{"id":2437,"date":"2025-11-14T14:32:20","date_gmt":"2025-11-14T17:32:20","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/?p=2437"},"modified":"2025-11-14T14:32:20","modified_gmt":"2025-11-14T17:32:20","slug":"mulheres-assumem-o-controle-na-cama-pesquisa-revela-crescimento-do-desejo-dominador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/mulheres-assumem-o-controle-na-cama-pesquisa-revela-crescimento-do-desejo-dominador\/","title":{"rendered":"Mulheres assumem o controle na cama: pesquisa revela crescimento do desejo dominador"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante d\u00e9cadas, o imagin\u00e1rio sexual feminino foi condicionado \u00e0 figura da mulher passiva \u2014 aquela que espera o desejo, acompanha o ritmo e n\u00e3o conduz. Esse cen\u00e1rio, por\u00e9m, est\u00e1 mudando. Uma enquete recente do Sexlog, maior rede social de sexo da Am\u00e9rica Latina, mostra que mais da metade dos brasileiros sente curiosidade ou prazer ao assumir o controle na hora H.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O levantamento, feito com 5,5 mil pessoas, revela que 53,6% das mulheres encontram maior satisfa\u00e7\u00e3o ao ver o parceiro sob seu comando, enquanto 33,1% preferem testar limites e dar vida a fantasias. As participantes entre 35 e 44 anos formam o grupo mais frequente: uma faixa et\u00e1ria que equilibra autoconhecimento e ousadia. Entre as mais jovens, de 25 a 34 anos, domina o desejo de explorar novas formas de prazer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pesquisa tamb\u00e9m desmonta estere\u00f3tipos: as mulheres que se identificam como dominadoras n\u00e3o correspondem ao imagin\u00e1rio caricatural. Muitas afirmam que a postura firme aparece apenas na intimidade. \u201cNo trabalho sou tranquila, no sexo viro outra pessoa\u201d, \u00e9 a frase com que 23% delas dizem se identificar. Para a maioria, a fantasia n\u00e3o gira em torno de agressividade, mas de confian\u00e7a, troca emocional e um jogo consensual de poder.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">V., usu\u00e1ria do Sexlog h\u00e1 quase nove anos, descreve sua virada pessoal: percebeu que o papel de submissa n\u00e3o correspondia ao seu desejo. \u201cMeus parceiros n\u00e3o me faziam chegar onde eu queria. Foi quando entendi que, se eu conduzisse, poderia fazer ele me dar prazer do jeito que eu quero, e como eu quero. Mas deixo ele achar que manda no relacionamento\u201d, brinca. Solteira e assumidamente dominante, ela conta que alguns homens se intimidam com sua postura. \u201cNem todos est\u00e3o prontos para lidar com uma mulher que sabe o que quer. Mas, no fim, eu acabo conduzindo a situa\u00e7\u00e3o e ele ficando.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para a sex\u00f3loga B\u00e1rbara Bastos, esse movimento dialoga diretamente com a maneira como as mulheres v\u00eam se reconectando com o pr\u00f3prio desejo. \u201cFomos ensinadas a sermos passivas, a agradar, a esperar. Quando uma mulher se permite comandar, ela n\u00e3o est\u00e1 apenas invertendo pap\u00e9is: est\u00e1 se libertando de condicionamentos antigos. A domina\u00e7\u00e3o pode ser uma forma de afirmar autonomia, seguran\u00e7a e autoconhecimento, e, claro, de brincar com as possibilidades er\u00f3ticas que esse poder desperta\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Desejo com limites<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O fetiche ainda enfrenta resist\u00eancias: 20% dos entrevistados relacionam o tema \u00e0 agressividade, e 16% dizem que o preconceito nasce da ideia de que mulheres dominadoras extrapolariam esse comportamento para fora do sexo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">B\u00e1rbara pontua que a linha que separa prazer de abuso est\u00e1 na clareza do consentimento: \u201cA grande diferen\u00e7a est\u00e1 no consentimento. Dentro do sexo, o controle \u00e9 um jogo combinado, em que as partes confiam uma na outra. Fora dali, o controle real \u00e9 desequil\u00edbrio. No sexo, a domina\u00e7\u00e3o \u00e9 desejo, n\u00e3o posse.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo a sex\u00f3loga, o di\u00e1logo \u00e9 fundamental para que o fetiche deixe de ser tabu. \u201cA culpa aparece quando associamos prazer \u00e0 transgress\u00e3o. Mas o desejo \u00e9 apenas uma linguagem do corpo e da mente. Quando h\u00e1 conversa, limites e respeito, o fetiche deixa de ser tabu e passa a ser liberta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A especialista destaca ainda o aspecto simb\u00f3lico da entrega: mulheres t\u00edmidas ou reservadas no cotidiano costumam se sentir mais livres na domina\u00e7\u00e3o. \u201cO espa\u00e7o sexual permite acessar partes de n\u00f3s que, no cotidiano, ficam reprimidas. A mulher t\u00edmida pode ver na domina\u00e7\u00e3o uma forma de viver sua pot\u00eancia. \u00c9 como se o quarto virasse um palco onde o inconsciente brinca\u00a0 e tudo o que \u00e9 contido encontra um espa\u00e7o seguro para se manifestar.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">V. concorda. Para ela, a base de tudo \u00e9 o autoconhecimento. \u201cAntes de dominar algu\u00e9m, \u00e9 preciso se conhecer. Saber onde sente prazer, o que desperta desejo, o que te faz perder o controle. Quando voc\u00ea entende o que te excita, passa a exigir mais do parceiro\u00a0 e, muitas vezes, se torna dominadora sem nem perceber.\u201d<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante d\u00e9cadas, o imagin\u00e1rio sexual feminino foi condicionado \u00e0 figura da mulher passiva \u2014 aquela que espera o desejo, acompanha o ritmo e n\u00e3o conduz. Esse cen\u00e1rio, por\u00e9m, est\u00e1 mudando. 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