{"id":2117,"date":"2025-07-09T19:19:01","date_gmt":"2025-07-09T22:19:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/?p=2117"},"modified":"2025-07-09T19:44:32","modified_gmt":"2025-07-09T22:44:32","slug":"mitos-verdades-e-tabus-sobre-a-sexualidade-lgbtqiapn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/mitos-verdades-e-tabus-sobre-a-sexualidade-lgbtqiapn\/","title":{"rendered":"Mitos, verdades e tabus sobre a sexualidade LGBTQIAPN+"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;Quem \u00e9 o homem da rela\u00e7\u00e3o?&#8221;; &#8220;Quem \u00e9 a mulher?&#8221;; &#8220;Voc\u00ea gosta de homem ou de mulher? N\u00e3o d\u00e1 pra gostar dos dois&#8221;; &#8220;O que voc\u00ea tem a\u00ed embaixo?&#8221;; &#8220;Como voc\u00ea \u00e9 na hora H?&#8221;. Perguntas como essa refor\u00e7am e aumentam esteri\u00f3tipos e tabus que ainda permeiam sobre a sexualidade de<\/span>\u00a0pessoas LGBTQIAPN+. Cercada por normas heteronormativas e patriarcais, a padroniza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es segue um roteiro que nem sempre contempla pessoas que se relacionam com o mesmo g\u00eanero.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 o que sugere Rafael Braga, psic\u00f3logo cl\u00ednico especialista em sexologia: \u201cA cria\u00e7\u00e3o crist\u00e3 perpetua que as \u00fanicas rela\u00e7\u00f5es corretas s\u00e3o aquelas respons\u00e1veis pela procria\u00e7\u00e3o. Isso potencializa o preconceito.\u201d Quando as pessoas\u00a0 LGBTQIAPN+ expressam desejos e afetos, desafiam esses padr\u00f5es tradicionais estabelecidos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Passado junho, <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/mundo\/2025\/06\/7167122-como-surgiu-o-mes-do-orgulho-lgbtqia-entenda-a-origem-politica-da-data.html\">m\u00eas que evidencia a comunidade LGBTQIA+<\/a>, o Blog Daquilo consultou o especialista sobre os mitos e verdades que cercam a sexualidade queer. <strong>Confira<\/strong>:<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">Indecis\u00e3o \u00e9 um mito<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pessoas bissexuais e pansexuais ainda enfrentam a premissa de que est\u00e3o indecisas ou prom\u00edscuas. Segundo Rafael, elas precisam a todo momento provar a sua orienta\u00e7\u00e3o sexual, inclusive dentro da pr\u00f3pria comunidade. \u201cEnfrentam discursos que os tratam como indecisos, como se estivessem em uma fase de transi\u00e7\u00e3o at\u00e9 se assumirem como gays, l\u00e9sbicas ou h\u00e9teros&#8221;, pontua.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O especialista destaca que essa vis\u00e3o impacta diretamente a autoestima dessas pessoas, gerando inseguran\u00e7a para viver seus desejos e criando medos constantes de julgamento. Por isso, muitos acabam n\u00e3o revelando sua sexualidade plenamente. O pr\u00f3prio psic\u00f3logo, um homem gay, compartilha experi\u00eancias em que presenciou microagress\u00f5es, como em rodas de amigos em que uma pessoa se declara bissexual e imediatamente \u00e9 deslegitimada com frases como \u201cvoc\u00ea ainda vai se descobrir como gay\u201d.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">Sexo sem penetra\u00e7\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outro ponto importante \u00e9 o mito de que, sem penetra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 ato sexual. Rafael explica que essa ideia vem de uma l\u00f3gica antiga, baseada em rela\u00e7\u00f5es entre homem e mulher e na reprodu\u00e7\u00e3o. Essa vis\u00e3o limitada invalida as experi\u00eancias de l\u00e9sbicas, homens trans e pessoas n\u00e3o-bin\u00e1rias, cujas rela\u00e7\u00f5es, muitas vezes, n\u00e3o incluem penetra\u00e7\u00e3o. \u201cO sexo n\u00e3o \u00e9 apenas penetra\u00e7\u00e3o: \u00e9 troca, presen\u00e7a e prazer compartilhado \u2014 e reduzir isso a um \u00fanico ato refor\u00e7a padr\u00f5es normativos que prejudicam a liberdade sexual&#8221;, pontua.