{"id":17547,"date":"2020-11-15T08:31:06","date_gmt":"2020-11-15T11:31:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=17547"},"modified":"2020-11-15T08:32:01","modified_gmt":"2020-11-15T11:32:01","slug":"entrevista-flavio-augusto-um-bate-papo-com-o-proprietario-do-orlando-city","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/entrevista-flavio-augusto-um-bate-papo-com-o-proprietario-do-orlando-city\/","title":{"rendered":"Entrevista: Fl\u00e1vio Augusto | Um bate-papo com o propriet\u00e1rio do Orlando City"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 quem conte os dias para o adeus a 2020. N\u00e3o \u00e9 o caso do Orlando City. Prestes a comemorar seis anos, o clube da Major League Soccer lan\u00e7ado em 19 de novembro de 2013 curte ano inovador e aben\u00e7oado. Em parceira com a Disney, elaborou a bolha que permitiu a retomada segura do futebol profissional nos Estados Unidos em meio \u00e0 pandemia no torneio MLS is Back. O mentor da ideia \u00e9 o carioca Fl\u00e1vio Augusto da Silva. Aos 48 anos, o empres\u00e1rio fundador da Wise Up \u00e9 um dos dois propriet\u00e1rios estrangeiros de equipes da MLS. Avaliado em R$ 2,2 bilh\u00f5es, o Orlado City influenciou at\u00e9 a NBA. A liga de basquete copiou a bolha da MLS. Em entrevista ao <strong>Blog<\/strong>, o empres\u00e1rio festeja os resultados em campo. Foi vice do MLS is Back. Tem a terceira melhor campanha da MLS. Flamenguista, Fl\u00e1vio fala sobre a amizade com Jorge Jesus, elogia o ex-t\u00e9cnico rubro-negro Dom\u00e8nec Torrent e critica a estrutura pol\u00edtica do futebol brasileiro. Para ele, a cria\u00e7\u00e3o de uma liga \u00e9 utopia e o pa\u00eds segue sendo nada mais que celeiro de craques.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Orlando City criou a bolha do torneio MLS is Back. A NBA copiou e deu certo. Como foi isso?<\/strong><br \/>\nMarcou a nossa volta ao campo. O Orlando criou o projeto da bolha. Negociou com a Disney e com a ESPN World Wide Sports, onde foi o evento. Criamos a log\u00edstica. A gente apresentou para a liga e validou. A NBA copiou no mesmo lugar. Fizemos excelente torneio (MLS is Back) e perdemos a final para o Portland. A curva de constru\u00e7\u00e3o e estrutura\u00e7\u00e3o de um time \u00e9 longa, mas, no quinto ano, chegamos a uma final&#8221;. Com a quinta melhor campanha geral na temporada regular, quarta na Confer\u00eancia Leste, o Orlando City ter\u00e1 pela frente o New York City nos playoffs.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os protocolos da MLS e da NBA s\u00e3o sucesso. Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o houve caso no Orlando. Nashville e Dallas tiveram no MLS is Back e nem participaram. Foram eliminados. A gente tem um protocolo muito r\u00edgido. Eu n\u00e3o posso falar pessoalmente com jogador, t\u00e9cnico, n\u00e3o posso ir ao centro de treinamento. O que acontece no Brasil \u00e9 que o cara quer ir l\u00e1 e vai. A\u00ed vai dar pau. Eu s\u00f3 n\u00e3o posso como n\u00e3o quero. A regra quem faz somos n\u00f3s. E seguimos. Somos donos da liga. Se n\u00e3o tiver um protocolo s\u00e9rio, o torneio n\u00e3o acontece. Nosso time n\u00e3o quer comprometer o ano inteiro por causa de bobagem. No est\u00e1dio, temos 20 c\u00e2meras. Cada um no seu lugar. As fam\u00edlias aglomeradas e com espa\u00e7o entre elas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O protocolo do Brasileir\u00e3o \u00e9 bom?