{"id":18303,"date":"2021-02-12T08:00:37","date_gmt":"2021-02-12T11:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=18303"},"modified":"2021-02-12T09:39:02","modified_gmt":"2021-02-12T12:39:02","slug":"entrevista-marcelo-segurado-como-a-sociologia-e-a-geografia-ajudam-o-executivo-do-goias-a-gerenciar-o-elenco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/entrevista-marcelo-segurado-como-a-sociologia-e-a-geografia-ajudam-o-executivo-do-goias-a-gerenciar-o-elenco\/","title":{"rendered":"Entrevista: Marcelo Segurado | Como a sociologia e a geografia ajudam o executivo a gerenciar o Goi\u00e1s"},"content":{"rendered":"<p><em>Aos 56 anos, o executivo de futebol goiano Marcelo Segurado, 56 anos, \u00e9 uma das apostas do novo presidente do Goi\u00e1s, Paulo Rog\u00e9rio Pinheiro, para o processo de reestrutura\u00e7\u00e3o\u00a0do clube. Quando assumiu o cargo, em outubro do ano passado, o primeiro desafio do profissional era manter o time alviverde vivo at\u00e9 a \u00faltima rodada do Campeonato Brasileiro na luta contra o rebaixamento. Isso ainda \u00e9 poss\u00edvel. A chance de queda \u00e9 de 93%. Vencer Botafogo e Bragantino, em casa; e o Vasco, em S\u00e3o Janu\u00e1rio, \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o basta. H\u00e1 necessidade de secar Vasco, Bahia, Fortaleza e Sport na disputa contra a queda. <\/em><\/p>\n<p><em>Paralelamente \u00e0 espera por um milagre, Marcelo Segurado planeja a nova temporada do time. Espera retomar os bons tempos da primeira passagem pelo clube. Na \u00e9poca, levou o Goias ao bicampeonato goiano, ao t\u00edtulo da S\u00e9rie B e ao sexto lugar no Brasileir\u00e3o 2013. O Goi\u00e1s tamb\u00e9m chegou \u00e0 final da Copa S\u00e3o Paulo de Futebol J\u00fanior em 2013. <\/em><\/p>\n<p><em>Na entrevista a seguir ao <strong>blog<\/strong>, o executivo formado em sociologia e geografia conta como a ci\u00eancia o ajuda a lidar com as demandas do dia a dia do Goi\u00e1s. Um dos respons\u00e1veis pela consolida\u00e7\u00e3o do Cear\u00e1 na primeira divis\u00e3o do Brasileir\u00e3o, ele fala da amizade com Hail\u00e9 Pinheiro, pai do atual presidente esmeraldino e critica o atual sistema do futebol brasileiro. Sem papas na l\u00edngua, detona a &#8220;MP do Flamengo&#8221; ao cham\u00e1-la de ilus\u00e3o, critica o comportamento esnobe de alguns cartolas nas reuni\u00f5es entre os clubes na CBF e se posiciona contra a moda de contratar treinadores estrangeiros. <\/em><\/p>\n<p><em>Boa leitura!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A sua primeira passagem pelo Goi\u00e1s, de 2011 a 2014, levou o Goi\u00e1s ao bicampeonato goiano em 2012 e 2013, ao t\u00edtulo da S\u00e9rie B em 2012 e ao sexto lugar na S\u00e9rie A 2013. \u00c9 poss\u00edvel repetir ou ir al\u00e9m desse desempenho neste novo ciclo no clube?<\/strong><\/p>\n<p>Quando assumi em 2011, n\u00f3s est\u00e1vamos em um momento delicado, na parte inferior da tabela na S\u00e9rie B. Fizemos alguns ajustes, conseguimos a perman\u00eancia e chegamos at\u00e9 a brigar pelo acesso \u00e0 S\u00e9rie A. A partir disso, montamos um planejamento para 2012 e 2013 que gerou \u00f3timos resultados. Apesar da situa\u00e7\u00e3o na tabela neste ano ser parecida, as dificuldades fora de campo s\u00e3o maiores. Para conquistarmos um ciclo vitorioso, n\u00f3s iremos, com o suporte do presidente Paulo Rog\u00e9rio Pinheiro, realizar um planejamento para profissionalizar o clube, melhorar a infraestrutura e aprimorar a parte tecnol\u00f3gica do Goi\u00e1s, para colhermos bons frutos esportivos e administrativos nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que o motivou a retornar ao Goi\u00e1s como executivo de futebol em parceria com o Harlei?<\/strong><br \/>\nAo receber o convite do senhor Hail\u00e9 Pinheiro, conversamos sobre o clube. O que me motivou foi o desafio de tentar manter o Goi\u00e1s na primeira divis\u00e3o. Quando assumimos, o time era o \u00faltimo colocado, com uma dist\u00e2ncia de 12 pontos para o primeiro fora da zona de rebaixamento. N\u00f3s buscamos estabelecer uma estrat\u00e9gia para potencializar as nossas chances. Reduzimos o elenco, ajustamos alguns detalhes e continuamos acreditando na perman\u00eancia do clube na s\u00e9rie A para a pr\u00f3xima temporada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando o senhor assumiu, em 2011, o Goi\u00e1s estava \u00e0 beira da S\u00e9rie C. Agora, arrisca cair para a B. Qual foi o momento mais delicado?