{"id":7389,"date":"2012-08-07T12:30:00","date_gmt":"2012-08-07T15:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/eu_nao_me_amo\/"},"modified":"2012-08-07T12:30:00","modified_gmt":"2012-08-07T15:30:00","slug":"eu_nao_me_amo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/eu_nao_me_amo\/","title":{"rendered":"Eu n\u00e3o me amo"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b><\/b>    <\/p>\n<p>O objeto de desejo das garotas? \u00c9 ser modelo. Elas querem brilhar nas  passarelas, enfeitar capas de revistas, viajar mundo afora. E, de quebra, ganhar  muito, muito dinheiro. No Brasil, Gisele B\u00fcndchen serve de exemplo. Bela e  vitoriosa, frequenta o jet set internacional, circula com bonit\u00f5es do cinema e assina  contratos milion\u00e1rios.     <\/p>\n<p>&#8220;Por que n\u00e3o eu?&#8221;, perguntam-se mo\u00e7as de Europa, Fran\u00e7a e Bahia. Um dos  requisitos: ser pra l\u00e1 de magra. Elas, ent\u00e3o, fecham a boca. Comem cada vez  menos. A balan\u00e7a aplaude. Elas se entusiasmam. Diminuem ainda mais as folhas de  alface e as fatias de tomate. Perdem mais peso. Viram pele e osso. E se sentem  gordas. Refor\u00e7am a dieta. E por a\u00ed vai o c\u00edrculo vicioso.     <\/p>\n<p>Um dia se lembram que s\u00e3o gente. Querem comer como todo mundo. N\u00e3o conseguem.  Fruta, p\u00e3o, leite, arroz, feij\u00e3o n\u00e3o descem. V\u00e3o ao m\u00e9dico. \u00c9 anorexia. Nada  menos que 1% da popula\u00e7\u00e3o sofre da doen\u00e7a. S\u00e3o 60 milh\u00f5es de pessoas. Delas, 20%  n\u00e3o t\u00eam volta. Morrem.     <\/p>\n<p><b> &nbsp; <\/b>Ditadura da moda     <\/p>\n<p>A doen\u00e7a que rouba a vida de mo\u00e7as e rapazes tem nome sofisticado. \u00c9  anorexia. A palavra vem do grego. Na l\u00edngua de Arist\u00f3teles e Plat\u00e3o,  <i>\u00f3rexis<\/i> significa apetite. O prefixo <b>a <\/b>indica nega\u00e7\u00e3o. \u00c9 o mesmo  que aparece em <b>a<\/b>normal (n\u00e3o normal) e <b>a<\/b>moral (aus\u00eancia de moral).  Ao p\u00e9 da letra, anorexia quer dizer perda do apetite. Em busca do corpo  perfeito, a criatura se submete \u00e0 ditadura da moda. Deixa de comer para se  livrar de quilinhos. Mas abusa.  &nbsp; Autoestima     <\/p>\n<p>Consultados, psic\u00f3logos explicam. No fundo, o anor\u00e9xico n\u00e3o se ama. Sente-se  feio e incapaz de satisfazer expectativas nele depositadas. &#8220;\u00c9 a doen\u00e7a da  autoestima&#8221;, dizem eles. Os professores aproveitam a deixa. Ensinam duas  li\u00e7\u00f5es. Uma: o sentido de <i>auto<\/i>-. A diss\u00edlaba quer dizer <i>pr\u00f3prio<\/i>.  Da\u00ed autopromo\u00e7\u00e3o (promo\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio), autodefesa (defesa de si pr\u00f3prio),  autodidata (professor de si mesmo).     <\/p>\n<p>A outra: a grafia das palavras escritas com <i>auto<\/i>-. Elas pedem h\u00edfen  quando auto- for seguido de h e o (auto-hipnose, auto-observa\u00e7\u00e3o). No mais, \u00e9 tudo colado (autoavalia\u00e7\u00e3o, autoestrada,  auto-hipnose, autorrealiza\u00e7\u00e3o, sutossufici\u00eancia).&nbsp;<i><\/i> &nbsp; Voc\u00ea sabia?     <\/p>\n<p>Amor pr\u00f3prio \u00e9 a forma 100% nacional de autoestima.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O objeto de desejo das garotas? \u00c9 ser modelo. Elas querem brilhar nas passarelas, enfeitar capas de revistas, viajar mundo afora. E, de quebra, ganhar muito, muito dinheiro. No Brasil, Gisele B\u00fcndchen serve de exemplo. Bela e vitoriosa, frequenta o jet set internacional, circula com bonit\u00f5es do cinema e assina contratos milion\u00e1rios. &#8220;Por que n\u00e3o eu?&#8221;, perguntam-se mo\u00e7as de Europa, Fran\u00e7a e Bahia. 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