{"id":6346,"date":"2017-07-10T11:23:24","date_gmt":"2017-07-10T14:23:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=6346"},"modified":"2017-07-10T15:46:33","modified_gmt":"2017-07-10T18:46:33","slug":"pelo-menos-cinco-torcedores-morreram-em-classicos-em-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/pelo-menos-cinco-torcedores-morreram-em-classicos-em-2017\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia nos est\u00e1dios j\u00e1 matou nove torcedores em 2017. Cinco deles em cl\u00e1ssicos estaduais"},"content":{"rendered":"<p>Nove torcedores morreram dentro ou fora dos est\u00e1dios em 2017 no futebol brasileiro. Cinco deles em cl\u00e1ssicos. Os dados s\u00e3o do professor e soci\u00f3logo Mauricio Murad, da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), no Rio de Janeiro. Especializado e com livros publicados sobre o tema, Murad\u00a0\u00a0contabiliza, desde 2012, o n\u00famero de \u00f3bitos causados por viol\u00eancia nas arenas do pa\u00eds. Neste ano, cinco mortes foram\u00a0em cl\u00e1ssicos. A \u00faltima v\u00edtima \u00e9\u00a0Davi Rocha, 27, com um tiro no t\u00f3rax durante\u00a0 a confus\u00e3o generalizada\u00a0em S\u00e3o Janu\u00e1rio, no s\u00e1bado, ap\u00f3s a derrota do Vasco para o Flamengo por 1 x 0.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um dado preocupante. Estamos apenas no s\u00e9timo m\u00eas do ano e na 12\u00aa rodada do Campeonato Brasileiro, uma competi\u00e7\u00e3o em que\u00a0as rivalidades s\u00e3o mais agudas e o n\u00famero de \u00f3bitos \u00e9 maior&#8221;, avalia o professor Mauricio Murad em entrevista por telefone, ao <strong>blog<\/strong>. Entre 85% e 95% das mortes s\u00e3o fora dos est\u00e1dios. O restante, dentro&#8221;, explica. No ano inteiro de 2016, houve 13 mortes. Em 2017, j\u00e1 s\u00e3o 9.<\/p>\n<p>As mortes em cl\u00e1ssicos viraram rotina neste ano.\u00a0Em 13 de fevereiro, Diego Silva dos Santos, 28, torcedor do Botafogo, foi morto por um flamenguista com espeto de churrasco a caminho do Est\u00e1dio Nilton Santos antes do cl\u00e1ssico pela Ta\u00e7a Guanabara, o primeiro turno do Campeonato Carioca. O laudo do Instituto M\u00e9dico Legal (IML) apontou que Diego morreu de hemorragia interna e externa e que ele foi ferido por um objeto perfurante, um espeto de churrasco segundo a investiga\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Em 9 de abril, o torcedor do Bahia Carlos Henrique Santos de Deus, 18, morreu ap\u00f3s deixar a Arena Fonte Nova depois do cl\u00e1ssico entre Bahia e Vit\u00f3ria pelo Campeonato Baiano. Al\u00e9m de Carlos Henrique, um outro torcedor foi baleado ao deixar o est\u00e1dio, mas resistiu.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas semanas, houve morte antes do cl\u00e1ssico entre Vila Nova e Goi\u00e1s, pela S\u00e9rie B do Campeonato Brasileiro. Davi \u00cdcaro Silva foi baleado na nuca a caminho do Serra Dourada. O torcedor do Goi\u00e1s estava em uma moto, quando o motorista de um carro emparelhou e disparou v\u00e1rios tiros. Dentro do est\u00e1dio tamb\u00e9m houve briga entre torcedores dos dois clubes. Na semana passada, o STJD puniu os dois clubes com a perda de cinco mandos de campo, obriga\u00e7\u00e3o de jogar a 200km do Serra Dourada e multa de R$ 50 mil.<\/p>\n<p>Em 20 de fevereiro, Leonardo Henrique Brand\u00e3o, 17, torcedor do Coritiba, foi morto antes do cl\u00e1ssico entre Coritiba e Atl\u00e9tico-PR, na Arena da Baixada. A Pol\u00edcia Militar assumiu a culpa da trag\u00e9dia. O autor do tiro, um sargento da PM, contou que foi colocar a submetralhadora\u00a0 na cinta que segura a arma e um tiro foi disparado. Ele foi afastado das fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo o professor, soci\u00f3logo e autor do livro <em>A viol\u00eancia no futebol: novas pesquisas, novas ideias e novas propostas<\/em>, a quantidade de mortes nos est\u00e1dios diminuiu de 2012 para 2017, mas a crueldade aumentou. &#8220;H\u00e1 mortes por foice e enxada. Outras causadas por atropelamento, com uma van lotada. No Arruda (no Recife), recentemente, houve o caso de vasos sanit\u00e1rios arremessados. Sem contar o torcedor do Botafogo, que foi morto com um espetinho de churrasco antes do cl\u00e1ssico contra o Flamengo. Diminuiu o n\u00famero, mas aumentou a crueldade&#8221;, disse nesta segunda-feira ao\u00a0<strong>blog<\/strong>.<\/p>\n<p>Mauricio Murad tamb\u00e9m atribui a queda quantitativa no n\u00famero de mortes ao per\u00edodo da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Ol\u00edmpicos do Rio-2016, que tamb\u00e9m recebeu jogos de futebol. &#8220;Havia um processo para garantir mais seguran\u00e7a, mas aumentou a perversidade, o m\u00e9todo da viol\u00eancia, a letalidade&#8221;, lamenta Murad, que coordena a pesquisa na Universidade Salgado de Oliveira. A institui\u00e7\u00e3o de ensino superior s\u00f3 contabiliza \u00f3bitos documentados, com inqu\u00e9rito policial. Por isso, o ranking da Universo registra, por exemplo, mortes em investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ranking da morte dentro e\/ou fora dos\u00a0est\u00e1dios no Brasil<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>2012:<\/strong> 23<\/li>\n<li><strong>2013:<\/strong> 30<\/li>\n<li><strong>2014:<\/strong> 20 + 2 em investiga\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li><strong>2015:<\/strong> 16 + 1 em investiga\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li><strong>2016:<\/strong> 13 + 4 em investiga\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li><strong>2017:<\/strong> 9<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Professor Mauricio Murado, Mestrado da Universidade Salgado de Oliveira (Universo)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nove torcedores morreram dentro ou fora dos est\u00e1dios em 2017 no futebol brasileiro. Cinco deles em cl\u00e1ssicos. Os dados s\u00e3o do professor e soci\u00f3logo Mauricio Murad, da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), no Rio de Janeiro. 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