{"id":2590,"date":"2026-01-29T15:17:58","date_gmt":"2026-01-29T18:17:58","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/?p=2590"},"modified":"2026-01-29T15:17:58","modified_gmt":"2026-01-29T18:17:58","slug":"desodorante-preso-no-anus-expoe-riscos-do-uso-inadequado-no-sexo-anal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/desodorante-preso-no-anus-expoe-riscos-do-uso-inadequado-no-sexo-anal\/","title":{"rendered":"Desodorante preso no \u00e2nus exp\u00f5e riscos do uso inadequado no sexo anal"},"content":{"rendered":"<p>Um caso relatado nas redes sociais pelo cirurgi\u00e3o coloproctologista Daniel Brosco reacendeu o debate sobre\u00a0<a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/sexo-anal-saiba-os-mitos-e-verdades-sobre-a-pratica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">como experienciar o prazer anal de forma saud\u00e1vel<\/a>. No v\u00eddeo, o m\u00e9dico conta ter atendido um paciente de 19 anos que foi internado ao introduzir um desodorante no \u00e2nus durante uma brincadeira sexual. Como resultado, o produto subiu para o reto e o homem n\u00e3o conseguiu o retirar em casa.<\/p>\n<p>\u201cA fantasia n\u00e3o \u00e9 um problema. O problema \u00e9 n\u00e3o usar objetos espec\u00edficos para isso. Imagina se o conte\u00fado da embalagem vaza ou se o objeto sobe de uma forma que exige cirurgia para retirar? J\u00e1 tive pacientes que acabaram com infec\u00e7\u00f5es graves e morreram\u201d, exp\u00f4s Brosco.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O acidente n\u00e3o \u00e9 um caso isolado, e os prontos atendimentos recebem esse tipo de caso com mais frequ\u00eancia do que as pessoas imaginam,\u00a0segundo o coloproctologista Danilo Munh\u00f3z. Embora n\u00e3o existam dados certeiros que representem tais situa\u00e7\u00f5es em hospitais, o especialista aponta que estudos internacionais sugerem tend\u00eancias crescentes de registros de objetos presos no reto ao longo dos anos analisados por pesquisadores. \u201cIsso refor\u00e7a a import\u00e2ncia de orienta\u00e7\u00e3o de preven\u00e7\u00e3o e de busca r\u00e1pida de atendimento quando acontece\u201d, afirma.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Entre os pacientes atendidos nesses casos, destacam-se alguns perfis comuns. O especialista menciona que atendimentos de retiradas anais s\u00e3o predominantes em homens e em adultos, com parte dos casos relacionada a uso sexual, al\u00e9m de situa\u00e7\u00f5es acidentais. \u201cTamb\u00e9m existem ocorr\u00eancias por viol\u00eancia, que exigem acolhimento e abordagem m\u00e9dica e psicol\u00f3gica adequada\u201d, exemplifica.<\/p>\n<h3>Complica\u00e7\u00f5es s\u00e9rias<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">Mesmo que seja uma zona er\u00f3gena, a regi\u00e3o anal pode \u201csugar\u201d objetos devido aos movimentos perist\u00e1lticos (contra\u00e7\u00f5es involunt\u00e1rias respons\u00e1veis pelo funcionamento do \u00f3rg\u00e3o). \u201cO canal anal tem um esf\u00edncter forte, que fecha automaticamente, e o reto \u00e9 uma cavidade que pode acomodar o objeto, principalmente se ele n\u00e3o tem uma base que fique do lado de fora\u201d, explica Munh\u00f3z. \u201cEm alguns casos, o objeto pode migrar para cima por movimentos naturais do intestino e pela forma\u00e7\u00e3o de um tipo de v\u00e1cuo, o que dificulta ainda mais a retirada\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Entre os riscos associados \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o de objetos n\u00e3o adequados no reto, destacam-se machucados na mucosa, cortes e sangramentos, fissuras, forma\u00e7\u00e3o de hematomas e, em situa\u00e7\u00f5es mais graves, perfura\u00e7\u00e3o do intestino e inflama\u00e7\u00e3o dentro do abd\u00f4men. \u201cAl\u00e9m disso, quando o objeto fica preso, a tentativa de retirada pode piorar o trauma e aumentar o risco de infec\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta o