{"id":1854,"date":"2025-01-25T22:20:34","date_gmt":"2025-01-26T01:20:34","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/?p=1854"},"modified":"2025-01-25T22:20:34","modified_gmt":"2025-01-26T01:20:34","slug":"sexualidade-e-deficiencia-fisica-dessexualizacao-e-apagamento-e-desafio-para-a-comunidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/sexualidade-e-deficiencia-fisica-dessexualizacao-e-apagamento-e-desafio-para-a-comunidade\/","title":{"rendered":"Sexualidade e defici\u00eancia f\u00edsica: &#8220;dessexualiza\u00e7\u00e3o&#8221; e apagamento \u00e9 desafio para a comunidade"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">Indiv\u00edduos com defici\u00eancias f\u00edsicas enfrentam apagamento, falta de acessibilidade e distanciamento em discuss\u00f5es sobre <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/diversao-e-arte\/2024\/11\/6993818-da-ficcao-a-realidade-como-as-series-moldam-a-sexualidade.html\">sexualidade<\/a>. A busca pelo prazer \u00e9 uma experi\u00eancia comum a todos, e o direito ao afeto, ao amor e \u00e0 sexualidade deve ser considerado uma experi\u00eancia universal, que n\u00e3o descrimina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A invisibilidade que afeta as pessoas com defici\u00eancia permeia diversas esferas sociais. Priscila Siqueira, ativista e co-fundadora do Vale PCD, uma ONG que apoia pessoas com defici\u00eancia da comunidade <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/diversao-e-arte\/2024\/12\/7008711-sexo-entre-mulheres-como-relacao-pode-ser-mais-segura-e-prazerosa.html\">LGBTQIAPN+<\/a>, compartilha o desejo de democratizar o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, aux\u00edlio psicol\u00f3gico e ao lazer para indiv\u00edduos como ela: \u201cN\u00e3o somos apresentados \u00e0 sexualidade da mesma forma que os demais. Carregamos o estere\u00f3tipo de indiv\u00edduos dessexualizados, que n\u00e3o possuem desejos\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Priscila, uma pessoa com nanismo, n\u00e3o se sentia livre para falar sobre assuntos sexuais na juventude.\u00a0 Por ser uma pessoa LGBTQIA+ criada em fam\u00edlia religiosa, o assunto sempre foi um tabu. \u201cJ\u00e1 era dif\u00edcil entenderem que eu tenha sexualidade; ainda mais querer explor\u00e1-la como uma pessoa queer\u201d, relembra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A car\u00eancia de uma introdu\u00e7\u00e3o adequada \u00e0s pautas de sexualidade que atendam \u00e0s necessidades desses indiv\u00edduos leva muitos a buscarem informa\u00e7\u00f5es na internet. Embora exista uma vasta produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado on-line, a quantidade de informa\u00e7\u00f5es nem sempre reflete qualidade. \u201cA internet foi uma grande aliada, mas tamb\u00e9m \u00e9 perigosa, repleta de desinforma\u00e7\u00e3o. Eu gostaria que esse assunto fosse mais debatido em outros espa\u00e7os. Continuamos esquecidos\u201d, afirma Priscila.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para Mariana Borges, portadora de defici\u00eancia f\u00edsica e paralisia cerebral atetoide, o preconceito enfrentado \u00e9 um empecilho no desenvolvimento de relacionamentos afetivos e sexuais.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">O di\u00e1logo sobre sexo com os pais foi reprimido com Mariana, que encontrou conforto nas conversas abertas com a irm\u00e3. Ela confessa n\u00e3o desejar ter filhos, pois h\u00e1 50% de chance de que a crian\u00e7a nas\u00e7a com defici\u00eancia: &#8220;N\u00e3o quero isso para ningu\u00e9m, porque sofremos muito preconceito&#8221;, lamenta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mariana descreve se sentir como uma &#8220;pessoa normal&#8221; na hora do sexo, mas o encurtamento das pernas e do canal vaginal dificulta o ato da penetra\u00e7\u00e3o.\u00a0No geral, Mariana sente prazer com o sexo, mas, se o p\u00eanis do parceiro for grande, a dor pode superar a libido. Para ela, a educa\u00e7\u00e3o sexual e o acesso \u00e0 sa\u00fade PCD\u00a0 \u00e9 uma quest\u00e3o que deve ser mais divulgada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">H., homem gay e cadeirante que prefere permanecer an\u00f4nimo, detalha uma das experi\u00eancias de opress\u00e3o estrutural que j\u00e1 viveu. \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Sempre h\u00e1 d\u00favida se um cadeirante pode ser sexualmente ativo. O desinteresse acaba ganhando um peso por, automaticamente, as pessoas terem ressalvas. J\u00e1 retribui olhares, mas ao me aproximar, o outro recuou como se eu tivesse me enganado. Senti ali um receio ser visto comigo\u201d, relembra.