{"id":2210,"date":"2025-09-06T07:00:07","date_gmt":"2025-09-06T10:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/?p=2210"},"modified":"2025-09-05T15:49:36","modified_gmt":"2025-09-05T18:49:36","slug":"vida-sexual-ativa-como-o-sexo-beneficia-corpo-e-mente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/vida-sexual-ativa-como-o-sexo-beneficia-corpo-e-mente\/","title":{"rendered":"Vida sexual ativa: como o sexo beneficia corpo e mente"},"content":{"rendered":"<p>Com Amanda S. Feitoza<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A rela\u00e7\u00e3o entre uma vida sexual ativa e sa\u00fade desperta interesse em diferentes \u00e1reas da ci\u00eancia, envolvendo aspectos f\u00edsicos e emocionais. O sexo pode ser um aliado poderoso na redu\u00e7\u00e3o da ansiedade, por exemplo, por meio de mecanismos neurobiol\u00f3gicos e psicol\u00f3gicos que contribuem para o bem-estar emocional. Neste Dia do sexo (6\/9), descubra benef\u00edcios de manter uma vida sexual satisfat\u00f3ria, segundo especialistas.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><strong>Deleite do prazer\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A psic\u00f3loga e sex\u00f3loga Alessandra Ara\u00fajo explica que, durante a atividade sexual, o corpo libera neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, associados ao prazer e \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de felicidade. \u201cO cl\u00edmax desse processo \u00e9 a libera\u00e7\u00e3o de endorfina, um neuro-horm\u00f4nio que atua como um analg\u00e9sico e um ansiol\u00edtico natural, promovendo uma sensa\u00e7\u00e3o de euforia e relaxamento profundo que pode durar horas ap\u00f3s o ato\u201d, acrescenta. \u201cEsse coquetel bioqu\u00edmico n\u00e3o s\u00f3 melhora o humor, mas tamb\u00e9m diminui a reatividade do sistema nervoso simp\u00e1tico, respons\u00e1vel pela resposta de luta ou fuga, o que leva a uma redu\u00e7\u00e3o significativa dos n\u00edveis de estresse e ansiedade.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Adicionalmente, no n\u00edvel emocional, a intimidade sexual fortalece os la\u00e7os afetivos e o senso de seguran\u00e7a. Alessandra justifica: \u201cA libera\u00e7\u00e3o de oxitocina, frequentemente chamada de \u2018horm\u00f4nio do v\u00ednculo\u2019, refor\u00e7a a conex\u00e3o e a confian\u00e7a entre os parceiros.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O sexo tamb\u00e9m combate sintomas depressivos devido a essa capacidade de influenciar a neuroqu\u00edmica cerebral e o estado emocional. Segundo a especialista, a pr\u00e1tica regular aumenta os n\u00edveis de serotonina e dopamina, neurotransmissores cujas defici\u00eancias s\u00e3o comumente associadas \u00e0 etiologia da depress\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A satisfa\u00e7\u00e3o sexual ainda contribui para uma imagem corporal mais positiva, conforme a especialista: \u201cEsse processo de revaloriza\u00e7\u00e3o do corpo e de suas sensa\u00e7\u00f5es cria uma percep\u00e7\u00e3o de valor pr\u00f3prio que vai al\u00e9m da apar\u00eancia f\u00edsica.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No \u00e1pice das rela\u00e7\u00f5es sexuais, o equil\u00edbrio mental e o humor s\u00e3o regulados. Alessandra salienta que o orgasmo promove a libera\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios que combatem a ins\u00f4nia e aumentam a qualidade de sono devido ao relaxamento p\u00f3s-coito.