{"id":15697,"date":"2020-05-29T23:00:53","date_gmt":"2020-05-30T02:00:53","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=15697"},"modified":"2020-05-29T23:00:53","modified_gmt":"2020-05-30T02:00:53","slug":"a-caixa-e-o-banco-dos-pobres-o-foco-e-outro-diz-presidente-da-estatal-descartando-volta-do-patrocinio-aos-times-de-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/a-caixa-e-o-banco-dos-pobres-o-foco-e-outro-diz-presidente-da-estatal-descartando-volta-do-patrocinio-aos-times-de-futebol\/","title":{"rendered":"&#8220;A Caixa \u00e9 o banco dos pobres, o foco \u00e9 outro&#8221;, afirma o presidente da estatal descartando a retomada do patroc\u00ednio aos times de futebol"},"content":{"rendered":"<p>Se havia alguma expectativa por parte dos times de que a Caixa Econ\u00f4mica Federal repensasse a extin\u00e7\u00e3o do Programa de Apoio ao Futebol Brasileiro para ajud\u00e1-los a amenizar os preju\u00edzos financeiros causados pela pandemia do novo coronav\u00edrus, a esperan\u00e7a acabou. De passagem pelo <strong>Correio Braziliense<\/strong> nesta sexta-feira para <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/economia\/2020\/05\/29\/internas_economia,859414\/caixa-deve-receber-novo-lote-de-dados-para-pagar-auxilio-emergencial.shtml\">entrevista ao <em>CB.Poder<\/em> na <em>TV Bras\u00edlia<\/em><\/a>, o presidente do banco estatal descartou a possibilidade.<\/p>\n<p>Na semana passada, houve rumor na capital de que a visita de Flamengo e Vasco ao presidente Jair Bolsonaro tinha rela\u00e7\u00e3o com um poss\u00edvel pedido de ajuda financeira em meio ao caos. O Rubro-Negro perdeu dois patrocinadores \u2014 BS2 (m\u00e1ster) e Azeite Royal (mei\u00f5es). O Gigante da Colina amarga crise sem precedentes.<\/p>\n<p>Questionado pelo <strong>blog<\/strong>\u00a0ao t\u00e9rmino do programa <em>CB.Poder<\/em> se o governo cogitou a possibilidade de retomar o patroc\u00ednio m\u00e1ster nas camisas dos principais clubes do pa\u00eds, Pedro Guimar\u00e3es foi taxativo. &#8220;N\u00e3o pensamos nunca. A Caixa \u00e9 o banco dos pobres, o foco \u00e9 outro&#8221;, respondeu, endossando o que o chefe dele, o ministro da Economia Paulo Guedes, havia defendido ao tomar posse em 2019. &#8220;\u00c0s vezes, \u00e9 poss\u00edvel fazer coisas 100 vezes melhores com menos recursos do que gastar com publicidade em times de futebol&#8221;, argumentou Guedes. O apoio a modalidades ol\u00edmpicas, paral\u00edmpicas e o Bolsa Atleta continuam na gest\u00e3o Bolsonaro.<\/p>\n<p>Pedro Guimar\u00e3es vive outra realidade. O economista trocou banco privado por p\u00fablico. Antes de aceitar o convite de Guedes e desembarcar no atual governo para assumir a Caixa, a posi\u00e7\u00e3o dele era de investidor. Indiretamente, uma institui\u00e7\u00e3o privada da qual ele fazia parte ajudou a equilibrar as finan\u00e7as de clubes de ponta.<\/p>\n<p>Pedro Guimar\u00e3es era s\u00f3cio-diretor do Brasil Plural. O banco privado chegou a emprestar dinheiro ao Flamengo e ao Fluminense. Ao extinguir o Programa de Apoio ao Futebol Brasileiro lan\u00e7ado no governo de Dilma Rousseff, e mantido na gest\u00e3o de Michel Temer, Guimar\u00e3es viveu o outro lado da moeda. Cumpriu ordens de Bolsonaro e Guedes e determinou corte de R$ 25 milh\u00f5es no or\u00e7amento rubro-negro. Esse era o valor do contrato com o clube carioca. Ele chegou a justificar \u00e0 \u00e9poca: &#8220;A Caixa patrocinava v\u00e1rios times de futebol, como o Flamengo. O Flamengo n\u00e3o precisa da Caixa. Quem precisa da Caixa? As popula\u00e7\u00f5es carentes e as que t\u00eam algum tipo de defici\u00eancia&#8221;. Mesmo sem a verba do banco estatal, o Flamengo empilhou t\u00edtulos: Campeonato Carioca, Brasileir\u00e3o, Libertadores, Supercopa do Brasil, Recopa Sul-Americana, e foi vice no Mundial de Clubes da Fifa contra o Liverpool.<\/p>\n<p>Quando vestiu a faixa presidencial, Bolsonaro anunciou que revisaria o investimento em publicidade e patroc\u00ednio da Caixa. \u201cTomamos conhecimento de que a Caixa gastou cerca de R$ 2,5 bilh\u00f5es em publicidade e patroc\u00ednio neste \u00faltimo ano. Um absurdo!