{"id":15883,"date":"2020-06-15T22:20:26","date_gmt":"2020-06-16T01:20:26","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=15883"},"modified":"2020-06-15T22:20:26","modified_gmt":"2020-06-16T01:20:26","slug":"a-trajetoria-do-idolo-marinho-contada-pelo-historiador-e-torcedor-ilustre-do-bangu-carlos-molinari","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/a-trajetoria-do-idolo-marinho-contada-pelo-historiador-e-torcedor-ilustre-do-bangu-carlos-molinari\/","title":{"rendered":"A trajet\u00f3ria do craque Marinho lembrada pelo historiador e torcedor do Bangu Carlos Molinari"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_15884\" aria-describedby=\"caption-attachment-15884\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/a-trajetoria-do-idolo-marinho-contada-pelo-historiador-e-torcedor-ilustre-do-bangu-carlos-molinari\/digital-camera\/\" rel=\"attachment wp-att-15884\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15884 size-large\" src=\"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/06\/Marinho1-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15884\" class=\"wp-caption-text\">M\u00e1rio Jos\u00e9 dos Reis Emiliano, o Marinho: 23\/5\/1957 &#8211; 15\/06\/2020<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>POR CARLOS MOLINARI*<\/strong><\/p>\n<p><strong>Especial para o blog Drible de Corpo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Certa vez, em entrevista \u00e0 revista <em>Placar<\/em>, em 1985, Marinho \u2014 no auge da forma \u2014 perguntava aos leitores: \u201cMarinho \u00e9 ou n\u00e3o her\u00f3i?\u201d. O ponta-direita, praticamente sin\u00f4nimo dos bons tempos do Bangu, n\u00e3o se referia ao futebol, \u00e0s belas atua\u00e7\u00f5es que davam alegrias aos torcedores alvirrubros. O camisa 7 referia-se \u00e0 sua vida sofrida e que, enfim, ap\u00f3s muito batalhar, tinha conseguido virar a mesa.<\/p>\n<p>Nascido numa \u00e1rea pobre do bairro de Santa Ifig\u00eania, em Belo Horizonte, Marinho era o s\u00e9timo filho de uma lavadeira que, ao inv\u00e9s de roupas, lavava cad\u00e1veres no necrot\u00e9rio da pol\u00edcia mineira.<\/p>\n<p>O garoto passou fome, passou frio, foi catador no lix\u00e3o de Belo Horizonte, come\u00e7ou a andar com m\u00e1s companhias, at\u00e9 ser internado num reformat\u00f3rio da pol\u00edcia, em Pirapora.<\/p>\n<p>A vida de sofrimentos s\u00f3 come\u00e7ou a melhorar quando um massagista do Atl\u00e9tico-MG o levou para treinar nas categorias de base do \u201cGalo\u201d. N\u00e3o havia a certeza de que Marinho daria certo como jogador, mas era uma esperan\u00e7a de livr\u00e1-los das ruas, dos bares e do cigarro, que j\u00e1 come\u00e7ava a usar com 12 anos.<\/p>\n<p>Com a bola nos p\u00e9s, o \u201ccrioulinho\u201d agradou. Galgou espa\u00e7o no clube alvinegro e em 1975 \u2014 com 18 anos \u2014 era transformado em profissional, pelas m\u00e3os do t\u00e9cnico Tel\u00ea Santana.<\/p>\n<p>Em 1976, foi convocado para a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de amadores que iria disputar os Jogos Ol\u00edmpicos de Montreal. A carreira deslanchava, mas Marinho come\u00e7ava a se perder na fartura, nos pr\u00eamios, nos bichos. Com farra todos os dias, natural que o seu futebol fosse decaindo, ficasse na reserva do tima\u00e7o que o Atl\u00e9tico tinha montado e, em 1979, fosse vendido para o Am\u00e9rica de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (SP), onde teria que, praticamente recome\u00e7ar a carreira.<\/p>\n<p>No interior, Marinho brilhou. Foi vice-artilheiro do Campeonato Paulista de 1980; convocado para a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de Novos de 1981 e regressou para o Atl\u00e9tico-MG em 1982, por empr\u00e9stimo de cinco meses.