{"id":7825,"date":"2017-12-12T15:00:24","date_gmt":"2017-12-12T17:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=7825"},"modified":"2017-12-12T15:22:28","modified_gmt":"2017-12-12T17:22:28","slug":"entrevista-washington-rodrigues-apolinho-tecnico-1995-flamengo-independiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/entrevista-washington-rodrigues-apolinho-tecnico-1995-flamengo-independiente\/","title":{"rendered":"Entrevista: Washington Rodrigues, o Apolinho, t\u00e9cnico do Flamengo na final da Supercopa de 1995 contra o Independiente"},"content":{"rendered":"<p>A final da Copa Sul-Americana entre Flamengo e Independiente, nesta quarta-feira, no Maracan\u00e3, ser\u00e1 mais do que especial para um senhor de 81 anos. Comentarista da r\u00e1dio Tupi do Rio de Janeiro, o radialista Washington Carlos Nunes Rodrigues \u2014 o Apolinho \u2014 era o t\u00e9cnico rubro-negro na decis\u00e3o da Supercopa dos Campe\u00f5es da Libertadores de 1995 exatamente contra o Independiente. Ap\u00f3s perder por 2 x 0 em Buenos Aires, o time carioca precisava devolver o placar para levar a final aos p\u00eanaltis. O placar terminou 1 x 0, gol de Rom\u00e1rio.<\/p>\n<p>Vinte e dois anos depois, Washington Rodrigues relembra aquela decis\u00e3o em entrevista ao <strong>blog<\/strong>. Ele conta como pacificou um elenco rebelde e quase conquistou o levou a um t\u00edtulo internacional. Mesmo sem experi\u00eancia como treinador, o Apolinho desbancou t\u00e9cnicos badalados na \u00e9poca. Eliminou, por exemplo, Carlos Bianchi e o amigo Jair Pereira. Um dos grandes feitos de Washington Rodrigues foi ter derrotado o V\u00e9lez Sarsfield, da Argentina, por 3 x 0, com um gol de S\u00e1vio, um de Rom\u00e1rio e um de Edmundo. Na \u00e9poca, o trio era motivo de piada. Recebeu\u00a0o apelido de pior ataque do mundo. \u201cN\u00e3o tive problema com eles. Acabei padrinho de casamento do Rom\u00e1rio e sou conselheiro do Edmundo at\u00e9 hoje\u201d, conta.<\/p>\n<p>Questionado sobre quem ser\u00e1 campe\u00e3o da Sul-Americana, Washington Rodrigues foi r\u00e1pido na resposta:<\/p>\n<p>\u201cVai ser a minha forra\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>O senhor era o t\u00e9cnico do Flamengo na final da Supercopa de 1995 contra o Independiente. Quais s\u00e3o as lembran\u00e7as daquela decis\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Pois \u00e9, a vida apronta isso. A hist\u00f3ria se repete. Fizemos uma campanha bem melhor. Vencemos todos os jogos at\u00e9 a final. Naquela \u00e9poca era Supercopa dos Campe\u00f5es da Libertadores, bem mais dif\u00edcil do que a Copa Sul-Americana. Perdemos o t\u00edtulo fora de casa contra o Independiente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Era o ano do centen\u00e1rio do futebol do Flamengo e a possibilidade de ser o \u00fanico t\u00edtulo em 1995 foi ganhando crescendo a cada jogo&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Sim, vencemos todos os jogos. Eu lembro que n\u00f3s eliminamos o V\u00e9lez Sarsfield do Carlos Bianchi, que era o Pep Guardiola da \u00e9poca. Ganhamos por 3 x 2 l\u00e1 em Buenos Aires e por 3 x 0 na volta com gols de S\u00e1vio, Rom\u00e1rio e Edmundo. Passamos pelo Nacional de Montevid\u00e9u. Eliminamos o Cruzeiro do \u00canio Andrade nas semifinais. Ele foi at\u00e9 demitido e o Jair Pereira assumiu na partida de volta.\u00a0 Mas a\u00ed, no primeiro jogo da final, n\u00f3s tivemos uma infelicidade&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que faltou para o t\u00edtulo in\u00e9dito?<\/strong><\/p>\n<p>Chegamos em Buenos Aires para o primeiro jogo da decis\u00e3o com a certeza de que n\u00f3s \u00e9ramos melhores. Tomamos um gol logo no primeiro tempo. O lateral-esquerdo Lira escorregou (Mazzoni fez 1 x 0). A\u00ed, no segundo tempo, eles fizeram o segundo (com Domizzi) e ficamos naquela. Era melhor voltar pra casa com derrota por 2 x 0 do que por 3 x 0.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E no Maracan\u00e3 faltou um gol para for\u00e7as os p\u00eanaltis&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s dominamos o jogo no Maracan\u00e3. O Rom\u00e1rio fez um gol, ganhamos por 1 x 0, mas era insuficiente. O Mondrag\u00f3n fechou o gol. Na semana seguinte tomou um gol da intermedi\u00e1ria. \u00a0\u00a0Foi muita tristeza para mim. Era o ano do centen\u00e1rio do Flamengo, a \u00faltima chance de o clube conquistar um t\u00edtulo. Pra mim, pessoalmente, seria fant\u00e1stico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual foi o tema da prele\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Eu disse que est\u00e1vamos com a nossa torcida. Na verdade, a gente nem esperava tanta gente no Maracan\u00e3. Disseram que haveria 60 mil pessoas no m\u00e1ximo. Dizem que havia 96 mil pessoas, mas acho que tinha muito mais do que isso. Antes do jogo, derrubaram um port\u00e3o, invadiram. Morreu at\u00e9 um torcedor. H\u00e1 quem fale em 130 mil pessoas no est\u00e1dio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E houve baixas importantes para a final, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s t\u00ednhamos certeza de que seria dif\u00edcil. Perdemos o Edmundo por causa daquele acidente. Ele tirou o gesso do p\u00e9 na v\u00e9spera do jogo decisivo. O time estava traumatizado com que havia acontecido com o Edmundo. Rom\u00e1rio jogou a final no Maracan\u00e3 com desconforto na coxa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A decis\u00e3o de 2017 \u00e9 mais dif\u00edcil do que a de 1995?