{"id":7513,"date":"2013-01-07T00:00:00","date_gmt":"2013-01-07T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/rascunhos-8\/"},"modified":"2013-01-07T00:00:00","modified_gmt":"2013-01-07T02:00:00","slug":"rascunhos-8","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/rascunhos-8\/","title":{"rendered":"rascunhos"},"content":{"rendered":"\n<p>   P\u00e9rola legislativa  &#8220;O que \u00e9 bom&#8221;, diz o povo sabido, &#8220;anda devagar. O que \u00e9 ruim se espalha  rapidinho&#8221;. Vale o exemplo de Bras\u00edlia. Lei local obriga os elevadores a  ostentar uma placa. Nela, os dizeres impostos pela C\u00e2mara: &#8220;Aviso aos usu\u00e1rios:  antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se neste andar&#8221;.  O texto provoca arrepios. Tem, nada menos, que tr\u00eas erros. Os candangos  protestaram. N\u00e3o queriam ver a aberra\u00e7\u00e3o todos os dias \u00e0 frente dos olhos. N\u00e3o  adiantou. Pior: o deputado Raimundo Santos, do Par\u00e1, copiou a id\u00e9ia e a frase.  Apresentou o Projeto de lei 3.504, que obriga a fixa\u00e7\u00e3o da tal advert\u00eancia  Brasil afora.  Murilo Frade viu. Em desespero, pediu socorro \u00e0 coluna. Quer que o texto  correto seja publicado de novo (meses atr\u00e1s, o assunto freq\u00fcentou esta p\u00e1gina).  Assim, talvez, Sua Excel\u00eancia se manque. Ainda h\u00e1 tempo de fugir do vexame.   Pedido de leitor \u00e9 ordem. Ei-lo: Aviso aos usu\u00e1rios: antes de entrar,  verifique se o elevador se encontra neste andar.  Por qu\u00ea?  1. No caso, s\u00f3 se pode entrar no elevador.  2. \u00aeMDUL\u00afO mesmo n\u00e3o funciona como sujeito.  3. A conjun\u00e7\u00e3o (se) atrai o pronome.  \u00c9 isso. &#8220;O imperador n\u00e3o est\u00e1 acima da gram\u00e1tica&#8221;, disse J\u00falio C\u00e9sar. &#8220;Nem os  deputados&#8221;, dizemos n\u00f3s.  Li\u00e7\u00e3o de verbos  A meninada s\u00f3 aprende verbo na decoreba. Por isso, os professores p\u00f5em os  alunos em coro a repetir conjuga\u00e7\u00f5es e conjuga\u00e7\u00f5es. Outro dia, n\u00e3o foi  diferente. A diferen\u00e7a foi a visita inesperada. Em campanha para a prefeitura  paulistana, Paulo Maluf chegou \u00e0 escola da periferia. Ao passar diante de uma  das salas, ouviu a garotada falando ao mesmo tempo:  \u00ad Eu malufo, tu malufas, ele malufa, n\u00f3s malufamos, eles malufam.  Impressionado, o eterno candidato se vira para a diretora e diz:  \u00ad A senhora deve estar orgulhosa desses meninos. Eles s\u00e3o \u00f3timos.  \u00ad Nem todos, respondeu a mestra. Nem todos. Outro dia, pegamos um malufando  um refrigerante na cantina.   Jogo de palavras  Bush \u00e9 presidente candidato ou candidato presidente? A quest\u00e3o lembra os  biscoitos Tostines. Eles s\u00e3o crocantes porque vendem mais ou vendem mais porque  s\u00e3o crocantes? Em \u00aeMDUL\u00afMem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas, Machado de Assis faz  jogo semelhante: &#8220;N\u00e3o sou um autor defunto, mas um defunto autor&#8221;.  Qual a manha? No caso, a mesma palavra aparece no papel de duas classes. Uma  \u00e9 substantivo. A outra, adjetivo. Qual \u00e9 o qu\u00ea? Na l\u00edngua, a ordem dos termos  conta. O primeiro \u00e9 substantivo. O segundo, adjetivo. Bush \u00e9 \u00aeMDUL\u00afpresidente  candidato \u00ad presidente que concorre \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o. Br\u00e1s Cubas \u00e9 \u00aeMDUL\u00afautor  defunto \u00ad autor que escreveu a obra depois de morto.   \u00c9 assim  Os fonemas s\u00e3o enganadores. Soam de um jeito. Escrevem-se de outro. \u00c9 o caso  do l. No fim da s\u00edlaba, a letra soa u. Valem os exemplos de \u00aeMDUL\u00afmal, carnaval,  animal. \u00c0s vezes, o fim da s\u00edlaba n\u00e3o coincide com o fim da palavra.  \u00aeMDUL\u00afFral-da, cal-da e \u00aeMDUL\u00afmal-va-da servem de prova. A\u00ed tamb\u00e9m o l se  pronuncia como o u. Da\u00ed o troca-troca de letras.  Sem corar  De repente, n\u00e3o mais que de repente, Palocci virou her\u00f3i. O ministro ganhou  capa da \u00aeMDUL\u00afVeja, entrevista no\u00aeMDUL\u00af Bom-Dia, Brasil, e mat\u00e9ria em jornais e  revistas. Na ter\u00e7a, a fama lhe subiu \u00e0 cabe\u00e7a. Ao falar sobre o crescimento do  PIB, disse:  \u00ad H\u00e1 um ano atr\u00e1s t\u00ednhamos uma infla\u00e7\u00e3o de quase 10%.  Nem corou. Pudera! O homem n\u00e3o se deu conta do baita pleonasmo. H\u00e1 indica  tempo passado. Atr\u00e1s tamb\u00e9m. Os dois juntos s\u00e3o indigestos. Melhor ficar com um  ou outro: H\u00e1 \u00aeMDUL\u00afum ano, t\u00ednhamos infla\u00e7\u00e3o de quase 10%. Um ano atr\u00e1s,\u00aeMDUL\u00af  t\u00ednhamos infla\u00e7\u00e3o de quase 10%.  Leitor pergunta  Eu como tra\u00edra sem espinho? Ou tra\u00edra sem espinha?  T\u00e2nia Martinez Talim, Bel\u00f4  \u00aeMDUL\u00af Coma a tra\u00edra sem espinha. Bom proveito.\u00aeMDUL\u00af  ***  Tenho uma d\u00favida. Pode-se usar chiquet\u00e9zimo no lugar de chiqu\u00e9rrimo?  Miclelly, lugar incerto  Ambas as palavras \u00ad chiqu\u00e9rrimo e chiquet\u00e9rrimo \u00ad n\u00e3o freq\u00fcentam o  dicion\u00e1rio. Mas se ouvem por a\u00ed. S\u00e3o formas afetadas de falar. Colun\u00e1veis e  colunistas sociais as adoram. Se voc\u00ea gosta delas, n\u00e3o se acanhe. Use-as.  \u00aeMDUL\u00af_<i>15:42 11\/01\/05translated by GENERIC<\/i>    <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00e9rola legislativa &#8220;O que \u00e9 bom&#8221;, diz o povo sabido, &#8220;anda devagar. O que \u00e9 ruim se espalha rapidinho&#8221;. Vale o exemplo de Bras\u00edlia. Lei local obriga os elevadores a ostentar uma placa. Nela, os dizeres impostos pela C\u00e2mara: &#8220;Aviso aos usu\u00e1rios: antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se neste andar&#8221;. O texto provoca arrepios. Tem, nada menos, que tr\u00eas erros. Os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-7513","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7513","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7513"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7513\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7513"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7513"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7513"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}