{"id":1444,"date":"2016-02-13T12:28:14","date_gmt":"2016-02-13T14:28:14","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=1444"},"modified":"2016-02-13T12:56:11","modified_gmt":"2016-02-13T14:56:11","slug":"sobre-vasco-x-flamengo-em-sao-januario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/sobre-vasco-x-flamengo-em-sao-januario\/","title":{"rendered":"Sobre Vasco x Flamengo em S\u00e3o Janu\u00e1rio&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o sou da turma avessa a jogos em S\u00e3o Janu\u00e1rio. Numa boa, acho leg\u00edtimo o desejo do Vasco jogar na casa pr\u00f3pria. Vou usar um argumento que pode parecer simplista, mas vamos l\u00e1. O Santos n\u00e3o recebe cl\u00e1ssicos paulistas \u2014 e at\u00e9 final de Copa do Brasil e jogo da Libertadores \u2014 na Vila Belmiro, com capacidade para 16 mil pessoas? Corinthians, Palmeiras e S\u00e3o Paulo n\u00e3o v\u00e3o jogar l\u00e1? Por que o Vasco n\u00e3o pode receber Botafogo, Flamengo ou Fluminense em um est\u00e1dio para 19.990? O Corinthians, que tem a segunda maior torcida do pa\u00eds e \u00e9 lembrada pela invas\u00e3o ao Maracan\u00e3 n\u00e3o comemorou o \u00faltimo hexa no Campeonato Brasileiro em S\u00e3o Janu\u00e1rio? Mesmo que acanhadinha no mesmo cantinho destinado amanh\u00e3 aos rubro-negros.<\/p>\n<p>&#8220;Ah, mas voc\u00ea n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o do que \u00e9 um Vasco x Flamengo em S\u00e3o Janu\u00e1rio&#8221;, argumentar\u00e3o alguns leitores deste <strong>blog<\/strong>&#8220;. Para esses ou essas, eu respondo: tenho, sim.<\/p>\n<p>Eu cobri o \u00faltimo Cl\u00e1ssico dos Milh\u00f5es em S\u00e3o Janu\u00e1rio. Trabalhava, \u00e0 \u00e9poca, no caderno de esportes do Jornal de Bras\u00edlia. L\u00e1 fui eu para a assustadora aventura com apenas dois anos de formado. Foi uma baita experi\u00eancia. Chance de crescimento profissional para um foca. O medo come\u00e7ou na porta do hotel em que fiquei hospedado, na Gl\u00f3ria, bem pertinho da r\u00e1dio Globo. Pedi um t\u00e1xi e a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a come\u00e7ou no &#8220;boa tarde&#8221; ao motorista. Quando eu disse para onde era a viagem, ele olhou bem no meu crach\u00e1 e apresentou o cart\u00e3o de visita&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;O senhor tem certeza que vai com essa mochila e esse taptop l\u00e1 pra S\u00e3o Janu\u00e1rio?&#8221;<\/p>\n<p>Respondi que sim, que n\u00e3o tinha jeito, que era o meu trabalho e bl\u00e1bl\u00e1bl\u00e1bl\u00e1bl\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>No caminho, fui escutando hist\u00f3rias macabras de conhecidos do taxista que haviam perdido a vida em est\u00e1dios de futebol. A sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a foi crescendo cada vez que o tradicional t\u00e1xi amarelinho se aproximava do lend\u00e1rio est\u00e1dio de S\u00e3o Janu\u00e1rio. Era minha primeira vez no peda\u00e7o. Pensei que o taxista ia me deixar bem pertinho da colina hist\u00f3rica. S\u00f3 que n\u00e3o!<\/p>\n<p>Com aquele sotaque carioca, o taxista dispara: &#8220;Estamos passando pertinho da barreira do Vaisssco, o senhor tome muito cuidado que aqui \u00e9 barra pesada&#8221;. Em seguida, surpreende: &#8220;Amigo, nossa viagem termina por aqui. Daqui pra frente eu n\u00e3o levo o senhor, n\u00e3o&#8221;. Esbugalhei os olhos, senti um frio na barriga, pensei r\u00e1pido e perguntei&#8230; &#8220;Como assim?&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O senhor n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o de como ficam as ruas pr\u00f3ximas ao Maracan\u00e3 em dia de Flamengo x Vasco. Imagina aqui em S\u00e3o Janu\u00e1rio. Olha a\u00ed como \u00e9 que t\u00e1&#8221;, disse, apontando com um toco de cigarro para a movimenta\u00e7\u00e3o de carros pol\u00edcia militar nas redondezas de S\u00e3o Janu\u00e1rio.