<\/p>\n<p>Marinho era cobi\u00e7ado por grandes clubes. Gr\u00eamio, Internacional, Santos, Cruzeiro, Flamengo queriam o passe do ponta-direita, mas o presidente do Am\u00e9rica-SP n\u00e3o liberava o jogador por quantia nenhuma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15894\" aria-describedby=\"caption-attachment-15894\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/a-trajetoria-do-idolo-marinho-contada-pelo-historiador-e-torcedor-ilustre-do-bangu-carlos-molinari\/marinhoparaobangu\/\" rel=\"attachment wp-att-15894\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15894 size-large\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/06\/MarinhoparaoBangu-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/06\/MarinhoparaoBangu-768x1024.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/06\/MarinhoparaoBangu-225x300.jpg 225w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/06\/MarinhoparaoBangu-550x733.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/06\/MarinhoparaoBangu-230x307.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/06\/MarinhoparaoBangu.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15894\" class=\"wp-caption-text\">Melhor fase da carreira foi vestindo a camisa alvirrubra do Bangu<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>At\u00e9 que o Patrono do Bangu, Castor de Andrade, foi at\u00e9 S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto. Numa negocia\u00e7\u00e3o irritante, em que Castor era chamado de \u201cEsquilo de Andrade\u201d pelo tal de Birigui, o \u201chomem forte\u201d decidiu a quest\u00e3o colocando o rev\u00f3lver em cima da mesa com uma das m\u00e3os e assinando com a outra um cheque de CR$ 40 milh\u00f5es, mais o passe do ponta-direita Dreyfus.<\/p>\n<p>Em janeiro de 1983, Marinho chegou ao Rio com 300 mil cruzeiros no bolso e hospedagem no Hotel Plaza, por ordem do \u201chomem\u201d.<\/p>\n<p>No Bangu, Marinho demorou um tempo para se adaptar e deslanchar. Estreou durante o Campeonato Brasileiro da segunda divis\u00e3o de 1983 e passou em branco. S\u00f3 foi marcar o seu primeiro gol com a camisa alvirrubra num amistoso contra o Botafogo-PB, em Jo\u00e3o Pessoa. Mas, depois que se adaptou ao clima, ao grupo, foi um dos grandes nomes do time na campanha do Campeonato Carioca naquele ano. O time chegou em terceiro lugar, Marinho fez partidas incr\u00edveis, principalmente uma contra o Am\u00e9rica, no Maracan\u00e3, quando marcou dois gols. A vida come\u00e7ava a melhorar.<\/p>\n<p>Em 1984, fez um p\u00e9ssimo Campeonato Brasileiro da primeira divis\u00e3o, mas se regenerou ajudando o time a conquistar a XIV President\u00b4s Cup \u2013 um torneio internacional disputado na Cor\u00e9ia do Sul. No Carioca, foi o her\u00f3i de uma vit\u00f3ria por 2 x 1 sobre o Vasco, ao anotar os dois gols. Com boas apresenta\u00e7\u00f5es, Marinho era todo sorriso, tido como o jogador mais irreverente do futebol carioca. Soma-se a isto os bichos gordos de Castor de Andrade, que propiciaram a Marinho morar em um casar\u00e3o no bairro de Jacarepagu\u00e1.<\/p>\n<p>Seu grande ano foi realmente 1985, quando conquistou o pr\u00eamio de melhor jogador do Campeonato Brasileiro, ganhando a Bola de Ouro da revista Placar. O h\u00e1bil ponta-direita colocou o time nas costas durante a fase final e levou o Bangu \u00e0 decis\u00e3o contra o Coritiba. Antes, tinha acabado com o Brasil de Pelotas, nas semifinais, anotando dois gols bel\u00edssimos.<\/p>\n<p>O craque tinha a certeza do t\u00edtulo, assim como as 91 mil pessoas que lotaram o Maracan\u00e3 naquela noite de quarta-feira. Autor de 16 gols naquele Campeonato, Marinho era o vice-artilheiro do Brasileir\u00e3o. Em campo, jogou tudo que sabia.<\/p>\n<p>Com o placar empatado em 1 x 1, Marinho teve a chance de ouro aos 40 minutos do segundo tempo. Ele pegou a bola no meio de campo, driblou um, entrou na \u00e1rea e passou como quis pelo quase intranspon\u00edvel goleiro Rafael e viu o zagueiro Gomes embaixo da trave. Marinho fez o mais improv\u00e1vel: deu um leve toque por baixo das pernas do beque. Era um gola\u00e7o: Bangu 2 x 1 e campe\u00e3o brasileiro. O camisa 7 saiu para comemorar o gol que, com certeza, o levaria para a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, que consagraria sua carreira para sempre.