\u201d, escreveu no Twitter, em 13 de dezembro de 2018, durante a transi\u00e7\u00e3o, em resposta a um relat\u00f3rio do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o publicado no fim de novembro daquele ano.<\/p>\n<p>O texto do TCU apontava \u201cirregular prorroga\u00e7\u00e3o de contratos de patroc\u00ednio\u201d. Acrescentava que os acordos \u201cn\u00e3o se constituem em servi\u00e7o de natureza cont\u00ednua\u201d. Dos 20 clubes da primeira divis\u00e3o em 2019, 12 eram turbinados pela verba da Caixa: Atl\u00e9tico-MG, Athletico-PR, Ava\u00ed, Bahia, Botafogo, Cear\u00e1, Cruzeiro, CSA, Flamengo, Fortaleza, Goi\u00e1s e Santos. Todos perderam o aporte financeiro.<\/p>\n<p>Curiosamente, Pedro Guimar\u00e3es aprovou num passado recente o repasse de dinheiro do Brasil Plural para as contas da dupla Fla-Flu. O banco privado at\u00e9 ofereceu projetos de parceria. Na gest\u00e3o do presidente Eduardo Bandeira de Mello, o Conselho de Administra\u00e7\u00e3o do Flamengo aprovou ao menos dois empr\u00e9stimos ao Plural. Na \u00e9poca, o vice-presidente de finan\u00e7as rubro-negro, Cl\u00e1udio Pracownik, ajudou a fazer o meio de campo. O dirigente do clube carioca tamb\u00e9m era s\u00f3cio minorit\u00e1rio e diretor da institui\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>Em reconstru\u00e7\u00e3o financeira \u00e0 \u00e9poca, o Flamengo turbinou as contas ao receber R$ 3 milh\u00f5es em 2015; e mais R$ 10 milh\u00f5es em 2016. A receita equilibrou o or\u00e7amento do clube. O primeiro dep\u00f3sito foi aplicado no pagamento dos sal\u00e1rios e encargos do departamento de futebol. O segundo ajudou a refor\u00e7ar o elenco no in\u00edcio da temporada 2017 \u2014 ano em que o t\u00e9cnico Muricy Ramalho assumiu a prancheta rubro-negra.<\/p>\n<p>Cl\u00e1udio Pracownik chegou a explicar publicamente a movimenta\u00e7\u00e3o financeira. \u201cN\u00e3o sou dono do banco, sou minorit\u00e1rio aqui, tenho 2% das a\u00e7\u00f5es. Buscamos outras op\u00e7\u00f5es no mercado, mas os outros bancos teriam que analisar o balan\u00e7o do Flamengo, ia demorar muito para sair o pagamento. A taxa de coloca\u00e7\u00e3o dos outros bancos geraria de 2% a 2,5%. Conversei com outros s\u00f3cios da Brasil Plural, e a maioria deles \u00e9 de rubro-negros, nos reunimos com o comit\u00ea de cr\u00e9dito e conseguimos o aval. Em vez de cobrar 2,5% de taxa de coloca\u00e7\u00e3o, conseguimos que o Brasil Plural cobre 0,5%, uma opera\u00e7\u00e3o abaixo do valor de mercado. Conseguimos tamb\u00e9m que o juros do CDI (Certificado de Dep\u00f3sito Interbanc\u00e1rio) ficasse em 150%. No mercado, queriam 175%. O Flamengo s\u00f3 vai pagar 150% de CDI se n\u00e3o pr\u00e9-pagar antes\u201d, explicou Pracownik, em 2016, ao portal <em>globoesporte.com<\/em>.<\/p>\n<p>Fundado em 2009, o Brasil Plural tamb\u00e9m emprestou dinheiro e ofereceu parcerias ao Fluminense e ao Gr\u00eamio. Em 2017, apresentou o conceito original de um fundo de investimento ultraconservador administrado pela institui\u00e7\u00e3o financeira. A ideia era que os tricolores se engajassem na aplica\u00e7\u00e3o, que teria um percentual direcionado ao clube carioca. A ideia tamb\u00e9m foi apresentada ao Flamengo e ao Gr\u00eamio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Siga o blogueiro no Twitter:<\/strong>\u00a0@mplimaDF<\/p>\n<p><strong>Siga o blogueiro no Instagram:<\/strong>\u00a0@marcospaul0lima<\/p>\n<p><strong>Siga o blog no Facebook:<\/strong>\u00a0https:\/\/www.facebook.com\/dribledecorpo\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se havia alguma expectativa por parte dos times de que a Caixa Econ\u00f4mica Federal repensasse a extin\u00e7\u00e3o do Programa de Apoio ao Futebol Brasileiro para ajud\u00e1-los a amenizar os preju\u00edzos financeiros causados pela pandemia do novo coronav\u00edrus, a esperan\u00e7a acabou. 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