{"id":9405,"date":"2018-06-04T14:20:01","date_gmt":"2018-06-04T17:20:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=9405"},"modified":"2018-06-04T14:24:13","modified_gmt":"2018-06-04T17:24:13","slug":"um-bate-papo-com-paulo-vinicius-coelho-o-pvc-sobre-o-livro-escola-brasileira-de-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/um-bate-papo-com-paulo-vinicius-coelho-o-pvc-sobre-o-livro-escola-brasileira-de-futebol\/","title":{"rendered":"Um bate-papo com Paulo Vin\u00edcius Coelho, o PVC, sobre o livro Escola Brasileira de Futebol"},"content":{"rendered":"<p><em>O jornalista Paulo Vin\u00edcius Coelho acaba de marcar mais um gol de letra. Lan\u00e7ou o livro Escola Brasileira de Futebol. No \u00faltimo s\u00e1bado, o PVC, comentarista da Fox Sports e da R\u00e1dio Globo\/CBN e colunista da Folha de S. Paulo, bateu um papo por telefone com o <strong>blog <\/strong>a caminho do Aeroporto do Gale\u00e3o, no Rio, onde embarcou rumo a Moscou para a cobertura da Copa da R\u00fassia. A seguir, o autor de Jornalismo Esportivo (2003), os 50 Maiores Jogos da Copa do Mundo (2006), Futebol Passo a Passo: T\u00e9cnica, T\u00e1tica e Estrat\u00e9gia (2006), Bola Fora: A Hist\u00f3ria do \u00caxodo do Futebol Brasileiro (2009), Os 55 Maiores Jogos das Copas do Mundo (2010), Os 100 Melhores Jogadores Brasileiros de Todos os Tempos (2010), T\u00e1tica Mente (2014) e o Planeta Neymar (2014) fala sobre a nona publica\u00e7\u00e3o na carreira e faz um convite aos leitores no esquenta para o Mundial. \u201cRecomendo a leitura para entender um pouco o futebol brasileiro e saber o que esperar do futebol brasileiro na Copa\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea est\u00e1 fazendo parte de uma revolu\u00e7\u00e3o editorial no mercado brasileiro, ou seja, est\u00e1 se escrevendo mais sobre futebol? <\/strong><\/p>\n<p>Outro dia, o professor Pasquale (Cipro Neto) entrou na CBN e estava falando sobre a m\u00fasica <em>Gente humilde<\/em>, que \u00e9 do Chico Buarque, do Vinicius de Moraes e do Garoto (An\u00edbal Augusto Sardinha). Eu n\u00e3o sabia que o Garoto tinha deixado a m\u00fasica feita. Ele morreu em 1955. Em cima da m\u00fasica, Chico Buarque e Vinicius puseram a letra, no fim dos anos 1960. Acho que em 1969. O que eu quero dizer com isso \u00e9 que o futebol brasileiro n\u00e3o tem partitura. Chico e Vinicius acharam uma m\u00fasica que estava pronta fazia 20 anos. A diferen\u00e7a no Brasil \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 registro, n\u00e3o temos partituras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, agora o futebol brasileiro tem uma partitura&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Esse livro de agora, era para ter sido escrito, digamos, em cole\u00e7\u00f5es que\u00a0mostrassem como o Tim trabalhava, como trabalhava o Tel\u00ea Santana, o Foguinho (Oswaldo Rolla) no Gr\u00eamio, o Rubens Minelli no Internacional. Isso a gente n\u00e3o tem atrav\u00e9s das d\u00e9cadas. Ent\u00e3o, a cultura do futebol brasileiro passa s\u00f3 de boca em boca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>De quem partiu a ideia do livro?