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o estridente apito do \u00e1rbitro Romualdo Arppi Filho paralisou a festa dos banguenses. Alegou impedimento no lance, embora tenha demorado demais para marcar \u2014 s\u00f3 o fez quando a bola j\u00e1 estava dentro do gol \u2014 e ignorou por completo a marca\u00e7\u00e3o do auxiliar que correu para o meio validando o lance. Um momento triste, estranho, pol\u00eamico, que prejudicou imensamente o Bangu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15895\" aria-describedby=\"caption-attachment-15895\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/a-trajetoria-do-idolo-marinho-contada-pelo-historiador-e-torcedor-ilustre-do-bangu-carlos-molinari\/goldomarinho1985\/\" rel=\"attachment wp-att-15895\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-15895\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/06\/goldoMarinho1985.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/06\/goldoMarinho1985.jpg 960w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/06\/goldoMarinho1985-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/06\/goldoMarinho1985-768x432.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/06\/goldoMarinho1985-550x309.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/06\/goldoMarinho1985-230x129.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15895\" class=\"wp-caption-text\">Gol anulado de Marinho contra o Coritiba na final do Brasileir\u00e3o-1985: seria o do t\u00edtulo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Marinho ainda converteria sua cobran\u00e7a na hora das penalidades, mas o t\u00edtulo fugiu do Bangu. \u201cAquele gol ia me consagrar para o resto da vida\u201d \u2014 lamentava o craque em qualquer entrevista que dava.<\/p>\n<p>Mesmo valorizado, com o Flamengo tentando compr\u00e1-lo, Marinho continuou no Bangu para o Campeonato Carioca. Fez outra grande campanha at\u00e9 chegar \u00e0 final contra o Fluminense. O ponteiro fez 1 x 0, gol de cabe\u00e7a logo aos quatro minutos. O tricolor virou. No \u00faltimo minuto, Marinho fez um lan\u00e7amento de um campo a outro para Cl\u00e1udio Ad\u00e3o aproveitar. O centroavante foi derrubado na \u00e1rea, desta vez o \u201clar\u00e1pio\u201d era Jos\u00e9 Roberto Wright, que n\u00e3o marcou a falta. Marinho perdia, outra vez por causa da arbitragem, a chance de ganhar um t\u00edtulo em 1985.<\/p>\n<p>O erro (ou o roubo) custou a Marinho CR$ 60 milh\u00f5es, que seria o pr\u00eamio que Castor de Andrade pagaria ao seu melhor craque pela conquista.<\/p>\n<p>Apesar de tanto drama, Marinho era um profissional e em 1986 viveu outra frustra\u00e7\u00e3o. Foi convocado pelo t\u00e9cnico Tel\u00ea Santana para os treinamentos da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira. Estava no grupo que poderia ir \u00e0 Copa do Mundo do M\u00e9xico, mas n\u00e3o foi aproveitado. Fez apenas dois amistosos, chegou a marcar um gol de cabe\u00e7a diante da Finl\u00e2ndia, mas foi cortado pelo treinador. O craque estava acabado. Perdeu a cabe\u00e7a. Foi aos jornais e denunciou Tel\u00ea como \u201cracista\u201d, passou a peregrinar pelos bares, voltou a beber, a fumar, perdeu a alegria de jogar futebol. Pelo Bangu, fez uma temporada apagada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Final do Campeonato Brasileiro 1985 - HQ - COXA CAMPEAO DE 1985 - Coritiba x Bangu\" width=\"1333\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/g0GKb1JM8Y0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Voltou a jogar seu bom futebol em 1987, garantindo para o Bangu o t\u00edtulo da Ta\u00e7a Rio, referente ao segundo turno do Campeonato Carioca, e ainda ajudou o clube alvirrubro a chegar \u00e0s semifinais do Campeonato Brasileiro, perdendo para o Sport, que acabaria se tornando o pol\u00eamico campe\u00e3o daquele ano (em eterna disputa de tribunais com o Flamengo).