{"id":16065,"date":"2020-05-12T00:00:33","date_gmt":"2020-05-12T03:00:33","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=15499"},"modified":"2020-11-25T16:27:09","modified_gmt":"2020-11-25T19:27:09","slug":"no-dia-do-enfermeiro-a-historia-de-sue-carpenter-personagem-do-ultimo-tango-de-maradona-na-historia-das-copas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/no-dia-do-enfermeiro-a-historia-de-sue-carpenter-personagem-do-ultimo-tango-de-maradona-na-historia-das-copas\/","title":{"rendered":"No Dia do Enfermeiro, a hist\u00f3ria de Sue Carpenter, personagem do \u00faltimo tango de Diego Maradona na hist\u00f3ria das Copas do Mundo"},"content":{"rendered":"<p>Vinte e cinco de junho de 1994. Foxboro Stadium, Boston. A Argentina de Alfio Basile estava embalada pela goleada por 4 x 0 pela Gr\u00e9cia na fase de grupos da Copa dos Estados Unidos e acabara de derrotar a Nig\u00e9ria por 2 x 1, com direito a assist\u00eancia de Maradona para o belo gol da virada marcado pelo atacante Claudio Caniggia \u2014 de triste mem\u00f3ria para o futebol brasileiro. Ao t\u00e9rmino da partida, D10S deixa o campo de m\u00e3os dadas com uma suposta enfermeira. Sue Carpenter \u00e9 quem aparece ao lado do craque nas tev\u00eas dos mundo inteiro e nas p\u00e1ginas dos jornais no dia seguinte.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a dela em campo \u00e9 ideia do doutor Roberto Peidr\u00f3, segundo m\u00e9dico da comiss\u00e3o t\u00e9cnica da Argentina na Copa de 1994. Come\u00e7ava ali a hist\u00f3ria de uma teoria da conspira\u00e7\u00e3o. Sue Carpenter virou a &#8220;enfermeira&#8221; que levou Maradona embora da Copa. Quem esperava ver Maradona novamente em campo contra a Bulg\u00e1ria na terceira rodada lamentou que o triunfo sobre a Nig\u00e9ria entrasse para a hist\u00f3ria como a \u00faltima das 91 exibi\u00e7\u00f5es do craque vestindo o uniforme da sele\u00e7\u00e3o bicampe\u00e3 do mundo.<\/p>\n<p>Maradona havia sido flagrado no exame antidoping. Testara positivo para efedrina. O maestro do tima\u00e7o que contava com Diego Simeone, Fernando Redondo, Gabriel Batistuta e Claudio Caniggia, liderados pelo t\u00e9cnico Alfio Basile, tinha 33 anos. A mesma idade de Sue Carpenter. A enfermeira norte-americana nascida em Los Angeles ocupava o cargo de auxiliar do controle de doping da Fifa. O livro <em>El \u00daltimo Maradona<\/em>, escrito pelos jornalistas argentinos Alejandro Wall e Andr\u00e9s Burgo, aponta que Sue n\u00e3o era enfermeira e chegou a ganhar da Fifa o pseud\u00f4nimo de Ingrid Maria a fim de proteg\u00ea-la dos ataques depois durante e depois da Copa de 1994.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>O livro <em>El \u00daltimo Maradona<\/em>, escrito pelos jornalistas argentinos Alejandro Wall e Andr\u00e9s Burgo, aponta que Sue n\u00e3o era enfermeira e chegou a ganhar da Fifa o pseud\u00f4nimo de Ingrid Maria a fim de proteg\u00ea-la dos ataques depois durante e depois da Copa de 1994. Ela era apenas auxiliar do departamento de doping da entidade m\u00e1xima do futebol no Mundial e revelaria o nome verdadeiro durante a participa\u00e7\u00e3o nos Jogos Ol\u00edmpicos de Atlanta-1996<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sue Carpenter surgiu de branco no gramado. Ficou ao lado do jogador na entrevista p\u00f3s-jogo em campo. Um policial escoltava os dois numa cena no m\u00ednimo intrigante. O \u00eddolo argentino questiona aquela cena na autobiografia <em>Yo soy el Diego de la gente<\/em>. \u201cViram algum outro jogador que foram buscar para lev\u00e1-lo ao antidoping? E eu fui, fui como um tonto&#8221;, desabafou. Maradona havia sido sorteado para o exame na presen\u00e7a de assessores da Fifa, agentes de seguran\u00e7a e dos m\u00e9dicos da Nig\u00e9ria e da Argentina.<\/p>\n<p>\u201cEu sorteei os n\u00fameros da Nig\u00e9ria e o m\u00e9dico nigeriano os n\u00fameros da Argentina. Saiu o 10 da nossa sele\u00e7\u00e3o. Era o Maradona. As bolinhas n\u00e3o estavam frias, nada desse tipo. Eram bolinhas comuns que o m\u00e9dico nigeriano botou a m\u00e3o e escolheu. Ele tirou a 10, assim como tamb\u00e9m saiu a n\u00famero 2, do V\u00e1zquez\u201d, contou o doutor Peidr\u00f3, em 2014, numa entrevista exclusiva ao canal de televis\u00e3o argentino TyC.