{"id":26968,"date":"2023-07-29T11:31:01","date_gmt":"2023-07-29T14:31:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=26968"},"modified":"2023-07-29T13:55:06","modified_gmt":"2023-07-29T16:55:06","slug":"zidane-henry-renard-brasil-perde-para-franca-com-o-erro-de-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/zidane-henry-renard-brasil-perde-para-franca-com-o-erro-de-sempre\/","title":{"rendered":"Zidane, Henry, Renard: Brasil perde para Fran\u00e7a com o erro de sempre"},"content":{"rendered":"<p>A Fran\u00e7a usou m\u00e9todos antigos, explorou velhos fantasmas de quem sofre com um problema estrutural mal resolvido desde as categorias de base no masculino e no feminino, ou seja, n\u00e3o saber marcar lances de &#8220;bola parada&#8221;,\u00a0 e renovou o estoque de carrascos ao confirmar o favoritismo contra o Brasil na segunda rodada do Grupo F na Copa do Mundo. Resultado: terceiro colocado, o Brasil \u00e9 obrigado a vencer a Jamaica na quarta-feira para n\u00e3o repetir as elimina\u00e7\u00f5es precoces na fase de grupos de 1991 e de 1995.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quem chorou perda de t\u00edtulo de 1998 com gols de cabe\u00e7a do Zidane e ficou de cabe\u00e7a inchada ao ver Henry completar cobran\u00e7a de falta para a rede do goleiro Dida nas quartas de final de 2006, hoje est\u00e1 pistola com a falha de posicionamento no lance crucial protagonizado pela jogadora mais alta da Copa Feminina. Com 1,87m, a zagueira Wendie Renard \u00e9 o pesadelo da vez de um sistema defensivo ca\u00f3tico no lance crucial da derrota por 2 x 1. Aconteceu com Zagallo, Parreira e agora com a sueca Pia Sundhage.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E n\u00e3o falei daquele gol na queda de 2019, quando Majri bateu falta, Amandine Henry desviou para a rede e a Fran\u00e7a despachou a trupe de Oswaldo Alvarez, o Vad\u00e3o, na prorroga\u00e7\u00e3o. Roteiro sempre repetido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto a t\u00e9cnica Pia Sundhage cometia o pecado capital da avareza ao n\u00e3o abrir m\u00e3o de Marta sentada no banco de reservas at\u00e9 os 85 minutos do duelo contra a advers\u00e1ria mais forte da chave, Herv\u00e9 Renard apostava na experi\u00eancia das trintonas Le Sommer (34) e Wendie Renard (33), ambas peritas em destruir a Sele\u00e7\u00e3o, para impor o choque de realidade nos pachecos e pachecas de plant\u00e3o seduzidos pela goleada contra o Panam\u00e1 e o trope\u00e7o das europeias contra a Jamaica na estreia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Guerra de vaidades \u00e0 parte, para mim, Pia errou ao n\u00e3o levar Christiane para a Copa. Agora, arrisca pagar caro por deixar Marta como pe\u00e7a de decora\u00e7\u00e3o no banco de reservas. A jogadora eleita seis vezes melhor do mundo est\u00e1 pronta para a Copa ou n\u00e3o? Se sim, pode jogar quanto tempo? Isso precisa ficar claro. N\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel tratar a camisa 10 apenas como motivadora antes da entrada em campo, a respons\u00e1vel por tocar pandeiro, puxar o samba ou tocar viol\u00e3o para o elenco dan\u00e7ar. Ela n\u00e3o pode estar na \u00faltima Copa da carreira para ver a banda passar. \u00c9 a protagonista. A refer\u00eancia t\u00e9cnica precisa entrar em campo. Se n\u00e3o pode devido a alguma limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou m\u00e9dica, urge esclarecer o problema, n\u00e3o abaf\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Trai\u00e7oeiro, o futebol enganou quem se empolgou com a goleada da Sele\u00e7\u00e3o contra o Panam\u00e1 por 4 x 1 e se iludiu no empate das gaulesas por 0 x 0 com a Jamaica. Quem viu com lupa a estreia da Fran\u00e7a conhecia o volume de jogo, a for\u00e7a f\u00edsica, a frieza e a experi\u00eancia da sele\u00e7\u00e3o de Herv\u00e9 Renard. Apesar do empate sem gols, elas dominaram o confronto. Por\u00e9m, esbarraram em uma exibi\u00e7\u00e3o da goleira Rebecca Spencer. A muralha do Tottenham fez cinco defesas incr\u00edveis. Todas dentro da \u00e1rea. Foram 14 finaliza\u00e7\u00f5es azuis contra seis das caribenhas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O triunfo foi costurado pela Fran\u00e7a com a delicadeza de quem decifrou cada linha do engessado sistema 4-4-2 de Pia Sundhage. As oponentes fizeram o \u00f3bvio: Sufocaram as laterais Ant\u00f4nia e Tamires, obrigaram as pontas Adriana e Ary Borges a auxili\u00e1-las, ou seja, neutralizaram a possibilidade de transi\u00e7\u00e3o r\u00e1pida do Brasil, e se impuseram tecnicamente e fisicamente no meio de campo nas batalhas com Luana e Kerolin.