{"id":2451,"date":"2025-11-24T11:21:18","date_gmt":"2025-11-24T14:21:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/?p=2451"},"modified":"2025-11-24T11:21:18","modified_gmt":"2025-11-24T14:21:18","slug":"iniciacao-tardia-preliminares-e-sexo-virtual-a-nova-vida-sexual-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/iniciacao-tardia-preliminares-e-sexo-virtual-a-nova-vida-sexual-no-brasil\/","title":{"rendered":"Inicia\u00e7\u00e3o tardia, preliminares e sexo virtual: a nova vida sexual no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O panorama da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/ciencia-e-saude\/2025\/09\/7242478-sexo-o-remedio-natural-como-a-ciencia-comprova-os-beneficios-da-vida-sexual-ativa.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">vida sexual<\/a>\u00a0dos brasileiros mudou de forma significativa desde 2005. Duas d\u00e9cadas ap\u00f3s o primeiro levantamento, um novo mapeamento revela um cen\u00e1rio em que a inicia\u00e7\u00e3o \u00edntima ocorre mais tarde, o ritmo das rela\u00e7\u00f5es diminui, mas o tempo dedicado ao ato aumenta \u2014 impulsionado, sobretudo, pela valoriza\u00e7\u00e3o das preliminares e pela influ\u00eancia decisiva da internet.<\/p>\n<p>Os dados mostram que 30% dos brasileiros s\u00f3 iniciam a vida sexual depois dos 19 anos, enquanto no levantamento de 2005 a maioria come\u00e7ava por volta dos 15. \u201c\u00c9 muito frequente que a inicia\u00e7\u00e3o seja postergada\u201d, afirmou a psiquiatra e sex\u00f3loga Carmita Abdo, em entrevista ao\u00a0<em>Fant\u00e1stico<\/em>. A tend\u00eancia foi revelada no<em>\u00a0Estudo da Vida Sexual do Brasileiro<\/em>, realizado novamente pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com patroc\u00ednio da Farmoqu\u00edmica. O levantamento ouviu 3.213 adultos \u2014 54% mulheres e 46% homens \u2014 de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds, com margem de erro de dois pontos percentuais.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia das rela\u00e7\u00f5es, no entanto, aumentou. Embora a frequ\u00eancia semanal de sexo tenha diminu\u00eddo, a m\u00e9dia na cama passou de 10 para 15 minutos. \u201cAs preliminares ganharam import\u00e2ncia, at\u00e9 pela necessidade da mulher de se satisfazer\u201d, explicou Carmita. A pesquisa tamb\u00e9m identificou a internet como for\u00e7a central na remodela\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitos sexuais. O sexo virtual se consolidou como meio de experimenta\u00e7\u00e3o e, em muitos casos, como forma de inicia\u00e7\u00e3o antes mesmo do contato presencial.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cObservamos muito intensamente a influ\u00eancia das m\u00eddias eletr\u00f4nicas, inclusive como a principal forma de inicia\u00e7\u00e3o sexual, o que n\u00e3o acontecia 20 anos atr\u00e1s. (\u2026) Agora, essa inicia\u00e7\u00e3o acontece diante da tela, com autoest\u00edmulo\u201d, opinou a coordenadora do estudo. Essa mudan\u00e7a estaria levando a dificuldades quando chega o momento do encontro f\u00edsico. Segundo Carmita, adolescentes come\u00e7am a se estimular virtualmente por volta dos 11 ou 12 anos, mas aos 16, 17 ou 18 ainda \u201cn\u00e3o se sentem devidamente preparados\u201d para o sexo presencial, o que pode gerar frustra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3>Entre o prazer e a ansiedade<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">A sex\u00f3loga Andr\u00e9a Aguiar refor\u00e7ou essa leitura ao afirmar que a internet \u201credefiniu o modo como nos relacionamos, como acessamos prazer e como percebemos o outro\u201d. Para ela, os aplicativos facilitaram encontros e separaram o sexo do afeto, ampliando a busca pelo prazer sem v\u00ednculos emocionais.