{"id":10550,"date":"2024-09-29T15:33:03","date_gmt":"2024-09-29T18:33:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/denise\/?p=10550"},"modified":"2024-09-29T15:33:03","modified_gmt":"2024-09-29T18:33:03","slug":"crise-climatica-esta-distante-das-urnas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/denise\/crise-climatica-esta-distante-das-urnas\/","title":{"rendered":"Crise clim\u00e1tica est\u00e1 distante das urnas"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Coluna publicada em 29 de setembro, por Carlos Alexandre\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A uma semana da elei\u00e7\u00e3o municipal, est\u00e1 evidente que a crise clim\u00e1tica teve baix\u00edssimo apelo para o eleitorado e no debate entre os candidatos, ao menos nas principais capitais do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, uma das cidades que ficaram cobertas por fuma\u00e7a espessa em raz\u00e3o das queimadas, o percentual de eleitores muito preocupados com a emerg\u00eancia clim\u00e1tica \u00e9 \u00ednfimo. Segundo pesquisa Datafolha realizada no fim de agosto, apenas 3% dos paulistanos veem como prioridade combater as enchentes \u2014 e somente 1% exige provid\u00eancias para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, o cen\u00e1rio \u00e9 semelhante. O mesmo Datafolha indica que apenas 4% dos eleitores avaliam que o futuro prefeito deve dar prioridade \u00e0s enchentes. Seguran\u00e7a, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o lideram as preocupa\u00e7\u00f5es de quem ir\u00e1 \u00e0s urnas no pr\u00f3ximo domingo.<\/p>\n<p>Em Porto Alegre, capital do estado devastado pelas enchentes em maio, um dos pontos mencionados na campanha eleitoral \u00e9 o refor\u00e7o do sistema contra cheias e a recria\u00e7\u00e3o do Departamento de Esgotos Pluviais, desativado em 2017.<\/p>\n<p>Em suma, a crise ambiental afeta cada dia mais o cotidiano do eleitor, mas permanece distante das urnas.<\/p>\n<h2>Cartilha eleitoral<\/h2>\n<p>A fim de auxiliar o eleitor a escolher o candidato que expressa alguma preocupa\u00e7\u00e3o com o meio ambiente, o Greenpeace lan\u00e7ou a cartilha Confirma pelo Clima. O documento pode ser acessado gratuitamente e estabelece as rela\u00e7\u00f5es entre crise clim\u00e1tica e outras pautas, como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia e gest\u00e3o de recursos.<\/p>\n<h2>Olho neles<\/h2>\n<p>A cartilha detalha, ainda, o papel de cada um dos ocupantes de cargo p\u00fablico \u2014 em particular prefeitos (as) e vereadores (as). A mensagem do Greenpeace \u00e9 clara \u00e9 direta: &#8220;Vote por cidades preparadas para a crise clim\u00e1tica&#8221;.<\/p>\n<h2>Fogo e fuma\u00e7a<\/h2>\n<p>Nunca \u00e9 demais lembrar: os efeitos da crise clim\u00e1tica n\u00e3o afetam apenas grandes \u00e1reas verdes, como os biomas. T\u00eam forte impacto nas cidades, onde vivem mais de 120 milh\u00f5es de brasileiros. Recordemos os \u00faltimos acontecimentos, como os danos \u00e0 sa\u00fade provocados pelas queimadas em Bras\u00edlia, S\u00e3o Paulo, Manaus e outras cidades. Ainda na capital federal, dezenas de escolas suspenderam as aulas em raz\u00e3o da m\u00e1 qualidade do ar.<\/p>\n<h2>Chuva e blecaute<\/h2>\n<p>O drama n\u00e3o ocorre apenas em per\u00edodo de seca. No ver\u00e3o de 2023, mais de 2 milh\u00f5es de paulistanos ficaram sem energia el\u00e9trica por causa das chuvas. Em maio e junho deste ano, o pa\u00eds ficou estarrecido com a dimens\u00e3o da trag\u00e9dia no Rio Grande do Sul. E os temporais voltaram a provocar medo e destrui\u00e7\u00e3o no estado nos \u00faltimos dias.<\/p>\n<h2>Que autoridade?<\/h2>\n<p>No governo federal, anunciou-se a cria\u00e7\u00e3o de uma autoridade clim\u00e1tica para atuar de maneira mais eficiente no enfrentamento da emerg\u00eancia ambiental. N\u00e3o est\u00e1 claro ainda, por\u00e9m, qual peso teria essa institui\u00e7\u00e3o e quem estaria \u00e0 frente dela. Corre-se o risco de a discuss\u00e3o ficar no meio do caminho, com o fim do ciclo de queimadas e in\u00edcio da temporada de enchentes e temporais.<\/p>\n<h2>A \u00faltima de Mar\u00e7al<\/h2>\n<p>Um estudo divulgado pelo Instituto Democracia em Xeque (DX) conclui que a estrat\u00e9gia digital de Pablo Mar\u00e7al traz novos riscos \u00e0 democracia. Com as contas nas redes sociais suspensas desde agosto, o candidato \u00e0 prefeitura paulistana mant\u00e9m a hegemonia na internet gra\u00e7as \u00e0 &#8220;ind\u00fastria dos cortes&#8221; e \u00e0 premia\u00e7\u00e3o aos seguidores que postam conte\u00fado sobre o ex-coach. Essa estrat\u00e9gia constitui, segundo o DX, um item adicional no rol de amea\u00e7as que as redes sociais sem regulamenta\u00e7\u00e3o representam para o processo pol\u00edtico.<\/p>\n<h2>Novo paradigma<\/h2>\n<p>&#8220;Nesse novo paradigma, o pleito \u00e9 visto como uma oportunidade de sequestrar a economia da aten\u00e7\u00e3o das plataformas digitais para promover uma pir\u00e2mide financeira baseada em trabalho precarizado e aliciamento de eleitores que pode ser considerada ilegal de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o eleitoral&#8221;, alerta o relat\u00f3rio.<\/p>\n<h2>Outro lado<\/h2>\n<p>Sobre sua atua\u00e7\u00e3o nas redes sociais, a campanha de Pablo Mar\u00e7al tem dito que atua dentro das regras do TSE. E que interrompeu os pagamentos a seguidores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coluna publicada em 29 de setembro, por Carlos Alexandre\u00a0 A uma semana da elei\u00e7\u00e3o municipal, est\u00e1 evidente que a crise clim\u00e1tica teve baix\u00edssimo apelo para o eleitorado e no debate entre os candidatos, ao menos nas principais capitais do pa\u00eds. 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