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dominado no in\u00edcio do primeiro tempo, o Brasil viu os pap\u00e9is invertidos. Em uma compara\u00e7\u00e3o com a estreia, comportou-se como o Panam\u00e1, acuado no sistema defensivo, e viu a Fran\u00e7a se comportar como a Sele\u00e7\u00e3o na estreia. A goleira Let\u00edcia Izidoro suportou a press\u00e3o enquanto foi poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A\u00ed, entraram em cena as carrascos do jogo. A centroavante Le Sommer chegou ao duelo com dois gols em confrontos com o Brasil, ambos em amistosos disputados em 2013 e em 2014. Marcou o terceiro, o 90\u00ba dela em 182 exibi\u00e7\u00f5es com a temida camisa azul. O Brasil poderia ter empatado com Adriana. Ela recebeu passe sozinha, na entrada da \u00e1rea, e isolou a bola. Desperd\u00edcio inaceit\u00e1vel em um duelo de alt\u00edssimo n\u00edvel contra a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sacrificada no sistema t\u00e1tico de Pia, Debinha teve de se comportar quase o jogo inteiro como arco e flecha. Era obrigado a deixar a \u00e1rea para marcar e construir. Nas horas vagas, batia o ponto na frente. Foi assim no lance do gol de empate. Quem com camisa nove fere, com uma camisa 9 ser\u00e1 ferida. O troco vere-amarelo foi na mesma moeda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No fim da partida, o Brasil n\u00e3o pagou por um erro pontual, mas, sim, estrutural. A Sele\u00e7\u00e3o perdeu uma Copa com dois gols de cabe\u00e7a em cobran\u00e7as de escanteio porque n\u00e3o soube marcar Zidane na final de 1998. Abriu-se debate at\u00e9 em CPI no Congresso Nacional sobre quem deveria marcar Zidane. Foi eliminado nas quartas de final do Mundial de 2006 ao deixar Henry cara a cada com Dida depois da cobran\u00e7a de falta de Zidane. O vil\u00e3o da \u00e9poca foi Roberto Carlos, acusado de arrumar o mei\u00e3o enquanto Henry partida sozinho para fazer o gol da vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Fran\u00e7a usou o velho truque, antigos fantasmas e a Sele\u00e7\u00e3o caiu na armadilha. Selma Bacha encontrou a jogadora de linha mais alta da Copa do Mundo livre na \u00e1rea. A zagueira de 1,87m Wendie Renard n\u00e3o perdoou. Balan\u00e7ou a rede verde-amarela pela terceira vez na carreira. As cr\u00edticas recaem sobre Ant\u00f4nia. A lateral admite a falha no lance crucial. Renard vive dia de carrasco. Ela tamb\u00e9m havia marcado nos amistosos de 2015 e de 2018. Dos 35 gols da defensora na carreira, tr\u00eas s\u00e3o contra o Brasil \u2014 a maior v\u00edtima da estrela. O Brasil despencou para o terceiro lugar na classifica\u00e7\u00e3o. \u00c9 obrigado a vencer a Jamaica para avan\u00e7ar \u00e0s oitavas de final. Do contr\u00e1rio, voltar\u00e1 para casa. Que drama!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Twitter: @marcospaulolima<\/b><\/p>\n<p><b>Instagram: @marcospaulolimadf<\/b><\/p>\n<p><b>TikTok:<\/b>\u00a0<b>@marcospaulolimadf<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Fran\u00e7a usou m\u00e9todos antigos, explorou velhos fantasmas de quem sofre com um problema estrutural mal resolvido desde as categorias de base no masculino e no feminino, ou seja, n\u00e3o saber marcar lances de &#8220;bola parada&#8221;,\u00a0 e renovou o estoque de carrascos ao confirmar o favoritismo contra o Brasil na segunda rodada do Grupo F na Copa do Mundo. 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