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mas a compara\u00e7\u00e3o constante com corpos e performances do ambiente digital tamb\u00e9m cria distor\u00e7\u00f5es. Carmita observou que, diante da press\u00e3o por corresponder ao que se v\u00ea em v\u00eddeos, muitos jovens preferem permanecer no virtual, por ser \u201cmenos tenso e exigente\u201d. Em casos mais graves, h\u00e1 quem busque tratamento psicol\u00f3gico para lidar com a inibi\u00e7\u00e3o e a dificuldade de se relacionar presencialmente.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Esse novo cen\u00e1rio ainda altera a forma como se entende a ideia de trai\u00e7\u00e3o. Carmita questionou: \u201cPodemos manter a ideia de trai\u00e7\u00e3o baseada em contato f\u00edsico? Ou manter um segredo tamb\u00e9m seria considerado trai\u00e7\u00e3o?\u201d. Nas redes, curtidas, coment\u00e1rios, conversas er\u00f3ticas e envio de nudes passaram a compor esse debate.<\/p>\n<h3>Identidade e desigualdades<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">A nova edi\u00e7\u00e3o do estudo tamb\u00e9m registrou um aumento no n\u00famero de pessoas que se declaram homossexuais, mas o salto mais relevante est\u00e1 na idade em que essa identifica\u00e7\u00e3o ocorre. Se antes isso acontecia por volta dos 25 anos, hoje jovens de 17 ou 18 anos j\u00e1 se afirmam como hetero, homo, bi ou pansexuais \u2014 um sinal de maior seguran\u00e7a subjetiva, segundo Carmita.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Entretanto, Andr\u00e9a ressaltou que o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e \u00e0 autonomia sexual ainda \u00e9 atravessado por desigualdades. Mulheres brancas, urbanas e escolarizadas avan\u00e7aram mais na busca pelo prazer; j\u00e1 pessoas negras, perif\u00e9ricas e\u00a0<a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/mitos-verdades-e-tabus-sobre-a-sexualidade-lgbtqiapn\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">LGBTQIAPN+<\/a>\u00a0continuam enfrentando barreiras, enquanto homens sofrem com a falta de espa\u00e7o para expressar inseguran\u00e7as.<\/p>\n<h3>Ganhos, perdas e o impacto da qualidade de vida<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">Ao comparar os dois momentos da pesquisa, Carmita avaliou que o panorama geral \u00e9 complexo: \u201cEm 20 anos, infelizmente, a qualidade de vida dos brasileiros n\u00e3o melhorou, e, para muitas camadas da popula\u00e7\u00e3o, piorou. Sexo est\u00e1 umbilicamente ligado \u00e0 qualidade de vida (\u2026) tudo que a maior parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o possui\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Por outro lado, ela reconheceu um avan\u00e7o: \u201cA boa m\u00eddia eletr\u00f4nica de fato educa a popula\u00e7\u00e3o sobre o sexo. (\u2026) A informa\u00e7\u00e3o fidedigna disponibilizada nas diversas m\u00eddias \u00e9 um excelente meio para dirimir mitos e tabus\u201d. Ainda assim, a especialista lembrou que a compara\u00e7\u00e3o com padr\u00f5es irreais da internet pode afetar a libido de adolescentes que se veem \u201caqu\u00e9m daquela idealiza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Para Luiz Ot\u00e1vio Torres, presidente da SBU, os resultados apenas confirmaram o que j\u00e1 percebia na pr\u00e1tica cl\u00ednica. Ele chama aten\u00e7\u00e3o para o fato de que a preval\u00eancia de disfun\u00e7\u00f5es sexuais entre homens \u00e9 alta, mas poucos procuram ajuda. E, entre os casais, ainda falta di\u00e1logo sobre o assunto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O panorama da\u00a0vida sexual\u00a0dos brasileiros mudou de forma significativa desde 2005. Duas d\u00e9cadas ap\u00f3s o primeiro levantamento, um novo mapeamento revela um cen\u00e1rio em que a inicia\u00e7\u00e3o \u00edntima ocorre mais tarde, o ritmo das rela\u00e7\u00f5es diminui, mas o tempo dedicado ao ato aumenta \u2014 impulsionado, sobretudo, pela valoriza\u00e7\u00e3o das preliminares e pela influ\u00eancia decisiva da internet. 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