{"id":22196,"date":"2022-01-16T06:00:07","date_gmt":"2022-01-16T09:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=22196"},"modified":"2022-01-16T08:01:40","modified_gmt":"2022-01-16T11:01:40","slug":"copinha-e-as-fugas-de-talento-da-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/copinha-e-as-fugas-de-talento-da-capital\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Copinha e as fugas de talentos da capital"},"content":{"rendered":"<p>A\u00a0Copa S\u00e3o Paulo de futebol J\u00fanior, popular Copinha,\u00a0estampa as contradi\u00e7\u00f5es do combalido futebol candango. A capital do pa\u00eds tem dois est\u00e1dios car\u00edssimos inaugurados nos \u00faltimos 14 anos \u2014 Bezerr\u00e3o e Man\u00e9 Garrincha \u2014, mas faltam times locais capazes de rentabilizar os elefantes brancos. Enquanto Bras\u00edlia mendiga para receber eventos de ponta e o GDF cobre os rombos de arenas ociosas, meninos da base <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/carrasco-do-flamengo-e-heroi-do-oeste-na-copinha-brasiliense-reifit-tem-pai-cego-de-um-olho\/\">perambulam pelo pa\u00eds afora em busca de vitrine<\/a>. Tudo errado.<\/p>\n<p class=\"texto\">Levantei a quantidade de jogadores nascidos no Distrito Federal inscritos na Copinha. S\u00e3o 79. Como a lista n\u00e3o cabe aqui, publicarei os nomes em um post espec\u00edfico no <strong>blog Drible de Corpo<\/strong>. Menos da metade est\u00e3o vinculados ao Real Brasilia e ao Taguatinga. Eliminados, os dois times representaram a capital no torneio.<\/p>\n<p class=\"texto\">Dos 79 nascidos no DF, 43 disputaram a Copinha por times de fora do quadrado. O censo aponta meninos em times de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Paran\u00e1, Santa Catarina, Rio, Goi\u00e1s, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Par\u00e1 e Tocantins.<\/p>\n<p class=\"texto\">Temos candanguinhos no Atl\u00e9tico-MG, Athletico-PR, Corinthians, Fluminense, Gr\u00eamio, Palmeiras e Santos. Mas h\u00e1, tamb\u00e9m, quem s\u00f3 conseguiu a chance da vida no Castanhal-PA, Taquaruss\u00fa-TO, Mixto-MT ou no interior de S\u00e3o Paulo. Capivariano, Linense, Mirassol, Monte Azul, Oeste, XV Piracicaba e Itapirense s\u00e3o rotas alternativas da fuga de talentos. Quem n\u00e3o vai t\u00e3o longe aventura-se nos vizinhos Goi\u00e1s, Vila Nova ou Aparecidense.<\/p>\n<p class=\"texto\">A escassez de projetos minimamente s\u00e9rios na base, como os do Real Bras\u00edlia e do Taguatinga; a car\u00eancia de oportunidade; e a falta de clubes de ponta explicam as fugas da capital. Afinal, quem quer ver o filho jogando numa cidade que, h\u00e1 nove anos, s\u00f3 amarga times na quarta divis\u00e3o?!<\/p>\n<p class=\"texto\">N\u00e3o tenho d\u00favida de que o DF tem potencial para fabricar jogadores de ponta. O \u00faltimo brasileiro eleito melhor do mundo \u00e9 brasiliense \u2014 Kak\u00e1, em 2007. Em 2002,o meia nascido no Gama foi campe\u00e3o da Copa do Mundo ao lado do conterr\u00e2neo L\u00facio.<\/p>\n<p class=\"texto\">Amoroso ganhou Libertadores e Mundial pelo S\u00e3o Paulo. Washington \u00e9 o maior artilheiro de uma edi\u00e7\u00e3o do Brasileir\u00e3o. Fez 34 gols em 2004. Dimba vem logo atr\u00e1s, com 31, em 2003. Felipe Anderson foi ouro nos Jogos do Rio-2016. Reinier, criado no Guar\u00e1, igualou o feito em T\u00f3quio-2020.<\/p>\n<p class=\"texto\">A quest\u00e3o \u00e9 outra. Pol\u00edticos e cartolas da cidade bancaram que o investimento bilion\u00e1rio na constru\u00e7\u00e3o do Man\u00e9 Garrincha deixaria como legado o desenvolvimento do futebol candango \u2014 das divis\u00f5es de base ao profissional. Os bobos da corte da \u00e9poca acreditaram.<\/p>\n<p>Oito anos depois, a capital tem duas arenas car\u00edssimas e deficit\u00e1rias \u2014 Bezerr\u00e3o e Man\u00e9 Garrincha. Ao investir em elefantes brancos, o GDF minou os clubes da cidade. Os 43 meninos candangos da Copinha se mandaram do quadrado por falta de perspectiva no esporte local. A cidade tinha potencial para fazer dos cubes daqui refer\u00eancias na forma\u00e7\u00e3o, mas escolheu ter est\u00e1dios concretos e futebol abstrato. Sem time. Sem alma. Sem gente. Sem jeito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Coluna publicada na edi\u00e7\u00e3o impressa de s\u00e1bado (15.1.2022) do\u00a0<strong>Correio Braziliense<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Siga no Twitter:<\/strong>\u00a0@marcospaulolima<\/p>\n<p><strong>Siga no Instagram:<\/strong>\u00a0@marcospaulolimadf<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00a0Copa S\u00e3o Paulo de futebol J\u00fanior, popular Copinha,\u00a0estampa as contradi\u00e7\u00f5es do combalido futebol candango. A capital do pa\u00eds tem dois est\u00e1dios car\u00edssimos inaugurados nos \u00faltimos 14 anos \u2014 Bezerr\u00e3o e Man\u00e9 Garrincha \u2014, mas faltam times locais capazes de rentabilizar os elefantes brancos. 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