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">Transexualidade plural<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O prazer n\u00e3o est\u00e1 restrito aos \u00f3rg\u00e3os genitais. Rafael argumenta que <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/dia-da-visibilidade-trans-a-relacao-com-sexo-e-afetividade\/\">pessoas trans<\/a> que n\u00e3o se identificam com seu corpo de origem podem encontrar dificuldades para sentir prazer antes da cirurgia, justamente por n\u00e3o se sentirem pertencentes \u00e0quela anatomia. Isso tamb\u00e9m se agrava quando o parceiro n\u00e3o compreende ou n\u00e3o respeita esses limites.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cPor exemplo, uma mulher trans que n\u00e3o se sente confort\u00e1vel com a genit\u00e1lia masculina pode se sentir pressionada ao se relacionar com um homem que deseja toc\u00e1-la ou realizar sexo oral. Essa disson\u00e2ncia entre corpo e identidade pode gerar inseguran\u00e7a, medo e at\u00e9 a recusa de vivenciar a sexualidade\u201d, esclarece o especialista.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">Sexo anal e hierarquia<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/sexo-anal-saiba-os-mitos-e-verdades-sobre-a-pratica\/\">Pr\u00e1ticas anais<\/a> ainda s\u00e3o cercados por preconceitos \u2014 inclusive dentro da pr\u00f3pria comunidade LGBTQIAPN+. Para Rafael, existe a ideia de que o <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/brasil-esta-entre-os-cinco-paises-com-mais-twinks-e-passivos-revela-grindr\/\">homem passivo<\/a> tem menos valor que o ativo, o que reflete padr\u00f5es heteronormativos de domina\u00e7\u00e3o. Esses mitos v\u00eam, em grande parte, de discursos religiosos e at\u00e9 m\u00e9dicos, que refor\u00e7am que o sexo anal seria \u201cerrado\u201d, \u201csujo\u201d ou \u201cprom\u00edscuo\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, h\u00e1 o fato de que esse tipo de pr\u00e1tica exige preparo e cuidados espec\u00edficos, o que deveria ser tratado com naturalidade, e n\u00e3o com tabu. O problema est\u00e1 em como se associa o <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/mais-homens-atingem-o-orgasmo-com-sexo-anal-do-que-mulheres-diz-pesquisa\/\">sexo anal<\/a> \u00e0 homossexualidade, ignorando que ele tamb\u00e9m ocorre em rela\u00e7\u00f5es heterossexuais \u2014 mas, nesse caso, n\u00e3o recebe o mesmo estigma.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">Prote\u00e7\u00e3o l\u00e9sbica<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O especialista disserta que existe muito tabu em rela\u00e7\u00e3o ao uso de prote\u00e7\u00e3o entre <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/diversao-e-arte\/2024\/12\/7008711-sexo-entre-mulheres-como-relacao-pode-ser-mais-segura-e-prazerosa.html\">mulheres que fazem sexo com mulheres<\/a>. Um dos mitos \u00e9 de que, por n\u00e3o haver penetra\u00e7\u00e3o com p\u00eanis, n\u00e3o h\u00e1 risco de transmiss\u00e3o de ISTs \u2014 o que \u00e9 falso. Outra quest\u00e3o \u00e9 a falta de acesso a m\u00e9todos de prote\u00e7\u00e3o adequados, como luvas, dedeiras e camisinhas de l\u00edngua para sexo oral, que s\u00e3o dif\u00edceis de encontrar em farm\u00e1cias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEssa dificuldade est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0 prioriza\u00e7\u00e3o do prazer masculino. Enquanto preservativos masculinos est\u00e3o dispon\u00edveis em todos os lugares, produtos voltados \u00e0 prote\u00e7\u00e3o sexual entre mulheres s\u00e3o pouco divulgados e quase invis\u00edveis no mercado\u201d, revela.