{"id":15629,"date":"2020-05-25T00:00:52","date_gmt":"2020-05-25T03:00:52","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=15629"},"modified":"2020-05-25T00:00:52","modified_gmt":"2020-05-25T03:00:52","slug":"entrevista-gustavo-herbetta-ex-diretor-de-marketing-do-corinthians-analisa-como-a-ousada-decisao-do-barcelona-de-vender-os-direitos-do-nome-do-camp-nou-em-meio-a-pandemia-pode-inspirar-as-arenas-br","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/entrevista-gustavo-herbetta-ex-diretor-de-marketing-do-corinthians-analisa-como-a-ousada-decisao-do-barcelona-de-vender-os-direitos-do-nome-do-camp-nou-em-meio-a-pandemia-pode-inspirar-as-arenas-br\/","title":{"rendered":"Entrevista: Gustavo Herbetta | Ex-diretor de marketing do Corinthians analisa como a ousada a\u00e7\u00e3o beneficente do Barcelona de vincular a venda dos naming rights do Camp Nou ao investimento no combate \u00e0 covid-19 pode inspirar arenas brasileiras"},"content":{"rendered":"<p><em>H\u00e1 100 anos, os esportes norte-americanos testemunhavam os primeiros movimentos pelo que seria conhecido mais tarde de &#8220;naming rights&#8221;. Na d\u00e9cada de 1920, um acordo entre a o time de baseball Chicago Cubs e a famosa marca de chicletes Wringley cedeu o direito de uso do est\u00e1dio \u00e0 marca. Desde ent\u00e3o, esse modelo de neg\u00f3cio sofre constantes atualiza\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos e na Europa. A \u00faltima delas partiu do Barcelona. Inaugurado em 1957, o Camp Nou ter\u00e1 os naming rights administrados pela Funda\u00e7\u00e3o Bar\u00e7a para a temporada 2020\/2021. O clube procura um parceiro comercial e tem um carta na manga em tempos de crise econ\u00f4mica global. Parte do dinheiro arrecadado ser\u00e1 usado em projetos contra a covid-19. Em entrevista ao <strong>blog<\/strong>, o ex-diretor de Marketing do Corinthians Gustavo Herbetta analisa como a ousada e engajada a\u00e7\u00e3o beneficente do clube catal\u00e3o pode inspirar o atrasado mercado brasileiro. Herbetta aborda como a sacada da diretoria azul-gren\u00e1 pode ajudar o mercado brasileiro a superar algumas barreiras \u2014 uma delas o momento ideal da venda da propriedade.<\/em><\/p>\n<p><em>O CCO da Lmid, empresa especializada em marketing esportivo, sentiu na pela a dificuldade de procurar um parceiro interessado em adquirir os direitos do nome da Arena Corinthians. Ele explica por que o clube paulista n\u00e3o tem naming rights seis anos depois da inaugura\u00e7\u00e3o para a Copa do Mundo, em 10 de maio de 2014, critica a m\u00eddia por omitir o nome dos est\u00e1dios que negociaram seus direitos, como Kyocera Arena, Arena Fonte Nova Itaipava e Allianz Parque, e cita o est\u00e1dio do Atl\u00e9tico-MG como um case de sucesso por nascer com naming rights definido.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Depois de rasgar a tradi\u00e7\u00e3o e negociar patroc\u00ednio para a camisa em 2012, o Barcelona perapara outra revolu\u00e7\u00e3o: negocia pela primeira vez os &#8220;naming rights&#8221; do Camp Nou para a temporada 2020\/2021 atrelada a uma a\u00e7\u00e3o social contra a covid-19. Parte da receita ser\u00e1 aplicada no combate \u00e0 doen\u00e7a. Foi uma bela sacada?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gustavo Herbetta \u2014<\/strong> A estrat\u00e9gia do Barcelona \u00e9 muito parecida com a que adotaram quando resolveram tamb\u00e9m comercializar outra propriedade de alto valor, que foi o m\u00e1ster do uniforme. Nenhum clube, nem mesmo o Barcelona, pode abrir m\u00e3o dessa receita em um cen\u00e1rio hiper competitivo, como o do futebol europeu. O que faz ser interessante e inteligente \u00e9 que ele (Barcelona) faz esse movimento comercial dentro dos valores da marca Barcelona, enaltecendo uma causa social e o conceito de serem &#8220;mais que um clube&#8221;.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 e como Barcelona tirou essa ideia da cartola?