<\/strong><br \/>\nO momento atual \u00e9 o mais delicado. N\u00f3s fizemos a reestrutura\u00e7\u00e3o do nosso elenco em tr\u00eas meses, com poucas op\u00e7\u00f5es de contrata\u00e7\u00e3o. Trouxemos cinco refor\u00e7os, subimos jogadores da base e dispensamos aproximadamente 20 atletas que n\u00e3o tinham identifica\u00e7\u00e3o com o clube e n\u00e3o mereciam vestir a camisa do Goi\u00e1s. Reestruturar o time durante a temporada \u00e9 algo muito complexo. Foi preciso muito empenho e dedica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O senhor deixou o Goi\u00e1s em 2014. Como foram as experi\u00eancias fora do clube e o per\u00edodo de aperfei\u00e7oamento profissional?<\/strong><br \/>\nEm 2014, n\u00f3s fizemos um campeonato sem sustos, tranquilo. A base do time foi formada pelo nosso sub-20, vice-campe\u00e3o da Copa S\u00e3o Paulo de 2013. Era um momento de reestrutura\u00e7\u00e3o financeira do clube, com poucos investimentos, e n\u00f3s fizemos uma boa campanha. Ap\u00f3s a minha sa\u00edda, fiz cursos de gest\u00e3o, interc\u00e2mbios em clubes para agregar conhecimento, e me preparei durante dois anos, na expectativa de novas oportunidades. Em 2016, eu recebi o convite para fazer parte do planejamento e reestrutura\u00e7\u00e3o do Cear\u00e1, que, hoje, colhe \u00f3timos resultados, consequentes da sua estrutura\u00e7\u00e3o. Vale lembrar que, no Cear\u00e1, fui bicampe\u00e3o em 2017\/2018, conseguimos o acesso depois de 10 anos e tamb\u00e9m a perman\u00eancia pela primeira vez na S\u00e9rie A por quatro anos consecutivos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Ap\u00f3s a minha sa\u00edda, fiz cursos de gest\u00e3o, interc\u00e2mbios em clubes para agregar conhecimento, e me preparei durante dois anos, na expectativa de novas oportunidades. Em 2016, eu recebi o convite para fazer parte do planejamento e reestrutura\u00e7\u00e3o do Cear\u00e1, que, hoje, colhe \u00f3timos resultados, consequentes da sua estrutura\u00e7\u00e3o. Vale lembrar que, no Cear\u00e1, fui bicampe\u00e3o em 2017\/2018, conseguimos o acesso depois de 10 anos e tamb\u00e9m a perman\u00eancia pela primeira vez na S\u00e9rie A por quatro anos consecutivos<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o seu projeto para o Goi\u00e1s?<\/strong><br \/>\nMeu projeto a curto prazo \u00e9 lutar pela perman\u00eancia na S\u00e9rie A. Quando n\u00f3s chegamos estava dif\u00edcil de enxergar uma luz no fim do t\u00fanel, mas hoje isso se tornou poss\u00edvel. A m\u00e9dio e a longo prazo, a nossa ideia \u00e9 n\u00e3o repetir erros que s\u00e3o comuns no futebol brasileiro. Utilizaremos crit\u00e9rios r\u00edgidos e bem definidos para a contrata\u00e7\u00e3o de jogadores, escolha de comiss\u00e3o t\u00e9cnica e staff. A potencializa\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de tecnologia e informa\u00e7\u00e3o do clube e qualifica\u00e7\u00e3o dos nossos profissionais tamb\u00e9m s\u00e3o prioridades para a nossa gest\u00e3o. Nosso plano \u00e9 aproveitar melhor a nossa base. O Goi\u00e1s \u00e9 um clube formador, com uma estrutura excepcional, cultura de lan\u00e7ar novos craques no mercado do futebol. Sendo assim, o nosso planejamento, estando na S\u00e9rie A ou na B, ser\u00e1 de contrata\u00e7\u00f5es pontuais, uso de atletas da base, qualifica\u00e7\u00e3o de profissionais e investimento em tecnologia e informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Glauber Ramos e Augusto continuar\u00e3o no clube ou o Goi\u00e1s ir\u00e1 ao mercado?<\/strong><br \/>\nO Glauber e o Augusto est\u00e3o fazendo um trabalho que dificilmente seria realizado por outros treinadores. A reformula\u00e7\u00e3o foi feita com jogadores da base que eles j\u00e1 conheciam. Isso tornou a aquisi\u00e7\u00e3o de resultados mais r\u00e1pida. Sou contra a troca r\u00e1pida de treinadores. Quando voc\u00ea contrata um t\u00e9cnico, precisa ter convic\u00e7\u00e3o no trabalho desse profissional. O clube precisa tra\u00e7ar seus objetivos e buscar profissionais que se encaixam nesse perfil. Eu acompanho o trabalho da nossa comiss\u00e3o, \u00e9 muito bem feito, e eu acredito muito no sucesso deles no mercado brasileiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Meu projeto a curto prazo \u00e9 lutar