{"id":158,"date":"2016-11-16T14:26:16","date_gmt":"2016-11-16T16:26:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/?p=158"},"modified":"2016-11-16T14:26:16","modified_gmt":"2016-11-16T16:26:16","slug":"perdido-em-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/perdido-em-marte\/","title":{"rendered":"Perdido em Marte"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEstou ferrado\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">S\u00f3 por causa dessa abertura, sugiro que, se voc\u00ea puder, leia o original. O autor usa outra palavra que come\u00e7a com f, e ela definitivamente tem mais carga emocional do que ferrado. <strong>Ferrado<\/strong> \u00e9 a palavra que voc\u00ea usa para explicar para o seu irm\u00e3o mais novo a situa\u00e7\u00e3o em que ele se encontrar\u00e1 quando mam\u00e3e descobrir que ele quebrou o vaso de porcelana importada que ela ganhou de presente de casamento. A situa\u00e7\u00e3o do nosso her\u00f3i \u00e9 bem diferente. Veja bem: n\u00e3o estou aqui sendo apenas babaca (talvez s\u00f3 um pouquinho). A quest\u00e3o \u00e9 que o uso vocabular do personagem \u00e9 uma das coisas mais legais do livro. \u00c9 o que te faz rir alto no meio da rua. Mas divago\u2026<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A hist\u00f3ria se passa em algum tempo no futuro pr\u00f3ximo, quando viagens tripuladas a Marte j\u00e1 s\u00e3o parte da rotina da NASA. A miss\u00e3o Ares 3 est\u00e1 no in\u00edcio das explora\u00e7\u00f5es no planeta. S\u00f3 que a\u00ed d\u00e1 ruim. Uma tempestade de areia extremamente forte provoca o abortamento da miss\u00e3o e um dos astronautas fica para tr\u00e1s, dado como morto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><strong>S\u00f3 que n\u00e3o<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mark Watney, um bot\u00e2nico que tamb\u00e9m \u00e9 engenheiro mec\u00e2nico (at\u00e9 agora tento entender isso), est\u00e1 bem vivo. Sozinho. Em Marte. Isso \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">me time<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Quando Watney se d\u00e1 conta disso, tem um compreens\u00edvel ataque de p\u00e2nico:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cSe o oxigenador quebrar, vou sufocar. Se o reaproveitador de \u00e1gua quebrar, vou morrer de sede. Se o Hab se romper, vou explodir. Se nada disso acontecer, vou ficar sem alimento e acabar morrendo de fome. Ent\u00e3o \u00e9 isso mesmo. Estou ferrado.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Se o Hab se rompesse, Watney n\u00e3o explodiria. O que ocorreria \u00e9 que ele se tornaria um bal\u00e3o humano. Como a atmosfera de Marte \u00e9 rarefeita, a press\u00e3o \u00e9 muito baixa, o que faria o sangue de Watney \u201cferver\u201d (virar g\u00e1s) e ele incharia at\u00e9 mais ou menos o dobro de seu tamanho. Isso causaria uma dor enorme, mas Watney s\u00f3 estaria consciente durante os primeiros 10 a 15 segundos. Depois disso, os baixos n\u00edveis de oxig\u00eanio no sangue dele fariam com que seu c\u00e9rebro desligasse. O nome t\u00e9cnico do processo para se tornar um bal\u00e3o \u00e9 <strong>ebulismo<\/strong>. E n\u00e3o tem na Wikip\u00e9dia.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-161\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/wp-content\/uploads\/sites\/24\/2016\/11\/total-recall-2-fixed.jpg\" alt=\"total recall 2 fixed\" width=\"606\" height=\"369\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/wp-content\/uploads\/sites\/24\/2016\/11\/total-recall-2-fixed.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/wp-content\/uploads\/sites\/24\/2016\/11\/total-recall-2-fixed-300x183.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/wp-content\/uploads\/sites\/24\/2016\/11\/total-recall-2-fixed-768x468.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/wp-content\/uploads\/sites\/24\/2016\/11\/total-recall-2-fixed-550x335.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/wp-content\/uploads\/sites\/24\/2016\/11\/total-recall-2-fixed-230x140.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 606px) 100vw, 606px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Voc\u00ea provavelmente est\u00e1 se perguntando: por que diabos essa pessoa maluca (e idiota) escreveu isso? Bem\u2026 a informa\u00e7\u00e3o estava em algum lugar do meu c\u00e9rebro e veio \u00e0 superf\u00edcie quando li. Lide com isso. Mas h\u00e1 um outro motivo (al\u00e9m da minha idiotice): o contraste entre a hospitalidade da terra e a hostilidade do espa\u00e7o. Se voc\u00ea parar para pensar, \u00e9 bem \u00f3bvio, afinal, n\u00f3s evolu\u00edmos aqui. Mas, ainda assim, me impressiona. Uma vez que deixamos nossa atmosfera, tudo pode nos matar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outra