{"id":235,"date":"2017-06-27T18:20:42","date_gmt":"2017-06-27T21:20:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/?p=235"},"modified":"2017-06-28T23:18:34","modified_gmt":"2017-06-29T02:18:34","slug":"dor-parto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/dor-parto\/","title":{"rendered":"Toque do companheiro reduz a dor do parto, sugere estudo"},"content":{"rendered":"<p>Eis um estudo capaz de reavivar nossa cren\u00e7a no amor! Uma dupla de pesquisadores da Universidade de Colorado, nos Estados Unidos, e da Universidade de Haifa, em Israel, encontrou evid\u00eancias de que o simples toque do nosso parceiro \u00e9 capaz de aliviar nossas dores f\u00edsicas. Os mecanismos por tr\u00e1s desse efeito m\u00e1gico do companheirismo ainda n\u00e3o est\u00e3o muito claros, mas a pesquisa pode ajudar a explicar algo que muitas mulheres j\u00e1 descreveram: o quanto segurar a m\u00e3o do parceiro na hora do parto parecia tornar o momento menos dolorido.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, o principal autor do estudo, Pavel Goldstein, doutorando da universidade norte-americana, conta que a ideia do estudo surgiu justamente quando ele assistia ao nascimento da filha, hoje com 4 anos. &#8220;Minha mulher estava sentindo dores e tudo que eu podia pensar era: &#8216;O que eu posso fazer para ajud\u00e1-la?&#8217; Eu segurei sua m\u00e3o e isso pareceu ajudar&#8221;, conta, em um comunicado. &#8220;Eu, ent\u00e3o, quis testar no laborat\u00f3rio: Algu\u00e9m pode reduzir a dor apenas com o toque? Se sim, como?&#8221;<\/p>\n<p>Pavel bolou o seguinte experimento: convocou 22 casais heterossexuais com uma longa rela\u00e7\u00e3o e, avaliando cada dupla por vez, colocou neles sensores capazes de medir o batimento card\u00edaco, a respira\u00e7\u00e3o e a atividade cerebral. Primeiro, ele pediu que cada casal se sentasse na mesma sala sem se tocar, depois dando as m\u00e3os e, por fim, em salas diferentes. Essa fase mostrou que os parceiros, s\u00f3 de estarem perto um do outro, mesmo sem encostar, entram em uma esp\u00e9cie de sincronia, ajustando a respira\u00e7\u00e3o e o batimento card\u00edaco de forma que eles fiquem parecidos.<\/p>\n<p>Depois disso, veio a parte da dor. Nessa segunda etapa, o homem observava a companheira receber no bra\u00e7o uma fonte de calor que, apesar de n\u00e3o queimar, provocava um certo grau de dor. Se a observa\u00e7\u00e3o ocorria com o homem em outra sala ou na mesma sala sem poder tocar a mulher, a respira\u00e7\u00e3o e o batimento card\u00edaco dos dois ficavam descompassados.<\/p>\n<h3>Mais empatia, menos dor<\/h3>\n<p>Assim que era permitido ao homem tocar sua parceira, a sincronia de antes era aos poucos retomada, e as mulheres diziam que isso tornava a dor mais suport\u00e1vel. Outro interessante resultado foi que as mulheres que disseram sentir menos dor gra\u00e7as ao toque eram aquelas cujo parceiro havia se mostrado mais emp\u00e1tico (capaz de se colocar no lugar do outro) em testes feitos por meio de question\u00e1rios.<\/p>\n<p>&#8220;Aparentemente, a dor interrompe essa sincronia interpessoal entre casais&#8221;, diz Goldstein. &#8220;O toque a traz de volta&#8221;, completa\u00a0o cientista, que ainda n\u00e3o analisou os dados coletados sobre as ondas cerebrais dos volunt\u00e1rios e planeja realizar o mesmo experimento fazendo com que os homens recebam a dor e tamb\u00e9m usando casais do mesmo sexo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-017-03627-7\" target=\"_blank\">O estudo assinado por Goldstein e sua colaboradora Simone Shamay-Tsoory foi publicado este m\u00eas (coincidentemente, no Dia dos Namorados!) na revista especializada Scientific Reports<\/a>. No trabalho, n\u00e3o h\u00e1 ainda explica\u00e7\u00e3o sobre como funciona essa sincronia entre amantes capaz de aliviar a dor, mas Goldstein explica que o fen\u00f4meno da sincronia interpessoal tem sido muito estudado.<\/p>\n<p>Outros trabalhos j\u00e1 demonstraram que as pessoas, inconscientemente, sincronizam seus passos aos da pessoa com quem est\u00e3o caminhando ou ajustam a postura corporal para espelhar um amigo enquanto conversam. Estudos recentes tamb\u00e9m mostraram que quando assistimos a um filme emocionante ou cantamos com outros, nossos batimentos card\u00edacos e respira\u00e7\u00e3o entram em compasso. Mas o estudo de Goldstein e Shamay-Tsoory \u00e9 o primeiro a investigar os efeitos desse fen\u00f4meno sobre a dor.<\/p>\n<p>Se Goldstein tiver que arriscar um palpite sobre qual \u00e9 o mecanismo biol\u00f3gico por tr\u00e1s do resultado de sua pesquisa, ele diria que a resposta deve estar em uma \u00e1rea do c\u00e9rebro chamada de c\u00f3rtex cingulado anterior, que parece relacionado \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de dor, empatia e fun\u00e7\u00f5es cardiorrespirat\u00f3rias. Mas essa \u00e9 uma resposta que vai depender de mais pesquisas. Por enquanto, o principal autor fica com uma hip\u00f3tese incr\u00edvel: &#8220;Pode ser que o toque seja\u00a0uma ferramenta para comunicar empatia, o que resulta em um efeito analg\u00e9sico&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eis um estudo capaz de reavivar nossa cren\u00e7a no amor! 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