pela perman\u00eancia na S\u00e9rie A. Quando n\u00f3s chegamos estava dif\u00edcil de enxergar uma luz no fim do t\u00fanel, mas hoje isso se tornou poss\u00edvel. A m\u00e9dio e a longo prazo, a nossa ideia \u00e9 n\u00e3o repetir erros que s\u00e3o comuns no futebol brasileiro. Utilizaremos crit\u00e9rios r\u00edgidos e bem definidos para a contrata\u00e7\u00e3o de jogadores, escolha de comiss\u00e3o t\u00e9cnica e staff. A potencializa\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de tecnologia e informa\u00e7\u00e3o do clube e qualifica\u00e7\u00e3o dos nossos profissionais tamb\u00e9m s\u00e3o prioridades para a nossa gest\u00e3o. Nosso plano \u00e9 aproveitar melhor a nossa base<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Goi\u00e1s nunca teve treinador estrangeiro. O senhor \u00e9 a favor da moda que pegou no Brasil com o sucesso de Jorge Jesus, Abel Ferreira e Jorge Sampaoli?<\/strong><br \/>\nQuanto \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o de estrangeiros, eu sou contra qualquer tipo de modismo, mas entendo que eles agregam conhecimento ao nosso futebol com novas ideias e filosofias. O Jesus, o Abel e o Sampaoli vieram para equipes de boa estrutura, com bons times, e conseguiram \u00f3timos resultados. Outros estrangeiros n\u00e3o tiveram o mesmo sucesso. N\u00f3s temos bons profissionais no Brasil e fora, mas a mentalidade de futebol profissional por aqui, baseada no resultado, precisa ser reformulada. Alguns treinadores brasileiros jogam pelo pr\u00f3ximo jogo, porque se eles n\u00e3o tiverem um bom resultado, ser\u00e3o demitidos. A constru\u00e7\u00e3o da ideia atual, baseada no resultado, e a cren\u00e7a de que se o time ganhou est\u00e1 tudo perfeito e se perdeu est\u00e1 tudo errado precisam mudar. Isso passa pelos dirigentes, torcedores e pela imprensa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Goi\u00e1s \u00e9 a maior pot\u00eancia do Centro-Oeste, mas passa por um momento financeiro dif\u00edcil. Quais s\u00e3o os seus planos para ajudar a amenizar a crise econ\u00f4mica do clube?<\/strong><br \/>\nNo ano passado, todos os clubes do Brasil enfrentaram dificuldades, e o planejamento financeiro do in\u00edcio de 2020 n\u00e3o conseguiu ser executado, por isso enfrentamos um momento dif\u00edcil. Mas a nova gest\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 trabalhando essa quest\u00e3o. Os sal\u00e1rios est\u00e3o em dia, a nossa d\u00edvida \u00e9 uma das menores no futebol brasileiro e hoje temos um equil\u00edbrio excelente entre receitas e despesas. O nosso maior problema foram as escolhas do futebol, com contrata\u00e7\u00f5es sem crit\u00e9rios de atletas e comiss\u00e3o t\u00e9cnica que custaram caro aos cofres do clube. O maior impacto financeiro do Goi\u00e1s foram os erros de planejamento no futebol.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que explica a ascens\u00e3o do Cuiab\u00e1, a manuten\u00e7\u00e3o do Atl\u00e9tico-GO na S\u00e9rie A e o iminente rebaixamento do Goi\u00e1s. Por que a distribui\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no Centro-Oeste mudou?<\/strong><br \/>\nA expans\u00e3o econ\u00f4mica do Centro-Oeste \u00e9 muito recente, e a evolu\u00e7\u00e3o dos clubes de futebol acompanha o fortalecimento financeiro da Regi\u00e3o. \u00c9 preciso apenas que o crescimento seja sustent\u00e1vel. N\u00e3o adianta subir e, logo depois, cair. Em 2015, Santa Catarina tinha quatro clubes na S\u00e9rie A, e em 2020 n\u00e3o teve nenhum. Temos o Vila Nova em um momento promissor; o Atl\u00e9tico-GO que se reestruturou, est\u00e1 bem administrado, e tem tudo para continuar na S\u00e9rie A; o Cuiab\u00e1, com um bom projeto, e precisa entender que a S\u00e9rie A e B s\u00e3o duas competi\u00e7\u00f5es muito diferentes em n\u00edvel de estrutura, investimento, e para conseguir se manter na primeira divis\u00e3o precisa entender as diferen\u00e7as entre as competi\u00e7\u00f5es o quanto antes e se preparar adequadamente. Nosso clube foi pioneiro na Regi\u00e3o, nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980, e saiu na frente da maioria dos clubes no quesito organiza\u00e7\u00e3o. Hoje, a nossa estrutura de futebol est\u00e1 entre as sete melhores do Brasil. A crise atual \u00e9 consequ\u00eancia de erros de planejamento. O Goi\u00e1s \u00e9 um clube tradicional da S\u00e9rie A, disputou campeonatos internacionais, foi vice-campe\u00e3o da Copa Sul-Americana e tem tudo para voltar a ser a grande for\u00e7a do Centro-Oeste.