<\/strong><\/p>\n<p>O Barcelona mais uma vez surpreendeu o mercado. Al\u00e9m de negociar uma propriedade, o clube conduziu a negocia\u00e7\u00e3o respeitando os valores. O lema &#8220;mais que um clube&#8221; se tornou reconhecido, o patroc\u00ednio m\u00e1ster da camisa sempre foi ligado a uma causa social. No momento em que o clube percebeu que necessitava de mais receitas, com outros clubes crescendo no mercado, ele fez esse movimento de sua equipe &#8216;m\u00e1ster&#8217;, que era ligada \u00e0 Unicef, passar a ser uma propriedade comercial.<\/p>\n<p>A ideia foi muito interessante para uma manuten\u00e7\u00e3o do valor de marca do Barcelona, fazendo com que seu valor para o mercado anunciante crescesse apoiando uma causa social para fortalecer o projeto. A equipe inicialmente apoiava o projeto da Unicef e, agora, realizou a transi\u00e7\u00e3o para o combate \u00e0 covid-19. O clube se aproveitou do momento para gerar essa mudan\u00e7a. Assuntos sociais desse tipo aumentam o poder de divulga\u00e7\u00e3o nas m\u00eddias. Foi uma a\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada no mercado com um poder incompar\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas equipes nacionais, e devem estar muito pr\u00f3ximos de anunciar a marca que ser\u00e1 parceria nesse projeto, que pode vir a se consolidar com o Barcelona criando uma nova propriedade comercial para o seu faturamento.<\/p>\n<p><strong>Qual ser\u00e1 o impacto desta a\u00e7\u00e3o no futebol?<\/strong><\/p>\n<p>O impacto para o futebol mundial \u00e9 enorme, considerando que \u00e9 um est\u00e1dio que surgiu em 1957 e cujo nome foi escolhido pelos pr\u00f3prios torcedores, e adotar\u00e1 outro nome muito em breve sem ter passado por uma reforma ou moderniza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 normalmente o que os europeus est\u00e3o fazendo para trazerem uma marca aos seus est\u00e1dios. Sem d\u00favida, o Barcelona enxergou neste momento que vivemos uma oportunidade de fazer esse movimento, pois tem uma causa relevante e global para apoiar essa transi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ter um nome no Camp Nou para um novo formato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Sem d\u00favida, o Barcelona enxergou neste momento que vivemos uma oportunidade de fazer esse movimento, pois tem uma causa relevante e global para apoiar essa transi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ter um nome no Camp Nou para um novo formato.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O formato escolhido pelo Barcelona \u00e9 inovador. Parte da receita dos naming rights ser\u00e1 aplicado no combate \u00e0 covid-19. Como os times brasileiros podem se engajar neste modelo?<\/strong><\/p>\n<p>O mercado brasileiro de naming rights \u00e9 completamente diferente do principal mercado \u2014 que \u00e9 o americano, e tamb\u00e9m se difere, em alguns aspectos, do mercado europeu. Por\u00e9m, esse exemplo do Barcelona deveria inspirar os detentores de arenas e est\u00e1dios no sentido de perceberem que existem formas de se iniciar essa comercializa\u00e7\u00e3o e parceria com alguma marca totalmente fora do formato tradicional. E uma causa social \u00e9 uma delas. \u00c9 uma forma de voc\u00ea romper algumas barreiras que, na maioria das vezes, impedem essas negocia\u00e7\u00f5es. Precisamos de um pouco mais de criatividade e estrat\u00e9gia no modelo comercial de quem possui esse direito.<\/p>\n<p><strong>A pandemia abalou a economia. Como convencer uma fima a investir nessa ideia?<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro, com muita informa\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise dessa informa\u00e7\u00e3o que hoje \u00e9 amplamente acess\u00edvel ao mercado. Quais s\u00e3o os segmentos da economia que est\u00e3o crescendo na pandemia? Com certeza sabemos de algumas categorias que est\u00e3o crescendo exponencialmente. Dos que est\u00e3o caindo, quais marcas que teriam nessa propriedade um diferencial competitivo, que poderia ajudar na retomada? \u00c9 claro que a pandemia exige um novo mapeamento comercial, mas uma an\u00e1lise minuciosa do mercado global e local vai propiciar a qualquer detentor de propriedade algumas possibilidades de negocia\u00e7\u00e3o. Obviamente, somados a uma nova politica de precifica\u00e7\u00e3o e a novas ideias de ativa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Jogos com port\u00f5es fechados abalam o interesse nesse tipo de neg\u00f3cio?