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o conhe\u00e7o detalhes e n\u00e3o sei se est\u00e3o cumprindo. Atrevo-me a dizer, sem saber, conhecendo brasileiro, que o protocolo \u00e9 razo\u00e1vel para bom e as pessoas d\u00e3o jeitinho, n\u00e3o cumprem. N\u00e3o acho que \u00e9 um problema de protocolo, embora eu ache que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o rigoroso como deveria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A seguran\u00e7a jur\u00eddica pesou para investir nos EUA e n\u00e3o no Brasil?<\/strong><br \/>\nNo Brasil, nem se eu quisesse d\u00e1. N\u00e3o posso ser dono do Flamengo. N\u00e3o tem como. N\u00e3o existe investir. Sou patrocinador que troco visibilidade pelo patroc\u00ednio; ou eu sou diretor; n\u00e3o tem o dono do clube. Entendi que aqui \u00e9 um modelo que me d\u00e1 seguran\u00e7a jur\u00eddica. Sou dono n\u00e3o somente do clube, mas da MLS. N\u00e3o tem a figura da federa\u00e7\u00e3o desalinhada, da CBF desalinhada. Somos uma coisa s\u00f3. A gente tinha a NFL, NBA e a MLB como refer\u00eancias de ligas que deram certo nos EUA. Estou h\u00e1 seis anos na MLS. \u00c9 o quinto ano jogando. H\u00e1 modelo de empresa, de igualdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Atrevo-me a ter dizer, conhecendo brasileiro, que o protocolo (do Brasileir\u00e3o) \u00e9 razo\u00e1vel para bom e as pessoas d\u00e3o jetinho, n\u00e3o cumprem&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Brasil pode construir uma liga?<\/strong><br \/>\nA coisa est\u00e1 organizada no Brasil para ser de outra forma. N\u00e3o tem ningu\u00e9m interessado em mudar isso. Para montar a liga, voc\u00ea precisa ter as pessoas querendo, com interesses alinhados a isso. Hoje, o futebol no Brasil \u00e9 pol\u00edtica. As minhas decis\u00f5es no Orlando n\u00e3o est\u00e3o relacionadas ao fato de eu ser eleito. Se der qualquer vari\u00e1vel e o clube se endividar, quem paga sou eu. O diretor (no Brasil) n\u00e3o paga nada. A bomba explode nas m\u00e3os do outro. \u00c9 pol\u00edtica. O cara trabalha para ser reeleito. N\u00e3o h\u00e1 plataforma administrativa, objetiva. O Flamengo rompeu com isso na gest\u00e3o do Bandeira (de Mello), agora com o Landim, tamb\u00e9m, e come\u00e7ou a ter sucesso no futebol. Aparece um cara legal e faz, mas daqui a pouco surge outro e destr\u00f3i.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea toparia ajudar a fundar uma liga no Brasil, ser o CEO&#8230;<\/strong><br \/>\nTrabalhar como executivo n\u00e3o teria interesse. Ajudar a pensar, sim. Mas ajudar quem? N\u00e3o tem quem queira ajuda. Est\u00e1 tudo bom. N\u00e3o tem jeito. Ou \u00e9 privado ou \u00e9 pol\u00edtico. O privado tem um dono. Quem \u00e9 o dono? O cara que paga a conta. Ou \u00e9 o p\u00fablico, ningu\u00e9m paga a conta. Tem um certo estigma de que o privado vai dar lucro e outro que tem a corrup\u00e7\u00e3o. Vamos olhar para a Premier League: a maioria dos clubes \u00e9 privado. A liga inglesa \u00e9 o melhor exemplo. \u00c9 uma mudan\u00e7a muito mais profunda. O Brasil \u00e9 \u00f3timo celeiro de talentos. Ficamos por a\u00ed por enquanto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Kak\u00e1 deixou legado no Orlando?