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 a falta de vida sexual, especialmente quando \u00e9 resultado de insatisfa\u00e7\u00e3o, conflito ou solid\u00e3o, pode impactar negativamente a sa\u00fade psicol\u00f3gica, conforme a psic\u00f3loga. \u201cA aus\u00eancia dos efeitos neurobiol\u00f3gicos positivos mencionados pode deixar o indiv\u00edduo mais vulner\u00e1vel ao estresse, \u00e0 ansiedade e a varia\u00e7\u00f5es de humor\u201d, exp\u00f5e. \u201cA priva\u00e7\u00e3o da intimidade f\u00edsica e do toque, essenciais para a sa\u00fade humana, pode levar a sentimentos de isolamento.\u201d<\/span><\/p>\n<h3><strong>Benef\u00edcios a longo prazo\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A fun\u00e7\u00e3o cardiovascular e o sistema imunol\u00f3gico tamb\u00e9m s\u00e3o beneficiados com a atividade sexual. \u00c9 o que explica a ginecologista especialista em sexualidade Cec\u00edlia Nessimian. Ela enfatiza que o aumento da frequ\u00eancia card\u00edaca durante o ato tem efeito semelhante ao exerc\u00edcio leve a moderado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na ginecologia, \u00e9 comprovado que o sexo promove o bem-estar f\u00edsico e emocional na libera\u00e7\u00e3o de endorfinas, ocitocina e dopaminas. \u201cEsses mediadores reduzem sintomas de ansiedade e depress\u00e3o, al\u00e9m de fortalecer v\u00ednculos afetivos e autoestima\u201d, reitera Cec\u00edlia. Al\u00e9m disso, ela evidencia que o orgasmo resulta em relaxamento muscular e redu\u00e7\u00e3o do cortisol.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEm qualquer idade, a atividade sexual traz benef\u00edcios f\u00edsicos e emocionais\u201d, aponta. \u201cEm mulheres mais jovens, destaca-se o impacto positivo sobre autoestima, qualidade do sono, imunidade e bem-estar global. J\u00e1 no climat\u00e9rio e p\u00f3s-menopausa, o sexo contribui tamb\u00e9m para a sa\u00fade urogenital, manuten\u00e7\u00e3o da lubrifica\u00e7\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o cognitiva e qualidade de vida, independentemente da fertilidade.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mais do que a frequ\u00eancia, a qualidade da experi\u00eancia \u00e9 um fator determinante. Segundo a ginecologista, prazer, seguran\u00e7a e v\u00ednculo ditam os benef\u00edcios emocionais e f\u00edsicos do sexo.<\/span><\/p>\n<h3><strong>Sexualidade e psiquiatria<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O sexo vai muito al\u00e9m de um ato biol\u00f3gico de reprodu\u00e7\u00e3o. Para Pedro Leopoldo de Ara\u00fajo Ortiz, m\u00e9dico psiquiatra, trata-se de uma das dimens\u00f5es mais complexas da experi\u00eancia humana. &#8220;O sexo n\u00e3o serve apenas para gerar descendentes, ele \u00e9 usado para prazer, v\u00ednculo, intimidade e al\u00edvio do estresse&#8221;, afirma. Ortiz explica que, ao contr\u00e1rio de quase todas as outras esp\u00e9cies, os seres humanos t\u00eam a capacidade de transformar o sexo em uma ferramenta poderosa para a sa\u00fade mental.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo o especialista, o c\u00e9rebro humano ativa uma orquestra de subst\u00e2ncias durante a atividade sexual. Entre elas, a oxitocina, frequentemente chamada de &#8220;horm\u00f4nio do amor&#8221;, \u00e9 liberada durante o orgasmo e cria la\u00e7os, fortalece a confian\u00e7a e aprofunda a conex\u00e3o com o parceiro. Al\u00e9m disso, o sexo aumenta a produ\u00e7\u00e3o de endorfinas, analg\u00e9sicos naturais, e diminui o cortisol, horm\u00f4nio do estresse, gerando aquela sensa\u00e7\u00e3o de relaxamento e paz ap\u00f3s a rela\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ortiz disserta que o al\u00edvio do estresse \u00e9 um processo neuroqu\u00edmico. &#8220;O corpo reduz a produ\u00e7\u00e3o de cortisol enquanto libera oxitocina e endorfina&#8221;, afirma. Esses efeitos, segundo o psiquiatra, tornam a atividade sexual compar\u00e1vel a t\u00e9cnicas de relaxamento como medita\u00e7\u00e3o ou exerc\u00edcios f\u00edsicos. Em