{"id":8906,"date":"2014-07-23T10:00:00","date_gmt":"2014-07-23T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_beira_de_um_ataque_de_nervos\/"},"modified":"2014-07-23T10:00:00","modified_gmt":"2014-07-23T13:00:00","slug":"a_beira_de_um_ataque_de_nervos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_beira_de_um_ataque_de_nervos\/","title":{"rendered":"\u00c0 beira de um ataque de nervos"},"content":{"rendered":"\n<p>Quem diria? Dunga<i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/i>deu n\u00f3 na cabe\u00e7a dos leitores. A raz\u00e3o \u00e9 simples. Ao  ser questionado sobre a volta ao comando da Sele\u00e7\u00e3o, desconversou. Deu esta  resposta: &#8220;As fantasias s\u00e3o para ser vividas&#8221;. Ops! Ser vividas? Serem vividas?  Ah, d\u00favida! Ser\u00e1 o t\u00e9cnico t\u00e3o bom de portugu\u00eas quanto de bola?   <\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse, o jornal<i> <\/i>p\u00f4s lenha na fogueira. Escreveu:  &#8220;Terapeutas conjugais afirmam que, ao trair, homens e mulheres buscam  experimentar fantasias dif\u00edceis de ser vividas nos arredores do leito conjugal&#8221;.    <\/p>\n<p>Outra vez: <i>dif\u00edceis de ser vividas? <\/i>De serem vividas? \u00c9 a armadilha do  infinitivo. Melhor ir atr\u00e1s da resposta. Os gram\u00e1ticos discutem o assunto desde  o s\u00e9culo 13. At\u00e9 hoje, nenhuma conclus\u00e3o. S\u00e3o todos  escorregadios como quiabo. Dizem que tem de ser singular. Dali a pouco,  retrocedem: &#8220;Mas pode ser plural&#8221;. Quem entende? Nem Deus.   <\/p>\n<p>Superdica  <\/p>\n<p>O que fazer? Chutar? N\u00e3o. \u00c9 arriscado. Melhor seguir  nossa dica. Voc\u00ea vai acertar sempre:  <\/p>\n<p>Preste aten\u00e7\u00e3o ao verbo. Ele \u00e9 antecedido de preposi\u00e7\u00e3o? Adote o singular:  <i>Esses s\u00e3o os temas <\/i>a <i>ser tratados. H\u00e1 formas <\/i>a <i>ser  desenvolvidas pelos expositores. Muitas de suas afirma\u00e7\u00f5es s\u00e3o abrangentes  demais <\/i>para <i>ser aceitas ao p\u00e9 da letra. Os<\/i> <i>presentes foram  for\u00e7ados <\/i>a <i>sair. Os<\/i> <i>clientes eram obrigados <\/i>a <i>esperar duas  horas na fila. As for\u00e7as policiais impediram os jornalistas <\/i>de <i>trabalhar.  Estudamos <\/i>para <i>aprender. Os<\/i> <i>trabalhadores pararam <\/i>para<i>  reivindicar melhores sal\u00e1rios. <\/i> <strong> <\/p>\n<p><\/strong><strong>Exce\u00e7\u00e3o<\/strong>  <\/p>\n<p>A regra tem uma exce\u00e7\u00e3o. Uma s\u00f3. N\u00e3o est\u00e1 ligada ao certo ou ao errado. Mas \u00e0  clareza. Leia a frase:   <\/p>\n<p>\u2014<i> Fechamos a janela para n\u00e3o sentir frio. <\/i>  <\/p>\n<p>Certo? Cert\u00edssimo. Gramaticalmente a frase n\u00e3o tem  reparos. Quem fechou a janela? N\u00f3s. Quem n\u00e3o vai sentir frio? N\u00f3s (o sujeito  oculto \u00e9 o mesmo da ora\u00e7\u00e3o anterior).   <\/p>\n<p>Mas h\u00e1 um sen\u00e3o: quem vai  sentir frio n\u00e3o somos n\u00f3s. No caso, precisamos dizer quem faz o qu\u00ea. O jeito \u00e9  flexionar o infinitivo. Faz\u00ea-lo concordar com o sujeito  a que se refere:   <\/p>\n<p>\u2014<i> Fechamos a janela para n\u00e3o sentires frio.  Fechamos a janela para eles n\u00e3o sentirem frio. <\/i>  <\/p>\n<p>Em resumo, guarde isto: infinitivo antecedido de preposi\u00e7\u00e3o? A regra \u00e9 o  singular. A clareza ficou comprometida? Flexione o verbo. Fa\u00e7a-o concordar com  Sua Excel\u00eancia o sujeito.    <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem diria? Dunga deu n\u00f3 na cabe\u00e7a dos leitores. A raz\u00e3o \u00e9 simples. Ao ser questionado sobre a volta ao comando da Sele\u00e7\u00e3o, desconversou. Deu esta resposta: &#8220;As fantasias s\u00e3o para ser vividas&#8221;. Ops! Ser vividas? Serem vividas? Ah, d\u00favida! 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