coisa me impressiona: n\u00f3s exploramos o espa\u00e7o porque \u00e9 maneiro. Esse \u00e9 o principal motivo. Eu sei que as pesquisas e tecnologias envolvidas com a explora\u00e7\u00e3o espacial produziram (produzem e produzir\u00e3o) in\u00fameros benef\u00edcios para n\u00f3s. Mas esses benef\u00edcios foram as consequ\u00eancias. O ser humano tem esse impulso de ir l\u00e1 ver no que d\u00e1. Uma curiosidade t\u00e3o consumidora que o faz se meter em situa\u00e7\u00f5es como as descritas no livro. Lembra o filme <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Gravidade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">? \u00c9 aterrorizante! Eu sei que tem dezenas de filmes com alien\u00edgenas matadores de gente, mas, honestamente, o espa\u00e7o j\u00e1 \u00e9 bem assustador por si mesmo. Voc\u00ea n\u00e3o precisa de seres mal\u00e9volos em naves do tamanho de um continente. Voc\u00ea s\u00f3 precisa do v\u00e1cuo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Com nossos esp\u00edritos elevados, continuemos<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A trama do livro segue descrevendo a luta de um homem contra um planeta que est\u00e1 tentando mat\u00e1-lo o tempo todo (figurativamente, \u00e9 claro). A ci\u00eancia da coisa \u00e9 explicada de forma compreens\u00edvel e envolvente. Diferente das aulas da professora Arm\u00eania. Aquela que usava um jaleco e tinha umas estruturas moleculares de pl\u00e1stico que deviam te ajudar a entender a mat\u00e9ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Enquanto isso, o mundo inteiro torna essa quest\u00e3o o mais emocionante <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">reality show<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> desde <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">No Limite<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (no Brasil, a Globo provavelmente teria, pela primeira vez em d\u00e9cadas, suspendido o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Big Brother<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> para transmitir o especial da CNN, o que faria a audi\u00eancia de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Fazenda<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> subir ligeiramente). E, como todo bom <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">reality show<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, drama \u00e9 o que n\u00e3o falta. Para aqueles que acreditam em carma, Mark Watney deve ter sido algum alto oficial nazista. Mas n\u00e3o fa\u00e7o a compara\u00e7\u00e3o com <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">reality show<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> para desmerecer a hist\u00f3ria. O drama a que me refiro \u00e9 bom. Fiquei com as m\u00e3os suando em diversos momentos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Watney faz o diabo para sobreviver. \u00c9 necess\u00e1rio um tipo espec\u00edfico de car\u00e1ter para fazer o que ele faz nessa hist\u00f3ria (do qual n\u00e3o tenho uma gota. Nem um quark). As coisas v\u00e3o incrivelmente bem. Tudo d\u00e1 muito certo. At\u00e9 que tudo come\u00e7a a dar muito errado. Com \u00eanfase no <strong>tudo<\/strong>. E no <strong>muito<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-162\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/wp-content\/uploads\/sites\/24\/2016\/11\/MattDamon-e1479225033671-1024x535.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"316\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/wp-content\/uploads\/sites\/24\/2016\/11\/MattDamon-e1479225033671-1024x535.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/wp-content\/uploads\/sites\/24\/2016\/11\/MattDamon-e1479225033671-300x157.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/wp-content\/uploads\/sites\/24\/2016\/11\/MattDamon-e1479225033671-768x401.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/wp-content\/uploads\/sites\/24\/2016\/11\/MattDamon-e1479225033671-1440x752.jpg 1440w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/wp-content\/uploads\/sites\/24\/2016\/11\/MattDamon-e1479225033671-550x287.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/wp-content\/uploads\/sites\/24\/2016\/11\/MattDamon-e1479225033671-230x120.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No decorrer da hist\u00f3ria, uma quest\u00e3o inc\u00f4moda surge algumas vezes: o que seria considerado demais, em termos de custo financeiro e humano? O esfor\u00e7o para trazer Watney de volta \u00e9 imenso. Centenas de milhares de d\u00f3lares s\u00e3o gastos e vidas s\u00e3o colocadas em risco. Por qu\u00ea? O pr\u00f3prio Watney se pergunta isso, e chega a uma resposta, mas ela n\u00e3o me convence. Ele v\u00ea o copo meio cheio. E \u00e9 por isso que luta. Essa quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de fato tratada no livro. N\u00e3o rola aquela press\u00e3o do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Resgate do Soldado Ryan<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Mas eu me perguntei isso o tempo todo. Tenho um esp\u00edrito elevado e radiante&#8230; Prometo que o livro \u00e9 leve e feliz.