{"id":2720,"date":"2026-02-18T15:33:09","date_gmt":"2026-02-18T18:33:09","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/?p=2720"},"modified":"2026-02-18T15:33:09","modified_gmt":"2026-02-18T18:33:09","slug":"do-tabu-ao-protagonismo-filmes-brasileiros-que-destacam-o-prazer-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/do-tabu-ao-protagonismo-filmes-brasileiros-que-destacam-o-prazer-feminino\/","title":{"rendered":"Do tabu ao protagonismo: filmes brasileiros que destacam o prazer feminino"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">Durante muito tempo, o sexo no cinema brasileiro foi filmado como espet\u00e1culo: corpos expostos, cenas intensas, enquadramentos que privilegiavam o desejo masculino. Paralelamente a essa tradi\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, surgiram obras que deslocam o foco e colocam as mulheres no centro da pr\u00f3pria experi\u00eancia er\u00f3tica. Nessas narrativas, o prazer n\u00e3o \u00e9 ornamento nem provoca\u00e7\u00e3o gratuita, mas sim conflito, descoberta, ruptura e reconstru\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por isso, o <strong>Blog Daquilo<\/strong> separou filmes que compartilha a sexualidade feminina como protagonista. Algumas fantasiam, outras experimentam, outras reagem a traumas ou frustra\u00e7\u00f5es, mas o debate sobre autonomia e autoconhecimento prevalece. Confira:\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">A porta ao lado (2023)<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dirigido por J\u00falia Rezende, o filme acompanha Mari (Let\u00edcia Colin), que vive um casamento est\u00e1vel e monog\u00e2mico com Rafa (Dan Ferreira). A rotina come\u00e7a a ser tensionada quando ela se aproxima dos vizinhos Fred (Tulio Starling) e Isis (B\u00e1rbara Paz). Sem filhos, o casal vive um relacionamento aberto. O contato desperta questionamentos profundos e impulsiona Mari a explorar novas possibilidades, ressignificando sua vis\u00e3o sobre compromisso, desejo e liberdade.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">O lado bom de ser tra\u00edda (2023)<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Baseada no livro de Sue Hecker, a obra apresenta Babi (Giovanna Lancelotti), que descobre a trai\u00e7\u00e3o do noivo \u00e0s v\u00e9speras do casamento. Abalada, ela inicia um envolvimento com um juiz vivido por Leandro Lima, por quem sente forte atra\u00e7\u00e3o. Classificada como produ\u00e7\u00e3o er\u00f3tica, a obra re\u00fane mais de dez cenas de sexo e coloca o prazer da protagonista em primeiro plano ao longo da narrativa.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">Regra 34 (2023)<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Simone (Sol Miranda) \u00e9 uma jovem advogada negra que faz v\u00eddeos \u00edntimos na internet como forma de sustentar os estudos. Depois de um tempo longe das transmiss\u00f5es, decide voltar \u00e0s lives e passa a se interessar por pr\u00e1ticas de BDSM. Inspirado na m\u00e1xima de que \u201cse algo existe, h\u00e1 pornografia sobre isso\u201d (a chamada regra 34), o longa dirigido por Julia Murat acompanha o embate interno da personagem diante das fronteiras entre prazer, viol\u00eancia e legalidade \u2014 e a dificuldade de definir onde come\u00e7am e terminam seus pr\u00f3prios limites.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">A alegria \u00e9 a prova dos nove (2023)<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dirigido e roteirizado por Helena Ignez, a fic\u00e7\u00e3o biogr\u00e1fica recria a viagem feita ao Marrocos, em 1970, pela artista e sex\u00f3loga Jarda \u00cdcone (Helena Ignez) e pelo ativista de direitos humanos L\u00edrio Terron (Ney Matogrosso). O percurso marca uma virada na trajet\u00f3ria de Jarda, que se tornaria refer\u00eancia nos debates sobre sexualidade feminina. O filme transforma essa experi\u00eancia em uma narrativa sensorial sobre desejo, corpo e autonomia, temas que ela continua compartilhando com mulheres at\u00e9 hoje.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">As boas maneiras (2017)<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Embora transite pelo terror e pela fantasia, o filme premiado de Juliana Rojas e Marco Dutra n\u00e3o abre m\u00e3o do erotismo ao retratar o envolvimento entre patroa e empregada, interpretadas por Marjorie Estiano e Isab\u00e9l Zua. A cena de sexo entre as duas nasce de um jogo de poder, mas evolui para uma descoberta intensa do prazer.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">De pernas para o ar (2010)<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Alice (Ingrid Guimar\u00e3es) \u00e9 uma executiva dedicada ao trabalho e pouco conectada \u00e0 pr\u00f3pria vida \u00edntima. Sua rotina muda quando \u00e9 abandonada pelo marido e conhece a vizinha Marcela (Maria Paula), dona de um sex shop, que a apresenta ao universo dos brinquedos er\u00f3ticos. Ao experimentar os produtos, Alice vive seu primeiro orgasmo e inicia um processo de reconex\u00e3o com a pr\u00f3pria sexualidade. A trilogia hom\u00f4nima \u00e9 dirigida por Roberto Santucci e J\u00falia Rezende.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">A dama do lota\u00e7\u00e3o (1978)<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00cdcone da pornochanchada, g\u00eanero do cinema brasileiro que misturava com\u00e9dia popular e erotismo leve, o filme de Neville d&#8217;Almeida acompanha Solange (S\u00f4nia Braga), que, ap\u00f3s ser estuprada na noite de n\u00fapcias, decide retomar o controle sobre sua sexualidade. Ela passa a se envolver com homens desconhecidos dentro de uma lota\u00e7\u00e3o, ainda nutrindo sentimentos pelo marido, mas sem desejar mais nada com ele. Ainda que produzido sob a \u00f3tica masculina caracter\u00edstica da \u00e9poca, o longa coloca em cena uma personagem movida exclusivamente pelo pr\u00f3prio desejo, protagonizando aventuras que t\u00eam como eixo central seu prazer.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante muito tempo, o sexo no cinema brasileiro foi filmado como espet\u00e1culo: corpos expostos, cenas intensas, enquadramentos que privilegiavam o desejo masculino. Paralelamente a essa tradi\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, surgiram obras que deslocam o foco e colocam as mulheres no centro da pr\u00f3pria experi\u00eancia er\u00f3tica. Nessas narrativas, o prazer n\u00e3o \u00e9 ornamento nem provoca\u00e7\u00e3o gratuita, mas sim conflito, descoberta, ruptura e reconstru\u00e7\u00e3o. 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