{"id":2149,"date":"2025-07-31T08:00:39","date_gmt":"2025-07-31T11:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/?p=2149"},"modified":"2025-07-30T17:57:57","modified_gmt":"2025-07-30T20:57:57","slug":"fingir-orgasmo-ainda-e-comum-entre-as-mulheres-entenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/fingir-orgasmo-ainda-e-comum-entre-as-mulheres-entenda\/","title":{"rendered":"Fingir orgasmo ainda \u00e9 comum entre as mulheres? Entenda"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Fingir orgasmo foi a coisa que eu mais fiz na vida&#8221;, comenta B*, cuja motiva\u00e7\u00e3o era finalizar, o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, o sexo. Para ela, que \u00e9 heterossexual, a maioria dos homens n\u00e3o transam pensando nas mulheres: &#8220;pensam neles mesmos&#8221;.\u00a0Assim, encenar o ap\u00edce sexual \u00e9 uma forma de n\u00e3o gerar um problema com o parceiro. &#8220;Homem com ego ferido \u00e9 a coisa mais chata do mundo. \u00c9 insistente e quer provar que n\u00e3o tem nada com ele e, sim, com voc\u00ea&#8221;, aponta.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o est\u00e1 sozinha. A* tem uma percep\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o similar: &#8220;Eu finjo quando quero acabar com o sexo&#8221;, afirma. Bissexual, ela comenta que, com mulheres, sempre chegou ao \u00e1pice. &#8220;Eu acho que o sexo tem que ser prazeroso e tem horas que n\u00e3o vai ser por simples incompatibilidade. Ent\u00e3o, para acabar mais r\u00e1pido de uma forma discreta o que est\u00e1 ruim, eu finjo que gozei&#8221;, pontua.<\/p>\n<p>A sex\u00f3loga e psic\u00f3loga Alessandra Ara\u00fajo completa que este comportamento \u00e9 muito comum. &#8220;H\u00e1 uma press\u00e3o para que a mulher \u2018entregue\u2019 um orgasmo, validando a performance do parceiro. Muitas fazem isso para evitar constrangimentos ou n\u00e3o frustrar o outro. Mas esse fingimento revela rela\u00e7\u00f5es com pouca comunica\u00e7\u00e3o real, medo de julgamento e uma desconex\u00e3o profunda entre corpo e desejo\u201d, afirma. A longo prazo, isso mina a autenticidade da conex\u00e3o sexual, gera frustra\u00e7\u00e3o e impede que o casal descubra juntos o que realmente funciona.<\/p>\n<p>O Dia do Orgasmo, celebrado em 31 de julho, surge como um convite para quebrar esses sil\u00eancios, promover o autoconhecimento e reafirmar o direito das mulheres ao prazer.<\/p>\n<h3>E o impacto emocional de nunca ter vivido um orgasmo ou de sempre fingir?<\/h3>\n<p>Alessandra \u00e9 direta: \u201c\u00c9 devastador. A mulher se sente frustrada, come\u00e7a a duvidar de si, se envergonha do pr\u00f3prio corpo. O fingimento gera uma solid\u00e3o enorme dentro da rela\u00e7\u00e3o, porque ela nunca est\u00e1 sendo ela mesma. Pode levar \u00e0 ansiedade, perda de desejo e at\u00e9 depress\u00e3o. O prazer \u00e9 sa\u00fade \u2014 e sua aus\u00eancia, um sofrimento\u201d.<\/p>\n<p>Outro ponto importante \u00e9 diferenciar prazer de orgasmo. \u201cPrazer \u00e9 o processo: toques, beijos, excita\u00e7\u00e3o, bem-estar. Orgasmo \u00e9 o \u00e1pice, a descarga intensa de sensa\u00e7\u00f5es. Muitas mulheres n\u00e3o sabem disso, acham que sem orgasmo n\u00e3o houve prazer, ou confundem excita\u00e7\u00e3o com cl\u00edmax. Essa confus\u00e3o cria ainda mais press\u00e3o e frustra\u00e7\u00e3o\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Para a sex\u00f3loga, grande parte desses bloqueios est\u00e1 relacionada \u00e0 falta de educa\u00e7\u00e3o sexual de qualidade. \u201cSe a educa\u00e7\u00e3o se limita \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o e \u00e0 preven\u00e7\u00e3o, sem abordar o prazer e o autoconhecimento, as mulheres crescem sem saber como seus corpos funcionam. Muitas nem sabem que o clit\u00f3ris \u00e9 a principal via para o orgasmo. Crescem com vergonha de se tocar, achando que h\u00e1 algo errado com elas\u201d, diz. Esse desconhecimento gera inseguran\u00e7a, baixa autoestima e sensa\u00e7\u00e3o de inadequa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A autoestima \u00e9 pe\u00e7a-chave nesse processo. \u201cUma mulher com autoestima se sente confort\u00e1vel em seu corpo, confiante para expressar desejos, aberta \u00e0 entrega. E o autoconhecimento \u00e9 o mapa do prazer. Ao se tocar, explorar fantasias, entender o que a excita, ela passa a se guiar e a guiar o outro com mais clareza e prazer\u201d, afirma. Sem esses dois pilares, o sexo pode se tornar um espa\u00e7o de desconforto, culpa ou esfor\u00e7o para agradar, em vez de entrega m\u00fatua.<\/p>\n<p>Mas como romper esse ciclo e os padr\u00f5es que colocam o prazer feminino em segundo plano? Alessandra destaca cinco frentes: educa\u00e7\u00e3o sexual ampla e inclusiva, di\u00e1logos honestos entre casais, valoriza\u00e7\u00e3o do autoerotismo como forma de empoderamento, representa\u00e7\u00f5es mais realistas da sexualidade na m\u00eddia e o enfrentamento ativo dos mitos. \u201cO orgasmo feminino precisa ser tratado com naturalidade, respeito e liberdade. Toda mulher merece se conhecer e sentir prazer \u2014 e isso come\u00e7a ao romper com os sil\u00eancios que nos ensinaram a carregar.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Fingir orgasmo foi a coisa que eu mais fiz na vida&#8221;, comenta B*, cuja motiva\u00e7\u00e3o era finalizar, o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, o sexo. 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