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">Sexualidade e promiscuidade<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Existe ainda a narrativa de que pessoas LGBTQIAPN+ vivem uma sexualidade prom\u00edscua, o que Rafael opina ser um discurso para mascarar preconceito. \u201cSitua\u00e7\u00f5es de sexo em p\u00fablico, por exemplo, n\u00e3o s\u00e3o exclusivas da Parada LGBTQIAPN+: j\u00e1 aconteceram em festas populares heterossexuais. O problema n\u00e3o \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o sexual, mas o comportamento individual \u2014 e isso independe de quem a pessoa ama\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">Assexualidade<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As pessoas assexuais enfrentam resist\u00eancia, o que o especialista interpreta como reflexo de uma sociedade que trata o sexo quase como uma necessidade fisiol\u00f3gica universal. A novela <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/diversao-e-arte\/2025\/07\/7194942-confronto-entre-raquel-e-maria-de-fatima-marca-reviravolta-em-vale-tudo.html\"><em>Vale Tudo<\/em><\/a>, inclusive, tem abordado essa quest\u00e3o com o personagem Poliano. \u201cA assexualidade n\u00e3o significa doen\u00e7a, confus\u00e3o ou aus\u00eancia de afeto \u2014 apenas que aquela pessoa n\u00e3o sente desejo sexual\u201d, disserta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em um mundo em que o sexo \u00e9 bastante presente na comunidade,\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">o assexual \u00e9 frequentemente visto como algu\u00e9m \u201cquebrado\u201d, conforme Rafael. Isso causa preconceito tanto entre pessoas LGBTQIAPN+ quanto entre heterossexuais, porque desafia um padr\u00e3o normativo de prazer e relacionamentos.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">Desinforma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e educacional<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">At\u00e9 os anos 1990, a homossexualidade ainda era considerada doen\u00e7a por \u00f3rg\u00e3os oficiais. O Conselho Federal de Psicologia s\u00f3 emitiu uma nota afirmando que n\u00e3o se trata de transtorno em 1999. \u201cPor isso, ainda enfrentamos barreiras no meio m\u00e9dico e educacional, com pouca ou nenhuma forma\u00e7\u00e3o sobre diversidade sexual e de g\u00eanero\u201d, acrescenta o psic\u00f3logo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201c\u00c9 essencial que profissionais da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o falem sobre sexualidade com responsabilidade, empatia e clareza \u2014 ajudando jovens a entenderem seus corpos, desejos e limites. A percep\u00e7\u00e3o da sexualidade come\u00e7a ainda na adolesc\u00eancia, entre os 10 e os 14 anos, e \u00e9 nessa fase que o apoio, a escuta e a liberdade s\u00e3o mais necess\u00e1rios.\u201d<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">Afeto e diversidade<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao falar sobre as siglas LGBTQIAPN+, Rafael ressalta ser fundamental entender que elas n\u00e3o est\u00e3o apenas ligadas a pr\u00e1ticas sexuais, mas, principalmente, ao afeto, \u00e0 identidade e ao conforto com o pr\u00f3prio corpo e com o outro. \u201cCada pessoa deve ser livre para amar, se relacionar e se expressar de acordo com o que faz sentido para si. O respeito \u00e0s diferentes formas de amar e viver \u00e9 a base para uma sociedade mais justa.\u201d<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">Masturba\u00e7\u00e3o, jovens e autoconhecimento<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/beneficios-psicologicos-e-hormonais-da-masturbacao-feminina\/\">masturba\u00e7\u00e3o<\/a> \u00e9 uma ferramenta essencial de autoconhecimento, mas ainda cercada de tabus \u2014 especialmente entre jovens LGBTQIAPN+, de acordo com o especialista. \u201cFalar sobre isso n\u00e3o significa ensinar a fazer sexo, mas sim ensinar a conhecer e respeitar o pr\u00f3prio corpo e o do outro\u201d, explicita.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A moral religiosa e o medo de \u201cdesviar do padr\u00e3o\u201d impedem conversas honestas e educativas, na opini\u00e3o de Rafael. \u201c\u00c9 preciso refor\u00e7ar que, com responsabilidade e limites, a masturba\u00e7\u00e3o ajuda o indiv\u00edduo a saber o que gosta, o que n\u00e3o gosta e a identificar situa\u00e7\u00f5es de abuso ou viol\u00eancia.\u201d, finaliza.\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Quem \u00e9 o homem da rela\u00e7\u00e3o?&#8221;; &#8220;Quem \u00e9 a mulher?&#8221;; &#8220;Voc\u00ea gosta de homem ou de mulher? 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