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Enquanto eu lia esse livro, outra ideia n\u00e3o sa\u00eda da minha cabe\u00e7a (pois \u00e9, bem-vindo ao meu c\u00e9rebro, que \u00e9 t\u00e3o organizado quanto o guarda-roupa de um TDAH): a ambi\u00e7\u00e3o (uma delas, na verdade) um tanto peculiar do <strong>Elon Musk<\/strong>. Se voc\u00ea ainda n\u00e3o sabe o que \u00e9, te digo: ter uma col\u00f4nia autossustent\u00e1vel com cerca de um milh\u00e3o de pessoas em Marte num futuro n\u00e3o muito distante. Isso mesmo. Um milh\u00e3o de pessoas naquela pedra gigante gelada cheia de CO2 e sem campo magn\u00e9tico para te proteger da radia\u00e7\u00e3o solar. Ou de se transformar num bal\u00e3o humano. Eu sei, soa bem maluco. Mas o cara tem um plano, que vou resumir aqui.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Funciona da seguinte maneira: A primeira miss\u00e3o tripulada estabelece uma base. As pr\u00f3ximas miss\u00f5es trabalham em expandir a base. Depois seria efetuada a Terraforma\u00e7\u00e3o, ou a transforma\u00e7\u00e3o de Marte em algo parecido com a Terra. Isso seria feito 1) derretendo o gelo dos polos, o que liberaria uma quantidade gigante de CO2 na atmosfera; 2) liberando mais CO2 na atmosfera, causando um efeito estufa para esquentar as coisas; 3) reproduzindo o processo de evolu\u00e7\u00e3o na Terra (em um tempo bem mais curto, claro) e; 4) tornando o ar respir\u00e1vel. Isso \u00e9 o plano reduzido ao m\u00ednimo do m\u00ednimo. Se o assunto n\u00e3o est\u00e1 te entediando at\u00e9 a morte, pode pesquisar mais a respeito. Faz muito sentido. No papel, pelo menos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O projeto do foguete que vai come\u00e7ar a festa veio a p\u00fablico recentemente. E, cara, \u00e9 incrivel (outras palavras expressariam melhor o que sinto, mas n\u00e3o posso escrev\u00ea-las aqui). A parada \u00e9 do tamanho de um pr\u00e9dio de 40 andares (amigos brasilienses, usem a imagina\u00e7\u00e3o)! Sem contar que o propulsor \u00e9 reutiliz\u00e1vel (algo bem incr\u00edvel tamb\u00e9m, feito recentemente por, \u00e9 claro, a empresa (uma das) do Elon Musk \u2013 <strong>SpaceX<\/strong>).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Toda essa hist\u00f3ria \u00e9 superempolgante. Na teoria. Marte s\u00f3 se tornar\u00e1 habit\u00e1vel (se a coisa da <strong>Terraforma\u00e7\u00e3o<\/strong> funcionar. E n\u00e3o esque\u00e7amos do campo magn\u00e9tico) muito tempo depois da minha morte. E da sua. Quem for primeiro vai ter um trabalho do c\u00e3o. Ser\u00e1 tipo o velho-oeste novamente. E eu s\u00f3 viajo pra lugares com um banheiro decente. Ent\u00e3o, nada de Marte pra mim. Mas e voc\u00ea? toparia?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Comecei falando de um livro e terminei perguntando se voc\u00ea quer ir pra Marte. Bom\u2026 nos limitemos ao mesmo planeta, pelo menos. H\u00e1 uma certa rela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o? Assim como um bot\u00e2nico que \u00e9 tamb\u00e9m um engenheiro mec\u00e2nico. <\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Perdido em Marte, de Andy Weir \u2013 Editora Arqueiro.<\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto escrito por:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-163 alignleft\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/wp-content\/uploads\/sites\/24\/2016\/11\/DnTereza-188x300.jpg\" alt=\"DnTereza\" width=\"124\" height=\"198\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/wp-content\/uploads\/sites\/24\/2016\/11\/DnTereza-188x300.jpg 188w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/wp-content\/uploads\/sites\/24\/2016\/11\/DnTereza-230x367.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/diarioradioativo\/wp-content\/uploads\/sites\/24\/2016\/11\/DnTereza.jpg 306w\" sizes=\"auto, (max-width: 124px) 100vw, 124px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211;<strong> Dona Tereza<\/strong>\u00a0&#8211;<\/p>\n<p><em>\u00a0&#8220;Saia do meu gramado!&#8221;<\/em><\/p>\n<p><a class=\"ProfileHeaderCard-screennameLink u-linkComplex js-nav\" href=\"https:\/\/twitter.com\/dnatereza\">@<span class=\"u-linkComplex-target\">dnatereza<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEstou ferrado\u201d. 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