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/entrevista-marcelo-segurado-como-a-sociologia-e-a-geografia-ajudam-o-executivo-do-goias-a-gerenciar-o-elenco\/goias-3\/\" rel=\"attachment wp-att-18307\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-18307 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2021\/02\/Goias-1-576x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"576\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2021\/02\/Goias-1-576x1024.jpg 576w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2021\/02\/Goias-1-169x300.jpg 169w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2021\/02\/Goias-1-550x978.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2021\/02\/Goias-1-230x409.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2021\/02\/Goias-1.jpg 720w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote><p>Quanto \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o de estrangeiros, eu sou contra qualquer tipo de modismo, mas entendo que eles agregam conhecimento ao nosso futebol com novas ideias e filosofias. O Jesus, o Abel e o Sampaoli vieram para equipes de boa estrutura, com bons times, e conseguiram \u00f3timos resultados. Outros estrangeiros n\u00e3o tiveram o mesmo sucesso. N\u00f3s temos bons profissionais no Brasil e fora, mas a mentalidade de futebol profissional por aqui, baseada no resultado, precisa ser reformulada<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Houve um tempo em que havia a disputa da Copa Centro-Oeste. Inclusive, o Goi\u00e1s conquistou tr\u00eas das quatro edi\u00e7\u00f5es. O senhor \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 retomada daquela competi\u00e7\u00e3o como ferramenta de desenvolvimento dos clubes da regi\u00e3o?<\/strong><br \/>\nO calend\u00e1rio brasileiro atual n\u00e3o permite novas competi\u00e7\u00f5es. O calend\u00e1rio precisa ser reformulado. \u00c9 preciso achar um formato mais adequado para que os clubes disputem as competi\u00e7\u00f5es em alto n\u00edvel. O foco n\u00e3o deve ser na cria\u00e7\u00e3o de novas competi\u00e7\u00f5es, mas de mudan\u00e7as no formato atual para que os clubes possam competir com qualidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sem o Serra Dourada, o Est\u00e1dio da Serrinha virou uma esp\u00e9cie de al\u00e7ap\u00e3o do Goi\u00e1s mesmo sem torcida. O Goi\u00e1s planeja continuar mandando jogos na casa pr\u00f3pria no novo normal? Quais s\u00e3o as vantagens e desvantagens de mandar partidas de ponta na Serrinha? Algum plano de monetizar com naming rights?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma tend\u00eancia natural os clubes terem os seus pr\u00f3prios est\u00e1dios, suas pr\u00f3prias arenas, em virtude da demanda do futebol brasileiro. Eu sou totalmente a favor. A Serrinha \u00e9 a casa do Goi\u00e1s. Temos que mandar os nossos jogos l\u00e1, tem que ser o nosso al\u00e7ap\u00e3o, e o Serra Dourada precisa passar por uma adequa\u00e7\u00e3o, se modernizar. Eu acho muito dif\u00edcil isso acontecer por uma quest\u00e3o de investimento p\u00fablico. N\u00e3o sei se h\u00e1 interesse do governo do estado em fazer isso. Acredito que, para acontecer, necessitaria de investimentos privados para o Serra Dourada estar preparado para grandes jogos com grandes p\u00fablicos. A vantagem de ter uma arena pr\u00f3pria \u00e9 que ela se torna uma fonte de receitas n\u00e3o s\u00f3 pelo futebol, mas tamb\u00e9m por meio de eventos e diminui\u00e7\u00e3o de custos com impostos e alugu\u00e9is. Em rela\u00e7\u00e3o a naming rights, n\u00e3o vejo que seja vi\u00e1vel atualmente. Nosso \u00fanico desejo \u00e9 que ele se torne o nosso est\u00e1dio e seja temido pelos advers\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Goi\u00e1s sempre foi um clube revelador. Quando n\u00e3o ganhava dinheiro com pratas da casa, era com jogadores que se destacavam no clube, como Michael, Ara\u00fajo, Dimba, Grafite, Josu\u00e9, T\u00falio Maravilha e tantos outros. \u00c9 poss\u00edvel resgatar essa excelente fama do clube?