{"id":322,"date":"2017-07-11T18:56:29","date_gmt":"2017-07-11T21:56:29","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/?p=322"},"modified":"2017-07-11T18:56:29","modified_gmt":"2017-07-11T21:56:29","slug":"traicao-pela-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/traicao-pela-internet\/","title":{"rendered":"Paix\u00e3o pela internet \u00e9 trai\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>Trocas de mensagens di\u00e1rias, declara\u00e7\u00f5es de amor constantes e&#8230; nenhum contato f\u00edsico. Sim, com a internet, \u00e9 f\u00e1cil se apaixonar por quem nunca se viu cara a cara. Mas, quando o apaixonado virtual est\u00e1 em um relacionamento real, surge uma d\u00favida: o envolvimento emocional, sem ato sexual, \u00e9 trai\u00e7\u00e3o? Segundo diferentes estudos, depende do sexo de quem vai responder a essa pergunta. A chamada infidelidade emocional parece incomodar mais as mulheres que os homens.<\/p>\n<p>Uma das pesquisas mais recentes sobre o tema\u00a0<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007%2Fs40806-017-0110-z\" target=\"_blank\">foi publicada no come\u00e7o do m\u00eas na revista especializada\u00a0<em>Evolutionary Psychological Science<\/em> por cientistas da Cardiff Metropolitan University, no Reino Unido<\/a>. Os autores pediram para que 21 homens e 23 mulheres, todos heterossexuais, lessem mensagens fict\u00edcias como as trocadas no Facebook e imaginassem que elas tinham sido enviadas por seus companheiros para uma terceira pessoa.<\/p>\n<p>Alguns dos textos eram &#8220;provas&#8221; de infidelidade sexual (&#8220;Voc\u00ea foi a melhor transa que eu j\u00e1 tive. A noite passada foi incrivelmente sexy&#8221;) e outros, de infidelidade emocional (&#8220;Voc\u00ea deve ser minha alma g\u00eamea. Eu me sinto t\u00e3o conectado com voc\u00ea, apesar de n\u00e3o termos dormido juntos&#8221;). Depois de lerem mensagens assim, os volunt\u00e1rios deviam dizer o qu\u00e3o desconfort\u00e1veis se sentiriam se a prova de trai\u00e7\u00e3o fosse verdadeira.<\/p>\n<p>O resultado: enquanto os homens se estressaram mais com as mensagens de infidelidade sexual, as mulheres se mostraram mais incomodadas que eles com a infidelidade emocional, embora a trai\u00e7\u00e3o f\u00edsica tamb\u00e9m fosse algo muito, muito decepcionante. Outra diferen\u00e7a: as mulheres ficavam mais furiosas que os homens quando a mensagem indicava que alguma outra mulher estava tentando seduzir seus companheiros.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores respons\u00e1veis pelo estudo, Michael Dunn and Gemma Billett, os resultados indicam que os mecanismos tradicionais do ci\u00fame continuam operando de forma semelhante na era digital e que homens e mulheres parecem ter vis\u00f5es diferentes sobre o tema.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o da dupla corrobora outros estudos feitos anteriormente que tamb\u00e9m notaram diferen\u00e7a no padr\u00e3o de ci\u00fames de homens e mulheres. <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s10508-014-0409-9\" target=\"_blank\">Um estudo feito nos Estados Unidos em 2016<\/a>, baseado em uma pesquisa de opini\u00e3o com cerca de 64 mil homens e mulheres, <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0191886915003748?via%3Dihub\" target=\"_blank\">e outro noruegu\u00eas, de 2015<\/a>, chegaram \u00e0 mesma conclus\u00e3o: mulheres se incomodam mais que os homens com a infidelidade emocional, e os homens se incomodam mais com a trai\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<h3>O que explica os diferentes conceitos de trai\u00e7\u00e3o?<\/h3>\n<p>Grande parte dos cientistas interessados no tema tem uma vis\u00e3o evolucionista do comportamento humano, ou seja, eles buscam explicar a forma como agimos a partir de uma ideia de que, no fim, o objetivo \u00e9 a reprodu\u00e7\u00e3o e continua\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. Segundo essa vis\u00e3o, os homens seriam mais preocupados com a infidelidade sexual porque, ao longo de milhares e milhares de gera\u00e7\u00f5es, tiveram de lidar com uma d\u00favida dif\u00edcil de sanar: esse filho para o qual estou dedicando tempo e trabalho carrega mesmo meus genes?<\/p>\n<p>Como para as ancestrais humanas essa nunca foi uma quest\u00e3o muito importante, a infidelidade sexual parecia menos amea\u00e7adora que a possibilidade de seu companheiro abandon\u00e1-la ao se unir a outra parceira. Da\u00ed, a preocupa\u00e7\u00e3o maior com a infidelidade emocional manifestada hoje em dia pelas mulheres. &#8220;Essas rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o mecanismos que integram parte da evolu\u00e7\u00e3o mental da humanidade&#8221;, resumiu Mons Bendixen, pesquisador do Departamento de Psicologia da Universidade Norueguesa de Ci\u00eancia e Tecnologia, quando apresentou seu estudo de 2015, mencionado acima.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o de Bendixen e de outros evolucionistas, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. S\u00e3o muitos os cientistas que ressaltam a import\u00e2ncia da cultura no surgimento de sentimentos como ci\u00fames. Para eles, sociedades em que os pap\u00e9is sociais de homens e mulheres s\u00e3o mais igualit\u00e1rios, o ci\u00fames tende a se manifestar de forma mais parecida nos dois sexos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trocas de mensagens di\u00e1rias, declara\u00e7\u00f5es de amor constantes e&#8230; nenhum contato f\u00edsico. Sim, com a internet, \u00e9 f\u00e1cil se apaixonar por quem nunca se viu cara a cara. Mas, quando o apaixonado virtual est\u00e1 em um relacionamento real, surge uma d\u00favida: o envolvimento emocional, sem ato sexual, \u00e9 trai\u00e7\u00e3o? Segundo diferentes estudos, depende do sexo de quem vai responder a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":66,"featured_media":323,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[110,109,14],"class_list":["post-322","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pesquisas","tag-ciumes","tag-internet","tag-traicao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/66"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=322"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":324,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322\/revisions\/324"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/323"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}