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><b>Acessibilidade e o direito ao lazer\u00a0<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Enquanto o lazer parece para muitos uma quest\u00e3o arbitr\u00e1ria, para outros \u00e9 uma oportunidade. O produtor de eventos Igor Albuquerque ressalta a import\u00e2ncia de viabilizar o acesso de pessoas com defici\u00eancia \u00e0 divers\u00e3o ao fornecer listas de cortesias para pessoas trans e PCDs<\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Albuquerque trabalha com eventos que preza pela acessibilidade, onde h\u00e1<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> rampas na pista superior e banheiro PCD. \u201cComo a lust (umas das festas) \u00e9 uma festa bastante sensorial, um grupo grande de surdos a frequentam com curiosidade. Contamos tamb\u00e9m com a presen\u00e7a de muitos autistas e, volta e meia, temos cadeirantes\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p><b>Olhar psicol\u00f3gico<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Psic\u00f3loga da APAE (Associa\u00e7\u00e3o de Pais e Amigos dos Excepcionais), Roberta Monteiro Abreu aponta que, socialmente, os maiores desafios para os PCDs s\u00e3o os preconceitos e normas de moralidade. Presumindo que todas as pessoas s\u00e3o diferentes, Roberta alerta que a elabora\u00e7\u00e3o cognitiva e filtros sociais em comportamento e sentimento dos PCDs podem ser discrepantes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cMuitas vezes, eles podem n\u00e3o entender a vontade de contato f\u00edsico com outra pessoa e sobre consentimento. Logo, deve existir di\u00e1logo e acolhimento, procurando tirar d\u00favidas respeitando o n\u00edvel de curiosidade. \u00c9 importante dizer que nem tudo que se tem vontade se pode fazer e que o respeito \u00e9 fundamental\u201d, argumenta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A psic\u00f3loga salienta que o conhecimento do pr\u00f3prio corpo deve ser incentivado de forma <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/nudez-em-espacos-publicos-especialista-fala-sobre-o-fetiche-exibicionista\/\">privada<\/a>, com acordos de confian\u00e7a na casa. \u201cExplicar a sexualidade \u00e9 fundamental. Como pessoas com defici\u00eancia intelectual s\u00e3o vulner\u00e1veis, a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 relacionada com o medo do abuso sexual\u201d, explica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 comum um pensamento de que a defici\u00eancia e a ingenuidade infantil andam juntas, mas Roberta ressalta que o desenvolvimento sexual n\u00e3o \u00e9 bem assim: \u201cMuitos afloram a sexualidade na adolesc\u00eancia como qualquer jovem. Mas existem s\u00edndromes que retardam a produ\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios e o desejo sexual.\u201d (<strong>colaborou\u00a0Arthur Monteiro*<\/strong>)<\/span><\/p>\n<p><strong>*Estagi\u00e1rio sob a supervis\u00e3o de Ronayre Nunes\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Indiv\u00edduos com defici\u00eancias f\u00edsicas enfrentam apagamento, falta de acessibilidade e distanciamento em discuss\u00f5es sobre sexualidade. A busca pelo prazer \u00e9 uma experi\u00eancia comum a todos, e o direito ao afeto, ao amor e \u00e0 sexualidade deve ser considerado uma experi\u00eancia universal, que n\u00e3o descrimina. A invisibilidade que afeta as pessoas com defici\u00eancia permeia diversas esferas sociais. Priscila Siqueira, ativista e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":161,"featured_media":1860,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[375,147],"class_list":["post-1854","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","tag-deficiencia-fisica","tag-sexualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1854","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/161"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1854"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1854\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1865,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1854\/revisions\/1865"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1860"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1854"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1854"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1854"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}