{"id":9236,"date":"2014-08-31T00:00:00","date_gmt":"2014-08-31T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/rascunhos-15\/"},"modified":"2014-08-31T00:00:00","modified_gmt":"2014-08-31T03:00:00","slug":"rascunhos-15","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/rascunhos-15\/","title":{"rendered":"rascunhos"},"content":{"rendered":"<div><b> Recado<\/b> &#8220;A frase tem de ser constru\u00edda de tal forma que n\u00e3o s\u00f3 se entenda bem, mas  que n\u00e3o se possa entender de outra forma.&#8221; \u00cd\u00f1igo Dominguez<b> Entre&nbsp;tapas e  beijos<\/b> Somos sortudos.&nbsp;Eis o recado  do&nbsp;programa eleitoral.&nbsp;Independentemente do eleito, o&nbsp;para\u00edso ser\u00e1 aqui. Dilma, Marina, A\u00e9cio  &amp; cia. louquinha pelo Planalto s\u00e3o gente de casa. Parece que nos encontram  todos os dias. Falam conosco a toda hora. Conhecem pai, m\u00e3e, irm\u00e3os e filhos dos  200 milh\u00f5es de brasileiros.  Aquela hist\u00f3ria do Jos\u00e9 Maria Alkcmin  podia ter sido protagonizada por qualquer um deles. Lembra-se? O pol\u00edtico  mineiro encontra um homem. Cumprimenta-o com entusiasmo. Depois ambos&nbsp;batem este papo: \u2014 Como vai seu pai? \u2014 Morreu h\u00e1 dois anos. \u2014 Morreu pra voc\u00ea, filho ingrato. No meu cora\u00e7\u00e3o,&nbsp;ele continua vivo. Qual o truque de tanta intimidade? O sorriso ajuda. Os abra\u00e7os tamb\u00e9m.  Criancinhas no colo? Nem se fala. Depoimento do povo, ent\u00e3o\u2026 A l\u00edngua tamb\u00e9m d\u00e1  senhora ajuda. Todo mundo \u00e9 meu amigo, minha gente, meus companheiros. Quem  resiste?  Sen\u00f5es? S\u00f3 um. \u00c9 a falta de intimidade  com&nbsp;o portugu\u00eas. Entre tapas e beijos,  pron\u00fancias, grafias, pronomes, pleonasmos, reg\u00eancias &amp; cia. maltratada  quebram o encanto. Exemplos pululam ao longo do programa. <b> &nbsp; Pron\u00fancia<\/b> Candidatos prometem rem\u00e9dios e passagens gratuitos. Mas, em vez de  pronunciar o ditongo ui como em fortuito e circuito,  acentuam o i. Dizem gratu\u00edto. Bobeiam. Quebram o ditongo perdem  eleitores. * Radicais juram de p\u00e9s juntos: &#8220;N\u00e3o daremos subs\u00eddios a ricos&#8221;. Convencem?  N\u00e3o. Eles dizem &#8220;subz\u00eddio&#8221;. Esquecem-se de pormenor pra l\u00e1 de importante.  Subs\u00eddio e subsolo jogam no mesmo time. O <b>s<\/b> soa  <b>ss<\/b>.<b> &nbsp; Pleonasmos<\/b> &#8220;Nenhum pa\u00eds do mundo oferece um sistema de sa\u00fade universal como o nosso&#8221;,  alardeia Dilma no r\u00e1dio e na tev\u00ea. Ouvintes e telespectadores ficam com o p\u00e9  atr\u00e1s. &#8220;Existem pa\u00edses fora do mundo?&#8221;, perguntam os curiosos. Ora, se todos os  pa\u00edses s\u00e3o do mundo, basta o substantivo pra dar o recado: <i>Nenhum pa\u00eds  oferece um sistema de sa\u00fade universal como o nosso.