3o passa.      <\/p>\n<p>Olho vivo. Ele fala do passado. Ao dizer &#8220;naquela noite&#8221;,  imagina um passado distante. Ao usar &#8220;nesses outros dias&#8221;, refere-se a passado  mais pr\u00f3ximo.  <strong><\/strong>&nbsp; <strong>Sangue  azul<\/strong>      <\/p>\n<p>O emprego  do pronome na capa da revista&nbsp;pertence a outra  estirpe. N\u00e3o tem nada a ver com lugar nem tempo. Tem a ver com o  <b>texto<\/b>:<b> <\/b><b>     <\/p>\n<p><\/b><b>Esse<\/b> d\u00e1 este recado: os  alimentos foram referidos antes. O demonstrativo retoma a informa\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso,  n\u00e3o? Azeite, castanhas e salm\u00e3o v\u00eam na frente. O <i>esse<\/i> vem atr\u00e1s. Diz a  que alimentos se refere \u2014 aos citados.<b> <\/b><b>     <\/p>\n<p><\/b><b>Este<\/b> mira o porvir. Anuncia os  alimentos liberados pela ci\u00eancia. S\u00f3 depois os mostra.  <strong><\/strong>&nbsp; Mais exemplos:      <\/p>\n<p>M\u00e1rio Quintana escreveu es<b>t<\/b>a defini\u00e7\u00e3o: &#8220;A  mentira \u00e9 a verdade que se esqueceu de acontecer&#8221;. &#8220;A mentira \u00e9 a verdade que se esqueceu de acontecer.&#8221;  E<b>ss<\/b>a defini\u00e7\u00e3o \u00e9 de M\u00e1rio Quintana.      <\/p>\n<p>***      <\/p>\n<p>\u2014 Quem disse esse  absurdo? \u2014 Eu n\u00e3o disse. O que eu disse foi es<b>t<\/b>e fato:  &#8220;Vou sair mais cedo&#8221;. <strong><\/strong>&nbsp; <strong>Pra se lembrar sempre<\/strong>    <\/p>\n<p>E<strong>ss<\/strong>e se refere ao  pa<strong>ss<\/strong>ado. Da\u00ed os <strong>ss<\/strong>. Es<strong>t<\/strong>e  trata do fu<strong>t<\/strong>uro. O <strong>t<\/strong> comprova a  alian\u00e7a<strong>.<\/strong> <strong><\/strong>&nbsp;     <\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Viu a capa da Veja? Ela chama a aten\u00e7\u00e3o. Nem tanto pelo assunto, mas pela l\u00edngua. Ali est\u00e3o dois pronomes que adoram nos pegar pelo p\u00e9. S\u00e3o os demonstrativos esse e este. Azeite, castanhas e salm\u00e3o aparecem na parte superior da p\u00e1gina. Logo abaixo, o texto: &#8220;Esses alimentos sempre foram liberados&#8221;. No meio, a manchete: &#8220;A reden\u00e7\u00e3o da gordura&#8221;. Em seguida, novo texto: &#8220;Agora [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-6981","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6981","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6981"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6981\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6981"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6981"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6981"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}