{"id":2593,"date":"2026-01-29T15:21:52","date_gmt":"2026-01-29T18:21:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/?p=2593"},"modified":"2026-01-29T15:21:52","modified_gmt":"2026-01-29T18:21:52","slug":"femboys-por-que-homens-afeminados-ganham-espaco-no-desejo-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/femboys-por-que-homens-afeminados-ganham-espaco-no-desejo-feminino\/","title":{"rendered":"Femboys: por que homens afeminados ganham espa\u00e7o no desejo feminino"},"content":{"rendered":"<p>Homens afeminados ganharam protagonismo com a chegada de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/tags\/juliano-floss\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Juliano Floss<\/a>\u00a0no BBB 26. O dan\u00e7arino, que namora a cantora\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/tags\/marina-sena\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marina Sena<\/a>, revelou que faz xixi sentado, chora publicamente e veste roupas coloridas. Tais atitudes caracterizam o chamado \u201chomem a\u00e7ucarado\u201d, ou \u201cfemboy\u201d, termos que, antes usados de forma pejorativa, representam o sonho de muitas mulheres que fogem do padr\u00e3o \u201ch\u00e9tero top\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo que performem feminilidade, isso n\u00e3o significa que esses homens integrem a comunidade LGBTQIA+. A sex\u00f3loga e psic\u00f3loga Alessandra Ara\u00fajo difere identidade de g\u00eanero, express\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o sexual:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Identidade de g\u00eanero:<\/strong>\u00a0Refere-se a como a pessoa se identifica internamente (homem, mulher, n\u00e3o-bin\u00e1rio). Um femboy, por exemplo, geralmente se identifica como um homem.<\/li>\n<li><strong>Express\u00e3o de g\u00eanero:<\/strong>\u00a0\u00c9 a manifesta\u00e7\u00e3o externa (roupas, maquiagem, comportamento). \u00c9 aqui que entra o interesse pelo afeminado: uma est\u00e9tica que subverte o que se espera de um corpo masculino.<\/li>\n<li><strong>Orienta\u00e7\u00e3o sexual:<\/strong>\u00a0Diz respeito ao desejo (por quem se atrai). Ser um homem afeminado n\u00e3o define se ele \u00e9 gay, bi ou h\u00e9tero.<\/li>\n<\/ul>\n<p dir=\"ltr\">A atra\u00e7\u00e3o de mulheres por homens afeminados pode ser explicada por uma fuga de estere\u00f3tipos de g\u00eanero prejudiciais para ambos os lados. O cansa\u00e7o do modelo r\u00edgido relacional culmina em novos movimentos sociais, como a tend\u00eancia da op\u00e7\u00e3o pela solteirice e a procura de conex\u00e3o com h\u00e9teros sens\u00edveis. \u201cO modelo do &#8220;h\u00e9tero top&#8221; (masculinidade r\u00edgida, dominadora e muitas vezes emocionalmente inacess\u00edvel) tem gerado fadiga\u201d, analisa Alessandra.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Para a especialista, a quebra da performance de &#8220;macho alfa&#8221; sinaliza que aquele homem est\u00e1 confort\u00e1vel com sua vulnerabilidade, facilitando a conex\u00e3o emocional e diminuindo a barreira do medo ou da agressividade latente. \u201cMulheres relatam que a intimidade com homens que abra\u00e7am o feminino tende a ser mais comunicativa e menos focada apenas no desempenho mec\u00e2nico\u201d, afirma a sex\u00f3loga. \u201cTamb\u00e9m existe uma valoriza\u00e7\u00e3o da vaidade e do autocuidado, caracter\u00edsticas que o patriarcado tentou excluir dos homens.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A quebra de expectativas de g\u00eanero tamb\u00e9m impacta a performance sexual. \u201cQuando o homem n\u00e3o precisa ocupar o lugar do &#8220;provedor de prazer inabal\u00e1vel&#8221;, ele pode explorar novas zonas er\u00f3genas e posi\u00e7\u00f5es que a masculinidade t\u00f3xica proibiria\u201d, Alessandra exp\u00f5e. \u201cHomens que desafiam normas de g\u00eanero costumam ter maior repert\u00f3rio para falar sobre sentimentos e limites, o que \u00e9 a base para um sexo consensual e prazeroso.\u201d<\/p>\n<h3>Feminilidade e pornografia<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">Ao desconstruir o esperado de como os homens devem agir e apresentar-se socialmente, os femboys \u2014 termo originalmente homof\u00f3bico surgido nos anos 1990 para designar homens que n\u00e3o performam uma masculinidade tradicional \u2014 tomaram conta das redes sociais. Prova disso \u00e9 que a hashtag no Tik Tok acumula mais de 1 milh\u00e3o de publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Al\u00e9m disso, os afeminados dominaram as\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/diversao-e-arte\/2026\/01\/7339198-serie-de-hoquei-aumenta-buscas-femininas-em-site-porno.