{"id":5395,"date":"2017-04-22T22:00:08","date_gmt":"2017-04-23T01:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=5395"},"modified":"2017-05-06T03:41:37","modified_gmt":"2017-05-06T06:41:37","slug":"5395-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/5395-2\/","title":{"rendered":"O que o Vasco pode aprender com o Fluminense"},"content":{"rendered":"<p>O Vasco de 2017 precisa aprender com os erros cometidos pelo Fluminense no primeiro semestre de 2016 para n\u00e3o se complicar no Campeonato Brasileiro. A elimina\u00e7\u00e3o do bicampe\u00e3o carioca na inquestion\u00e1vel derrota por 3 x 0 para o tricolor na noite deste s\u00e1bado, no Maracan\u00e3, sugere ao t\u00e9cnico Milton Mendes olhar com carinho para o passado e o presente do arquirrival.<\/p>\n<p>Lembro como se fosse hoje. H\u00e1 um ano, a discuss\u00e3o nas Laranjeiras era se dava para jogar com Diego Souza e Fred juntos. Vi a vit\u00f3ria do Flamengo por 2 x 1 no Fla-Flu do ano passado, no Man\u00e9 Garrincha, e percebi in loco que seria dif\u00edcil. Ambos deixavam o Fluminense lento, com pouca mobilidade, previs\u00edvel, sobrecarregado defensivamente. Presa f\u00e1cil para os marcadores. Eduardo Baptista n\u00e3o quis abrir m\u00e3o deles. Demitido, perdeu o emprego para Levir Culpi.<\/p>\n<p>O veterano treinador logo sacou que Diego Souza e Fred juntos era lindo no papel, mas arriscado na pr\u00e1tica. Prejudicava uma molecada que come\u00e7ava a pedir passagem. Gustavo Scarpa, por exemplo. N\u00e3o demorou muito e as grifes do elenco foram saindo da zona de conforto. Incomodado, Diego Souza pegou o caminho de volta ao Sport. Fred percebeu que sua situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m come\u00e7ava a ficar dif\u00edcil. Desentendeu-se com o treinador, quase deixou o clube, mas um acordo fez com que ambos se suportassem mais um pouquinho. At\u00e9 que a rela\u00e7\u00e3o ficou insustent\u00e1vel e Fred acertou a transfer\u00eancia para o Atletico-MG.<\/p>\n<p>Certo ou por linhas tortas, o Fluminense mudou para melhor depois das sa\u00eddas de Diego Souza e Fred. Passou a jogar como um time, sem a obriga\u00e7\u00e3o de correr por um ou dois jogadores. A campanha poderia ter sido melhor no Brasileir\u00e3o do ano passado, \u00e9 verdade, mas o servi\u00e7o sujo estava feito. Levir Culpi deixou plantada uma sementinha que poderia dar bons frutos em 2017. Abel Braga assumiu o cargo neste ano. Entendeu o esp\u00edrito do novo tricolor e faz sucesso. O jovem time do Fluminense usa o futebol coletivo como seu maior trunfo. Joga em uma rota\u00e7\u00e3o diferente dos rivais. Compete, ganha e diverte.<\/p>\n<p>Mas o que isso tem a ver com o Vasco?<\/p>\n<p>Tenho a impress\u00e3o de que o debate nos 21 dias que antecedem a estreia do Vasco no Campeonato Brasileiro contra o Palmeiras, no Allianz Parque, em S\u00e3o Paulo, \u00e9 se ser\u00e1 poss\u00edvel ter um time organizado, competitivo, moderno, veloz, com mobilidade, tendo Rodrigo, Nen\u00ea e Lu\u00eds Fabiano juntos no mesmo time.<\/p>\n<p>Eles jogaram juntos muito pouco neste ano, \u00e9 verdade. Mas o pouco tempo em que estiveram em campo serve de alerta para o Campeonato Brasileiro \u2014 a \u00fanica competi\u00e7\u00e3o que resta ao Vasco neste ano. Longe de mim defender as sa\u00eddas de Rodrigo, Nen\u00ea e do Luis Fabiano do Vasco, \u00f3bvio, mas, talvez, Milton Mendes tenha de abrir m\u00e3o de dois deles taticamente. Quem sabe at\u00e9 dos tr\u00eas em situa\u00e7\u00f5es extremas como a goleada sofrida na semifinal do Estadual. Sacrif\u00edcio em troca de g\u00e1s novo, compacta\u00e7\u00e3o, velocidade, trocas de posi\u00e7\u00e3o, de um time moderno como tem se apresentado o tricolor.<\/p>\n<p>Milton Mendes tem tempo para pensar se pretende se escorar nos medalh\u00f5es no Brasileir\u00e3o, como fizeram os antecessores Jorginho e Crist\u00f3v\u00e3o Borges, ou se prefere dar uma de Levir Culpi, ou seja, incomodar, gerar desconforto, investir em quem est\u00e1 sujando demais o uniforme para dar conforto a Rodrigo na zaga, Nen\u00ea no meio e a Luis Fabiano na frente. Estou falando do garoto Douglas, muito bom de bola, mas que est\u00e1 se sacrificando demais \u2014 sem contrapartida \u2014 pelo brilho individual dos tr\u00eas. Exatamente como acontecia com Gustavo Scarpa no ano passado, quando Diego Souza e Fred estavam juntos em campo pelo Fluminense.<\/p>\n<p>O lance do segundo gol do Fluminense ilustra o que escrevo. Roubaram a bola do Nen\u00ea no meio de campo e ele ficou um temp\u00e3o sentado no ch\u00e3o pedindo falta. Enquanto isso, o Fluminense iniciava um contra-ataque em alt\u00edssima velocidade conclu\u00eddo por Wellington Silva para o fundo da rede. A atitude de Nen\u00ea \u00e9 contr\u00e1ria a tudo o que o futebol moderno prega.<\/p>\n<p>Se olhar com carinho para a base, investir em garotos do n\u00edvel de Douglas \u2014 como o Fluminense passou a tratar Gustavo Scarpa \u2014 o Vasco pode, sim (por que n\u00e3o?), mudar da \u00e1gua para o vinho no restante da temporada. Inspirado justamente no carrasco deste s\u00e1bado. Romper com o sistema custa caro. Desapegar causa perdas e danos. Incomoda, deixa traumas, sequelas, cicatrizes. Mas em alguns casos faz um bem danado. O Fluminense est\u00e1 a\u00ed para provar ao Vasco que \u00e9 poss\u00edvel. Basta ter coragem. Quem estiver realmente comprometido com a reconstru\u00e7\u00e3o do Vasco vai entender.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Vasco de 2017 precisa aprender com os erros cometidos pelo Fluminense no primeiro semestre de 2016 para n\u00e3o se complicar no Campeonato Brasileiro. 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