{"id":8622,"date":"2013-04-20T18:00:00","date_gmt":"2013-04-20T21:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/de_mal_com_a_lingua-2\/"},"modified":"2013-04-20T18:00:00","modified_gmt":"2013-04-20T21:00:00","slug":"de_mal_com_a_lingua-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/de_mal_com_a_lingua-2\/","title":{"rendered":"De mal com a l\u00edngua"},"content":{"rendered":"<p>Dad Squarisi  &nbsp;  Qual o texto mais aguardado por esta alegre Pindorama? Ganha um bombom Godiva quem respondeu a ementa dos ac\u00f3rd\u00e3os do mensal\u00e3o. Ufa! Foram quatro meses de espera. Agora, finalmente, a obra veio \u00e0 luz. Advogados, pol\u00edticos, estudantes, r\u00e9us, corr\u00e9us, familiares, amigos, inimigos, indiferentes congestionaram o site do Supremo. Mas n\u00e3o desistiram. Pacientes, chegaram l\u00e1. Ao p\u00f4r os olhos no documento, ops!    <\/p>\n<p>Baita surpresa os espreitava. As 14 p\u00e1ginas parecem floresta sem clareiras. Mas percorr\u00ea-las \u00e9 preciso. V\u00e1 l\u00e1. Trope\u00e7os em rimas, v\u00edrgulas, redund\u00e2ncias, mai\u00fasculas &amp; cia. descuidada n\u00e3o arrefecem a avidez da leitura. O interesse no conte\u00fado abre trilhas. Ilumina desvios. Permite ignorar os obst\u00e1culos. Mas nem todos. Alguns freiam os p\u00e9s e dificultam a marcha.   <\/p>\n<p>O tamanh\u00e3o dos per\u00edodos imp\u00f5e idas e vindas. Testes sobre a mem\u00f3ria demonstram: o leitor ret\u00e9m bem frases com 150 toques. Com 200, guarda a segunda metade pior que a primeira. Com 250 ou mais, grande parte do enunciado se perde. Valha-nos, Padim Ci\u00e7o. Per\u00edodos com mais de mil caracteres s\u00e3o regra, n\u00e3o exce\u00e7\u00e3o. Todos ostentam uma marca \u2014 o corte de rela\u00e7\u00f5es com o ponto final.    <\/p>\n<p>Eis uma provinha de 296 dos 1.352 toques de um par\u00e1grafo: \u201cProsseguindo no julgamento quanto ao <b>item III <\/b>da den\u00fancia, ap\u00f3s o voto da Ministra Rosa Weber acompanhando parcialmente o Relator, divergindo somente em rela\u00e7\u00e3o ao r\u00e9u Jo\u00e3o Paulo Cunha para absolv\u00ea-lo do delito de peculato decorrente da contrata\u00e7\u00e3o da empresa IFT \u2013 Id\u00e9ias, Fatos e Texto Ltda., deixando a aprecia\u00e7\u00e3o dos delitos de lavagem de dinheiro\u2026\u201d Quer chegar ao fim? V\u00e1 ao site do STF. Antes, previna-se. Pe\u00e7a socorro \u00e0 legibilidade.   <\/p>\n<p>Passagens confundem. Ao passar por elas, o pobre leitor n\u00e3o sabe quem faz o qu\u00ea: \u201cO presidente indeferiu a suscita\u00e7\u00e3o de quest\u00e3o de ordem pelo advogado Alberto Zacharias Toron, ressalvando que poder\u00e1 faz\u00ea-la por ocasi\u00e3o de sua sustenta\u00e7\u00e3o oral\u201d. Valha-nos, Deus! Quem \u00e9 mesmo que vai faz\u00ea-la \u2014 o presidente ou o advogado? Com a palavra, a ambiguidade.   <\/p>\n<p>Qual \u00e9 a da reforma ortogr\u00e1fica? At\u00e9 2016 convivem as duas grafias. Pode-se adotar uma ou outra. S\u00f3 n\u00e3o vale misturar as esta\u00e7\u00f5es. \u00c9 o que fazem os ac\u00f3rd\u00e3os. Ora omitem o trema (cinquenta). Ora o conservam (cinq\u00fcenta). Ora omitem o acento diferencial (polo). Ora o ressuscitam (p\u00f3lo). Ora atualizam o h\u00edfen (coautor, corr\u00e9u). Ora voltam ao passado (co-autor, co-r\u00e9u). Cad\u00ea a coer\u00eancia? O gato comeu.   <\/p>\n<p>E fez mais estragos. Nem o pronome escapou. O indefinido <i>cada<\/i> tem alergia \u00e0 solid\u00e3o. Pra evitar coceiras e brotoejas, anda sempre acompanhado. O texto \u00e0s vezes respeita a fragilidade do diss\u00edlabo (cada um dos agentes), \u00e0s vezes pisa-a sem piedade (multa no valor de 10 sal\u00e1rios m\u00ednimos cada). Mais: a coloca\u00e7\u00e3o do \u00e1tono n\u00e3o se decide. Ou fica de olho na atra\u00e7\u00e3o. Ou a ignora com desd\u00e9m. O esta e o essa? A dupla comp\u00f5e o samba do demonstrativo doido.   <\/p>\n<p>O ex aproveita o ritmo e dan\u00e7a. Fora do baile, o prefixo d\u00e1 um recado claro. Diz que algu\u00e9m foi, mas deixou de ser. O ex-marido dividiu a cama com a mulher, mas deixou de faz\u00ea-lo. O ex-ministro usou crach\u00e1 de excel\u00eancia, mas o devolveu. Enquanto foram marido e ministro, n\u00e3o eram ex. \u00c9 o caso de Jo\u00e3o Paulo Cunha. Ele cometeu os malfeitos quando presidia a C\u00e2mara dos Deputados.    <\/p>\n<p>Eis o xis da quest\u00e3o. Os ac\u00f3rd\u00e3os o cassaram em pleno exerc\u00edcio do cargo: \u201cVincula\u00e7\u00e3o entre o pagamento da vantagem e os atos de of\u00edcio de compet\u00eancia do ex-presidente da C\u00e2mara, cuja pr\u00e1tica os s\u00f3cios da ag\u00eancia pretenderam influenciar\u201d. Que bagunnnnnnnnnnnn\u00e7a. Mesmo sem poder, o homem fez e aconteceu. \u00c9 m\u00e1gica? N\u00e3o. \u00c9 cochilo da revis\u00e3o.  &nbsp;     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dad Squarisi &nbsp; Qual o texto mais aguardado por esta alegre Pindorama? Ganha um bombom Godiva quem respondeu a ementa dos ac\u00f3rd\u00e3os do mensal\u00e3o. Ufa! Foram quatro meses de espera. Agora, finalmente, a obra veio \u00e0 luz. Advogados, pol\u00edticos, estudantes, r\u00e9us, corr\u00e9us, familiares, amigos, inimigos, indiferentes congestionaram o site do Supremo. Mas n\u00e3o desistiram. Pacientes, chegaram l\u00e1. Ao p\u00f4r os olhos no documento, ops! 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