{"id":7651,"date":"2013-01-29T12:00:00","date_gmt":"2013-01-29T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/mais_tres_anos_para_nada\/"},"modified":"2013-01-29T12:00:00","modified_gmt":"2013-01-29T14:00:00","slug":"mais_tres_anos_para_nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/mais_tres_anos_para_nada\/","title":{"rendered":"Mais tr\u00eas anos para nada"},"content":{"rendered":"\n<p> ARNALDO NISKIER Membro da Academia Brasileira de Letras, presidente do Centro de  Integra\u00e7\u00e3o Empresa Escola (CIEE) e licenciado em pedagogia  <\/p>\n<p>Estamos vivendo uma falsa guerra de not\u00edcias sobre o Acordo  Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa.Mais, at\u00e9, em Portugal do que propriamente no  Brasil. Diversos escritores do outro lado do Atl\u00e2ntico criticam ferozmente a  exist\u00eancia da proposta de unifica\u00e7\u00e3o ortogr\u00e1fica, alguns utilizando virul\u00eancia desrespeitosa em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s.  <\/p>\n<p>Um deles, Gra\u00e7a Moura, em artigo no <i>Di\u00e1rio de Not\u00edcias<\/i> de 16  janeiro, entre outras bobagens, afirma que &#8220;o Acordo n\u00e3o serve para nada, a n\u00e3o  ser para aumentar a confus\u00e3o e lesar ainda mais a l\u00edngua portuguesa&#8221;. N\u00e3o \u00e9  exatamente o que pensam os fil\u00f3logos brasileiros, empenhados nesse trabalho  estrat\u00e9gico, realizado com todo o cuidado para n\u00e3o ferir suscetibilidades, nem  mesmo a vaidade de certos ditos especialistas.  <\/p>\n<p>No total das palavras em uso na l\u00edngua portuguesa, menos de 3%  foram afetadas pela simplifica\u00e7\u00e3o proposta pelo Acordo Ortogr\u00e1fico. Um n\u00famero na  verdade insignificante, se considerarmos a globalidade do mundo lus\u00f3fono.  Escrevendo de uma s\u00f3 forma, mas pronunciando cada um a seu modo, poderemos  manter a organicidade do nosso rico idioma, hoje submetido a  convuls\u00f5es.  <\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do marechal Charles De Gaulle tornou-se cl\u00e1ssica. Num dado momento, lan\u00e7ou a d\u00favida: &#8220;O Brasil \u00e9 um pa\u00eds s\u00e9rio?&#8221; Muitos de n\u00f3s  ficamos chocados. Isso feriu o orgulho nacional. Agora, a frase voltou \u00e0 tona a  prop\u00f3sito da decis\u00e3o do governo de adiar para 2016 a entrada em vigor do decreto  assinado em agosto de 2008 pelo presidente Lula, a prop\u00f3sito do Acordo  Ortogr\u00e1fico de Unifica\u00e7\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa. Mais tr\u00eas anos, para  nada.  <\/p>\n<p>Houve ades\u00e3o quase un\u00e2nime do lado brasileiro. Os nossos  irm\u00e3os portugueses e algumas na\u00e7\u00f5es luso-africanas, como Angola e Mo\u00e7ambique, por  interesses variados, resistiram \u00e0 ado\u00e7\u00e3o, que tem por finalidade essencial a  simplifica\u00e7\u00e3o da escrita do nosso idioma. Nada mais do que isso. E com um claro  objetivo estrat\u00e9gico: postular assim a oficializa\u00e7\u00e3o do portugu\u00eas como l\u00edngua de  trabalho da ONU, o que eleva o nosso status internacional.  <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m aqui h\u00e1 os recalcitrantes, que s\u00f3 agora se manifestam.  Silenciaram em 1990, quando o acordo foi assinado, e em 2008, quando se  estabeleceu o prazo fatal para a unifica\u00e7\u00e3o pretendida. Somos obrigados a ler  at\u00e9 alguns absurdos, como o coment\u00e1rio de que isso se fez de forma burocr\u00e1tica,  sem audi\u00eancias p\u00fablicas, ou por &#8220;reformadores de plant\u00e3o&#8221;. Aqui uma clara  agress\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria de um dos grandes brasileiros que se debru\u00e7aram sobre o  assunto, como \u00e9 o caso do acad\u00eamico Antonio Houaiss. Antes de ser cassado por  motivos pol\u00edticos, ele dedicou parte ponder\u00e1vel da vida, como fil\u00f3logo  consagrado, \u00e0 discuss\u00e3o interna e externa desse problema. S\u00f3 colheu  aplausos.  <\/p>\n<p>O Brasil aderiu com entusiasmo ao acordo. Livros, jornais e  revistas passaram a ser escritos com as novas normas. Centenas de concursos  p\u00fablicos, como \u00e9 o caso do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) \u2014 4 milh\u00f5es de  jovens \u2014, foram realizados com essa marca, aparentemente irrevers\u00edvel. S\u00e3o quase  200 milh\u00f5es de brasileiros que hoje escrevem de forma simplificada.Mudar esse  quadro n\u00e3o foi desrespeitoso?  <\/p>\n<p>Numa prova eloquente da sua modernidade, o nosso pa\u00eds aceitou as  recomenda\u00e7\u00f5es da Academia Brasileira de Letras (ABL), no que tange \u00e0s suas 200  mil escolas. Mesmo as do interior, como se atesta na Olimp\u00edada de L\u00edngua  Portuguesa, deixaram para tr\u00e1s os tempos de voo e enjoo com acento circunflexo.  De mais a mais, o que muitos desconhecem, h\u00e1 um decreto presidencial em pleno  vigor, datado de 1972, que d\u00e1 \u00e0 ABL as prerrogativas de ser a \u00faltima palavra em  mat\u00e9ria de grafia. Os mal-informados ou mesmo os ignorantes desconhecem isso e  a\u00ed s\u00f3 nos resta lamentar o retrocesso. <\/p>\n<p>(artigo publicado no <i>Correio Braziliense<\/i>) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ARNALDO NISKIER Membro da Academia Brasileira de Letras, presidente do Centro de Integra\u00e7\u00e3o Empresa Escola (CIEE) e licenciado em pedagogia Estamos vivendo uma falsa guerra de not\u00edcias sobre o Acordo Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa.Mais, at\u00e9, em Portugal do que propriamente no Brasil. 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