{"id":1575,"date":"2017-08-03T00:14:15","date_gmt":"2017-08-03T03:14:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/denise\/?p=1575"},"modified":"2017-08-03T10:37:36","modified_gmt":"2017-08-03T13:37:36","slug":"reflexoseleitorais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/denise\/reflexoseleitorais\/","title":{"rendered":"Reflexos eleitorais"},"content":{"rendered":"<p>   Os 263 votos que o governo obteve na noite de quarta-feira v\u00e3o aumentar a press\u00e3o para que o presidente puna os dissidentes na base aliada. Por\u00e9m, Michel Temer n\u00e3o est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de prescindir daqueles que lhe deram as costas na vota\u00e7\u00e3o. O presidente n\u00e3o est\u00e1 livre de uma nova den\u00fancia do procurador-geral da Rep\u00fablica, Rodrigo Janot, nem tampouco pode se dar ao luxo de dispensar aliados importantes para a condu\u00e7\u00e3o de reformas que, embora impopulares, s\u00e3o importantes para ajudar a restaurar o ambiente econ\u00f4mico. Nessa conta est\u00e1 o PSDB, que deu 22 votos a favor de Temer e 21 \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o, pela abertura de investiga\u00e7\u00e3o e, consequentemente, o afastamento de Temer do governo. A resposta do l\u00edder do PMDB, Baleia Rossi, foi dada na hora do voto: &#8220;Pela estabilidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica voto com o relat\u00f3rio do PSDB&#8221;. Quem entende dos gestos da pol\u00edtica saiu certo de que o l\u00edder fez quest\u00e3o de citar a sigla tucana em seu voto como forma de dizer, &#8216;olha, voc\u00eas hoje s\u00e3o governo&#8217;. <\/p>\n<p>   Se Temer n\u00e3o pode prescindir dos votos do partido para tocar as reformas e ter uma folga expressiva para se livrar da pr\u00f3xima den\u00fancia, o PSDB que sonha em voltar ao comando do pa\u00eds n\u00e3o tem meios de dispensar a m\u00e1quina peemedebista na hora de buscar votos. Todos os candidatos a presidente que conquistaram a presid\u00eancia da Rep\u00fablica no per\u00edodo recente da hist\u00f3ria do pa\u00eds tiveram o apoio do PMDB, seja informal ou formalmente. Em 1989, Ulysses Guimar\u00e3es foi abandonado e peemedebistas ajudaram Fernando Collor. Em 1994, foi a vez de o partido deixar Orestes Qu\u00e9rcia sozinho e correr para apoiar Fernando Henrique Cardoso. Em 1998, o partido estava novamente com FHC e tinha o peda\u00e7o com Lula. Em 2002, depois de um desentendimento com o PFL ( hoje DEM), o PSDB entregou ao PMDB a vaga de vice na chapa de Jos\u00e9 Serra. A representante do PMDB foi a deputada Rita Camata (ES). Naquela ocasi\u00e3o, mais uma vez o PMDB abandonou o candidato oficial e descarregou sua m\u00e1quina em Lula. Em 2006, boa parte estava j\u00e1 com Lula. Finalmente, em 2010, l\u00e1 estavam os peemedebistas na vice de Dilma Rousseff, cargo que terminou rendendo ao partido do dr Ulysses a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica depois do impeachment. Ou seja, o PMDB por todos esses anos honrou a frase do senador Romero Juc\u00e1, &#8220;eu sempre fui governo, os outros \u00e9 que mudam&#8221;. Nesse ponto, embora a pol\u00edtica pare\u00e7a diferente do que h\u00e1 alguns anos, ningu\u00e9m acredita que isso mudar\u00e1 agora: O PMDB ainda ter\u00e1 muita import\u00e2ncia para o pleito de 2018.<\/p>\n<p>    Quem j\u00e1 percebeu essa import\u00e2ncia do PMDB foi o DEM. O partido de Rodrigo Maia chegou a ensaiar uma carreira solo, mas, ao perceber que o espa\u00e7o do lado do governo era mais amplo e que 2018 \u00e9 um livro aberto, o partido refluiu. Trabalhou e muito para conseguir uma certa unidade em rela\u00e7\u00e3o a vota\u00e7\u00e3o de hoje e conseguiu. O DEM fez um jogo muito diferente daquele qu emarcou o PSDB. Seu presidente, Agripino Maia, se esquivou de press\u00f5es para convocar a Comiss\u00e3o Executiva, coisa que o PSDB n\u00e3o fez. Foram in\u00fameras reuni\u00f5es tucanas convocadas para decidir o rompimneto com o governo, todas inconclusivas, expondo ainda mais a divis\u00e3o da bancada.<\/p>\n<p>    O DEM faz hoje o mesmo jogo que o antigo PFL fez em 1994. Naquela \u00e9poca, o PFL estava fora do jogo eleitoral. Tinha perdido espa\u00e7o por causa do apoio a Fernando Collor ao longo do processo de impeachment. O partido, ent\u00e3o, foi ao ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, e ofereceu seus votos para ajudar a provar o Plano Real, algo que o PT havia recusado. Assim, o PFL voltou ao centro das decis\u00f5es do pa\u00eds e chegou a oferecer o candidato a vice na chapa de FHC. O discreto Marco Maciel, de Pernambuco, foi vice de FHC por oito anos. Agora, o partido tenta fazer o mesmo oferecendo apoio a Michel Temer. Ok, a bancada n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande. Por\u00e9m, o DEM, avisa o deputado Pauderney Avelino, est\u00e1 prestes a receber novos filiados e de portas abertas para quem mais chegar. Quer crescer e voltar a ser influente no jogo de 2018. S\u00f3 tem um probleminha. Desta vez, n\u00e3o quer ir \u00e0 reboque. Deseja a cabe\u00e7a de chapa. E o PMDB, sem um candidato forte hoje, n\u00e3o se recusar\u00e1. Afinal, como diz Juc\u00e1, o partido sempre foi governo. E, sem um nome forte, n\u00e3o recusar\u00e1 o convite do DEM. Ser\u00e1 um novo jogo e uma alfinetada em Geraldo Alckmin, que ontem, embora distante, irritou o PMDB. Se o projeto do DEM ganhar corpo num futuro pr\u00f3ximo, adeus PMDB na chapa de Geraldo. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os 263 votos que o governo obteve na noite de quarta-feira v\u00e3o aumentar a press\u00e3o para que o presidente puna os dissidentes na base aliada. Por\u00e9m, Michel Temer n\u00e3o est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de prescindir daqueles que lhe deram as costas na vota\u00e7\u00e3o. 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