<\/strong><\/p>\n<p>Provavelmente, teremos por um bom tempo jogos sem a presen\u00e7a de p\u00fablico, e no caso de uma propriedade que tem como entrega a experi\u00eancia fisica no local, abala n\u00e3o ter essa possibilidade. Assim como todos os patrocinadores de um time, que tamb\u00e9m possuem em seus pacotes de contrapartida ativa\u00e7\u00f5es nos jogos do patrocinado.<\/p>\n<p>O desafio aqui \u00e9 criar alternativas usando o ambiente digital e a realidade atual de que os torcedores, que s\u00e3o o alvo de qualquer a\u00e7\u00e3o da marca que objetiva convert\u00ea-los em consumidor de seus produtos, estar\u00e3o assistindo aos jogos de casa. Dados de quem s\u00e3o os torcedores, como acessam o digital nos jogos, e at\u00e9 mesmo, onde residem (por conta de seus cadastros nos programas de s\u00f3cio-torcedor), s\u00e3o de conhecimento dos clubes. \u00c9 necess\u00e1rio criatividade para impactar esses mesmos torcedores que estariam no est\u00e1dio fisicamente em seus ambientes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Regi\u00e3o Centro-Oeste tem duas arenas que receberam jogos da Copa 2014: Man\u00e9 Garrincha e Arena Pantanal. Como os governos e as concession\u00e1rias que administram esses est\u00e1dios podem aplicar a f\u00f3rmula Barcelona de aliar nova receita e responsabilidade social?<\/strong><\/p>\n<p>Mais do que simplesmente replicar a f\u00f3rmula e a ideia do Barcelona, as concession\u00e1rias devem pensar em solu\u00e7\u00f5es e modelos de comercializa\u00e7\u00e3o alternativas que fa\u00e7am com que suas propriedades tenham um valor percebido no mercado. \u00c0s vezes, n\u00e3o basta seguir a f\u00f3rmula de um local que oferece conte\u00fado de alta qualidade, entretenimento, produto. \u00c0s vezes, tem que dar alguns passos anteriores a esse. Criar um calend\u00e1rio de conte\u00fado, colocar o local em evid\u00eancia local e at\u00e9 mesmo ativar a propriedade e modelar o produto antes de ir ao mercado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Esse exemplo do Barcelona deveria inspirar os detentores de arenas e est\u00e1dios no sentido de perceberem que existem formas de se iniciar essa comercializa\u00e7\u00e3o e parceria com alguma marca totalmente fora do formato tradicional. E uma causa social \u00e9 uma delas. \u00c9 uma forma de voc\u00ea romper algumas barreiras que, na maioria das vezes, impedem essas negocia\u00e7\u00f5es.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00c9 alternativa tamb\u00e9m a est\u00e1dios importantes, mas sucateados, como o Serra Dourada?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o precisamos ficar obcecados pela ideia dos naming rights. \u00c0s vezes, a melhor solu\u00e7\u00e3o e mais adequada ao contexto local seja o &#8220;sector rights&#8221;. Fragmentar a venda, facilitar o processo comercial. O que vai atrair uma marca a se associar em termos de imagem a um est\u00e1dio \u00e9 aquilo que ele pode propiciar a ela como resultado, e, invariavelmente, o resultado significa vendas. Se o est\u00e1dio puder propiciar um espa\u00e7o de showroom de determinado produto, ele est\u00e1 dando um ponto de venda a mais para a empresa. Se esse &#8220;ponto de venda&#8221; atrai milhares de potenciais consumidores todas as semanas que est\u00e3o l\u00e1 para acessarem uma experi\u00eancia agrad\u00e1vel, \u00e9 o momento prop\u00edcio de abordagem e convers\u00e3o. Se bem trabalhado, isso pode ser implementado em qualquer est\u00e1dio, obviamente no momento em que for poss\u00edvel retornarem os torcedores. Enquanto isso, o canal digital pode tamb\u00e9m ser trabalhado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15441\" aria-describedby=\"caption-attachment-15441\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/mp-recomenda-que-brasilia-nao-abra-as-portas-para-jogos-do-carioca-e-aconselha-que-o-candangao-siga-paralisado\/whatsapp-image-2020-04-29-at-23-13-34\/\" rel=\"attachment wp-att-15441\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-15441\" src=\"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/05\/WhatsApp-Image-2020-04-29-at-23.13.34-1024x768.jpeg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15441\" class=\"wp-caption-text\">Possibilidade de troca do nome Man\u00e9 Garrincha por naming rights sempre gera pol\u00eamica em Bras\u00edlia<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Aqui em Bras\u00edlia, sempre h\u00e1 revolta quando cogita-se naming rights para o nome do est\u00e1dio batizado de Man\u00e9 Garrincha. Como equacionar esse impasse?