{"id":3581,"date":"2016-10-26T00:06:52","date_gmt":"2016-10-26T02:06:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=3581"},"modified":"2016-10-26T09:36:03","modified_gmt":"2016-10-26T11:36:03","slug":"ddi-para-baku-o-dia-em-que-o-capita-me-atendeu-para-falar-do-azerbaijao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/ddi-para-baku-o-dia-em-que-o-capita-me-atendeu-para-falar-do-azerbaijao\/","title":{"rendered":"DDI para Baku: o dia em que o capita me atendeu para falar sobre o Azerbaij\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Foram muitas entrevistas com Carlos Alberto Torres. A maioria por telefone. Eu, de Bras\u00edlia, ele do Rio. Mas um bate-papo n\u00e3o sai da mem\u00f3ria. O capit\u00e3o do tri resolveu se aventurar como t\u00e9cnico da sele\u00e7\u00e3o do Azerbaij\u00e3o nas Eliminat\u00f3rias para a Copa do Mundo de 2006. Sugeri a pauta ao ent\u00e3o editor Marcelo Agner e agendei uma conversa sobre o novo desafio. Eu trabalhava no Jornal de Bras\u00edlia na \u00e9poca. Pedi para a secret\u00e1ria Cleide Baia fazer uma liga\u00e7\u00e3o internacional para Baku e ela tomou um tremendo susto. &#8220;Pra onde???&#8221; Baku, repeti. Foi divertido. Do outro lado da linha ele estava esperando no hor\u00e1rio combinado.<\/p>\n<p>Carlos Alberto Torres gentilmente atendeu direto da capital da ex-rep\u00fablica sovi\u00e9tica. Conversamos um temp\u00e3o sobre a cultura do Azerbaij\u00e3o, pol\u00edtica, futebol, como ele foi parar l\u00e1&#8230; Antes de desligar, fez at\u00e9 um convite para que desse um pulinho l\u00e1 para ver o trabalho dele de perto e conhecer o Azerbaij\u00e3o. Carlos Alberto Torres comandou o Azerbaij\u00e3o de 18 de fevereiro de 2004 a 4 de junho de 2005. Das 18 partidas sob seu comando, ganhou duas, empatou seis e perdeu 10, aproveitamento de 11,1%. Nas Eliminat\u00f3rias, deu o azar danado de cair no grupo da Inglaterra, que tinha um tima\u00e7o comandado por Sven-Goran Eriksson. Mesmo assim, perdeu em casa s\u00f3 de 1 x 0 e orgulhou a torcida.<\/p>\n<p>Minha \u00faltima lembran\u00e7a de Carlos Alberto Torres n\u00e3o \u00e9 uma entrevista dada a mim, mas aos colegas Andr\u00e9 Rizek e Roberto Avallone, no programa Reda\u00e7\u00e3o SporTV. Na edi\u00e7\u00e3o do \u00faltimo dia 18, Rizek pediu para o capita comentar, um a um, sobre t\u00e9cnicos que o treinaram na Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, e ele soltou a l\u00edngua. Entrou no t\u00fanel do tempo. Disse que Vicente Feola n\u00e3o acrescentou nada em sua carreira, detonou a bagun\u00e7a da CBD nos preparativos para a Copa do Mundo de 1966, fez elogios a Jo\u00e3o Saldanha e a M\u00e1rio Jorge Lobo Zagallo, mas deixou claro que o melhor \u201cprofessor\u201d com quem trabalhou foi Elba de P\u00e1dua Lima, o Tim. Em alguns momentos, parecia at\u00e9 uma entrevista de despedida.<\/p>\n<p>Reproduzo a seguir o que disse Carlos Alberto Torres a Rizek e Avallone no Reda\u00e7\u00e3o SporTV&#8230;<\/p>\n<p><strong><br \/>\n\u00bb Vicente Feola<\/strong><br \/>\n\u201cEra um bom comandante, mas n\u00e3o no aspecto t\u00e9cnico. Era um treinador que, para mim, com toda a honestidade, com todo o respeito, n\u00e3o acrescentou nada. N\u00e3o porque n\u00e3o tenha me levado para a Copa de 1966, que aquilo ali foi um grande erro da CBD. A grande verdade \u00e9 essa, s\u00f3 que ningu\u00e9m fala. O que n\u00f3s sacamos naquela \u00e9poca \u00e9 que a CBD achou que seria tricampe\u00e3 mundial com os bicampe\u00f5es mundiais, campe\u00f5es em 1958, na Su\u00e9cia, e bi em 1962, no Chile. Tinha jogador que sinceramente n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00e3o de acompanhar. Principalmente, porque foi ali que come\u00e7ou a revolu\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica no futebol. Eu lembro que eu tinha 21 anos de idade, eu ia, passava por tr\u00e1s do gol e ainda chegava na frente do zagueiro (risos) e n\u00e3o me levaram. Ningu\u00e9m entende at\u00e9 hoje por que n\u00e3o me levaram\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00bb