{"id":7452,"date":"2012-08-22T00:00:00","date_gmt":"2012-08-22T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/julgamento_fatiado\/"},"modified":"2012-08-22T00:00:00","modified_gmt":"2012-08-22T03:00:00","slug":"julgamento_fatiado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/julgamento_fatiado\/","title":{"rendered":"Julgamento fatiado"},"content":{"rendered":"<p><b> <\/p>\n<p><\/b> Quem pode prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura de 1.200 p\u00e1ginas? Nem Deus.  As criaturas s\u00f3 conseguem&nbsp;ficar atentas  por determinado tempo. Depois, precisam de pausa.&nbsp;Cheios de engenho,  os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiram ler os votos em etapas. &#8220;Ser\u00e1  um julgamento fatiado&#8221;, explicaram. &#8220;\u00c0 presta\u00e7\u00e3o.&#8221;  <\/p>\n<p>Os jornais correram atr\u00e1s da novidade. Na hora de escrever, veio  a d\u00favida. Com crase ou sem crase? Os rep\u00f3rteres n\u00e3o chegaram a acordo. Alguns  escrevem <i>\u00e0 presta\u00e7\u00e3o. <\/i>Outros, <i>a presta\u00e7\u00e3o. <\/i>E da\u00ed? Qual a forma  nota 10? Sem certezas,&nbsp;a mo\u00e7ada  consultou gram\u00e1ticas. L\u00e1 estava a velha li\u00e7\u00e3o t\u00e3o  antiga quanto o rascunho da <i>B\u00edblia<\/i>.<b> &nbsp; Encontro de iguais<\/b>  <\/p>\n<p>A crase indica o casamento de dois <b>aa<\/b>.<b> <\/b>Em geral,  preposi\u00e7\u00e3o e artigo. Assim: <i>  <\/p>\n<p>Dirigiu-se \u00e0 piscina.<\/i><i>  <\/i>  <\/p>\n<p>O primeiro <b>a<\/b> \u00e9 exigido pelo verbo <i>dirigir-se <\/i>(quem  se dirige se dirige <b>a<\/b> algum lugar). O segundo \u00e9 o artigo pedido pelo  substantivo <i>cidade <\/i>(<b>a<\/b> cidade). Pronto: a + a = \u00e0.   <\/p>\n<p>Na d\u00favida, apele para&nbsp;truque infal\u00edvel. Substitua o  substantivo feminino por masculino (n\u00e3o  precisa ser sin\u00f4nimo). Se no troca-troca aparecer <b>ao<\/b>, sinal de crase. Se  n\u00e3o, o <b>a<\/b> fica solit\u00e1rio. Compare: <i> &nbsp;Foi <b>\u00e0<\/b> cidade. Foi <b>ao<\/b> clube. <\/p>\n<p><\/i><i><b><\/b> <\/p>\n<p>Chegou <b>\u00e0<\/b> faculdade&nbsp;quando anoiteceu. Chegou <b>ao<\/b> trabalho&nbsp;quando&nbsp;anoiteceu. <\/i><b>  <\/p>\n<p> <\/b>Dirigiu-se <b>\u00e0<\/b> diretoria.  Dirigiu-se <b>ao<\/b> laborat\u00f3rio.  <\/p>\n<p>Refere-se <b>a<\/b> pessoas estranhas. Refere-se <b>a<\/b>  trabalhos estranhos.<b>  <\/p>\n<p> <\/b>Encaminhou-se <b>a<\/b> uma  recepcionista. Encaminhou-se <b>a<\/b> um recepcionista.<b> &nbsp; Vaca fria<\/b>  <\/p>\n<p>Voltemos \u00e0 d\u00favida inicial. <i>Votar a presta\u00e7\u00e3o? \u00c0 presta\u00e7\u00e3o?<\/i> <\/p>\n<p>Nem sempre o acento resulta de crase (a + a). \u00c0s vezes, por  quest\u00e3o de clareza, apela-se para a falsa crase. Usa-se <b>\u00e0<\/b> mesmo sem a  contra\u00e7\u00e3o dos dois <b>aa<\/b>. <i>Vender \u00e0 vista<\/i>, por exemplo. A\u00ed, n\u00e3o h\u00e1  crase. Quer ver? Vamos ao masculino: <i>vender a prazo<\/i>.   <\/p>\n<p>Por que o \u00e0? Para evitar mal-entendidos. Sem o acento,  poder-se-ia entender que se quer vender <i>a vista <\/i>(o olho). O mesmo ocorre  com <i>bater \u00e0<\/i><b> <\/b><i>m\u00e1quina<\/i>. Sem a crase, parece que se deu pancada  na m\u00e1quina. N\u00e3o \u00e9 bem isso, convenhamos.   <\/p>\n<p>Em que casos o duplo sentido ocorre? Geralmente <b>nas locu\u00e7\u00f5es  que indicam meio e instrumento<\/b>: <i>Matou-o \u00e0 bala. Feriram-se \u00e0 faca. Est\u00e1 \u00e0  venda. Escrever \u00e0 tinta. Feito \u00e0 m\u00e3o. Enxotar \u00e0 pedrada. Fechar \u00e0 chave. Matar  o<\/i> <i>inimigo \u00e0 fome. Entrar \u00e0 for\u00e7a. Andar \u00e0 toa na vida. <\/i><b> &nbsp; Superdica<\/b><b> &nbsp;<\/b> O acento \u00e9 obrigat\u00f3rio? Ou s\u00f3 se deve recorrer a ele em caso de  ambiguidade? Sem risco de duas interpreta\u00e7\u00f5es, fica a gosto do fregu\u00eas. Mas h\u00e1  forte prefer\u00eancia pela falsa crase. Use-a. Voc\u00ea acertar\u00e1 sempre.    <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem pode prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura de 1.200 p\u00e1ginas? Nem Deus. As criaturas s\u00f3 conseguem&nbsp;ficar atentas por determinado tempo. Depois, precisam de pausa.&nbsp;Cheios de engenho, os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiram ler os votos em etapas. &#8220;Ser\u00e1 um julgamento fatiado&#8221;, explicaram. &#8220;\u00c0 presta\u00e7\u00e3o.&#8221; Os jornais correram atr\u00e1s da novidade. Na hora de escrever, veio a d\u00favida. Com crase ou sem crase? 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