<\/strong><br \/>\nFicou tr\u00eas temporadas. Conduta irretoc\u00e1vel. Participou do nascimento do clube. Em cinco anos. Temos dois centros de treinamento, 12 campos oficiais, est\u00e1dio pr\u00f3prio. A gente \u00e9 um beb\u00ea grand\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A MLS tamb\u00e9m \u00e9 grata a ele&#8230;<\/strong><br \/>\nO Kak\u00e1 teve a import\u00e2ncia, tamb\u00e9m, de botar a liga no mapa mundial. Isso colaborou muito para o crescimento econ\u00f4mico da liga no sentido de atrairmos mais aten\u00e7\u00e3o. Desde ent\u00e3o, al\u00e9m de Kak\u00e1, Pirlo, Villa, Ibrahimovic e outros passaram por aqui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Quem aprende a vender nunca mais arruma emprego. Deixa de vender a hora dele para vender o que quiser. O patr\u00e3o dele vira ele. Sou muito forte nessas convic\u00e7\u00f5es&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o falta um t\u00e9cnico brasileiro?<\/strong><br \/>\nTivemos uma influ\u00eancia inglesa no clube. Esse ciclo levou tr\u00eas anos. Acabou e contratamos um diretor de futebol brasileiro (Luiz Muzzi). Ele \u00e9 o chefe do treinador. Fizemos a op\u00e7\u00e3o de trazer o Oscar Pareja, um colombiano que havia sido campe\u00e3o e trabalhado com o Muzzi no FC Dallas. Oscar \u00e9 excepcional. Pode treinar um time brasileiro, europeu. Poucos pegam o que tem e melhoram. \u00c9 o caso do Dom\u00e8nec Torrent. Pegou o New York City e melhorou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por falar no Dome, como o avalia?<\/strong><br \/>\nAcompanho o trabalho do t\u00e9cnico do Flamengo desde a Espanha. \u00c9 um bom treinador, mas n\u00e3o \u00e9 provado e aprovado como \u00e9 o Jorge Jesus. Eu morava em Portugal quando ele ganhou tudo no Benfica. S\u00f3 n\u00e3o ganhou a final na Copa da Uefa contra o Sevilla (em 2014). Eu estava l\u00e1, vi o jogo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fala sobre a amizade com Jesus&#8230;<\/strong><br \/>\nViajei com a delega\u00e7\u00e3o do Benfica (para a final da Copa Uefa, em 2014). Fomos (para Turim, na It\u00e1lia) no mesmo avi\u00e3o fretado pelo clube. Perdemos para o Sevilla. Na hora de ir embora, jogadores, comiss\u00e3o t\u00e9cnica, patrocinadores, diretoria e convidados, eu estava junto, dormimos nas cadeiras do aeroporto. O avi\u00e3o deu problema. Foi um pesadelo. Essa \u00e9 a minha experi\u00eancia com o Jesus. Ele \u00e9 provado e aprovado. Dom\u00e8nec Torrent \u00e9 bom, mas vamos ver se aguenta a torcida do Flamengo, que cobra (o treinador foi demitido no \u00faltimo dia 8\/11 ap\u00f3s ser goleado pelo Atl\u00e9tico-MG, no Mineir\u00e3o, pelo Brasileir\u00e3o, e Rog\u00e9rio Ceni assumiu o cargo).<\/p>\n<p><strong>A torcida do Fla inclui voc\u00ea&#8230;<\/strong><br \/>\nSou flamenguista. Fui ao Catar (para o Mundial). Visitei o centro de treinamento. Perdemos, mas o passeio foi \u00f3timo. A d\u00e9cada de 1980 me fez torcer pelo Flamengo. Vi Zico jogar com aquele time campe\u00e3o mundial (em 1981). Ouvia o time jogar no r\u00e1dio de pilha. N\u00e3o ia muito ao Maracan\u00e3. Morava longe, na periferia, em Jabour, entre Bangu e Sant\u00edssimo. Era muito distante, barra pesada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Para montar liga no Brasil, precisa ter pessoas com interesses alinhados. O futebol no Brasil \u00e9 pol\u00edtica. Se o Orlando City se endividar, quem paga sou eu. Diretor, no Brasil, n\u00e3o paga nada&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Come\u00e7ou a empreender em Jabour?<\/strong><br \/>\nEra o contr\u00e1rio. Eu tinha que sair do bairro para o centro do Rio. Era uma jornada de cinco horas por dia entre ida e volta usando transporte p\u00fablico. Era muito duro. Hoje, trabalho de casa, h\u00e1 11 anos. Pego tr\u00e2nsito de um minuto e meio do quarto ao escrit\u00f3rio para compensar. Decidi morar em Orlando. Vou ao Brasil uma vez por m\u00eas. S\u00e3o oito horas para ir e oito para voltar. Isso dava tr\u00eas dias de tr\u00e2nsito. Morar nos EUA e ir ao Brasil \u00e9 mais perto do que ir todo dia de onde eu morava para o centro do Rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais foram as li\u00e7\u00f5es de Jabour?