{"id":6442,"date":"2017-07-23T21:00:58","date_gmt":"2017-07-24T00:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=6442"},"modified":"2017-07-23T21:54:08","modified_gmt":"2017-07-24T00:54:08","slug":"6442-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/6442-2\/","title":{"rendered":"Waldir Peres: inspira\u00e7\u00e3o em Gilmar, reconhecimento de Breitner e os desabafos sobre a Copa de 1982"},"content":{"rendered":"<p>Era uma vez, um goleiro que escolheu ser goleiro por causa de um goleiro bicampe\u00e3o mundial. \u201cA molecada da minha rua adorava ouvir as defesas do Gilmar pelo r\u00e1dio nas Copas de 1958 e de 1962. Quando menino, me acostumei a ouvir os locutores exaltarem o nome dele. Achava aquilo o m\u00e1ximo. Foi a\u00ed que decidi para mim mesmo: um dia vou ser que nem ele\u201d, contou um dia Waldir Peres de Arruda ao colega jornalista Paulo Guilherme, autor do livre Goleiro: Her\u00f3is e anti-her\u00f3is da camisa 1. Aos 66 anos, o prata da casa da Ponte Preta, \u00eddolo do S\u00e3o Paulo, com passagem pelo Corinthians e jogador da Sele\u00e7\u00e3o em tr\u00eas Copas do Mundo morreu neste domingo, aos 66 anos, em Mogi Mirim (SP), v\u00edtima de um infarto fulminante.<\/p>\n<p>Era uma vez, um goleiro da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira que ousou parar duas vezes um dos maiores cobradores de p\u00eanalti de todos os tempos em um amistoso disputado em Stuttgart. Ao fim da vit\u00f3ria por 1 x 0 sobre a Alemanha, ouviu Paul Breitner dizer \u00e0 imprensa. \u201c\u00c9 preciso aceitar que apareceu um brasileiro chamado Waldir Peres que \u00e9 t\u00e3o esperto como eu sempre pensei que s\u00f3 eu fosse\u201d. No dia seguinte ao jogo, o jornal <em>Sueddetsche Zeitung<\/em> tamb\u00e9m se rendeu ao escrever: \u201cWaldir Peres acabou com a lenda de que, no Brasil, o goleiro \u00e9 aquele que n\u00e3o conseguiu jogar bem em nenhuma posi\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 preciso aceitar que apareceu um brasileiro chamado Waldir Peres que \u00e9 t\u00e3o esperto como eu sempre pensei que s\u00f3 eu fosse\u201d<\/p>\n<p><strong>Paul Breitner,<\/strong>\u00a0sobre dois p\u00eanaltis defendidos em amistoso contra o Brasil<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Faltava um ano para a Copa do Mundo de 1982. A Alemanha bombardeou o Brasil. Waldir Peres operou milagres. Na hora da cobran\u00e7a de um p\u00eanalti a favor da Alemanha, contou com a ajuda do amigo J\u00fanior. O Capacete lembrou que Breitner havia cobrado no canto direito na final da Copa do Mundo de 1974, contra a Holanda. Waldir Peres seguiu o conselho, deu um passo \u00e0 frente e saltou para o lado direito, defendendo a cobran\u00e7a. O \u00e1rbitro mandou voltar acusando Waldir Peres de ter se adiantado. Breitner trocou o canto. Bateu no esquerdo e o brasileiro defendeu novamente e mandou a bola para escanteio.<\/p>\n<p>Ao explicar a sequ\u00eancia de milagres, Waldir Peres contou. \u201cEu sempre me adiantei nas cobran\u00e7as de p\u00eanalti. O juiz podia mandar repetir uma vez, mas n\u00e3o teria coragem de exigir outra cobran\u00e7a\u201d, explicou o homem de confian\u00e7a de Tel\u00ea Santana para a Copa de 1982.<\/p>\n<figure id=\"attachment_6444\" aria-describedby=\"caption-attachment-6444\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2017\/07\/Waldir.jpeg\" rel=\"attachment wp-att-6444\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-6444\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2017\/07\/Waldir-300x168.jpeg\" alt=\"Goleiro titular da Sele\u00e7\u00e3o de 1982, uma das melhores da