<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m de sempre ter sido um clube revelador, o Goi\u00e1s tamb\u00e9m resgatou v\u00e1rios jogadores para o cen\u00e1rio do futebol brasileiro em fun\u00e7\u00e3o da sua estrutura, das condi\u00e7\u00f5es que a cidade oferece. N\u00f3s sempre tivemos exemplos de jogadores que brilharam no cen\u00e1rio nacional, como Dimba, Paulo Baier, Grafite, L\u00e9o Lima, jogadores que vieram, se deram muito bem e ascenderam para o futebol brasileiro e mundial. N\u00f3s formamos atletas como Fernand\u00e3o, T\u00falio Maravilha, Ara\u00fajo, Rafael Tol\u00f3i, a gama de jogadores formados pelo Goi\u00e1s \u00e9 muito grande. Por isso, acredito que \u00e9 poss\u00edvel resgatar essa excel\u00eancia, que nunca deixou de existir. O Fernand\u00e3o, por exemplo, vem sendo comentado no Brasil inteiro e antes de chegar ao Goi\u00e1s estava esquecido no Bahia. Ele est\u00e1 fazendo um grande campeonato mesmo com o time oscilando em alguns momentos, e vem se destacando. O Goi\u00e1s \u00e9 tradicionalmente um clube revelador e culturalmente projeta bons nomes para o futebol brasileiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Sobre a \u2018MP do Flamengo\u2019, eu sou contra e entendo que ela \u00e9 uma cat\u00e1strofe para os clubes menores. Uma equipe como o Goi\u00e1s teria um bom retorno de venda em 5 ou 6 partidas das 38 no ano, que s\u00e3o os confrontos contra os grandes times do pa\u00eds, capazes de atrair o interesse das emissoras. N\u00f3s ter\u00edamos que buscar solu\u00e7\u00f5es como vender para mais de um canal, e as cotas teriam serem melhor distribu\u00eddas para que os menores tenham mais condi\u00e7\u00f5es de ter investimento para a montagem do elenco e estrutura e, a partir disso, conseguir competir. Essa MP \u00e9 uma ilus\u00e3o e v\u00e1rios times entraram nesse sonho<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os executivos de futebol est\u00e3o cada vez mais em evid\u00eancia no mercado. Alguns mais at\u00e9 do que jogadores e t\u00e9cnicos. O que explica essa mudan\u00e7a de conceito?<\/strong><br \/>\nO executivo, gerente, gestor, exerce fun\u00e7\u00e3o que n\u00e3o deve ser de exposi\u00e7\u00e3o, mas de organiza\u00e7\u00e3o, suporte, diminui\u00e7\u00e3o dos erros e solu\u00e7\u00e3o dos problemas. Ultimamente, houve grande exposi\u00e7\u00e3o do cargo, que \u00e9 de suma import\u00e2ncia nos clubes por possuir um papel centralizador, em que todos os problemas do clube afetam o departamento de futebol, e o executivo precisa estar preparado para resolv\u00ea-los. Ele \u00e9 o elo de todos os departamentos do clube, e tudo passa pelas m\u00e3os dos executivos de futebol. Eu acredito que essa exterioriza\u00e7\u00e3o acontece em fun\u00e7\u00e3o da profissionaliza\u00e7\u00e3o do futebol no Brasil. Ela exige que os clubes tenham profissionais cada vez mais qualificados para lidar com a press\u00e3o do cargo, similar \u00e0 cobran\u00e7a enfrentada por jogadores, treinadores e presidentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O senhor \u00e9 soci\u00f3logo e ge\u00f3grafo. Por que decidiu migrar para o futebol?<\/strong><br \/>\nA minha trajet\u00f3ria com o futebol se encontra na minha hist\u00f3ria pessoal. Meu pai foi um grande jogador, o primeiro \u00eddolo da hist\u00f3ria do Goi\u00e1s. A hist\u00f3ria da fam\u00edlia Segurado se entrela\u00e7a com a do clube, que praticamente foi fundado na casa da minha v\u00f3. Meus tios mais velhos tamb\u00e9m jogaram no Goi\u00e1s e participaram desse processo de constru\u00e7\u00e3o do clube. Era na casa da minha av\u00f3 que aconteciam as reuni\u00f5es. Ela lavava a roupa de jogo dos atletas no come\u00e7o, cozinhava para os jogadores, ent\u00e3o eu cresci no meio do futebol, joguei nas categorias de base daqui e quando terminei o Ensino M\u00e9dio, prestei o vestibular, passei a trabalhar em escolas, mas sempre estive envolvido com o futebol. Eu dava aulas de geografia, depois fui estudar sociologia, que era algo que me chamava aten\u00e7\u00e3o, gostei muito e por isso minha vida foi sempre dentro desses dois pilares. Comecei a dar aula em 1986 e me mantive envolvido com o futebol. S\u00e3o minhas duas paix\u00f5es, a bola e a sala de aula.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como as forma\u00e7\u00f5es em sociologia e geografia o ajudam no dia a dia do futebol?