<\/strong><\/p>\n<p>Sinceramente, n\u00e3o posso acreditar que, no momento como este que vivemos, a opini\u00e3o p\u00fablica possa se colocar contra um neg\u00f3cio que geraria receita direta, reduzindo, assim, o gasto de dinheiro p\u00fablico para manuten\u00e7\u00e3o do equipamento esportivo. Que o dinheiro p\u00fablico possa ser utilizado em necessidades muito mais importantes como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Portanto, seria mais um motivo para se buscar esse tipo de acordo. Evidentemente que feito dentro de todas as boas pr\u00e1tica de &#8216;compliance&#8217; e governan\u00e7a corporativa. E n\u00e3o necessariamente se perde o nome atual. \u00c9 uma associa\u00e7\u00e3o de marcas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15632\" aria-describedby=\"caption-attachment-15632\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/entrevista-gustavo-herbetta-ex-diretor-de-marketing-do-corinthians-analisa-como-a-ousada-decisao-do-barcelona-de-vender-os-direitos-do-nome-do-camp-nou-em-meio-a-pandemia-pode-inspirar-as-arenas-br\/camp-nou-2\/\" rel=\"attachment wp-att-15632\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-15632\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/05\/Camp-Nou-1.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/05\/Camp-Nou-1.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/05\/Camp-Nou-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/05\/Camp-Nou-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/05\/Camp-Nou-1-550x309.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/05\/Camp-Nou-1-230x129.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15632\" class=\"wp-caption-text\">Parte do dinheiro do naming rights do Camp Nou ajudar\u00e1 no combate \u00e0 covid-19<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o momento certo de negociar os naming rights: na planta ou na inaugura\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favida nenhuma, a janela comercial mais prop\u00edcia para a negocia\u00e7\u00e3o \u00e9 entre o an\u00fancio da obra e a inaugura\u00e7\u00e3o. Justamente para que ele nas\u00e7a de n\u00e3o se atingir o objetivo. 90% dos acordos de naming rights no mundo s\u00e3o anunciados antes da inaugura\u00e7\u00e3o do est\u00e1dio. Athletico-PR e Fonte Nova s\u00e3o exemplos disso. Ambos tinham um nome popular adotado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Sinceramente, n\u00e3o posso acreditar que, num momento como este que vivemos, a opini\u00e3o p\u00fablica (do Distrito Federal) possa se colocar contra um neg\u00f3cio que geraria receita direta (naming rights do Man\u00e9 Garrincha), reduzindo, assim, o gasto de dinheiro p\u00fablico para manuten\u00e7\u00e3o do equipamento esportivo. Que o dinheiro p\u00fablico possa ser utilizado em necessidades muito mais importantes como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Portanto, seria mais um motivo para se buscar esse tipo de acordo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p><b>Mas poucos chamam a Arena da Baixada de Kyocera Arena, a Fonte Nova de Itaipava. Outros se recusam a usar Allianz Parque e chamam de Arena Palmeiras. Como convencer os detentores dos direitos de tev\u00ea, por exemplo, a citarem o patrocinador?