{"id":7202,"date":"2012-12-26T09:10:00","date_gmt":"2012-12-26T11:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/questao_de_bom_senso\/"},"modified":"2012-12-26T09:10:00","modified_gmt":"2012-12-26T11:10:00","slug":"questao_de_bom_senso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/questao_de_bom_senso\/","title":{"rendered":"Quest\u00e3o de bom senso"},"content":{"rendered":"<div> <a name=\"Save1\"><\/a>   <\/p>\n<p>Causa apreens\u00e3o o an\u00fancio de que a entrada em vigor da reforma ortogr\u00e1fica  pode ser adiada. Assinado em 1990, o acordo passou a viger em car\u00e1ter  transit\u00f3rio de 1\u00ba de dezembro de 2009 at\u00e9 31 de dezembro de 2012. Nesse per\u00edodo,  conviveriam as duas grafias. No primeiro dia de 2013, s\u00f3 as novas regras seriam  consideradas corretas.   <\/p>\n<p>A mudan\u00e7a pegou. Na data prevista, jornais, revistas, tev\u00eas amanheceram  exibindo a novidade. Editoras se apressaram a atualizar dicion\u00e1rios, gram\u00e1ticas,  livros did\u00e1ticos e paradid\u00e1ticos. Bibliotecas, escolas, estudantes,  profissionais em geral jogaram na fogueira as obras que se tornaram obsoletas e  investiram na aquisi\u00e7\u00e3o de acervo moderno. Em n\u00e3o raros casos a iniciativa  constituiu sacrif\u00edcio para pais, trabalhadores e comunidades preocupadas com a  educa\u00e7\u00e3o.   <\/p>\n<p>Por que voltar atr\u00e1s no que custou tanto \u00e0 sociedade? Custou dinheiro, tempo,  treinamento. Alegar que Portugal marcou data posterior para tornar obrigat\u00f3ria a  mudan\u00e7a n\u00e3o justifica o retrocesso. Afundado em crise econ\u00f4mica, o pa\u00eds tem  outras urg\u00eancias. Resolvidas, novas pautas ter\u00e3o vez. Dizer que professores n\u00e3o  conseguiram dominar o tema? \u00c9 desqualificar os mestres.    <\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o poucas que, se realmente algu\u00e9m ainda n\u00e3o as aprendeu,  uma hora \u00e9 suficiente para tomar conhecimento das modifica\u00e7\u00f5es. Ora, derrubar o  trema, os acentos diferenciais, o circunflexo dos hiatos oo e eem, o agudo dos  ditongos abertos ei e oi, os acentos diferenciais e dois outros casos n\u00e3o  constituem nenhum tratado de f\u00edsica. S\u00e3o simplifica\u00e7\u00f5es que, se exigem  esquecimento dos que sabem, v\u00e3o simplificar a aprendizagem dos que come\u00e7am  agora. Menos regras ser\u00e1 necess\u00e1rio memorizar.   <\/p>\n<p>Tend\u00eancia \u00e0 procrastina\u00e7\u00e3o constitui marca registrada do Brasil. Adia-se tudo  \u2014 a reforma tribut\u00e1ria, a moderniza\u00e7\u00e3o das leis trabalhistas, o investimento em  infraestrutura, a revolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o, a entrada no s\u00e9culo 21. E assim, de  adiamento em adiamento, perdemos o trem da hist\u00f3ria e ficamos marcando passo. O  acordo pode ser melhorado? Pode.    <\/p>\n<p>Mas a mudan\u00e7a exigir\u00e1 recome\u00e7o \u2014 novos dicion\u00e1rios, novas gram\u00e1ticas, novos  livros did\u00e1ticos e paradid\u00e1ticos. Convenhamos: \u00e9 hora de avan\u00e7ar. Olhar  para tr\u00e1s, neste momento, \u00e9 tirar a vanguarda do Brasil. Os 200 milh\u00f5es de  brasileiros t\u00eam for\u00e7a bem maior que os 40 milh\u00f5es de lusofalantes europeus e  africanos. Cabe \u00e0 nossa diplomacia atuar para que os outros sigam os passos  verde-amarelos. N\u00e3o o contr\u00e1rio.   <\/p>\n<p>(Editorial do Correio Braziliense de ontem.)  <\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Causa apreens\u00e3o o an\u00fancio de que a entrada em vigor da reforma ortogr\u00e1fica pode ser adiada. Assinado em 1990, o acordo passou a viger em car\u00e1ter transit\u00f3rio de 1\u00ba de dezembro de 2009 at\u00e9 31 de dezembro de 2012. Nesse per\u00edodo, conviveriam as duas grafias. No primeiro dia de 2013, s\u00f3 as novas regras seriam consideradas corretas. A mudan\u00e7a pegou. 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