Aimor\u00e9 Moreira<\/strong><br \/>\n\u201cEra um bom comandante disciplinarmente falando, mas tecnicamente&#8230;N\u00f3s fizemos uma excurs\u00e3o \u00e0 Europa com ele e foi a primeira vez que a Sele\u00e7\u00e3o teve a ousadia de n\u00e3o convocar o Pel\u00e9 para ver como a Sele\u00e7\u00e3o se comportaria sem ele. Foi um bom treinador, enxergava bem o jogo. Ele n\u00e3o tinha muito esse neg\u00f3cio de colocar jogador para marcar, mas convencia, cobrava rea\u00e7\u00e3o quando o time advers\u00e1rio atacava nem que fosse para atrapalhar\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00bb Jo\u00e3o Saldanha<\/strong><br \/>\n\u201cFoi uma experi\u00eancia muito boa. Aprendi muito com o Jo\u00e3o Saldanha. Talvez, n\u00e3o em termos t\u00e9cnicos, mas nas atitudes que ele tomava no sentido de unir o grupo. Ele tinha cada tirada que na hora voc\u00ea ficava olhando assim&#8230; O grupo gostava dele. O momento em que o Saldanha assumiu a Sele\u00e7\u00e3o, levando-se em conta as circunst\u00e2ncias, foi igual agora. Totalmente desacredita. A torcida n\u00e3o acreditava, a imprensa&#8230; A\u00ed, o Jo\u00e3o Havelange teve uma ideia genial. Vou colocar o Jo\u00e3o Saldanha porque a\u00ed eu vou ter ao meu lado a imprensa e a torcida. Todo mundo gostava do Jo\u00e3o Saldanha. Ele entrou escalando o time titular, dizendo que queria 22 feras. Ganhou a torcida, a imprensa&#8230; A base eram seis jogadores do Santos, dois do Botafogo, dois do Cruzeiro e o F\u00e9lix (Fluminense).  Em 1969, ele teve a grande ideia de escalar os melhores jogadores naquele momento para disputar as Eliminat\u00f3rias. Em 1970, ele deixa de convocar o Djalma Dias, que era o maior zagueiro central do Brasil. N\u00e3o sei por que. O Rildo era o melhor lateral-esquerdo, ele n\u00e3o quis chamar tamb\u00e9m. Ele mudou tudo. Escalou um time que n\u00e3o conseguia se entrosar. A\u00ed, a imprensa amiga dele, come\u00e7ou a criticar. Fomos fazer um jogo contra o Bangu, empatamos por 1 x 1 e todos criticavam nosso estilo. Foi quando Jo\u00e3o Havelange disse que tinha que mudar e mudou.<\/p>\n<p><strong>\u00bb M\u00e1rio Jorge Lobo Zagallo<\/strong><br \/>\n\u201cUm cara muito inteligente, tinha sido ex-jogador e jogou conosco, com a maioria de n\u00f3s jogadores da Copa de 1970. Ent\u00e3o, n\u00f3s t\u00ednhamos o Zagallo como nosso companheiro mais experiente. Tudo o que ele fazia conversava com os jogadores, perguntava o que n\u00f3s ach\u00e1vamos. Deu certo. Foi um treinador sensacional\u201d<\/p>\n<p><strong>\u00bb Elba de P\u00e1dua Lima, o Tim<\/strong><br \/>\n\u201cO maior treinador que eu tive, que, se trabalhasse hoje, com todos esses recursos tecnol\u00f3gicos, seria o maior de todos os tempos, pra mim, \u00e9 o Tim. Ele mudava o jogo assim com uma facilidade&#8230; Se o jogador seguisse a orienta\u00e7\u00e3o que o Tim nos dava, principalmente no intervalo dos jogos. O Fluminense foi campe\u00e3o carioca em 1964. Ele dizia no intervalo vamos fazer isso que vamos virar o jogo, e virava mesmo\u201d.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram muitas entrevistas com Carlos Alberto Torres. A maioria por telefone. Eu, de Bras\u00edlia, ele do Rio. Mas um bate-papo n\u00e3o sai da mem\u00f3ria. O capit\u00e3o do tri resolveu se aventurar como t\u00e9cnico da sele\u00e7\u00e3o do Azerbaij\u00e3o nas Eliminat\u00f3rias para a Copa do Mundo de 2006. Sugeri a pauta ao ent\u00e3o editor Marcelo Agner e agendei uma conversa sobre o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":3582,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-3581","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-esporte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3581"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3581\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3588,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3581\/revisions\/3588"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3582"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}