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o tem como convencer contratualmente a m\u00eddia a citar a patrocinadora, porque ela n\u00e3o faz parte do contrato que \u00e9 feito entre o detentor e a marca. O que eu n\u00e3o recomendo, e pode ser feito, \u00e9 que isso seja envolvido no contrato entre o time e a m\u00eddia na negocia\u00e7\u00e3o de transmiss\u00e3o. Mas a\u00ed eliminamos aqueles equipamentos esportivos que n\u00e3o s\u00e3o administrados por um clube. N\u00f3s inviabilizar\u00edamos isso se dependesse apenas de um contrato comercial de direitos de transmiss\u00e3o entre um clube e a m\u00eddia.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a sa\u00edda?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que existem v\u00e1rias formas, como a maturidade do mercado. Acredito que a m\u00eddia vai adotar o nome como \u00e9 feito em todo o mundo, pois o nome da marca \u00e9 o nome do patrocinador do est\u00e1dio. \u00c9 um processo natural, que pode demorar, mas que as tr\u00eas partes \u2014 a marca, a m\u00eddia e o detentor do patroc\u00ednio \u2014 v\u00e3o se adequar. Mesmo ainda sem esse entendimento, vejo outras formas de se fazer o nome ser adotado, que transcendem o que se espera de divulga\u00e7\u00e3o da m\u00eddia. Existem campanhas que podem ser feitas, compra de espa\u00e7o na m\u00eddia para divulgar a associa\u00e7\u00e3o da marca, canais digitais de comunica\u00e7\u00e3o que podem fazer esse papel. A gente erra quando achamos que \u00e9 suficiente expor a marca no uniforme ou no est\u00e1dio. N\u00e3o \u00e9. Para ter um apelo, atingir o objetivo, \u00e9 preciso trabalhar com mix de comunica\u00e7\u00e3o. Nesse caso, como parte da m\u00eddia n\u00e3o divulga, acho que deveria ter um esfor\u00e7o maior de outros canais de comunica\u00e7\u00e3o para refor\u00e7ar essa perda do ve\u00edculo que n\u00e3o divulga.<\/p>\n<p><strong>Por falar em maturidade, n\u00e3o h\u00e1 resist\u00eancia nos esportes americanos. As arena da NBA sempre s\u00e3o chamadas pelo nome do patrocinador&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Isso est\u00e1 inserido na cultura local. O primeiro caso de naming rights da hist\u00f3ria foi registrado no mercado americano. Em 1920, uma marca famosa de chiclete &#8220;colocou&#8221; seu nome em um est\u00e1dio de beisebol, em Chicago. Desde ent\u00e3o, se tornou natural esse tipo de patroc\u00ednio, n\u00e3o s\u00f3 de grandes arenas, mas gin\u00e1sios universit\u00e1rios e diversas outras casas esportivas. Qualquer local com certa relev\u00e2ncia tem seu espa\u00e7o associado a uma marca. O mercado norte-americano j\u00e1 come\u00e7ou esta pr\u00e1tica faz quase 100 anos, n\u00f3s come\u00e7amos a falar sobre isso depois da constru\u00e7\u00e3o dos est\u00e1dios para a Copa do Mundo de 2014.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio mercado europeu n\u00e3o nasceu com essa forma de naming rights. Muitos est\u00e1dios n\u00e3o nasceram com nomes ligados a marcas, mas os clubes enxergaram potencial neste ramo para construir novos est\u00e1dios e trazer uma associa\u00e7\u00e3o de marca. No Brasil, iremos amadurecer. Temos que superar alguns obst\u00e1culos para conseguir atrair mais empresas que queiram utilizar seus nomes nestes projetos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Eu assumi o departamento de marketing do clube (Corinthians) em fevereiro de 2015, com esse melhor momento comercial finalizado. Quando o est\u00e1dio nasce com o nome pr\u00e9-definido, \u00e9 muito mais f\u00e1cil os torcedores e a m\u00eddia adotarem esse nome.\u00a0Sem d\u00favida nenhuma, nascer com o nome que o est\u00e1dio utilizar\u00e1 pelos pr\u00f3ximos 15, 20 anos, \u00e9 fundamental. Muito foi falado sobre o interesse de uma companhia a\u00e9rea. Eu conversei com essa empresa, e eles n\u00e3o tinham como justificar esse investimento baseado no que o Brasil representava para ela em termos de neg\u00f3cios. \u00c9 uma equa\u00e7\u00e3o muito mais complexa do que estamos acostumados.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Arena Corinthians \u00e9 um caso de insucesso no que diz respeito aos naming rights. O senhor foi superindente de marketing do clube e pode responder: por que n\u00e3o d\u00e1 e n\u00e3o deu certo ainda? Dar\u00e1 certo algum dia?