<\/p>\n<p>Voltou a ser not\u00edcia de jornal, chegaram a dizer que Marinho estaria sendo negociado com o Paris Saint Germain da Fran\u00e7a pela quantia fenomenal de Cz$ 15 milh\u00f5es. J\u00e1 cansado de tantas frustra\u00e7\u00f5es com a bola, Marinho advertia em entrevista ao <em>O Globo<\/em>:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cPelo amor de Deus, que ningu\u00e9m bote olho grande na minha venda. Al\u00e9m do Paris Saint-Germain, existe um clube belga querendo comprar meu passe. Posso ir para qualquer clube da Europa, como tamb\u00e9m acabar ficando o resto da vida no Brasil, jogando no Flamengo&#8230; de Varginha\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Realmente, Marinho n\u00e3o foi para a Europa. No in\u00edcio de 1988, Castor de Andrade \u201cpresenteou\u201d o bicheiro Emil Pinheiro, do Botafogo, com os passes do ponta-direita, do zagueiro Mauro Galv\u00e3o e do meio-campo Paulinho Crici\u00fama. A negocia\u00e7\u00e3o n\u00e3o envolveu dinheiro e sim muitos pontos de bicho que eram de Emil e passaram a ser de Castor.<\/p>\n<p>No Botafogo, Marinho poderia decolar se n\u00e3o fosse outra trag\u00e9dia pessoal. Durante o Carnaval daquele ano, quando dava entrevista a uma emissora de tev\u00ea em sua mans\u00e3o, em Jacarepagu\u00e1, o filho Marlon, de um ano e sete meses, caiu dentro da piscina, ningu\u00e9m viu e o garotinho morreu afogado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15896\" aria-describedby=\"caption-attachment-15896\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/a-trajetoria-do-idolo-marinho-contada-pelo-historiador-e-torcedor-ilustre-do-bangu-carlos-molinari\/boladeouro\/\" rel=\"attachment wp-att-15896\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-15896\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/06\/boladeouro.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"528\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/06\/boladeouro.jpg 600w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/06\/boladeouro-300x264.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/06\/boladeouro-550x484.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/06\/boladeouro-230x202.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15896\" class=\"wp-caption-text\">Eleito o melhor jogador do Brasileir\u00e3o-1985 pela revista Placar<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A decep\u00e7\u00e3o foi enorme. Em pouco tempo, Marinho estava separado da esposa, tinha largado os treinos, abandonara a mans\u00e3o, passara a dormir dentro do Mercedes-Benz que tinha na \u00e9poca. Vivia bebendo e sequer tomava banho.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA Mercedes era minha casa e seu porta-malas, meu guarda-roupa. Ali eu dormia b\u00eabado\u201d, confessou o ponta.<\/p><\/blockquote>\n<p>No Botafogo, jamais conseguiu se fixar entre os titulares e durante o t\u00edtulo carioca do alvinegro, em 1989, Marinho disputou apenas tr\u00eas jogos. Estava descendo a ladeira. Jamais ganharia os mesmos sal\u00e1rios de antes.<\/p>\n<p>O futebol imitava a pr\u00f3pria vida e estava totalmente indefinido para o jogador. O alvinegro n\u00e3o queria mais o \u201cproblem\u00e1tico\u201d Marinho e ele voltou ao Bangu no segundo semestre de 1989. Foi agraciado com uma vaga na excurs\u00e3o \u00e0 Europa \u2014 sendo reserva de Gilson na ocasi\u00e3o \u2014, mas teve poucas chances durante o Campeonato Brasileiro da segunda divis\u00e3o daquele ano.<\/p>\n<p>Em 1990, voltou para outra paix\u00e3o antiga: o Am\u00e9rica de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto. No final do ano, retornou ao Bangu para a disputa da Ta\u00e7a Adolpho Bloch. Depois, foi jogar no desconhecido San Jos\u00e9 Oruro, da Bol\u00edvia, sua \u00fanica experi\u00eancia em clubes do exterior.