<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5\">Paguei a viagem e segui caminhando uns 10 minutos at\u00e9 o port\u00e3o de acesso \u00e0 imprensa. No caminho, roj\u00f5es, helic\u00f3pteros sobrevoando S\u00e3o Janu\u00e1rio, gritos impublic\u00e1veis de guerra das torcidas uniformizadas dos dois clubes, clima de tens\u00e3o no ar e, ufa, eu finalmente estava na dire\u00e7\u00e3o certa, o port\u00e3o que de acesso \u00e0 tribuna de imprensa de S\u00e3o Janu\u00e1rio. O Vasco venceu por 2 x 1. Escrevi a cr\u00f4nica do jogo, fiz o p\u00f3s-jogo, mandei as mat\u00e9rias do cl\u00e1ssico para a reda\u00e7\u00e3o, em Bras\u00edlia, e voltei bem menos tenso para o hotel na Gl\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5\">Muitas vezes, a contra-propaganda que se faz antes de qualquer jogo assusta, intimida, leva o torcedor a pensar mil vezes antes de comprar o ingresso para ir ao est\u00e1dio com ou sem a fam\u00edlia para ver qualquer jogo. Fui a S\u00e3o Janu\u00e1rio naquele dia porque tinha uma miss\u00e3o profissional de cobrir Vasco x Flamengo.<\/span><\/p>\n<p>Vou ser muito sincero. Se eu fosse torcedor, provavelmente teria fraquejado, dado meia volta e visto ou ouvido o jogo do quarto do conforto do quarto do hotel. Da mesma forma, se eu estivesse neste fim de semana no Rio de Janeiro, n\u00e3o compraria ingresso para ir com a fam\u00edlia a S\u00e3o Janu\u00e1rio acompanhar o cl\u00e1ssico. Como diz a minha esposa, a rainha Elisabete, &#8220;n\u00e3o, mesmo&#8221;.<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5\">Mas a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 S\u00e3o Janu\u00e1rio. Se fosse, estava f\u00e1cil de resolver. A quest\u00e3o \u00e9 a \u00edndole de algumas pessoas travestidas de torcedores. Seja do Flamengo, do Vasco, de A, B, C ou Z. Infelizmente, o futebol, o espet\u00e1culo, a viabilidade de o Vasco mandar um cl\u00e1ssico na casa pr\u00f3pria perde por goleada de quem n\u00e3o vai ao est\u00e1dio para sofrer e vibrar pelo time do cora\u00e7\u00e3o, para se emocionar ou sofrer com os jogadores do time, mas para comprar briga. Para dar as costas ao gramado e passar o pr\u00e9-jogo, os 90 minutos do jogo e o p\u00f3s-jogo ca\u00e7ando confus\u00e3o com o torcedor advers\u00e1rio. \u00c9 pra essa gente que n\u00e3o apenas S\u00e3o Janu\u00e1rio, mas os est\u00e1dios do pa\u00eds inteiro est\u00e3o perdendo a credibilidade de quem s\u00f3 quer saber de futebol.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5\">Tor\u00e7o, sinceramente, para que a paz reine amanh\u00e3 em S\u00e3o Janu\u00e1rio. Mas, assim como o Vasco \u2014 repito \u2014 tem todo o direito de receber o Flamengo na casa pr\u00f3pria, eu e qualquer torcedor do Rio de Janeiro, do pa\u00eds ou do mundo tem o direito de ficar com um p\u00e9 atr\u00e1s, igualzinho aquele taxista que, h\u00e1 10 anos, me levou ao est\u00e1dio hist\u00f3rico para simplesmente mais um dia de trabalho. Foi tenso naquele dia. Vai ser amanh\u00e3. Mas que termine bem.<\/span><\/p>\n<p>Se o Vasco tem onde jogar enquanto o Maracan\u00e3 e o Engenh\u00e3o est\u00e3o cedidos aos comit\u00eas Ol\u00edmpico Internacional e ao Organizador dos Jogos do Rio-2016, que o Vasco jogue em sua casa pr\u00f3pria. E que Botafogo, Flamengo e Fluminense cortem o cord\u00e3o umbilical com a prefeitura, com o governo, e realizem o sonho da casa pr\u00f3pria. Afinal, os centen\u00e1rios clubes est\u00e3o velinhos demais para viverem como inquilinos. Basta dar uma espiadinha na outra ponta do eixo. Corinthians, Palmeiras, Santos e S\u00e3o Paulo t\u00ea seus est\u00e1dios. E cada um manda jogo no seu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sou da turma avessa a jogos em S\u00e3o Janu\u00e1rio. Numa boa, acho leg\u00edtimo o desejo do Vasco jogar na casa pr\u00f3pria. Vou usar um argumento que pode parecer simplista, mas vamos l\u00e1. 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