{"id":9267,"date":"2014-09-02T00:00:00","date_gmt":"2014-09-02T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/nova_ortografia-2\/"},"modified":"2014-09-02T00:00:00","modified_gmt":"2014-09-02T03:00:00","slug":"nova_ortografia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/nova_ortografia-2\/","title":{"rendered":"Nova ortografia"},"content":{"rendered":"<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\n<p> MARCELO NAVARRO   <\/p>\n<p>Membro eleito da Academia Rio-Grandense de Letras (mndantas@uol.com.br)   <\/p>\n<p>Os absurdos do ultimo acordo ortografico \u2013 em espesial, os atinentes ao uso  do ifen, qe se tornou inteiramente arbitrario, com regras injustificaveis i qe  impoem sempre a consulta ao VOLP, ou vocabulario ortografico da lingua portugeza  \u2013 levaram a uma reasao de parte dos escritores, educadores i da intelligents<a name=\"Save1\"><\/a>ia, qe xegou ao climacs com o projeto de nova ortografia, ora no  Senado, onde corre a ideia de uma simplificasao cuaze radical.    <\/p>\n<p>A baze da reforma consiste na tentativa de fazer corresponder a cada letra o  som do fonema qe ela reprezenta. Assim, se o som e &#8220;k&#8221;, as letras serao sempre  &#8220;c&#8221; ou &#8220;q&#8221; (i no cazo deste ultimo, dispensado o &#8220;u&#8221; qe costumava seguilo). Se e  &#8220;s&#8221; (sibilante), sera sempre &#8220;s&#8221;, mesmo cuando se escrevia &#8220;ss&#8221;, &#8220;\u00e7&#8221;, &#8220;sc&#8221;,  &#8220;xc&#8221;, etc.; se o &#8220;s&#8221; soar como zumbido, usase o &#8220;z&#8221;. O &#8220;ch&#8221; vai sempre ser  reprezentado por &#8220;x&#8221; i asim por diante.    <\/p>\n<p>O &#8220;g&#8221; vai ser uzado apenas em palavras como &#8220;gato&#8221;, &#8220;gravata&#8221; ou &#8220;gerra&#8221; (o  contrario de paz). Em outras situasoes, devese escrever &#8220;jente&#8221; ou &#8220;jigante&#8221;.  Jenial, nao? Dezaparese o &#8220;h&#8221; mudo \u2013 sim, omem de Deus! \u2013 i some de vez o  ifen.   <\/p>\n<p>Muitos estao estrilando, axando qe a mudansa e radical demais. Ja eu, embora  axe uma maluqise, penso qe, se e para avansar nesa trilha absurda \u2013 de favoreser  a pura pregisa de aprender i ensinar \u2014, tinhamos qe ir mais lonje i eliminar  todos os asentos e sinais diacriticos, como estou fazendo neste texto, escrito  nos termos da proposta senatorial, acresida de dois outros \u2013 ra, ra! \u2013 avansos:  o ja mensionado fim de todos os asentos, incluido o til, qe asento propriamente  dito nao e \u2014 obrigado, obrigado pelas palmas, senhores dijitadores! \u2013, i um  truqezinho para rezolver o conseqente problema de saber cuando se trata da  conjunsao antigamente grafada como &#8220;e&#8221;, ou do presente do verbo ser, antes  escrito &#8220;\u00e9&#8221;: no segundo cazo, pasase a uzar &#8220;e&#8221;, mas no primeiro, empregase o  &#8220;i&#8221;, como na lingua catalan.   <\/p>\n<p>O problema e qe esa reforma nao vai funsionar, seja do jeito que ora esponho,  seja como consta do projeto qe corre na Camara Alta do Lejislativo Federal. I  esplico por qe: primeiro, alguns fonemas s\u00e3o mesmo enganadores. Ai mesmo, em  &#8220;mesmo&#8221;, esse &#8220;s&#8221; reprezent\u2014, respondam! I as variasoes regionais de pronuncia?  &#8220;Txia&#8221;, qe &#8220;djia&#8221; e oje? Salvo as criansas gauxas, as do resto do Brazil vao  tender a escrever &#8220;Braziu&#8221;&#8230;    <\/p>\n<p>Aqui no nordeste, vamos grafar &#8220;nordexte&#8221;, porque xiamos no meio desa  palavra. &#8220;Cariocax&#8221; i &#8220;recifensex&#8221; vao por &#8220;x&#8221; no fim de &#8220;todox ox pluraix&#8221;,  porqe e asim qe os pronunsiam. Os paulistas vao grafar &#8220;subzidio&#8221;&#8230; i pelo pais  afora vai ser uma luta saber se devese escrever &#8220;mininu&#8221;, &#8220;normau&#8221;, &#8220;ixto&#8221;,  etc., etc., etc. Vejam qe nem falo da pronuncia de Portugal \u2013 onde se pronuncia  como &#8220;x&#8221; o &#8220;sc&#8221; da antiga &#8220;nascer&#8221;, por ezemplo \u2013 e dos outros paizes luzofonos,  porqe a proposta e escluziva do Senado brazileiro&#8230;   <\/p>\n<p>A reforma se pretende fonetica, mas esta depende muito da prosodia, qe varia  demais&#8230; Em vez desa luta ingloria, vamos \u2014 iso sim \u2014 melhorar a educasao no  noso pais. Alegase qe a ortografia vijente e muito difisil, porem muito mais e a  do mandarim, i os xinezinhos estao cuaze todos alfabetizados. Na Coreia, cujo  alfabeto tambem nao deve ser fasil \u2013 ou seria fasiu? \u2014, praticamente nao a  analfabetismo. Faltanos, parece, dispozisao para o trabalho, falta empenho,  falta&#8230; vergonha! Vamos fazer, entao, em vez da ortografica, outra reforma, a  da vergonha. Minha proposta: tomala. I na cara! &nbsp; &nbsp;(Artigo publicado no Correio Braziliense de 2.9.14.) <\/p>\n<p> &nbsp;<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MARCELO NAVARRO Membro eleito da Academia Rio-Grandense de Letras (mndantas@uol.com.br) Os absurdos do ultimo acordo ortografico \u2013 em espesial, os atinentes ao uso do ifen, qe se tornou inteiramente arbitrario, com regras injustificaveis i qe impoem sempre a consulta ao VOLP, ou vocabulario ortografico da lingua portugeza \u2013 levaram a uma reasao de parte dos escritores, educadores i da intelligentsia, qe xegou ao climacs com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-9267","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9267","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9267"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9267\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}