{"id":8979,"date":"2014-03-05T14:00:00","date_gmt":"2014-03-05T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/rebulico_na_redacao\/"},"modified":"2014-03-05T14:00:00","modified_gmt":"2014-03-05T17:00:00","slug":"rebulico_na_redacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/rebulico_na_redacao\/","title":{"rendered":"Rebuli\u00e7o na reda\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><b>    <\/p>\n<p><\/b>   Foi um pega pra capar. Editores e rep\u00f3rteres se dividiram.    De um lado, ficaram os defensores da inicial min\u00fascula. De outro, da    mai\u00fascula. O pomo da disc\u00f3rdia foi a palavra <i>brasis<\/i> que apareceu neste    t\u00edtulo: &#8220;Todos os brasis na Sapuca\u00ed&#8221;. A reda\u00e7\u00e3o do jornal virou bate-boca    inflamado.    <\/p>\n<p>Pra provar que tinha raz\u00e3o, o time das pequeninas se    apoiou no verbete &#8220;brasis&#8221;, que aparece nos dicion\u00e1rios e no <i>Vocabul\u00e1rio    ortogr\u00e1fico da l\u00edngua portuguesa<\/i>. A equipe das grandonas se baseou em    regra que rege os nomes pr\u00f3prios. No plural, eles mant\u00eam a majestade.    Escrevem-se, por isso, com a inicial&nbsp;nobre. Assim: <i>Marias, Jos\u00e9s, Maias,    Gusm\u00f5es, Fran\u00e7as<\/i>,<i> Brasis. <\/i><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">    <\/p>\n<p>O verbete<\/b>    <\/p>\n<p>E da\u00ed? O pai de todos n\u00f3s errou? N\u00e3o. Ele sabe que na vida    tr\u00eas coisas n\u00e3o podem faltar. Uma: luz na hora da cirurgia. Outra: o amante no    encontro marcado. O \u00faltimo, igualmente importante: a corre\u00e7\u00e3o do dicion\u00e1rio.    Prestemos, pois, aten\u00e7\u00e3o ao verbete. Ele ensina li\u00e7\u00f5es:    <\/p>\n<p>1. O plural de palavras obedece a regras prestabelecidas.    N\u00e3o tem direito a verbete. Se algum voc\u00e1bulo quebra a cabe\u00e7a da gente, a    resposta aparece no fim das acep\u00e7\u00f5es do singular. \u00c9 o caso de    <i>carro-bomba<\/i>. Entre colchetes, na rabeira da explica\u00e7\u00e3o, encontra-se o    socorro: &#8220;<i>Pl.: carros-bombas e carros-bomba<\/i>&#8220;<i>.<\/i>    <\/p>\n<p>2. Ora, se ganhou entrada na obra, <i>brasis <\/i>tem    significados que precisam ser conhecidos. Certo? Certo. Vamos, pois, a eles.    <i>Brasis<\/i>, sempre no plural, quer dizer &#8220;as terras do Brasil&#8221;. Eis o    exemplo: <i>Viajamos muitos meses por esses brasis. <\/i>    <\/p>\n<p>Em duas acep\u00e7\u00f5es, pode-se usar o singular. Mas o plural \u00e9    mais&nbsp;comum. Uma: as terras    ind\u00edgenas do Brasil. A outra: o natural ou habitante do Brasil.     <\/p>\n<p>Moral da hist\u00f3ria: brasis e Brasis soam do mesmo jeitinho.    Mas a letra inicial denuncia a diferen\u00e7a. Ao falar no plural do nome deste    alegre pa\u00eds tropical, a mai\u00fascula ganha banda de m\u00fasica e tapete vermelho.    Jacques Lambert entendeu a manha. Escreveu o livro <i>Os dois Brasis<\/i>.    <b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi um pega pra capar. Editores e rep\u00f3rteres se dividiram. De um lado, ficaram os defensores da inicial min\u00fascula. De outro, da mai\u00fascula. O pomo da disc\u00f3rdia foi a palavra brasis que apareceu neste t\u00edtulo: &#8220;Todos os brasis na Sapuca\u00ed&#8221;. A reda\u00e7\u00e3o do jornal virou bate-boca inflamado. 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