<\/i> Olho vivo! Todos os pa\u00edses s\u00e3o do mundo. Mas nem todos s\u00e3o da Am\u00e9rica, da  Europa, da \u00c1sia e por a\u00ed vai. No caso, a especifica\u00e7\u00e3o \u00e9 pra l\u00e1 de bem-vinda:  <i>Nem todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica t\u00eam um sistema de sa\u00fade como o nosso. Nenhum  pa\u00eds da Europa ou da \u00c1sia tem um sistema universal como o nosso.<\/i> &nbsp; <strong>Reg\u00eancia<\/strong> O verbo mais maltratado? \u00c9 chegar. Cem em cada cem candidatos chegam &#8220;em&#8221;  algum lugar. \u00c9 pena. Com essa preposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o chegam a lugar algum. Pra chegar  l\u00e1, t\u00eam de fazer as pazes com o a: <i>chegar ao Planalto, chegar a Bras\u00edlia,  chegar ao com\u00edcio, chegar \u00e0 casa do eleitor, chegar ao c\u00e9u.<\/i><b> &nbsp; Pronome eu<\/b> N\u00e3o importa o partido. Nem o sexo. Nem a idade. Os candidatos t\u00eam uma  caracter\u00edstica comum. S\u00e3o eg\u00f3latras. Adoram-se acima de tudo. Sem mod\u00e9stia,  rivalizam com Deus. Por isso, o eu \u00e9 a grande vedete dos palanques eletr\u00f4nicos. Ao us\u00e1-lo, por\u00e9m,&nbsp;os pid\u00f5es caem em cilada que arrepia cabelos e  afugenta&nbsp;amigos, inimigos e nem uma coisa nem  outra.  &#8220;Entre eu e o eleitor&#8221;, dizem uns. &#8220;Entre eu e minha equipe&#8221;, outros.  Valha-nos, Deus! Na egolatria, homens e mulheres n\u00e3o deixam d\u00favida \u2014 foram maus  alunos ou mataram aula. N\u00e3o aprenderam que o pronome eu tem alergia \u00e0  preposi\u00e7\u00e3o. Antecedido por ela, bate asas e d\u00e1 a vez ao irm\u00e3ozinho mim:  <i>Gosta de mim. Trabalha para mim e para voc\u00ea. Nada existe entre mim e o  eleitor. S\u00f3 existe entre mim e minha equipe.<\/i><b> &nbsp; Pronome este<\/b> Dilma, Marina, A\u00e9cio &amp; cia. pidona se referem ao Brasil como &#8220;esse pa\u00eds&#8221;  em vez de &#8220;este pa\u00eds&#8221;. Ato falho? Talvez. Eles est\u00e3o em Pindorama. Mas t\u00eam olhos  em OZ. <b> &nbsp; Leitor pergunta<\/b> Gostaria de saber se <i>pontap\u00e9 inicial<\/i> \u00e9 pleonasmo. <b>Carlos Fabiano, lugar incerto<\/b> N\u00e3o. \u00c9 lugar-comum. No futebol, a express\u00e3o \u00e1 pra l\u00e1 de  bem-vinda. O jogador d\u00e1 o pontap\u00e9 inicial e inicia-se a partida. Acontece que  jornalistas, escritores, advogados, professores, estudantes &amp; cia. da  escrita adoraram a duplinha. E passaram a us\u00e1-la a torto e a direito. Resultado:  com a repeti\u00e7\u00e3o, a novidade perdeu o frescor. Virou chav\u00e3o.  X\u00f4!<\/div>\n<div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recado &#8220;A frase tem de ser constru\u00edda de tal forma que n\u00e3o s\u00f3 se entenda bem, mas que n\u00e3o se possa entender de outra forma.&#8221; \u00cd\u00f1igo Dominguez Entre&nbsp;tapas e beijos Somos sortudos.&nbsp;Eis o recado do&nbsp;programa eleitoral.&nbsp;Independentemente do eleito, o&nbsp;para\u00edso ser\u00e1 aqui. Dilma, Marina, A\u00e9cio &amp; cia. louquinha pelo Planalto s\u00e3o gente de casa. Parece que nos encontram todos os dias. Falam conosco a toda hora. 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