{"id":8141,"date":"2013-03-21T00:00:00","date_gmt":"2013-03-21T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/vitimas_da_educacao\/"},"modified":"2013-03-21T00:00:00","modified_gmt":"2013-03-21T03:00:00","slug":"vitimas_da_educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/vitimas_da_educacao\/","title":{"rendered":"V\u00edtimas da educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Paulo Silva Pinto <\/p>\n<p>Os estudantes que tiraram nota m\u00e1xima de reda\u00e7\u00e3o no Enem apesar de terem  escrito &#8220;enchergar&#8221; e &#8220;trousse&#8221;, dentre outras aberra\u00e7\u00f5es, s\u00e3o injustamente  vistos como privilegiados. De fato eles n\u00e3o deveriam estar no topo do p\u00f3dio. S\u00f3  que a prova n\u00e3o \u00e9 o fim. Eles receberam mensagens enganadoras: de sua capacidade  de escrever os qualifica plenamente a cursar a universidade e de que ela lhes  permitir\u00e1 mais tarde serem recebidos de bra\u00e7os abertos no mercado de  trabalho.  <\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 eles foram enganados. Muita gente que teve a maior parte da  escolaridade b\u00e1sica a partir dos anos 1980, grupo em que me incluo, enfrentou o  mesmo problema. Come\u00e7ou a ganhar corpo na \u00e9poca a ideia de que era preciso  acabar com as aulas ma\u00e7antes de gram\u00e1tica e, em vez disso, desenvolver outras  habilidades lingu\u00edsticas, sobretudo a criatividade.  <\/p>\n<p>A ideia de modernizar o ensino \u00e9 \u00f3tima. O problema \u00e9 fazer isso com preju\u00edzo  ao conhecimento da norma culta, como se fosse absolutamente secund\u00e1rio escrever  algo de um jeito ou de outro. N\u00e3o \u00e9. A padroniza\u00e7\u00e3o das palavras evita equ\u00edvocos  na comunica\u00e7\u00e3o. Certamente a l\u00edngua se transforma. Mas n\u00e3o podemos conviver com  uma nova l\u00edngua todos os dias. Se fosse assim, n\u00e3o sobraria tempo para fazer  outra coisa sen\u00e3o prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as nos c\u00f3digos. Ningu\u00e9m quer perder tempo com erros ou passar uma imagem ruim. Empresas  tendem a n\u00e3o contratar para as melhores posi\u00e7\u00f5es, ou a n\u00e3o manter nelas, pessoas  que t\u00eam falhas graves no conhecimento da l\u00edngua portuguesa. No caso do setor  p\u00fablico, isso \u00e9 ainda mais dr\u00e1stico, afinal a porta de entrada \u00e9 o concurso  p\u00fablico. Diferentemente do que ocorre no Enem, as bancas s\u00e3o extremamente  rigorosas quanto aos erros. Afinal, com o elevada disputa por uma vaga, uma  \u00fanica falha pode diferenciar um candidato de outro.  <\/p>\n<p>De fora dos ambientes profissionais, imagina-se que \u00e9 poss\u00edvel consultar  dicion\u00e1rios com frequ\u00eancia e rescrever um texto in\u00fameras vezes. N\u00e3o \u00e9 assim. O  tempo \u00e9 extremamente escasso \u2014 cada vez mais \u2014 e a exig\u00eancia de conformidade,  progressivamente maior. Mesmo em trabalhos especiais, \u00e9 preciso usar o  privil\u00e9gio do tempo extra para aprimorar a clareza e o estilo. N\u00e3o para  consertar erros \u00f3bvios.  <\/p>\n<p>Dar zero para quem comete erros na reda\u00e7\u00e3o do Enem seria um exagero. Mas a  nota mil est\u00e1 longe do que esses estudantes \u2014 e o Brasil \u2014 merecem.  <\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Silva Pinto Os estudantes que tiraram nota m\u00e1xima de reda\u00e7\u00e3o no Enem apesar de terem escrito &#8220;enchergar&#8221; e &#8220;trousse&#8221;, dentre outras aberra\u00e7\u00f5es, s\u00e3o injustamente vistos como privilegiados. De fato eles n\u00e3o deveriam estar no topo do p\u00f3dio. S\u00f3 que a prova n\u00e3o \u00e9 o fim. 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