<\/strong><br \/>\nEstar em sala de aula trabalhando com jovens e adolescentes proporciona um feedback muito positivo. Auxilia na intera\u00e7\u00e3o com os atletas e com as pessoas do meu conv\u00edvio, porque o professor ensina ao mesmo tempo que aprende, e essa experi\u00eancia que eu tive com os alunos me deu uma habilidade muito grande de gest\u00e3o de pessoas. Na minha vis\u00e3o, \u00e9 a minha grande qualidade como executivo de futebol. Eu me tornei muito habilidoso na gest\u00e3o de pessoas e de conflitos. Isso me ajuda muito no vesti\u00e1rio e no cotidiano do futebol. A geografia e a sociologia ajudam mais nesse aspecto, mas obviamente que tamb\u00e9m o fato de estudar a sociedade, comportamento social, a quest\u00e3o do espa\u00e7o geogr\u00e1fico, favorece o entendimento em muitos aspectos. Busco compreender as dificuldades dos atletas, visto que muitos cresceram em dificuldades sociais. Por isso, essa ideia sociol\u00f3gica que eu adquiri permite uma compreens\u00e3o muito maior do lado humano, a capacidade de enxergar o jogador como ser-humano, e n\u00e3o como mercadoria. Analiso o jogador como um ser que possui suas dificuldades, tristezas, decep\u00e7\u00f5es e individualidades, e as ci\u00eancias humanas me d\u00e3o essa consci\u00eancia de humanidade, principalmente nesse momento em que essa compreens\u00e3o se encontra escassa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>O executivo, gerente, gestor, exerce fun\u00e7\u00e3o que n\u00e3o deve ser de exposi\u00e7\u00e3o, mas de organiza\u00e7\u00e3o, suporte, diminui\u00e7\u00e3o dos erros e solu\u00e7\u00e3o dos problemas. Ultimamente, houve grande exposi\u00e7\u00e3o do cargo, que \u00e9 de suma import\u00e2ncia nos clubes por possuir um papel centralizador, em que todos os problemas do clube afetam o departamento de futebol, e o executivo precisa estar preparado para resolv\u00ea-los. Eu acredito que essa exterioriza\u00e7\u00e3o acontece em fun\u00e7\u00e3o da profissionaliza\u00e7\u00e3o do futebol no Brasil. Ela exige que os clubes tenham profissionais cada vez mais qualificados para lidar com a press\u00e3o do cargo, similar \u00e0 cobran\u00e7a enfrentada por jogadores, treinadores e presidentes<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O jogador \u00e9 tratado como rob\u00f4s?<\/strong><br \/>\nAs pessoas falam dos atletas como se fossem m\u00e1quinas que n\u00e3o podem errar. Esses jovens muitas vezes n\u00e3o t\u00eam apoio suficiente para suportar. Por isso, sempre me fiz presente nesse aspecto. Essa consci\u00eancia \u00e9 fruto de uma heran\u00e7a que tenho da \u00e9poca de professor e das ci\u00eancias humanas, que me tornaram mais compreensivo e me ajudaram a saber lidar com profissionais das mais diversas \u00e1reas, tanto do staff, quanto da comiss\u00e3o e da diretoria. S\u00e3o indiv\u00edduos de camadas sociais diferentes, pensamentos distintos e origens diferentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por falar em geografia, acha poss\u00edvel, um dia, que um clube de fora do eixo Rio-S\u00e3o Paulo-Minas-Rio Grande do Sul conquiste o Campeonato Brasileiro nos pontos corridos?<\/strong><br \/>\nAcho dific\u00edlimo que times do Centro-Oeste, Nordeste e Sul, com exce\u00e7\u00e3o de Gr\u00eamio e Inter, ganhem o campeonato. A disparidade econ\u00f4micas e de divis\u00e3o de cotas s\u00e3o muito grandes. Analisando o Goi\u00e1s, Fortaleza, Cear\u00e1, Atl\u00e9tico-GO, s\u00e3o times que disputam um campeonato com advers\u00e1rios que possuem or\u00e7amentos at\u00e9 15 vezes maiores. \u00c9 humanamente imposs\u00edvel competir nesse contexto. Isso poderia acontecer em outros cen\u00e1rios, como j\u00e1 aconteceu com o Athletico-PR, Bahia, Sport, mas em outros formatos. Pontos corridos, n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00c9 contra ou a favor do atual formato?<\/strong><br \/>\nEssa forma de disputa parte do princ\u00edpio da meritocracia, o que eu discordo, porque ela s\u00f3 deve ser usada quando todos largam na mesma condi\u00e7\u00e3o. Se todos tivessem a mesma estrutura seria poss\u00edvel competir. Caso contr\u00e1rio, isso n\u00e3o existe. Da maneira que \u00e9 hoje, fica imposs\u00edvel competir no mesmo n\u00edvel. Estamos caminhando a passos largos para um campeonato similar ao espanhol, com no m\u00e1ximo tr\u00eas times pretendentes ao t\u00edtulo. O Brasil est\u00e1 assim e isso n\u00e3o \u00e9 bom. Somos um pa\u00eds continental. Temos uma popula\u00e7\u00e3o de mais de 210 milh\u00f5es de habitantes, com diferen\u00e7as