{"id":8049,"date":"2022-03-04T07:30:04","date_gmt":"2022-03-04T10:30:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/denise\/?p=8049"},"modified":"2022-03-04T07:30:04","modified_gmt":"2022-03-04T10:30:04","slug":"guerra-escancara-as-fragilidades-internas-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/denise\/guerra-escancara-as-fragilidades-internas-do-brasil\/","title":{"rendered":"Guerra escancara as fragilidades internas do Brasil"},"content":{"rendered":"<p><strong>Coluna Bras\u00edlia-DF, por Carlos Alexandre de Souza<\/strong><\/p>\n<p>Mais uma vez, um evento de propor\u00e7\u00e3o global evidencia as defici\u00eancias do Brasil no campo econ\u00f4mico e pol\u00edtico. A guerra na Ucr\u00e2nia escancarou a fragilidade da posi\u00e7\u00e3o brasileira no mercado mundial de petr\u00f3leo e de fertilizantes. Temos, por um lado, uma empresa do porte da Petrobras, um gigante avaliado em aproximadamente US$ 70 bilh\u00f5es, capaz de produzir 2,8 milh\u00f5es de barris por dia. Por outro lado, somos conhecidos como o celeiro do mundo, em raz\u00e3o da nossa extraordin\u00e1ria produtividade no campo. Esses predicados, no entanto, escondem precariedades da nossa economia e, por extens\u00e3o, da nossa pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Como sabemos, o Brasil j\u00e1 enfrentava uma alta de combust\u00edveis antes da crise na Ucr\u00e2nia. Parte do problema s\u00e3o as falhas no processo de refino de petr\u00f3leo, o que obriga o Brasil a importar derivados. H\u00e1, ainda, o impasse tribut\u00e1rio, que se arrasta h\u00e1 meses sem entendimento entre os entes da Federa\u00e7\u00e3o, particularmente no Congresso Nacional.<\/p>\n<p>Problema semelhante ocorre em rela\u00e7\u00e3o a fertilizantes. Existe, no Brasil, uma lacuna na fabrica\u00e7\u00e3o desses itens. Falta investimento em infraestrutura para evitar, ou ao menos diminuir, a depend\u00eancia do mercado externo. Somos campe\u00f5es da exporta\u00e7\u00e3o de commodities, mas precisamos importar produtos agregados para viabilizar nossa produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>Investimentos<\/strong><\/h3>\n<p>Houvesse uma pol\u00edtica de investimento nas cadeias produtivas essenciais para nossa economia, o Brasil n\u00e3o estaria em posi\u00e7\u00e3o t\u00e3o vulner\u00e1vel. E quem mais sofre com essas car\u00eancias \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, que sente com mais for\u00e7a a carestia provocada pela crise internacional.<\/p>\n<p><strong>Na pandemia tamb\u00e9m<br \/>\n<\/strong>A fragilidade brasileira ante choques externos tamb\u00e9m ocorreu em 2020, com o advento da pandemia de covid-19. Surpreendido pelo novo coronav\u00edrus, o Brasil viu-se na angustiante situa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o contar com insumos pr\u00f3prios para a produ\u00e7\u00e3o de uma vacina. Dependia da boa vontade de pa\u00edses que investiram na ind\u00fastria farmac\u00eautica. A essa dificuldade estrutural somou-se o negacionismo do governo federal, recalcitrante na aquisi\u00e7\u00e3o de imunizantes.<\/p>\n<p><strong>Mais transpar\u00eancia<br \/>\n<\/strong>O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu aumentar o n\u00famero de urnas eletr\u00f4nicas auditadas antes das elei\u00e7\u00f5es. A mudan\u00e7a foi aprovada em sess\u00e3o administrativa nesta quinta-feira e representa mais um esfor\u00e7o para ampliar a transpar\u00eancia do pleito em meio aos ataques ao sistema de vota\u00e7\u00e3o. A resolu\u00e7\u00e3o aprovada mant\u00e9m o percentual anterior, de 3% das urnas, como o m\u00ednimo dos aparelhos a serem auditados, e passa a estabelecer um limite de 6% do contingente preparado para cada zona eleitoral.<\/p>\n<p><strong>Boletim expresso<br \/>\n<\/strong>O TSE ainda aprovou um ajuste na etapa de totaliza\u00e7\u00e3o dos votos. A disponibiliza\u00e7\u00e3o dos Boletins de Urna, que eram compartilhados at\u00e9 tr\u00eas dias ap\u00f3s o encerramento da contagem, passar\u00e3o a ficar dispon\u00edveis praticamente em tempo real no portal da Corte Eleitoral.<\/p>\n<p><strong>Crime de f\u00f4lego<\/strong><br \/>\nPesquisa encomendada pelo F\u00f3rum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNPC) aponta que 48% dos cigarros consumidos no Brasil \u2014 o equivalente a 53,1 bilh\u00f5es de unidades \u2014 t\u00eam origem ilegal. Os dados s\u00e3o relativos a 2021. Boa parte dessa mercadoria \u00e9 proveniente de contrabando do Paraguai, mas \u00e9 expressiva a quantidade de f\u00e1bricas nacionais que operam na clandestinidade.<\/p>\n<p><strong>Combate estruturado<br \/>\n<\/strong>&#8220;O combate ao mercado ilegal exige a\u00e7\u00f5es de longo prazo. &#8220;O combate ao cigarro do crime n\u00e3o pode depender de fatores externos, como a alta do d\u00f3lar, que aumenta o pre\u00e7o do ilegal, reflexo de um cen\u00e1rio at\u00edpico e circunstancial. Reprimir o ilegal \u00e9 tamb\u00e9m incentivar e apoiar quem produz dentro da lei&#8221;, defende Edson Vismona, presidente do FNCP.<\/p>\n<p><strong>Prioridades<br \/>\n<\/strong>O l\u00edder do governo na C\u00e2mara, Ricardo Barros (PP-PR), est\u00e1 colhendo assinaturas para votar, em regime de urg\u00eancia, o projeto de lei que autoriza a minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas. Essa \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o defendida pelo presidente para enfrentar o iminente desabastecimento de fertilizantes provocado pela guerra na Ucr\u00e2nia. Enquanto isso, 544 processos para explora\u00e7\u00e3o de pot\u00e1ssio, elemento chave para produ\u00e7\u00e3o de fertilizantes, tramitam na Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra evidencia as defici\u00eancias do Brasil. 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