casos de estresse leve ou moderado, a sensa\u00e7\u00e3o de calma pode at\u00e9 se assemelhar \u00e0 a\u00e7\u00e3o de um ansiol\u00edtico em dose baixa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ortiz menciona que pesquisas recentes indicam que a frequ\u00eancia sexual ideal est\u00e1 entre 52 e 103 vezes por ano. A atividade sexual tamb\u00e9m est\u00e1 ligada \u00e0 imunidade. O especialista cita estudos da Wilkes University, nos Estados Unidos, que mostraram que pessoas que fazem sexo uma ou duas vezes por semana t\u00eam 30% mais imunoglobulina A (IgA), anticorpo que protege contra infec\u00e7\u00f5es como gripe e resfriado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;A excita\u00e7\u00e3o sexual e o orgasmo ativam o sistema imunol\u00f3gico, aumentando a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos e a atividade de gl\u00f3bulos brancos&#8221;, justifica. O psiquiatra acrescenta que mesmo a masturba\u00e7\u00e3o pode trazer benef\u00edcios, desde que envolva excita\u00e7\u00e3o e orgasmo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;A atividade sexual regular protege contra o decl\u00ednio cognitivo, a depress\u00e3o e doen\u00e7as neurodegenerativas&#8221;, afirma Ortiz. De acordo com o especialista, o sexo estimula a cria\u00e7\u00e3o de novas c\u00e9lulas no hipocampo, melhora a circula\u00e7\u00e3o cerebral e libera dopamina, serotonina e oxitocina, combatendo a solid\u00e3o e o isolamento \u2014 fatores de risco para depress\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O foco excessivo no desempenho, no entanto, pode anular os benef\u00edcios da sexualidade. &#8220;Quando o sexo se transforma em uma prova de fogo, o corpo se submete a um roteiro r\u00edgido e a vitalidade se esgota&#8221;, explica Otriz. Ele defende que o que importa \u00e9 a qualidade da conex\u00e3o, a troca de olhares, o toque e a vulnerabilidade. &#8220;\u00c9 nesse v\u00ednculo de afeto que a magia acontece, e onde a sa\u00fade mental e f\u00edsica encontram ref\u00fagio&#8221;, afirma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A aus\u00eancia de vida sexual tamb\u00e9m tem impactos comprovados. Estudos indicam que tanto a falta quanto o excesso de sexo podem ser prejudiciais. &#8220;A falta de sexo pode ser um reflexo de desequil\u00edbrios emocionais, como depress\u00e3o, ansiedade ou baixa autoestima&#8221;, observa. Para o psiquiatra, o importante \u00e9 perceber que a sexualidade \u00e9 parte integral do bem-estar f\u00edsico e mental, n\u00e3o apenas um comportamento isolado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ortiz enfatiza o papel da comunica\u00e7\u00e3o aberta sobre sexualidade. Ele lembra que Freud j\u00e1 identificava a repress\u00e3o sexual como fator de neuroses e que, historicamente, a vergonha em torno do sexo causou sofrimento e adoecimento. &#8220;O sil\u00eancio sobre o sexo \u00e9 um veneno silencioso que corrompe corpo e mente&#8221;, alerta. Falar sobre sexualidade, segundo Ortiz, \u00e9 um ato de liberta\u00e7\u00e3o: permite que o corpo relaxe, que o prazer seja vivido plenamente e que neuroqu\u00edmicos ben\u00e9ficos para a sa\u00fade sejam liberados. &#8220;A liberdade de expressar a sexualidade \u00e9 a cura&#8221;, conclui.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com Amanda S. Feitoza A rela\u00e7\u00e3o entre uma vida sexual ativa e sa\u00fade desperta interesse em diferentes \u00e1reas da ci\u00eancia, envolvendo aspectos f\u00edsicos e emocionais. O sexo pode ser um aliado poderoso na redu\u00e7\u00e3o da ansiedade, por exemplo, por meio de mecanismos neurobiol\u00f3gicos e psicol\u00f3gicos que contribuem para o bem-estar emocional. 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