regionais, e deveria haver um processo mais igualit\u00e1rio. O capitalismo determina que eles devem ser mais valorizados, mas essa estrutura pode engolir a eles mesmos, visto que o desaparecimento de clubes m\u00e9dios faz com que eles percam for\u00e7a. O grande deixa de ser grande quando n\u00e3o h\u00e1 mais o m\u00e9dio e o pequeno. Defendo uma divis\u00e3o de receitas mais equilibrada para que o campeonato se torne mais justo e disputado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>A geografia e a sociologia ajudam mais nesse aspecto, mas obviamente que tamb\u00e9m o fato de estudar a sociedade, comportamento social, a quest\u00e3o do espa\u00e7o geogr\u00e1fico, favorece o entendimento em muitos aspectos. Busco compreender as dificuldades dos atletas, visto que muitos cresceram em dificuldades sociais. Por isso, essa ideia sociol\u00f3gica que eu adquiri permite uma compreens\u00e3o muito maior do lado humano, a capacidade de enxergar o jogador como ser-humano, e n\u00e3o como mercadoria. Analiso o jogador como um ser que possui suas dificuldades, tristezas, decep\u00e7\u00f5es e individualidades, e as ci\u00eancias humanas me d\u00e3o essa consci\u00eancia de humanidade, principalmente nesse momento em que essa compreens\u00e3o se encontra escassa.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que pensa sobre a cria\u00e7\u00e3o de uma Liga Nacional nos moldes das europeias? O que o futebol brasileiro ainda precisa aprender com a organiza\u00e7\u00e3o do Velho Mundo?<\/strong><br \/>\nComparar o Brasil com os Estados Unidos ou a Europa \u00e9 complicado. S\u00e3o sociedades diferentes. Apesar da globaliza\u00e7\u00e3o, s\u00e3o outros comportamentos. O que n\u00f3s temos que ter no Brasil \u00e9 uma postura \u00e9tica maior, isso em todas esferas, pol\u00edtica, esportiva e na sociedade em geral. Em rela\u00e7\u00e3o a essas federa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o bols\u00f5es de empregos, sem altern\u00e2ncia de poder, sempre com as mesmas pessoas, fica dif\u00edcil fazer algo diferente porque as ideias n\u00e3o mudam. Sou a favor da cria\u00e7\u00e3o de uma liga dos clubes para que eles se fortale\u00e7am e tenham mais for\u00e7a para discutir e buscar receitas, sejam elas da televis\u00e3o, da iniciativa privada, das institui\u00e7\u00f5es ou dos patrocinadores. O Goi\u00e1s, o Bahia e o Cuiab\u00e1 sozinhos n\u00e3o dar\u00e3o conta de competir com Palmeiras e Flamengo na capta\u00e7\u00e3o de recursos. \u00c9 muito dif\u00edcil, hoje, pensar em um cen\u00e1rio de clubes pensando juntos, mas \u00e9 necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Imposs\u00edvel<\/b><strong>\u00a0ent\u00e3o?<\/strong><br \/>\nA reuni\u00e3o da CBF \u00e9 uma confer\u00eancia de vaidades na qual os presidentes dos principais clubes sequer cumprimentam os mandat\u00e1rios das equipes menores. Isso enfraquece a constru\u00e7\u00e3o da ideia de uni\u00e3o. O que temos que buscar do modelo de organiza\u00e7\u00e3o europeu \u00e9, principalmente, a mudan\u00e7a de comportamento de querer levar vantagem em cima dos outros, porque essa postura vai para o futebol. \u00c9 por isso que esses 5 ou 6 principais clubes do pa\u00eds querem buscar as coisas baseadas nos seus interesses, sem tentar entender a necessidade dos outros clubes e buscar uma divis\u00e3o mais justa, eles se consideram mais importantes, falta intelig\u00eancia social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O sistema \u00e9 ultrapassado&#8230;<\/strong><br \/>\nO sistema capitalista s\u00f3 vai funcionar se houver equil\u00edbrio. Em cen\u00e1rios com disparidades, ele tende a acabar, e o futebol brasileiro est\u00e1 nesse caminho. Eu n\u00e3o acredito mais que teremos um campe\u00e3o mundial. O \u00faltimo vai ser o Corinthians (2012) e ponto. N\u00f3s n\u00e3o temos como concorrer com as pot\u00eancias europeias. Para conseguir competir com eles precisamos mudar a nossa mentalidade. Precisa ser mais corporativa, mais justa. O embri\u00e3o era o Clube dos 13, mas tamb\u00e9m foi finalizado por conta de vaidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>A reuni\u00e3o da CBF \u00e9 uma confer\u00eancia de vaidades na qual os presidentes dos principais clubes sequer cumprimentam os mandat\u00e1rios das equipes menores. Isso enfraquece a constru\u00e7\u00e3o da ideia de uni\u00e3o. O que temos