<\/strong><br \/>\nEu diria que a quest\u00e3o da batalha, do jogo de cintura. O brasileiro \u00e9 um guerreiro quando ele entende o seu valor, aprende, principalmente, a vender. Eu sempre falo de vender porque o cara que aprende a vender nunca mais arruma um emprego. Ele vai deixar de vender a hora dele para vender o que ele quiser. O patr\u00e3o dele vira ele. Sou muito forte nessas convic\u00e7\u00f5es. Aprender a vender me deu ferramentas para come\u00e7ar a empreender. Eu n\u00e3o tinha dinheiro para abrir um neg\u00f3cio, mas sabia vender. Quem vende traz dinheiro para dentro. Arrumei um dinheirinho para fazer a primeira montagem do neg\u00f3cio, mas depois tinha que vender. Se n\u00e3o vendesse a gente morreria. Era a parte que eu sabia fazer. A gente conseguiu come\u00e7ar, crescemos e a Wise Up virou o que virou, com mais de 400 escolas.<\/p>\n<p><strong>Foi da Wise Up ao Orlando City&#8230;<\/strong><br \/>\nN\u00e3o precisei nem trocar. Fiquei com os dois. Primeiro, eu vendi (a Wise Up), comprei o clube e depois recomprei a escola. O clube apareceu porque eu estava morando aqui (em Orlando). Meu filho jogava e comecei a observar um interesse muito grande do americano pelo futebol. Os EUA viviam um fen\u00f4meno. Pesquisei sobre a liga. Em 2012, havia mais p\u00fablico na MLS do que no Brasileir\u00e3o. Investi nisso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Planeja vender o Orlando City?<\/strong><br \/>\nSempre falo que o \u00e1pice do sucesso de um empreendedor \u00e9 quando ele vende o neg\u00f3cio dele. As pessoas acham que vendeu porque alguma coisa deu errado. \u00c9 o contr\u00e1rio. Vendeu porque deu t\u00e3o certo que algu\u00e9m quis comprar. \u00c9 uma evolu\u00e7\u00e3o natural de um empreendedor. \u00c9 uma filosofia que eu tenho sobre neg\u00f3cios, mas n\u00e3o significa que eu tenha data para vender um neg\u00f3cio X ou Y. Quando vendi a Wise Up, estava no auge dela. Algu\u00e9m pagou quase R$ 1 bilh\u00e3o. Se estivesse mal, n\u00e3o valeria isso tudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/entrevista-flavio-augusto-um-bate-papo-com-o-proprietario-do-orlando-city\/arquivo-pessoal\/\" rel=\"attachment wp-att-17549\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-17549 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/11\/Arquivo-pessoal-683x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/11\/Arquivo-pessoal-683x1024.jpg 683w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/11\/Arquivo-pessoal-200x300.jpg 200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/11\/Arquivo-pessoal-768x1152.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/11\/Arquivo-pessoal-800x1200.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/11\/Arquivo-pessoal-550x825.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/11\/Arquivo-pessoal-230x345.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2020\/11\/Arquivo-pessoal.jpg 984w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center\">&#8220;Sou da periferia. Falar para mim que pegar cinco horas de \u00f4nibus ida e volta (de Jabour ao centro Rio), chegar na empresa para trabalhar ao lado do colega que pegou metr\u00f4 no ar-condicionado e, em 10 minutos, est\u00e1 l\u00e1, descansado, e eu no baga\u00e7o, est\u00e1 tudo bem, n\u00e3o est\u00e1 tudo bem! N\u00e3o \u00e9 culpa dele nem minha. Mas justo, n\u00e3o&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Idioma trava t\u00e9cnico brasileiro?