{"id":7249,"date":"2021-06-12T12:56:13","date_gmt":"2021-06-12T15:56:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/denise\/?p=7249"},"modified":"2021-06-12T12:56:13","modified_gmt":"2021-06-12T15:56:13","slug":"marco-maciel-uma-referencia-dos-conservadores-que-nao-enriqueceu-com-a-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/denise\/marco-maciel-uma-referencia-dos-conservadores-que-nao-enriqueceu-com-a-politica\/","title":{"rendered":"Marco Maciel, uma refer\u00eancia dos conservadores que n\u00e3o enriqueceu com a pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>     De modos simples, cordatos e discretos, Marco Maciel tinha um jeito pratico de resolver embates pol\u00edticos. Nas reuni\u00f5es, elabora\u00e7\u00e3o de projetos e ou entrevistas, sempre que um problema surgia, ele soltava logo a frase: &#8220;N\u00e3o vamos fulanizar&#8221;. A ideia era sempre remeter qualquer quest\u00e3o aos fatos e n\u00e3o aos personagens envolvidos ou quem poderia se beneficiar ou prejudicar. Na pol\u00edtica, passou por todos os postos importantes, de deputado estadual, em 1966, j\u00e1 sob o regime militar, a vice-presidente da Rep\u00fablica no governo Fernando Henrique Cardoso, nos oitos anos em que o PSDB governou o pa\u00eds, em parceria com o PFL, que mudou o nome para Democratas.<\/p>\n<p>     A alian\u00e7a do PSDB com PFL foi consequ\u00eancia natural do apoio dos pefelistas ao Plano Real, lan\u00e7ado no governo Itamar, quando Fernando Henrique era ministro da Fazenda. Maciel n\u00e3o foi a primeira op\u00e7\u00e3o para candidato a vice. A Bahia de ACM queria a vaga, mas o PSDB achou que seria dar muito poder ao j\u00e1 poderoso PFL baiano. Assim, o escolhido foi Guilherme Palmeira, senador por Alagoas, que terminou impedido de continuar na vice, por causa de suspeitas sobre desvio de recursos or\u00e7ament\u00e1rios. Em agosto de 1994, com a campanha j\u00e1 em curso, o PFL faz uma reuni\u00e3o em S\u00e3o Paulo e anuncia Marco Maciel, escolhido por ser um nome sobre o qual n\u00e3o haveria qualquer risco de disse-me-disse sobre desvio de dinheiro p\u00fablico. Maciel deixa um patrim\u00f4nio t\u00e3o modesto e discreto quanto seu modo de vida.<\/p>\n<p>     Maciel perdeu apenas duas elei\u00e7\u00f5es em seu vida. A primeira, em julho de 1963, para presidente da UNE, quando Jos\u00e9 Serra foi eleito. A segunda, em 2010, para senador, 47 depois da derrota na UNE. Conservador, Maciel apoiou o regime militar, era cr\u00edtico do governo Jo\u00e3o Goulart e de Miguel Arraes, em Pernambuco, e foi trabalhar no governo de Paulo Guerra, governador que sucedeu Arraes com a chegada do regime militar. Em 1966, foi eleito deputado estadual. Em 971, foi para a C\u00e2mara dos Deputados, da qual foi presidente em 1977, justamente no ano em que o regime militar fechou o Congresso e editou o pacote de abril, um conjunto de medidas voltadas principalmente \u00e0 garantia de maioria governista.<\/p>\n<p>  Detentor de um faro pol\u00edtico apurado, Maciel apostava na distens\u00e3o pol\u00edtica por dentro, sem ruptura institucional,  e foi um dos l\u00edderes da dissid\u00eancia no PDS, que, em 1985 fundou a Frente Liberal em apoio a Tancredo Neves contra Paulo Maluf. Tanto no governo Sarney, de quem foi ministro da Educa\u00e7\u00e3o e da Casa Civil, quanto no governo de Fernando Henrique Cardoso, Maciel foi um grande articulador pol\u00edtico. Antes, havia criado pontes com a oposi\u00e7\u00e3o na Constituinte, onde chegou a ser flagrado por assessores dando gargalhadas em conversas com Jos\u00e9 Geno\u00edno, o guerrilheiro de plen\u00e1rio do PT, o que era dif\u00edcil nos duros embates, mas n\u00e3o imposs\u00edvel em se tratando de um personagem que sabia respeitar os advers\u00e1rios.<\/p>\n<p>   Maciel fugia de confus\u00f5es ou enfrentamentos desrespeitosos. E tinha suas manias. Em v\u00f4os comerciais, contam assessores, sempre viajava na poltrona 10 (a numera\u00e7\u00e3o era diferente das de hoje). Certa vez, num v\u00f4o que faria escala em Minas, a comiss\u00e1ria de bordo  lhe indicou a poltrona, onde j\u00e1 estava sentada uma senhora. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, a tal senhora se levantou e come\u00e7ou a fazer discurso contra os pol\u00edticos. Ele, de maneira muito educada e formal, disse que n\u00e3o tiraria o lugar de uma dama e foi se sentar mais atr\u00e1s. Um assessor de Maciel viajou inc\u00f3gnito ao lado da tal senhora e descobriu que se tratava de uma militante do PT de S\u00e3o Paulo. Para quem n\u00e3 estava acostumado a enfrentar esse tipo de situa\u00e7\u00e3o, foi um al\u00edvio saber que era uma militante paulista e n\u00e3o  algu\u00e9m de fora da seara pol\u00edtica.<\/p>\n<p>    Marco Maciel fazia alegria dos chargistas, que o desenhavam como  o &#8220;mapa do Chile&#8221; ou poste aceso, que dava luz aos embates dos pol\u00edticos. Extremamente religioso, fez quest\u00e3o de levar o candidato Fernando Henrique para uma missa no Mosteiro de Olinda durante a campanha, para desespero de parte da equipe de marqueteiros que considerou a parada desnecess\u00e1ria, mas o senador  insistiu.  Antes das complica\u00e7\u00f5es do Mal de Alzheimer, diagnosticado em 2014, Maciel era sempre consultado pelo partido e visto na missa da Igreja Santo Ant\u00f4nio, na 910 Sul, ao lado da esposa, Anna Maria, que cuidou do marido durante todo o per\u00edodo da doen\u00e7a. <\/p>\n<p>    O blog deixa aqui as suas homenagens ao ex-vice-presidente, que dedicou a vida \u00e0 pol\u00edtica, sem \u00f3dio,  com respeito aos advers\u00e1rios e sem enriquecer nos diversos cargos que ocupou. Educado, culto  e estudioso.  Que sirva de<br \/>\nexemplo aos novos conservadores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De modos simples, cordatos e discretos, Marco Maciel tinha um jeito pratico de resolver embates pol\u00edticos. Nas reuni\u00f5es, elabora\u00e7\u00e3o de projetos e ou entrevistas, sempre que um problema surgia, ele soltava logo a frase: &#8220;N\u00e3o vamos fulanizar&#8221;. 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