<\/strong><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, ainda n\u00e3o deu certo porque a janela comercial mais prop\u00edcia para a negocia\u00e7\u00e3o do naming rights \u00e9 no momento em que se anuncia a constru\u00e7\u00e3o ou reforma do est\u00e1dio at\u00e9 a sua inaugura\u00e7\u00e3o. No caso do Corinthians, essa janela foi de maio de 2011 at\u00e9 maio de 2014. Eu assumi o departamento de marketing do clube em fevereiro de 2015, com esse melhor momento comercial finalizado. Quando o est\u00e1dio nasce com o nome pr\u00e9-definido, \u00e9 muito mais f\u00e1cil os torcedores e a m\u00eddia adotarem esse nome. Podemos mostrar o exemplo da Fonte Nova Itaipava, que sempre foi conhecida apenas como Fonte Nova. O esfor\u00e7o e a necessidade de investimento em outros canais de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 muito maior para as pessoas adotarem o novo nome. Sem d\u00favida nenhuma, nascer com o nome que o est\u00e1dio utilizar\u00e1 pelos pr\u00f3ximos 15, 20 anos, \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p><strong>O Brasil assusta investidores internacionais?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que a Arena Corinthians teve uma oportunidade maior ainda, pois ela teve a possibilidade de sediar a abertura e uma partida de semifinal de Copa do Mundo. Havia uma visibilidade global em torno do est\u00e1dio. Existem outros fatores importantes que influenciam uma negocia\u00e7\u00e3o como essa. Primeiro: o cen\u00e1rio econ\u00f4mico. N\u00e3o existe uma negocia\u00e7\u00e3o com qualquer marca que n\u00e3o passe por uma discuss\u00e3o do cen\u00e1rio econ\u00f4mico do pa\u00eds onde est\u00e1 sendo feito esse investimento. A maioria das marcas com potencial de investir 300, 400, 450 milh\u00f5es de reais em naming rights s\u00e3o multinacionais, que j\u00e1 t\u00eam o habito de fazer esse investimento no mercado americano ou europeu. S\u00e3o marcas que conseguem fazer um planejamento em longo prazo, por mais dif\u00edcil que isso seja no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15640\" aria-describedby=\"caption-attachment-15640\" style=\"width: 984px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/entrevista-gustavo-herbetta-ex-diretor-de-marketing-do-corinthians-analisa-como-a-ousada-decisao-do-barcelona-de-vender-os-direitos-do-nome-do-camp-nou-em-meio-a-pandemia-pode-inspirar-as-arenas-br\/arena-corinthians\/\" rel=\"attachment wp-att-15640\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-15640\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/05\/Arena-Corinthians-1.jpg\" alt=\"\" width=\"984\" height=\"655\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/05\/Arena-Corinthians-1.jpg 984w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/05\/Arena-Corinthians-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/05\/Arena-Corinthians-1-768x511.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/05\/Arena-Corinthians-1-550x366.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/05\/Arena-Corinthians-1-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 984px) 100vw, 984px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15640\" class=\"wp-caption-text\">Inaugurada em 2014, a Arena Corinthians segue \u00e0 ca\u00e7a de um parceiro capaz de comprar os direitos do nome<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Elas conseguem planejar uma associa\u00e7\u00e3o de 10 ou 20 anos. Ent\u00e3o, j\u00e1 temos um n\u00famero restrito de op\u00e7\u00f5es no mercado com possibilidade de fazer uma negocia\u00e7\u00e3o dessas. Essas marcas v\u00e3o olhar o cen\u00e1rio econ\u00f4mico e constatar que entramos em uma das maiores crises econ\u00f4micas do Brasil. Tivemos tamb\u00e9m o Fifagate, maior esc\u00e2ndalo de reputa\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do futebol, e isso influencia absurdamente.