<\/p>\n<p>O t\u00e9cnico Mois\u00e9s tentou traz\u00ea-lo para o Bangu, dar mais uma chance ao jogador em 1993, mas aos 35 anos e ap\u00f3s uma vida desregrada, Marinho fez apenas dois amistosos. Em 1994, novamente Mois\u00e9s tentou traz\u00ea-lo de volta ao mundo do futebol, novamente Marinho decepcionou, realizando apenas um jogo pelo alvirrubro durante o Campeonato Brasileiro da segunda Divis\u00e3o.<\/p>\n<p>A carreira j\u00e1 tinha acabado, mesmo assim, ainda assinou contrato com o Entrerriense, em 1995, e com o S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, em 1996. Em 1997, com 40 anos, fez suas \u00faltimas partidas pelo Bangu durante o Campeonato Carioca. Era um reserva de luxo, que entrava quando o jogo j\u00e1 estava decidido, s\u00f3 para o deleite dos torcedores mais saudosistas.<\/p>\n<p>O \u201cher\u00f3i\u201d dos anos 1980, o jogador que foi o melhor do pa\u00eds em 1985 e que tinha enfrentado tantas adversidades na vida, parava definitivamente. O dinheiro que tinha ganho nos tempos fartos de Castor acabara, surrupiado por m\u00e1s companhias e in\u00fameras bebedeiras. Marinho estava pobre de novo e passou a treinar times das categorias de base do pr\u00f3prio Bangu, do Ceres-RJ e do Juventus-RJ. Ensinava aos garotos que era preciso ter comprometimento com o futebol, n\u00e3o perder a cabe\u00e7a como ele e valorizar as oportunidades que aparecessem.<\/p>\n<p>Era um outro Marinho, o ponta que chegou a ser comparado com Garrincha. Era o \u00eddolo Marinho, o d\u00e9cimo maior artilheiro do Bangu, com 86 gols.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Todos os 86 gols de Marinho pelo Bangu<\/strong><\/p>\n<p>Vasco (6), \u00a0Fluminense (5), Bonsucesso (5), Desportiva (4), Volta Redonda (4), Am\u00e9rica (4), Brasil-RS (3), Goytacaz (3), Olaria (3), Porto Alegre-RJ (3), Flamengo (3), Sele\u00e7\u00e3o do Qatar (3), Le\u00f4nico (2), Lierse-BEL (2), Mixto (2), Madureira (2), Sobradinho (2), Campo Grande (2), Botafogo (2), Sport (2), Botafogo-PB (1), Campinense (1), Am\u00e9rica-SP (1), Rio Branco (1), Bahia (1), Sele\u00e7\u00e3o de Honduras (1), Bayer Leverkusen-ALE (1), Friburguense (1), Corumbaense (1), Uberl\u00e2ndia (1), Villa Nova-MG (1), Sele\u00e7\u00e3o da Cor\u00e9ia do Sul (1), Sele\u00e7\u00e3o do Iraque (1), Internacional (1), Americano (1), Entrerriense (1), Deportivo Quito-EQU (1), Mesquita (1), Barcelona-EQU (1), Joinville (1), Portuguesa-RJ (1), Cabofriense (1), Vit\u00f3ria (1), Selecionado de Valen\u00e7a (1).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Historiador e jornalista, Carlos Molinari \u00e9 autor dos livros <a href=\"https:\/\/www.bangu.net\/informacao\/livros\/almanaquedobangu\/apresentacao.php\">Almanaque do Bangu<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.bangu.net\/informacao\/livros\/nosequesomosbanguenses\/apresentacao.php\">N\u00f3s \u00e9 que somos banguenses<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.bangu.net\/informacao\/livros\/olivrodoscraques\/apresentacao.php\">O livro dos craques<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Siga no Twitter:<\/strong>\u00a0@mplimaDF<\/p>\n<p><strong>Siga no Instagram:<\/strong>\u00a0@marcospaulolimadf<\/p>\n<p><strong>Siga no Facebook:<\/strong>\u00a0https:\/\/www.facebook.com\/dribledecorpo\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; POR CARLOS MOLINARI* Especial para o blog Drible de Corpo &nbsp; Certa vez, em entrevista \u00e0 revista Placar, em 1985, Marinho \u2014 no auge da forma \u2014 perguntava aos leitores: \u201cMarinho \u00e9 ou n\u00e3o her\u00f3i?\u201d. O ponta-direita, praticamente sin\u00f4nimo dos bons tempos do Bangu, n\u00e3o se referia ao futebol, \u00e0s belas atua\u00e7\u00f5es que davam alegrias aos torcedores alvirrubros. 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