{"id":550,"date":"2017-08-22T22:15:16","date_gmt":"2017-08-23T01:15:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/?p=550"},"modified":"2017-08-22T22:16:55","modified_gmt":"2017-08-23T01:16:55","slug":"educacao-sexual-castidade-e-abstinencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/daquilo\/educacao-sexual-castidade-e-abstinencia\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o sexual: pregar a abstin\u00eancia n\u00e3o \u00e9 a melhor forma de proteger adolescentes"},"content":{"rendered":"<p>Qual \u00e9 a melhor forma de reduzir o n\u00famero de adolescentes gr\u00e1vidas e de jovens infectados com HIV e outros males? Essa \u00e9 uma pergunta chave para profissionais que trabalham com educa\u00e7\u00e3o sexual. Para muitas pessoas, a resposta est\u00e1 em programas que estimulem garotos e garotas a fazer sexo apenas depois do casamento. Os entusiastas dessa estrat\u00e9gia, costumam repetir que &#8220;abster-se de atividades sexuais \u00e9 a \u00fanica forma de evitar gravidez fora do casamento, doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis e outros problemas de sa\u00fade relacionados&#8221;.<\/p>\n<p>Um grande estudo de revis\u00e3o sobre o tema, por\u00e9m, publicado hoje na revista especializada <em>Journal of Adolescent Health<\/em>, concluiu que investir exclusivamente na mensagem de que os adolescentes devem se manter virgens at\u00e9 se casar \u00e9 uma estrat\u00e9gia ineficaz, que n\u00e3o adia a inicia\u00e7\u00e3o sexual nem reduz comportamentos de risco.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jahonline.org\/article\/S1054-139X(17)30260-4\/pdf\" target=\"_blank\">O estudo pode ser acessado de forma gratuita aqui.<\/a><\/p>\n<p>Para chegar a essa conclus\u00e3o, um grupo de 13 pesquisadores analisou quase 100 trabalhos que, nos \u00faltimos anos, mediram a efic\u00e1cia dos diferentes tipos de programa de educa\u00e7\u00e3o sexual existentes nos Estados Unidos. Em um comunicado emitido pela Universidade de Columbia, em Nova York, um dos autores, John S. Santelli, resume o resultado encontrado: &#8220;O grosso da evid\u00eancia cient\u00edfica mostra que iniciativas desse tipo n\u00e3o ajudam os jovens a fazer sexo mais tarde. Enquanto a abstin\u00eancia \u00e9 eficaz na teoria, na pr\u00e1tica, tentativas de se abster de atividades sexuais frequentemente falham&#8221;, diz.<\/p>\n<p>E por que esses programas falham? Porque ao investir apenas em uma mensagem \u2014 &#8220;n\u00e3o fa\u00e7a sexo&#8221; \u2014, n\u00e3o passam aos jovens informa\u00e7\u00f5es importantes, como o uso de preservativos e outros m\u00e9todos contraceptivos, nem abrem espa\u00e7o para que eles falem sobre seus medos, ang\u00fastias e d\u00favidas. Assim, quando esses adolescentes acabam fazendo sexo \u2014 e muitos deles fazem \u2014, o fazem de forma menos informada e segura. &#8220;Esses programas simplesmente n\u00e3o preparam os jovens para evitar gravidez indesejada ou DSTs&#8221;, afima Santelli.<\/p>\n<h2>O problema n\u00e3o \u00e9 a abstin\u00eancia, mas a falta de educa\u00e7\u00e3o sexual<\/h2>\n<p>A bronca dos pesquisadores n\u00e3o \u00e9 com a abstin\u00eancia em si. J\u00e1 na segunda linha do artigo, eles escrevem que &#8220;a abstin\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es sexuais pode ser uma escolha saud\u00e1vel&#8221;. O problema s\u00e3o as iniciativas que, na maior parte das vezes por quest\u00f5es morais, insistem apenas na mensagem de que os jovens devem evitar o sexo. Essa mensagem, dizem os cientistas, n\u00e3o encontra eco em um mundo onde a idade de inicia\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 cada vez mais baixa e a de casamento, cada vez maior.<\/p>\n<p>Hoje, nos Estados Unidos, uma mulher faz sexo pela primeira vez, em m\u00e9dia, 8,7 anos antes de se casar. Entre os homens, a diferen\u00e7a entre o in\u00edcio da vida sexual e o matrim\u00f4nio costuma ser de 11,7 anos. Para as mulheres nascidas nos anos 1940, essa diferen\u00e7a era de apenas 1 ano e meio.<\/p>\n<p>Dessa forma, informar \u00e9 proteger, defendem os autores. Os estudos analisados por eles indicam que programas de educa\u00e7\u00e3o sexual baseados em informa\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo acabam sendo os mais eficazes, n\u00e3o s\u00f3 na prote\u00e7\u00e3o contra a gravidez indesejada e doen\u00e7as, mas tamb\u00e9m no adiamento da primeira vez.<\/p>\n<p>E a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 simples. Ao poder contar com um espa\u00e7o de di\u00e1logo, onde seus medos e d\u00favidas s\u00e3o ouvidos, os jovens se tornam mais seguros e capazes de tomar decis\u00f5es sensatas, o que pode incluir adiar a hora de fazer sexo para um momento em que se sinta mais preparado. Em outras palavras, falar sobre sexo n\u00e3o significa fazer mais cedo, pelo contr\u00e1rio. Ou como escrevem os autores: &#8220;Jovens precisam de acesso a informa\u00e7\u00f5es precisas e completas para que possam proteger sua sa\u00fade e sua vidas&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual \u00e9 a melhor forma de reduzir o n\u00famero de adolescentes gr\u00e1vidas e de jovens infectados com HIV e outros males? Essa \u00e9 uma pergunta chave para profissionais que trabalham com educa\u00e7\u00e3o sexual. Para muitas pessoas, a resposta est\u00e1 em programas que estimulem garotos e garotas a fazer sexo apenas depois do casamento. 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