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico da Argentina deu a vers\u00e3o dele sobre a presen\u00e7a da enfermeira em campo. \u201cA loira esperava o fim do jogo com tr\u00eas companheiras e sem saber que Maradona tinha sido sorteado. N\u00e3o havia nada at\u00edpico at\u00e9 ent\u00e3o: a Copa dos Estados Unidos foi a \u00fanica em que, por uma disposi\u00e7\u00e3o particular, um policial e uma auxiliar \u2014 essas garotas vestidas como se trabalhassem em um hospital \u2014 deveriam entrar em campo para acompanhar os jogadores do campo at\u00e9 a sala de controle. Achar que apenas houve &#8216;enfermeira&#8217; para Maradona \u00e9 um erro. E tamb\u00e9m uma vitimiza\u00e7\u00e3o: houve &#8216;enfermeira&#8217; para os quatro jogadores sorteados em cada uma das partidas do torneio&#8221;, esclarece Peidr\u00f3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Eu me preparei muito bem para esta Copa, eu me preparei como nunca. Isso d\u00f3i muito porque eles cortaram as minhas pernas, acertaram na minha cabe\u00e7a quando eu tenho a oportunidade de ressurgir. Porque quando eu me droguei, fui at\u00e9 o juiz e disse; \u2018Sim, me droguei. O que eu preciso pagar?\u2019 E paguei&#8221;<br \/>\n<strong>Diego Armando Maradona,<\/strong> ap\u00f3s o corte na Copa do Mundo 1994<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O profissional da comiss\u00e3o t\u00e9cnica da Argentina acrescentou: \u201cGeralmente, elas esperavam os jogadores quando eles estavam saindo. Nesse est\u00e1dio (Foxboro), o vesti\u00e1rio estava em uma ponta e a sala de controle em outra. Era preciso avis\u00e1-los ainda em campo porque n\u00e3o era permitido passar pelo vesti\u00e1rio antes&#8221;, pondera Peidr\u00f3.<\/p>\n<p>\u00c0 espera do fim da partida, Sue Carpenter conversou com Peidr\u00f3 \u00e0 beira do campo. Disse que tinha sido casada com um argentino de sobrenome Rodr\u00edguez. &#8220;N\u00f3s come\u00e7amos a conversar ali, na linha lateral, e ela tinha sido casada com um argentino. N\u00e3o conhecia a Argentina e me contava que sonhava em conhecer um lugar chamado Congreso, porque seu ex-marido era de l\u00e1. Ela me perguntou o que significava Congreso e eu expliquei que era um bairro de Buenos Aires\u201d, relatou o m\u00e9dico em entrevista ao La Naci\u00f3n.<\/p>\n<p>A conversa foi interrompida pelo apito final do \u00e1rbitro sueco Bo Karlsson. mas bastou para que Sue Carpenter fosse encorajada pelo m\u00e9dico a pisar no gramado para buscar Maradona. \u201cEu digo a ela que me acompanhasse e se colocasse ao lado dele porque sairia em todos os jornais&#8221;, conta Peidr\u00f3. Assustado, Maradona questionou o delegado da partida sobre a identidade daquela mulher. O chileno Harold Mayne Nicholls esclareceu: &#8220;Est\u00e1 tudo em ordem, Diego. Ela \u00e9 do controle antidoping e vai te acompanhar&#8221;, informou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEu morri de d\u00f3 quando vi, pela televis\u00e3o, que ele chorava. Eu me sinto culpada de algo que n\u00e3o fiz. Esse \u00e9 o meu trabalho&#8221;<br \/>\n<strong>Sue Carpenter,<\/strong> em entrevista ao El Pa\u00eds<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao saber a identidade de Sue Carpenter, Maradona tentou ser gentil. \u201cFoi um mito essa hist\u00f3ria de que a enfermeira o segurou pela m\u00e3o e o levou embora. Se voc\u00eas voltarem a ver as imagens, v\u00e3o perceber que \u00e9 ele quem segura a m\u00e3o dela&#8221;, explicou doutor Peidr\u00f3.<\/p>\n<p>O t\u00e9cnico Alfio Basile chegou a contar que houve um movimento pela defesa de Maradona. &#8220;At\u00e9 o presidente da Rep\u00fablica (\u00e0 \u00e9poca Carlos Menem) me telefonou. N\u00f3s \u00edamos fazer a defesa, est\u00e1vamos falando sobre isso quando disseram que havia uma liga\u00e7\u00e3o para mim. Atendi. Era o Julio (Grondona). Ele me disse; \u2018Coco, n\u00e3o venham. A defesa est\u00e1 descartada\u2019.&#8221;<\/p>\n<p>O zagueiro Oscar Ruggeri sustenta a teoria da conspira\u00e7\u00e3o. \u201cTiraram a gente daquela Copa. Foi algum acerto que o Grondona fez e eu n\u00e3o sei o que ele fez\u2026 Essa m\u00e1fia toda que est\u00e1 presa agora. E os que n\u00e3o est\u00e3o presos, est\u00e3o l\u00e1 em cima (mortos)&#8221;, disse o ex-zagueiro, que recuperou a faixa de capit\u00e3o ap\u00f3s o corte de Maradona da Copa do Mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Nv8iOZd1zSk\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Nv8iOZd1zSk<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Siga o blogueiro no Twitter:<\/strong>\u00a0@mplimaDF<\/p>\n<p><strong>Siga o blogueiro no Instagram:<\/strong>\u00a0@marcospaul0lima<\/p>\n<p><strong>Siga o blog no Facebook:<\/strong>\u00a0https:\/\/www.facebook.com\/dribledecorpo\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vinte e cinco de junho de 1994. Foxboro Stadium, Boston. 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