{"id":7476,"date":"2012-08-29T00:05:00","date_gmt":"2012-08-29T03:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_pomo_da_discordia-2\/"},"modified":"2012-08-29T00:05:00","modified_gmt":"2012-08-29T03:05:00","slug":"o_pomo_da_discordia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_pomo_da_discordia-2\/","title":{"rendered":"O pomo da disc\u00f3rdia"},"content":{"rendered":"<p><b>  <\/p>\n<p><\/b> Redatores e revisores nem sempre se entendem. Volta e meia,  uma corre\u00e7\u00e3o vira um pega pra capar. Uns e outros medem for\u00e7as. Cada um quer  provar que est\u00e1 certo. O pomo da disc\u00f3rdia mais recente \u00e9 o verbo apontar.  Sempre que aparecem frases como &#8220;a pesquisa aponta que haver\u00e1 empate t\u00e9cnico&#8221;,  arma-se baita confus\u00e3o. &#8220;Apontar n\u00e3o aceita a conjun\u00e7\u00e3o que&#8221;, explicam os  guardi\u00f5es da l\u00edngua. &#8220;Aceita&#8221;, batem p\u00e9 os profissionais que ganham o p\u00e3o deles  de todos os dias escrevendo, escrevendo, escrevendo.  <\/p>\n<p>A revista <i>Nova Escola<\/i> jogou gasolina na fogueira. Eis  a manchete de capa: &#8220;Estudo aponta que curso a dist\u00e2ncia que mais cresce no pa\u00eds  tem os mesmos problemas do ensino presencial&#8221;. Ops! E da\u00ed? A edi\u00e7\u00e3o deu uma bola  dentro. <i>A dist\u00e2ncia<\/i>, quando indeterminada, n\u00e3o aceita crase. O acentinho  s\u00f3 tem vez com <i>a dist\u00e2ncia<\/i> especificada (falou \u00e0 dist\u00e2ncia de 100m). Mas  trope\u00e7ou no apontar. Ele n\u00e3o joga no time dicendi \u2014 o dos verbos que falam e  dizem.<b>  <\/p>\n<p>Verbo dicendi<\/b>  <\/p>\n<p>O Houaiss define o verbo dicendi deste jeitinho: &#8220;Verbo  dizer e sin\u00f4nimos ou afins, cujo objeto direto \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o substantiva que  exprime o conte\u00fado de um ato de fala&#8221;. Cita dois exemplos: <i>Jo\u00e3o disse que vai  viajar. Maria declarou estar doente.<\/i>  <\/p>\n<p>Guarde isto: o dicendi exprime o <b>conte\u00fado de um ato de  fala<\/b>. Al\u00e9m de <i>dizer<\/i> e <i>declarar<\/i>, pertencem ao time falante:  <i>afirmar<\/i> (afirmou que sairia), <i>responder<\/i> (respondeu que conhecia os  r\u00e9us), <i>negar<\/i> (nega que tenha participado do crime), <i>pedir<\/i> (pediu  que sa\u00edssem mais cedo), <i>solicitar <\/i>(solicitei que me encaminhasssem o  documento), <i>rogar<\/i> (rogou que estudassem um pouco mais), <i>ordenar  <\/i>(ordenamos que partissem mais cedo), <i>mandar <\/i>(mandou que os estudantes  fossem \u00e0 biblioteca), jurar (jurou que era inocente).<b>  <\/p>\n<p>Vamos combinar? <\/b>  <\/p>\n<p>O apontar n\u00e3o se refere \u00e0 fala de ningu\u00e9m. Com ele, a  conjun\u00e7\u00e3o <i>que <\/i>quer dist\u00e2ncia. Vade retro, santan\u00e1s!<b> <\/p>\n<p><\/b> <\/p>\n<p><b><\/b><b><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Redatores e revisores nem sempre se entendem. Volta e meia, uma corre\u00e7\u00e3o vira um pega pra capar. Uns e outros medem for\u00e7as. Cada um quer provar que est\u00e1 certo. O pomo da disc\u00f3rdia mais recente \u00e9 o verbo apontar. Sempre que aparecem frases como &#8220;a pesquisa aponta que haver\u00e1 empate t\u00e9cnico&#8221;, arma-se baita confus\u00e3o. &#8220;Apontar n\u00e3o aceita a conjun\u00e7\u00e3o que&#8221;, explicam os guardi\u00f5es da l\u00edngua. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-7476","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7476","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7476"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7476\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}