{"id":12111,"date":"2025-06-27T15:28:29","date_gmt":"2025-06-27T18:28:29","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/denise\/?p=12111"},"modified":"2025-06-27T15:28:29","modified_gmt":"2025-06-27T18:28:29","slug":"exame-de-medicina-igual-o-da-oab-e-uma-solucao-simplista-diz-abem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/denise\/exame-de-medicina-igual-o-da-oab-e-uma-solucao-simplista-diz-abem\/","title":{"rendered":"Exame de medicina igual o da OAB \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o simplista, diz Abem"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Por Eduarda Esposito \u2014<\/strong> A cria\u00e7\u00e3o do Exame Nacional de Medicina, nos moldes do exame da ordem aplicado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), n\u00e3o \u00e9 um consenso entre as entidades ligadas \u00e0 medicina no pa\u00eds. A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica (Abem), entidade com mais de 60 anos, acredita que o exame no final da gradua\u00e7\u00e3o como forma de habilitar o formando para o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o \u00e9 \u201csimplista\u201d para um problema complexo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com a entidade, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias suficientes na literatura cient\u00edfica que comprovem que a forma\u00e7\u00e3o est\u00e1 piorando ou ruim. \u201cEles (outras entidades) t\u00eam certeza que a qualidade est\u00e1 ruim ou est\u00e1 piorando. E n\u00e3o tem de onde informar isso. Eu estou falando no lugar da Abem que estuda isso, trabalha com isso h\u00e1 60 anos\u201d, afirma o diretor vice-presidente da Abem, Estev\u00e3o Toffoli Rodrigues.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para a Abem, alguns pontos precisam ser debatidos um pouco mais antes da cria\u00e7\u00e3o do exame. S\u00e3o eles: qualidade da forma\u00e7\u00e3o, n\u00famero de m\u00e9dicos necess\u00e1rios no Brasil, responsabilidade da forma\u00e7\u00e3o, e uma prova nos moldes da OAB. Para a Abem, faltam dados cient\u00edficos que comprovem quantos m\u00e9dicos s\u00e3o necess\u00e1rios no pa\u00eds, e o motivo \u00e9 a exist\u00eancia do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) \u2014 tendo em vista que nenhum outro pa\u00eds tem um SUS pr\u00f3prio ou permite que m\u00e9dicos trabalhem no sistema p\u00fablico e privado ao mesmo tempo.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><strong>Cr\u00edticas \u00e0 prova da OAB<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quanto ao exame nos moldes da OAB, a Abem acredita que n\u00e3o \u00e9 o melhor caminho porque, de acordo com a entidade, a prova piorou o setor da advocacia no Brasil. \u201cN\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que o exame da OAB melhorou a forma\u00e7\u00e3o em direito, pelo contr\u00e1rio, h\u00e1 evid\u00eancias de que desde que o exame foi unificado em 1995, a forma\u00e7\u00e3o em direito foi \u2018desregulada\u2019, levando a um aumento massivo no n\u00famero de cursos (de 200 para 1200 em 29 anos), com menos de 10% deles tendo o selo de boa forma\u00e7\u00e3o da OAB\u201d, destaca Rodrigues. A entidade ressalta ainda que a taxa de aprova\u00e7\u00e3o no exame da OAB \u00e9 muito baixa, em torno de 20%. \u201cSe algo semelhante ocorresse na medicina, haveria um colapso do SUS, dada a imensa necessidade de profissionais\u201d, pontua o diretor.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_10145\" aria-describedby=\"caption-attachment-10145\" style=\"width: 382px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/denise\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2024\/05\/desonera\u00e7\u00e3o-zanin.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-10145\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/denise\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2024\/05\/desonera\u00e7\u00e3o-zanin-300x206.jpg\" alt=\"\" width=\"382\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/denise\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2024\/05\/desonera\u00e7\u00e3o-zanin-300x206.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/denise\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2024\/05\/desonera\u00e7\u00e3o-zanin-230x158.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/denise\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2024\/05\/desonera\u00e7\u00e3o-zanin.jpg 393w\" sizes=\"auto, (max-width: 382px) 100vw, 382px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10145\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Maurenilson Freire<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, a associa\u00e7\u00e3o afirma que n\u00e3o h\u00e1 como comparar a medicina e o direito, porque um formando em direito consegue trabalhar em outras coisas sem a aprova\u00e7\u00e3o no exame da ordem. Os m\u00e9dicos formados, n\u00e3o conseguiriam trabalhar em nada, relativo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o, caso reprovado no exame de medicina. \u201cUm m\u00e9dico graduado sem poder exercer a medicina n\u00e3o tem nenhuma outra \u00e1rea para atuar, o que poderia levar ao exerc\u00edcio ilegal da profiss\u00e3o\u201d, alerta Rodrigues.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><strong>Consequ\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para a entidade, a cria\u00e7\u00e3o de uma exame de profici\u00eancia ao final da gradua\u00e7\u00e3o pode, al\u00e9m de levar ao exerc\u00edcio ilegal da profiss\u00e3o, ainda mais em locais remotos, transferir a responsabilidade da forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica para a v\u00edtima, que \u00e9 o estudante, isentando a escola. \u201cAs institui\u00e7\u00f5es de ensino, que o formaram por anos, n\u00e3o teriam responsabilidade se ele n\u00e3o passasse. O exame autorizaria a &#8220;m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o&#8221;, pois as escolas n\u00e3o precisariam mais se preocupar tanto com a qualidade, j\u00e1 que haveria um filtro final\u201d, argumenta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O exame poderia tamb\u00e9m alavancar os cursinhos preparat\u00f3rios para a prova \u2014 como existe no caso da OAB \u2014, que pode \u201cdistorcer\u201d a forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, principalmente na fase do internato, onde s\u00e3o essenciais. E isso criaria uma l\u00f3gica de iniquidade e vulnerabilidade social. \u201cOs estudantes com mais recursos \u2014 geralmente brancos e ricos \u2014 teriam condi\u00e7\u00f5es de pagar cursinhos, e aqueles que fizeram financiamento estudantil, como o FIES, e n\u00e3o passassem, teriam suas fam\u00edlias comprometidas financeiramente, podendo levar ao exerc\u00edcio ilegal da medicina. O cara faz o financiamento que d\u00e1 R$ 800 mil a R$ 1 milh\u00e3o para pagar depois de formado e o estudante n\u00e3o passa na prova. O que acontece com a fam\u00edlia dele? O que acontece com esse formando?\u201d, questiona.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Eduarda Esposito \u2014 A cria\u00e7\u00e3o do Exame Nacional de Medicina, nos moldes do exame da ordem aplicado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), n\u00e3o \u00e9 um consenso entre as entidades ligadas \u00e0 medicina no pa\u00eds. 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