que buscar do modelo de organiza\u00e7\u00e3o europeu \u00e9, principalmente, a mudan\u00e7a de comportamento de querer levar vantagem em cima dos outros, porque essa postura vai para o futebol. \u00c9 por isso que esses 5 ou 6 principais clubes do pa\u00eds querem buscar as coisas baseadas nos seus interesses, sem tentar entender a necessidade dos outros clubes e buscar uma divis\u00e3o mais justa. Eles se consideram mais importantes. Falta intelig\u00eancia social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que pensa sobre temas da pol\u00edtica esportiva como clube-empresa, profut&#8230;<\/strong><br \/>\nO clube-empresa depende muito de como vai ser feito, por exemplo: O RedBull tinha um projeto no Brasil, e como n\u00e3o alcan\u00e7ou o objetivo de chegar na primeira divis\u00e3o, resolveram encurtar o caminho comprando o Bragantino. Eles possuem um projeto na Alemanha que deu certo, tem na \u00c1ustria, nos Estados Unidos e s\u00f3 n\u00e3o deu certo no Brasil. Como aqui n\u00e3o bateram as metas, fizeram o aluguel de um clube para chegar na S\u00e9rie A. Eu n\u00e3o acredito que esse formato vai dar certo. Uma hora vai ter um choque de interesses e dar errado. Se for ter um projeto de clube-empresa aqui no pa\u00eds, acho muito dif\u00edcil que os clubes com formatos de conselho e modelos administrativos estabelecidos deem certo. Eu penso que transformar o clube em uma empresa n\u00e3o \u00e9 o caminho. Voc\u00ea tem que profissionalizar o setor administrativo e os departamentos do clube. A administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser realizada por apaixonados pelo futebol. Para gerir uma equipe, precisa ser profissional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o estamos distantes disso&#8230;<\/strong><br \/>\nVisto os moldes que as equipes daqui funcionam, eu acho que \u00e9 improv\u00e1vel que algum investidor compre um clube e o torne uma empresa privada. Sobre a divis\u00e3o de cotas, come\u00e7ou a dar uma melhorada com a atual divis\u00e3o de 30% na primeira parte, 40% na segunda e depois mais 30%. Depois dessa mudan\u00e7a houve uma evolu\u00e7\u00e3o not\u00f3ria e gradativa na divis\u00e3o, que precisa ser mensurada por rankings, os clubes que tiverem as melhores performances v\u00e3o receber mais, dessa forma seria mais justo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E a pol\u00eamica dos direitos de transmiss\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSobre a \u2018MP do Flamengo\u2019, eu sou contra e entendo que ela \u00e9 uma cat\u00e1strofe para os clubes menores. Uma equipe como o Goi\u00e1s teria um bom retorno de venda em 5 ou 6 partidas das 38 no ano, que s\u00e3o os confrontos contra os grandes times do pa\u00eds, capazes de atrair o interesse das emissoras. N\u00f3s ter\u00edamos que buscar solu\u00e7\u00f5es como vender para mais de um canal, e as cotas teriam serem melhor distribu\u00eddas para que os menores tenham mais condi\u00e7\u00f5es de ter investimento para a montagem do elenco e estrutura e, a partir disso, conseguir competir. Essa MP \u00e9 uma ilus\u00e3o e v\u00e1rios times entraram nesse sonho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Siga no Twitter:<\/strong>\u00a0@mplimaDF<\/p>\n<p><strong>Siga no Instagram:<\/strong>\u00a0@marcospaulolimadf<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 56 anos, o executivo de futebol goiano Marcelo Segurado, 56 anos, \u00e9 uma das apostas do novo presidente do Goi\u00e1s, Paulo Rog\u00e9rio Pinheiro, para o processo de reestrutura\u00e7\u00e3o\u00a0do clube. Quando assumiu o cargo, em outubro do ano passado, o primeiro desafio do profissional era manter o time alviverde vivo at\u00e9 a \u00faltima rodada do Campeonato Brasileiro na luta contra [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":18304,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-18303","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-esporte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18303","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18303"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18303\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18322,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18303\/revisions\/18322"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18304"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}