{"id":2306,"date":"2025-10-06T14:38:32","date_gmt":"2025-10-06T17:38:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/?p=2306"},"modified":"2025-10-06T14:38:32","modified_gmt":"2025-10-06T17:38:32","slug":"uma-em-cada-quatro-brasileiras-nao-usa-contraceptivo-entenda-os-motivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/uma-em-cada-quatro-brasileiras-nao-usa-contraceptivo-entenda-os-motivos\/","title":{"rendered":"Uma em cada quatro brasileiras n\u00e3o usa contraceptivo; entenda os motivos"},"content":{"rendered":"<p>Uma pesquisa in\u00e9dita da Ipsos, encomendada pela Bayer, revelou um dado preocupante: 25% das mulheres brasileiras n\u00e3o utilizam nenhum m\u00e9todo contraceptivo atualmente. Ou seja, uma em cada quatro mulheres n\u00e3o se previne de uma poss\u00edvel gravidez no Brasil. O estudo ouviu 800 participantes, entre 18 e 60 anos, em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O levantamento mostrou ainda que 59% das entrevistadas recorrem ao ambiente digital como principal fonte de informa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade. Essa depend\u00eancia cresce entre as mais jovens (18 a 29 anos), chegando a 62%. Dentro desse grupo, 34% pesquisam em sites e f\u00f3runs, 15% em grupos de WhatsApp, Facebook e Instagram, e 12% seguem perfis de influenciadores no Instagram, TikTok e Kwai. O fen\u00f4meno evidencia o peso das redes sociais na forma\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o, mas tamb\u00e9m acende um alerta para o risco de desinforma\u00e7\u00e3o em sa\u00fade reprodutiva.<\/p>\n<p>O ginecologista Edson Ferreira, do Hospital das Cl\u00ednicas da USP, ressalta que o problema n\u00e3o est\u00e1 em buscar informa\u00e7\u00e3o on-line, mas na aus\u00eancia de embasamento cient\u00edfico em parte dos conte\u00fados. \u201cTomar como base experi\u00eancias isoladas ou relatos que propagam mitos podem levar a escolhas inadequadas de m\u00e9todos contraceptivos, inseguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 contracep\u00e7\u00e3o e, consequentemente, perpetuar as gravidezes n\u00e3o planejadas\u201d, destaca.<\/p>\n<h3>Lacunas de conhecimento<\/h3>\n<p>Apesar de 91% das brasileiras j\u00e1 terem recorrido a algum m\u00e9todo contraceptivo ao longo da vida, ainda existe desconhecimento sobre op\u00e7\u00f5es modernas recomendadas por guias internacionais, como os m\u00e9todos revers\u00edveis de longa dura\u00e7\u00e3o (DIUs e implantes). A pesquisa revelou que 89% das entrevistadas n\u00e3o sabem diferenciar o DIU de cobre do DIU hormonal, com maior falta de informa\u00e7\u00e3o entre mulheres de classes mais baixas.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio se repete fora do pa\u00eds. Um estudo publicado na revista Obstetrics &amp; Gynecology, do American College of Obstetricians and Gynecologists, mostrou que o TikTok re\u00fane in\u00fameros relatos sobre o uso do DIU. Muitos deles carecem de respaldo m\u00e9dico confi\u00e1vel e, em 27% dos casos, chegam a questionar a credibilidade dos profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Para Ferreira, isso evidencia a necessidade de maior di\u00e1logo entre m\u00e9dicos, pacientes e comunicadores nas redes sociais. \u201cTrocar experi\u00eancias pode ser enriquecedor, mas cada mulher tem necessidades espec\u00edficas. S\u00f3 uma consulta profissional pode indicar o m\u00e9todo mais seguro e adequado\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) recomenda os LARCs (sigla em ingl\u00eas para Contracep\u00e7\u00e3o revers\u00edvel de longa dura\u00e7\u00e3o) como op\u00e7\u00f5es seguras e eficazes, inclusive para adolescentes e mulheres sem filhos, desde que n\u00e3o haja contraindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3>Gravidezes n\u00e3o planejadas<\/h3>\n<p>Segundo a pesquisa, mais de 62% das brasileiras j\u00e1 viveram pelo menos uma gesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o planejada. Em estudo anterior (produzido pela Bayer, Febrasgo e IPEC em 2022), os principais fatores foram falha do m\u00e9todo (27%) e uso incorreto (20%). Entre as entrevistadas, 65% acreditam que mais informa\u00e7\u00e3o teria evitado a situa\u00e7\u00e3o, e 93% defenderam a amplia\u00e7\u00e3o do acesso a dados sobre m\u00e9todos de longa dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ginecologista Rodrigo Mirisola, gerente m\u00e9dico da \u00e1rea de sa\u00fade feminina da Bayer, lembra que hoje existem alternativas diversificadas, de baixa dosagem hormonal e at\u00e9 com a\u00e7\u00e3o localizada, o que reduz a absor\u00e7\u00e3o no organismo. \u201cA informa\u00e7\u00e3o de qualidade \u00e9 uma ferramenta poderosa, n\u00e3o s\u00f3 para promover o conhecimento sobre os contraceptivos modernos, mas tamb\u00e9m para ampliar o acesso e democratizar o cuidado reprodutivo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Outro dado preocupante \u00e9 que 67% das mulheres desconhecem que o DIU hormonal tem cobertura obrigat\u00f3ria pelos planos de sa\u00fade, percentual que chega a 76% entre as classes econ\u00f4micas D e E.<\/p>\n<h3>Redes sociais e contracep\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Durante a semana do Dia Mundial da Contracep\u00e7\u00e3o, a influenciadora Karen Bachini, que acumula 1,4 milh\u00e3o de seguidores, fez uma enquete no Instagram sobre o impacto do conte\u00fado digital nas escolhas contraceptivas. O resultado mostrou que 27% j\u00e1 come\u00e7aram ou interromperam o uso de m\u00e9todos devido ao que viram nas redes. Entre as justificativas, o medo dos horm\u00f4nios apareceu com destaque.<\/p>\n<p>Ferreira, opina que esse \u00e9 mais um sinal de alerta para o cuidado com o consumo de informa\u00e7\u00f5es sem respaldo cient\u00edfico que, quando n\u00e3o esclarecidas, podem levar as mulheres a renunciarem a m\u00e9todos eficazes e adequados ao seu estilo de vida. \u201c\u00c9 natural ter d\u00favidas sobre horm\u00f4nios, mas qualquer decis\u00e3o precisa ser tomada junto a um m\u00e9dico. Hoje h\u00e1 diferentes composi\u00e7\u00f5es e dosagens hormonais que oferecem efic\u00e1cia e seguran\u00e7a, adequadas a cada perfil\u201d, explica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa in\u00e9dita da Ipsos, encomendada pela Bayer, revelou um dado preocupante: 25% das mulheres brasileiras n\u00e3o utilizam nenhum m\u00e9todo contraceptivo atualmente. 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