<\/strong><\/p>\n<p>A ideia \u00e9 do Matinas (Suzuki Jr., da editora Objetiva). Ele disse que havia uma lacuna: falar sobre a escola brasileira de futebol. Ele queria que eu escrevesse. Comecei a tocar. Fui escrevendo, parei, escrevi de novo, at\u00e9 que, para sair antes da Copa do Mundo da R\u00fassia, eu entreguei em 1\u00ba de outubro do ano passado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2018\/06\/livro.jpg\" rel=\"attachment wp-att-9407\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-9407\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2018\/06\/livro.jpg\" alt=\"livro\" width=\"434\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2018\/06\/livro.jpg 434w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2018\/06\/livro-200x300.jpg 200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2018\/06\/livro-234x350.jpg 234w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2018\/06\/livro-230x344.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 434px) 100vw, 434px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Depois desse mergulho no t\u00fanel do tempo, \u00e9 poss\u00edvel definir o que \u00e9 a escola brasileira de futebol?<\/strong><\/p>\n<p>Eu acho que \u00e9. Quando voc\u00ea pensa em Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, em qualquer lugar do pa\u00eds, seja no interior do Rio Grande do Sul, seja no interior da Bahia, n\u00f3s n\u00e3o aceitamos que se jogue de uma maneira que n\u00e3o seja: criativa, alegre, envolvente e ofensiva. O Vanderlei Luxemburgo diz no meu livro que a escola brasileira \u00e9 o empirismo. Eu acho que \u00e9. \u00c9 isso que a gente carrega, de se jogar bola em qualquer pedacinho de ch\u00e3o. Seja na praia, seja na beira do rio, no asfalto ou num plat\u00f4, como fazia o Garrincha num terreno baldio no alto de um morro em Pau Grande (distrito de Mag\u00e9, na serra fluminense). Agora, esse empirismo poderia estar com uma coisa acad\u00eamica, ou seja, que passasse menos de boca em boca e mais de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o por meio de relatos escritos de como se jogou em cada \u00e9poca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quem \u00e9, ou quem s\u00e3o os t\u00e9cnicos mais influentes na escola de futebol brasileiro?<\/strong><\/p>\n<p>As pessoas confundem um pouco. Quando eu cito Tim (Elba de P\u00e1dua Lima), Rubens Minelli e o Vanderlei Luxemburgo, n\u00e3o estou dizendo que eles s\u00e3o os tr\u00eas maiores t\u00e9cnicos brasileiros de todos os tempos. At\u00e9 porque o livro come\u00e7a com o maior time de todos os tempos, \u00a0que foi dirigido pelo Zagallo. \u00c9 que diferentes gera\u00e7\u00f5es de jogadores disseram que sentiram-se muito instru\u00eddas quando trabalharam com o Tim, outra com o Rubens Minelli e outra com o Vanderlei Luxemburgo. Voc\u00ea conversa com qualquer jogador que trabalhou com o Luxemburgo e ele vai dizer que foi muito influenciado por ele. N\u00e3o com o Luxemburgo de hoje. Gilson Nunes e Carlos Alberto Torres citariam o Tim. Mario S\u00e9rgio falava muito no \u00canio Andrade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quem \u00e9 o maior t\u00e9cnico brasileiro de todos os tempos?<\/strong><\/p>\n<p>A gente perdeu uma figura, que foi t\u00e9cnico da Sele\u00e7\u00e3o antes do tempo, e que se n\u00e3o tivesse morrido t\u00e3o cedo, seria o maior t\u00e9cnico do Brasil por conseguir juntar o acad\u00eamico e o emp\u00edrico, a mistura das coisas, que era o Cl\u00e1udio Coutinho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>A gente perdeu uma figura, que foi t\u00e9cnico da Sele\u00e7\u00e3o antes do tempo, e que se n\u00e3o tivesse morrido t\u00e3o cedo, seria o maior t\u00e9cnico do Brasil por conseguir juntar o acad\u00eamico e o emp\u00edrico, a mistura das coisas, que era o Cl\u00e1udio Coutinho.