hist\u00f3ria\" width=\"300\" height=\"168\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2017\/07\/Waldir-300x168.jpeg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2017\/07\/Waldir-768x431.jpeg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2017\/07\/Waldir-350x196.jpeg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2017\/07\/Waldir-550x308.jpeg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2017\/07\/Waldir-230x129.jpeg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2017\/07\/Waldir.jpeg 974w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6444\" class=\"wp-caption-text\">Goleiro titular da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de 1982, uma das melhores da hist\u00f3ria<\/figcaption><\/figure>\n<p>No Mundial da Espanha, Waldir Peres viveu um dos momentos mais tensos da carreira ao sofrer um gol da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica entre as pernas na estreia da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira. Em 16 de junho de 1982, o <em>Jornal da Tarde <\/em>publicou uma frase atribu\u00edda ao goleiro sobre o lance que abriu o placar para os sovi\u00e9ticos. \u201cQuando olhei para tr\u00e1s e vi a bola l\u00e1 no fundo do gol, pensei comigo: mas ser\u00e1 que vim aqui para fazer essa merda?\u201d<\/p>\n<p>Na volta ao Brasil depois da Copa de 1982, Waldir Peres desabafou: \u201cS\u00f3 a minha fam\u00edlia sabe o que passamos depois da Copa. Outro goleiro n\u00e3o conseguiria se recuperar daquilo. N\u00e3o tem jeito, na Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, voc\u00ea tem que ser campe\u00e3o do mundo para ter algum reconhecimento. O goleiro brasileiro sempre foi muito criticado. Olha, o frango n\u00e3o \u00e9 diferente de outro gol que a gente toma, n\u00e3o vale mais por ter sido uma falha. \u00c9 apenas um gol. O importante \u00e9 n\u00e3o deixar vir o pr\u00f3ximo. O goleiro tem de ser assim: cabe\u00e7a fria e corpo quente\u201d, disse a Paulo Guilherme, autor do livro <em>Goleiros: Her\u00f3is e anti-her\u00f3is da camisa 1<\/em>.<\/p>\n<p>Era uma vez, o goleiro que sofreu os tr\u00eas gols de Paolo Rossi na Trag\u00e9dia do Sarri\u00e1 e se autodefendeu das cobran\u00e7as. \u201cNo primeiro gol, o Rossi cabeceou livre de marca\u00e7\u00e3o. No segundo, bem, n\u00e3o fui eu quem errou o passe. \u00a0Aquela jogada me pegou de surpresa. E no terceiro gol foi outro erro. T\u00ednhamos treinado que depois de rebater a bola para fora da \u00e1rea o time todo deveria sair fazendo a linha de impedimento. Por isso, quando o Paolo Rossi apareceu livre desviando a bola para o gol, minha primeira rea\u00e7\u00e3o foi erguer o bra\u00e7o alegando fora de jogo. Foi quando olhei para tr\u00e1s e vi o J\u00fanior parado em cima da linha dando condi\u00e7\u00e3o ao italiano. Nem reclamei com o juiz\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>Valeu, Waldir Peres! Descanse em paz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>T\u00edtulos<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>S\u00e3o Paulo<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Campeonato Brasileiro: 1977<\/p>\n<p>Campeonato Paulista: 1975, 1980, 1981<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Corinthians<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Campeonato Paulista:\u00a01988<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Sele\u00e7\u00e3o Brasileira<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Ta\u00e7a Oswaldo Cruz (1976)<\/p>\n<p>Copa do Atl\u00e2ntico (1976)<\/p>\n<p>Copa Roca (1976)<\/p>\n<p>Ta\u00e7a Rio Branco (1976)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era uma vez, um goleiro que escolheu ser goleiro por causa de um goleiro bicampe\u00e3o mundial. \u201cA molecada da minha rua adorava ouvir as defesas do Gilmar pelo r\u00e1dio nas Copas de 1958 e de 1962. Quando menino, me acostumei a ouvir os locutores exaltarem o nome dele. Achava aquilo o m\u00e1ximo. 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