{"id":7095,"date":"2012-03-24T12:00:00","date_gmt":"2012-03-24T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/e_pedigree_de_onde_vem\/"},"modified":"2012-03-24T12:00:00","modified_gmt":"2012-03-24T15:00:00","slug":"e_pedigree_de_onde_vem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/e_pedigree_de_onde_vem\/","title":{"rendered":"E pedigree, de onde vem?"},"content":{"rendered":"<p>  <b> <\/p>\n<p><\/b>  <b> <\/p>\n<p><\/b><b>Al Martin<\/b>  &nbsp;  H\u00e1 900 anos, na Inglaterra falava-se franc\u00eas. Era, pelo menos, a l\u00edngua usada pelos letrados e pela pr\u00f3pria corte. Esse entusiasmo dos anglos pela l\u00edngua de prest\u00edgio durou bem uns 300 anos, tempo suficiente para que o falar local se impregnasse de palavras e express\u00f5es vindas do outro lado da Mancha.  &nbsp;  A imensa maioria das palavras abstratas inglesas atuais s\u00e3o de origem latina. Aportaram \u00e0 Gr\u00e3-Bretanha vindas diretamente do latim ou, o mais das vezes, atrav\u00e9s do franc\u00eas. At\u00e9 express\u00f5es corriqueiras do dia a dia foram tomadas emprestadas dos gauleses ou constru\u00eddas com voc\u00e1bulos daquela que era percebida como l\u00edngua de cultura.  &nbsp;  Hoje a tend\u00eancia se inverteu e, com o advento da inform\u00e1tica, tende a acelerar. As palavras para nomear as novas necessidades s\u00e3o geradas pelos ingleses e adotadas pelos franceses. H\u00e1 at\u00e9 casos curios\u00edssimos de palavras que foram e voltaram. <b><i>Budget<\/i><\/b>, por exemplo, nasceu <b><i>bougette<\/i><\/b>, francesa leg\u00edtima. Era o nome daquela bolsinha de couro que, na Idade M\u00e9dia, se carregava \u00e0 cintura, como se v\u00ea em filmes hist\u00f3ricos. Cruzou o canal quase um mil\u00eanio atr\u00e1s. O desaparecimento dos saquinhos de couro liberou a palavra para outros usos. E ela acabou adquirindo o significado de or\u00e7amento. J\u00e1 com o novo sentido, cruzou de volta a Mancha e retornou \u00e0 terra de origem, onde passou a ser usada correntemente. Poucos franceses conhe\u00e7am essa hist\u00f3ria de ida e volta.  &nbsp;  Mas fal\u00e1vamos do <b><i>pedigree<\/i><\/b>. Estranha palavra, n\u00e3o? Muito antigamente, a cada vez que o os ingleses escreviam sobre descend\u00eancia ou genealogia, a filia\u00e7\u00e3o era indicada por tr\u00eas tra\u00e7os verticais divergentes. Essas marcas lembram as pegadas de uma gar\u00e7a. Da parecen\u00e7a \u00e0 oficializa\u00e7\u00e3o da express\u00e3o, bastou um passo.  &nbsp;  O povo n\u00e3o estava muito interessado em filia\u00e7\u00e3o nem em genealogia, preocupa\u00e7\u00f5es ausentes de seu quotidiano. De qualquer maneira, muito poucos sabiam escrever. Coube ent\u00e3o aos letrados dar nome \u00e0 coisa. Podiam ter chamado <b><i>\u201cfoot of crane\u201d<\/i><\/b> \u2014 o equivalente ingl\u00eas para p\u00e9 de gar\u00e7a. Mas preferiram usar palavras francesas, que, afinal, soavam bem mais chiques. Criou-se ent\u00e3o o <b><i>\u201cpied de grue\u201d<\/i><\/b>, tradu\u00e7\u00e3o do mesmo p\u00e9 avi\u00e1rio.  &nbsp;  O tempo encarregou-se de erodir a express\u00e3o. Ao longo dos s\u00e9culos, passou por formas tais como <i>pedigrew<\/i> e <i>pedegru<\/i>, at\u00e9 desembocar no atual <b><i>pedigree<\/i><\/b>. Alguns estudiosos acreditam que haja havido contamina\u00e7\u00e3o da inglesa <i>degree<\/i>.  &nbsp;  Seja como for, o voc\u00e1bulo especializou-se em linhagem animal. N\u00e3o pega bem dizer que o <b><i>pedigree<\/i><\/b> da rainha da Inglaterra \u00e9 pr\u00f3ximo do da fam\u00edlia real espanhola. Para gente, \u00e9 melhor usar ascend\u00eancia, linhagem, estirpe, fam\u00edlia.  &nbsp;  Os franceses acharam gra\u00e7a na express\u00e3o, mas l\u00e1 n\u00e3o reconheceram a gar\u00e7a oculta. Usam-na com o mesmo sentido, mas pronunciam <b><i>pedigr\u00ea<\/i><\/b>. A express\u00e3o \u201cpied de grue\u201d existe em franc\u00eas, mas tem significado completamente diferente. Fica para uma outra vez.  &nbsp;  &nbsp;     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al Martin &nbsp; H\u00e1 900 anos, na Inglaterra falava-se franc\u00eas. Era, pelo menos, a l\u00edngua usada pelos letrados e pela pr\u00f3pria corte. 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