<\/strong><\/p>\n<p>Talvez essa seja pior. Em caso de vit\u00f3ria por 1 x 0 vai ter prorroga\u00e7\u00e3o. Persistindo, vai para os p\u00eanaltis. O Flamengo disputou 83 jogos em 2017. Vai ter perna para aguentar uma prorroga\u00e7\u00e3o e decis\u00e3o por p\u00eanaltis?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Campanha na Supercopa de 1995<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>\u00a0Oitavas de final<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>V\u00e9lez Sarsfield 2 x 3 Flamengo<\/p>\n<p>Flamengo 3 x 0 V\u00e9lez Sarsfield<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Quartas de final<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Nacional-URU 0 x 1 Flamengo<\/p>\n<p>Flamengo 1 x 0 Nacional-URU<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Semifinais<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Cruzeiro 0 x 1 Flamengo<\/p>\n<p>Flamengo 3 x 1 Cruzeiro<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Final<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Independiente 2 x 0 Flamengo<\/p>\n<p>Flamengo 1 x 0 Independiente<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Reinaldo Rueda est\u00e1 no caminho certo para o t\u00edtulo?<\/strong><\/p>\n<p>Ele merece, mas no Flamengo n\u00e3o tem purgat\u00f3rio. \u00c9 c\u00e9u ou inferno. Se perder, a torcida vai na car\u00f3tida dele. \u00c9 uma cartada importante. Se n\u00e3o for campe\u00e3o vai ser dif\u00edcil continuar&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por que aceitou deixar o microfone da r\u00e1dio Globo e assumir o Flamengo naquela reta final de temporada?<\/strong><\/p>\n<p>Ningu\u00e9m queria. Foi uma emerg\u00eancia. Houve a briga do Rom\u00e1rio com o Vanderlei Luxemburgo. Depois, contrataram o Edinho. Houve problemas disciplinares do Rom\u00e1rio com o S\u00e1vio, a tev\u00ea flagrou e passou at\u00e9 no Jornal Nacional. Ningu\u00e9m queria pegar. Era um pepino. Havia o pessoal que j\u00e1 estava no clube, os que chegaram do Fluminense, como M\u00e1rcio Costa, Lira, Djair&#8230; e o pessoal da base. muito problema. Ningu\u00e9m queria pegar. Fui tentar harmonizar e at\u00e9 consegui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>S\u00e1vio, Rom\u00e1rio e Edmundo ficaram marcados como pior ataque do mundo, mas voc\u00ea conseguiu algo raro: o Flamengo venceu o V\u00e9lez na volta por 3 x 0 com um gol de cada. <\/strong><\/p>\n<p>O Flamengo vendia muitos jogos para outras pra\u00e7as naquela \u00e9poca e enfrentamos o V\u00e9lez no Parque do Sabi\u00e1, em Uberl\u00e2ndia. S\u00e1vio, Edmundo e Rom\u00e1rio marcaram. N\u00e3o tive problema com nenhum deles. Acabei padrinho de casamento do Rom\u00e1rio e conselheiro do Edmundo at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pensou em continuar a carreira de t\u00e9cnico?<\/strong><\/p>\n<p>Eu tinha uma cl\u00e1usula contratual. N\u00e3o havia chance de continuar. Dia 5 de janeiro de 1996 eu teria que me apresentar na r\u00e1dio Globo. Meu neg\u00f3cio era jornalismo. Como eu n\u00e3o tinha inten\u00e7\u00e3o de ser t\u00e9cnico, n\u00e3o tinha medo de perder. Jogava para a frente, com base na minha experi\u00eancia de vida. Mas nunca faltou ra\u00e7a naquele grupo. Foi acima das minhas expectativas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 que ponto aquela campanha mudou a sua vida? <\/strong><\/p>\n<p>Faltou o t\u00edtulo. Seu eu fosse campe\u00e3o, teria o que contar aos meus netos. At\u00e9 tenho (risos), mas ser campe\u00e3o \u00e9 outra coisa. Aquela experi\u00eancia como t\u00e9cnico do Flamengo me deu uma valoriza\u00e7\u00e3o muito grande. Tive resson\u00e2ncia internacional, dava entrevistas para o mundo inteiro. Participei at\u00e9 de um filme sobre os maiores cl\u00e1ssicos do mundo. Fui protagonista no trecho que trata de Flamengo e Vasco. Isso n\u00e3o aconteceria se n\u00e3o tivesse assumido o desafio. Divulgou meu nome.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quem ser\u00e1 o campe\u00e3o da Sul-Americana: Flamengo ou Independiente?<\/strong><\/p>\n<p>Vai ser a minha forra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A final da Copa Sul-Americana entre Flamengo e Independiente, nesta quarta-feira, no Maracan\u00e3, ser\u00e1 mais do que especial para um senhor de 81 anos. Comentarista da r\u00e1dio Tupi do Rio de Janeiro, o radialista Washington Carlos Nunes Rodrigues \u2014 o Apolinho \u2014 era o t\u00e9cnico rubro-negro na decis\u00e3o da Supercopa dos Campe\u00f5es da Libertadores de 1995 exatamente contra o Independiente. 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