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">buscas por conte\u00fados adultos<\/a>. Segundo o relat\u00f3rio\u00a0<em>Year in Review<\/em>\u00a02025, do Pornhub, o termo foi um dos mais pesquisados nos \u00faltimos anos, ainda em tend\u00eancia de crescimento, figurando, pela primeira vez, o Top 10 mundial de buscas e o primeiro lugar no ranking do Pornhub Gay. Os v\u00eddeos consistem em homens de suti\u00e3 e calcinha, maquiagem, perucas e at\u00e9 de cosplay.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">No entanto, a populariza\u00e7\u00e3o desses termos via pornografia \u00e9 uma faca de dois gumes, conforme Alessandra. Por um lado, promove visibilidade a corpos e desejos que antes eram invisibilizados ou punidos. Por outro, reproduz estere\u00f3tipos. \u201cFrequentemente, a pornografia reduz o homem afeminado a uma caricatura de passividade ou a um &#8220;objeto de consumo&#8221; ex\u00f3tico. Isso gera o risco de fetichiza\u00e7\u00e3o, onde a pessoa real desaparece por tr\u00e1s de um r\u00f3tulo er\u00f3tico (tag), dificultando conex\u00f5es humanas reais fora das telas\u201d, justifica.<\/p>\n<h3>Femboys, twinks e tomboys<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">Entre tantos termos que se popularizaram no ambiente digital, os internautas podem ficar confusos com seus respectivos significados. Embora o pr\u00f3prio Juliano Floss j\u00e1 tenha sido associado ao termo twink, n\u00e3o se trata da mesma coisa que o femboy. \u201cTwink \u00e9 um termo da subcultura gay para homens jovens, magros e com poucos pelos. Refere-se mais a um biotipo e idade do que necessariamente a uma performance feminina extrema\u201d, diverge Alessandra. J\u00e1 femboy foca especificamente na performance da feminilidade por parte de algu\u00e9m que se identifica como homem.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Do outro lado da express\u00e3o, existe a confus\u00e3o entre tomboy e desfem. O primeiro seria uma esp\u00e9cie de femboy feminina, uma mulher que identifica-se com est\u00e9ticas e trejeitos masculinizados. \u201cDesfem (desfeminiza\u00e7\u00e3o consciente) \u00e9 um movimento, muitas vezes pol\u00edtico e l\u00e9sbico, que questiona a obrigatoriedade da feminilidade como uma ferramenta de agrado ao olhar masculino\u201d, diz a sex\u00f3loga. \u201cEssas express\u00f5es mostram que o desejo n\u00e3o precisa ser pautado pela complementaridade de opostos (masculino vs. feminino), mas pela afinidade e subvers\u00e3o das normas.\u201d<\/p>\n<h3>Sa\u00fade mental e afeminofobia<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">O preconceito contra o &#8220;feminino no homem&#8221; \u00e9 uma das formas mais cru\u00e9is de controle social, de acordo com a especialista. Isso descreve a afeminofobia, que \u00e9 o preconceito, desprezo ou avers\u00e3o a pessoas que fogem dos padr\u00f5es tradicionais de g\u00eanero. \u201cOcorre inclusive dentro da comunidade LGBTQIA+, onde o &#8220;masculino&#8221; ainda \u00e9 supervalorizado\u201d, ilustra.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cHomens afeminados enfrentam maiores taxas de isolamento, viol\u00eancia e depress\u00e3o, pois sua simples exist\u00eancia desafia a estrutura de poder masculina. Reivindicar o direito de ser afeminado \u00e9 um ato de sa\u00fade mental e resist\u00eancia pol\u00edtica\u201d, Alessandra defende. \u201c\u00c9 preciso refor\u00e7ar que a performance (usar saia) n\u00e3o dita a identidade (ser trans ou cis) nem a orienta\u00e7\u00e3o (ser gay ou h\u00e9tero). O respeito a essa fluidez \u00e9 o que permite que o desejo se transforme em algo libertador, e n\u00e3o em mais uma caixa de rotulagem.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homens afeminados ganharam protagonismo com a chegada de\u00a0Juliano Floss\u00a0no BBB 26. O dan\u00e7arino, que namora a cantora\u00a0Marina Sena, revelou que faz xixi sentado, chora publicamente e veste roupas coloridas. Tais atitudes caracterizam o chamado \u201chomem a\u00e7ucarado\u201d, ou \u201cfemboy\u201d, termos que, antes usados de forma pejorativa, representam o sonho de muitas mulheres que fogem do padr\u00e3o \u201ch\u00e9tero top\u201d. 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