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Brasil foi a quatro das \u00faltimas cinco Copas sob a batuta\u00a0de um t\u00e9cnico ga\u00facho: Luiz Felipe Scolari (2002 e 2014), Dunga (2010) e Tite (2018). A exce\u00e7\u00e3o foi o Carlos Alberto Parreira (2006). At\u00e9 que ponto o futebol ga\u00facho tem ascend\u00eancia na escola brasileira?<\/strong><\/p>\n<p>A escola ga\u00facha tem duas vertentes. A do Carlos Froner, que \u00e9 o futebol mais duro, mais do interior, a do Felip\u00e3o. E tem uma escola \u00canio Andrade, que \u00e9 o futebol mais jogado, que \u00e9 Tite, Mano Menezes, que \u00e9 Dunga. Dunga \u00e9 filho do Inter e o Inter \u00e9 muito filho do \u00canio Andrade. Ent\u00e3o, essa segunda escola ga\u00facha, que a \u00e9 a do Tite, tem uma mistura de coisas. Ela foi Daltro Menezes, ela foi Dino Sani, ela foi Rubens Minelli e ela foi \u00canio Andrade. \u00c9 um estilo mais t\u00e9cnico, mais jogado do que guerreado. O Felip\u00e3o \u00e9 de um estilo mais guerreado, embora tenha feito o \u00fanico time na hist\u00f3ria das Copas que ganhou os sete jogos para ser campe\u00e3o, e com o melhor ataque.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Tite fala muito na Sele\u00e7\u00e3o de 1982. \u00c9 poss\u00edvel resgatar um pouco daquele tima\u00e7o?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. A Sele\u00e7\u00e3o de 1982 \u00e9 muito carism\u00e1tica porque tinha jogadores muito talentosos e n\u00e3o ter vencido. O Jo\u00e3o Saldanha era muito cr\u00edtico daquela Sele\u00e7\u00e3o. Ele via problemas t\u00e1ticos graves e eu acho que ela perdeu porque tinha problemas t\u00e1ticos s\u00e9rios. Eu espero que a Sele\u00e7\u00e3o do Tite n\u00e3o seja lembrada como uma Sele\u00e7\u00e3o que jogou bem, mas perdeu a Copa. O melhor cen\u00e1rio \u00e9 jogar bem e vencer. N\u00f3s temos uma Sele\u00e7\u00e3o atrasada. A gente perdeu dois anos (no ciclo da Copa de 2018). Eu vi a Fran\u00e7a jogando contra a It\u00e1lia.\u00a0A Fran\u00e7a est\u00e1 voando. S\u00e3o seis anos de trabalho junto, inclusive com a cicatriz de uma derrota em casa na final da Eurocopa (para Portugal, em 2016).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Eu espero que a Sele\u00e7\u00e3o do Tite n\u00e3o seja lembrada como uma Sele\u00e7\u00e3o que jogou bem, mas perdeu a Copa. O melhor cen\u00e1rio \u00e9 jogar bem e vencer. N\u00f3s temos uma Sele\u00e7\u00e3o atrasada. A gente perdeu dois anos. Eu vi a Fran\u00e7a jogando contra a It\u00e1lia, a Fran\u00e7a est\u00e1 voando. S\u00e3o seis anos de trabalho junto, inclusive com a cicatriz de uma derrota em casa na final da Eurocopa.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Esse foi o livro mais prazeroso que voc\u00ea escreveu?<\/strong><\/p>\n<p>Esse <em>Escola Brasileira de Futebol<\/em> e o <em>Bola Fora \u2014 A Hist\u00f3ria do \u00caxodo do Futebol Brasileiro<\/em>\u00a0s\u00e3o os que eu mais gosto. O <em>Bola Fora<\/em> \u00e9 um projeto que poderia ter sido mais legal, maior, mas eu gosto da hist\u00f3ria do \u00eaxodo, que \u00e9 de 2009. O atual n\u00e3o foi o mais dif\u00edcil. Talvez, at\u00e9 seja, mas eu prefiro pensar no prazer. Foi o mais prazeroso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a Sele\u00e7\u00e3o favorita para ganhar a Copa da R\u00fassia?<\/strong><\/p>\n<p>Temos candidatos. Fran\u00e7a, Espanha, Brasil, Alemanha e o Messi.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornalista Paulo Vin\u00edcius Coelho acaba de marcar mais um gol de letra. Lan\u00e7ou o livro Escola Brasileira de Futebol. No \u00faltimo s\u00e1bado, o PVC, comentarista da Fox Sports e da R\u00e1dio Globo\/CBN e colunista da Folha de S. 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