<\/p>\n<p>Passamos pelo maior esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o do pa\u00eds que causou problemas com a reputa\u00e7\u00e3o da Arena Corinthians, que foi constru\u00edda por uma empresa que estava inserida negativamente no contexto do Lava Jato. Enfim, quando somamos a janela comercial errada, o cen\u00e1rio econ\u00f4mico local, a crise de reputa\u00e7\u00e3o do futebol global, a crise de reputa\u00e7\u00e3o da propriedade local, mais a instabilidade que o Brasil vivia, voc\u00ea afasta a maioria dessas marcas, que v\u00e3o olhar para o investimento como um neg\u00f3cio, n\u00e3o com paix\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Essas marcas olharam o cen\u00e1rio econ\u00f4mico e constataram que entramos em uma das maiores crises econ\u00f4micas do Brasil. Tivemos tamb\u00e9m o Fifagate, maior esc\u00e2ndalo de reputa\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do futebol, e isso influencia absurdamente. Passamos pelo maior esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o do pa\u00eds que causou problemas com a reputa\u00e7\u00e3o da Arena Corinthians, que foi constru\u00edda por uma empresa que estava inserida negativamente no contexto do Lava Jato<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Arena Corinthians j\u00e1 esteve pr\u00f3xima algum dia de ter naming rights?<\/strong><\/p>\n<p>Muito foi falado sobre o interesse de uma companhia a\u00e9rea. Eu conversei com essa empresa, e eles n\u00e3o tinham como justificar esse investimento baseado no que o Brasil representava para ela em termos de neg\u00f3cios. \u00c9 uma equa\u00e7\u00e3o muito mais complexa do que estamos acostumados. Envolve fatores que, indiretamente, n\u00e3o dependem do time e nem da gest\u00e3o do clube. Se olharmos os n\u00fameros de quantidade de torcedor, m\u00e9dia de t\u00edquetes, eventos, performance, apelo, n\u00famero de torcedores em geral, tudo isso favorece. O grande problema \u00e9 que s\u00e3o fatores externos ao que o clube consegue influenciar e que determinam que uma negocia\u00e7\u00e3o, que vai durar anos, ter\u00e1 um investimento alt\u00edssimo.<\/p>\n<p><strong>A arena do Atl\u00e9tico-MG est\u00e1 na planta, mas j\u00e1 podemos considerar um &#8220;case de sucesso&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15641\" aria-describedby=\"caption-attachment-15641\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/entrevista-gustavo-herbetta-ex-diretor-de-marketing-do-corinthians-analisa-como-a-ousada-decisao-do-barcelona-de-vender-os-direitos-do-nome-do-camp-nou-em-meio-a-pandemia-pode-inspirar-as-arenas-br\/galo-6\/\" rel=\"attachment wp-att-15641\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-15641\" src=\"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/05\/Galo.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15641\" class=\"wp-caption-text\">Arena MRV: construtora dar\u00e1 nome ao est\u00e1dio do Atl\u00e9tico-MG<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Arena do Atl\u00e9tico-MG j\u00e1 &#8220;nasce&#8221; da maneira correta. O projeto j\u00e1 iniciou com o nome que ela ser\u00e1 conhecida, isso facilita muito o entendimento dos frequentadores do local. O est\u00e1dio j\u00e1 vai ser chamado na m\u00eddia do jeito que ela nasceu, com o nome sendo exposto no mercado. A negocia\u00e7\u00e3o foi feita de uma forma muito inteligente, envolve uma marca que j\u00e1 possui uma consist\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o da marca no meio do futebol, al\u00e9m de ser a empresa que vai executar o projeto. Esta associa\u00e7\u00e3o, sendo ativada da maneira correta, pode inspirar outras marcas para explorarem esse mercado e fazer com que os naming rights se consolidem no esporte brasileiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Siga o blogueiro no Twitter:<\/strong>\u00a0@mplimaDF<\/p>\n<p><strong>Siga o blogueiro no Instagram:<\/strong>\u00a0@marcospaul0lima<\/p>\n<p><strong>Siga o blog no Facebook:<\/strong>\u00a0https:\/\/www.facebook.com\/dribledecorpo\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 100 anos, os esportes norte-americanos testemunhavam os primeiros movimentos pelo que seria conhecido mais tarde de &#8220;naming rights&#8221;. Na d\u00e9cada de 1920, um acordo entre a o time de baseball Chicago Cubs e a famosa marca de chicletes Wringley cedeu o direito de uso do est\u00e1dio \u00e0 marca. 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