<\/strong><br \/>\nTreinador brasileiro tem que parar com essa hist\u00f3ria de que n\u00e3o quer falar ingl\u00eas. Atrapalha. Os treinadores portugueses, como Jos\u00e9 Mourinho, falam ingl\u00eas. O Dom fala ingl\u00eas e portugu\u00eas.<\/p>\n<p><strong>O que esperar da Copa-2026?<\/strong><br \/>\nOitenta por cento da Copa ser\u00e1 nos EUA e 20% dividido entre Canad\u00e1 e M\u00e9xico. At\u00e9 l\u00e1, o futebol e o p\u00fablico nos EUA explodem. De 2020 a 2026, a curva vai se acentuar. Um novo boom.<\/p>\n<p><strong>Aprovaria uma Libertadores das Am\u00e9ricas do Sul, Norte e Central?<\/strong><br \/>\nSou contra. Existe uma dist\u00e2ncia geogr\u00e1fica entre determinados times da MLS e outros da America do Sul maior do que uma viagem de S\u00e3o Paulo a Londres. Imagina um jogo entre Vancouver (Canad\u00e1) e Ros\u00e1rio (Argentina). \u00c9 logisticamente invi\u00e1vel. A ideia seria legal numa realidade ut\u00f3pica. Na pr\u00e1tica, \u00e9 invi\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que acha do Black Lives Matter?<\/strong><br \/>\nOs EUA t\u00eam um problema at\u00e9 mais profundos do que no Brasil em rela\u00e7\u00e3o ao racismo. Aqui, vivemos em um pa\u00eds em que houve segrega\u00e7\u00e3o. No Brasil, mesmo com a escravid\u00e3o, n\u00e3o tivemos segrega\u00e7\u00e3o. Quando a gente fala em escravid\u00e3o, pensamos em um s\u00e9culo distante. Aqui essas marcas s\u00e3o bem profundas. Sempre que h\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, isso vem a tona muito forte. \u00d3bvio que isso \u00e9 usado no Fla-Flu pol\u00edtico, guerra de poder, polariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como lidam com o movimento?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s, propriet\u00e1rios, apoiamos a iniciativa dos jogadores. Demos liberdade, espa\u00e7o nos sites, manifesta\u00e7\u00e3o nos jogos, camisa. Total apoio. Recebemos jogadores na \u00faltima reuni\u00e3o dos donos. Eles propuseram outras a\u00e7\u00f5es e aprovamos. Vejo de fora manifesta\u00e7\u00e3o leg\u00edtima. Os atletas americanos negros dominam o esporte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Considera que h\u00e1 politiza\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 pol\u00edtico do ponto de vista do Fla-Flu. \u00c9 do ponto de vista da manifesta\u00e7\u00e3o social, no que chamam de basta. Sou de periferia. Falar que eu pegar cinco horas de \u00f4nibus (de Jabour ao centro do Rio), chegar ao trabalho, sentar ao lado de um colega que pegou metr\u00f4 no ar-condicionado e, em 10 minutos, estava descansado, e eu no baga\u00e7o, est\u00e1 tudo bem, n\u00e3o est\u00e1! N\u00e3o \u00e9 culpa dele nem minha. Mas justo, n\u00e3o \u00e9. Agora, transformar isso em Fla-Flu, n\u00e3o gosto. Voc\u00ea n\u00e3o ver\u00e1 jogador nosso se ajoelhando no hino dos EUA. \u00c9 falta de respeito ao pa\u00eds do qual alguns de n\u00f3s n\u00e3o fazemos parte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Siga no Twitter:<\/strong>\u00a0@mplimaDF<\/p>\n<p><strong>Siga no Instagram:<\/strong>\u00a0@marcospaulolimadf<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quem conte os dias para o adeus a 2020. N\u00e3o \u00e9 o caso do Orlando City. Prestes a comemorar seis anos, o clube da Major League Soccer lan\u00e7ado em 19 de novembro de 2013 curte ano inovador e aben\u00e7oado. 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