coloproctologista. \u201cAs complica\u00e7\u00f5es mais temidas s\u00e3o perfura\u00e7\u00e3o e infec\u00e7\u00e3o extensa, que podem exigir cirurgia e interna\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O m\u00e9dico esclarece que o atendimento hospitalar deve ser procurado imediatamente no caso de um objeto introduzido n\u00e3o conseguir ser retirado manualmente. A emerg\u00eancia grave \u00e9 caracterizada quando h\u00e1 sinais de perfura\u00e7\u00e3o, sangramento, infec\u00e7\u00e3o, dor abdominal forte e febre. \u201cNesses casos, o risco n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 local, pode evoluir para inflama\u00e7\u00e3o no abd\u00f4men e infec\u00e7\u00e3o generalizada\u201d, justifica. \u201cMesmo sem esses sinais, se o objeto ficou preso e n\u00e3o sai facilmente, o mais seguro \u00e9 ir ao pronto atendimento, porque a avalia\u00e7\u00e3o e a retirada precisam ser feitas com cuidado e com os recursos adequados.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A tentativa da retirada do objeto em casa ainda pode agravar o quadro, pois pode empurrar a pe\u00e7a ainda mais para dentro, culminando em cortes, sangramento e perfura\u00e7\u00e3o. \u201cAl\u00e9m disso, a pessoa pode achar que est\u00e1 tudo bem e atrasar a ida ao hospital, e o atraso aumenta risco de complica\u00e7\u00e3o\u201d, explica Munh\u00f3z. \u201cA dor pode demorar a aparecer, mas isso n\u00e3o significa que n\u00e3o houve les\u00e3o. Algumas altera\u00e7\u00f5es podem evoluir com o tempo, inflamar e infeccionar.\u201d<\/p>\n<h3>Est\u00edmulo anal saud\u00e1vel<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">O sexo anal por si s\u00f3 n\u00e3o causa risco algum \u00e0 sa\u00fade, mas alguns cuidados espec\u00edficos devem ser tomados antes, durante e ap\u00f3s a pr\u00e1tica. \u201cO b\u00e1sico \u00e9 evitar improvisos e priorizar a seguran\u00e7a\u201d, resume o m\u00e9dico. \u201cUsar lubrificante adequado ajuda a reduzir trauma, e preservativo reduz risco de ISTs.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Caso a penetra\u00e7\u00e3o seja feita por um objeto, o mais importante \u00e9 escolher produtos pr\u00f3prios para essa finalidade \u2014 de material seguro, superf\u00edcie lisa e, principalmente, com base de seguran\u00e7a para impedir que o objeto entre totalmente. \u201cSe houver dor, sangramento, ou desconforto persistente, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 parar e procurar avalia\u00e7\u00e3o\u201d, recomenda Munh\u00f3z.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O uso de brinquedos sexuais permite que a sexualidade seja explorada de forma segura. Isso porque produtos desenhados para uso anal costumam ter formato e base de seguran\u00e7a para evitar reten\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de materiais feitos para contato com o corpo e para higieniza\u00e7\u00e3o adequada. Ainda assim, o coloproctologista enfatiza que os riscos n\u00e3o s\u00e3o eliminados totalmente.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Segundo o especialista, o tabu em torno do tema resulta na vergonha da procura de sex toys apropriados para a regi\u00e3o, al\u00e9m da demora na busca por ajuda quando objetos inapropriados ficam presos. \u201cVergonha e medo de julgamento podem atrasar a ida ao hospital, e esse atraso aumenta a chance de complica\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de tornar a retirada mais dif\u00edcil\u201d, diz. \u201cA mensagem mais importante \u00e9 que a equipe de sa\u00fade est\u00e1 ali para cuidar, sem julgamento, e quanto mais cedo a pessoa procurar atendimento, maior a chance de resolver com seguran\u00e7a e com menos riscos.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um caso relatado nas redes sociais pelo cirurgi\u00e3o coloproctologista Daniel Brosco reacendeu o debate sobre\u00a0como experienciar o prazer anal de forma saud\u00e1vel. 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