{"id":1039,"date":"2018-01-31T19:55:14","date_gmt":"2018-01-31T21:55:14","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/?p=1039"},"modified":"2018-01-31T23:32:39","modified_gmt":"2018-02-01T01:32:39","slug":"tifanny-transexual-superliga-volei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/tifanny-transexual-superliga-volei\/","title":{"rendered":"Caso Tifanny: Proibir transexuais no esporte \u00e9 solu\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>Primeira jogadora transexual a atuar na Superliga feminina, Tifanny Abreu marcou 39 pontos em um mesmo jogo nesta ter\u00e7a-feira (30\/1\/2018) e quebrou o recorde da principal competi\u00e7\u00e3o nacional de v\u00f4lei \u2014 que antes pertencia a Tandara (37), mas que quase tinha sido batido nesta edi\u00e7\u00e3o por Bruna Hon\u00f3rio (33). Fato que ati\u00e7ou ainda mais o questionamento sobre a permiss\u00e3o de atletas trans atuarem no esporte de alto rendimento. O debate, no entanto, n\u00e3o deveria ser se transexuais devem ou n\u00e3o ser exclu\u00eddos. Mas sim sobre as poss\u00edveis mudan\u00e7as no regulamento para conciliar as duas partes: a inclus\u00e3o de trans e uma maior igualdade de desempenho entre todas as atletas.<\/p>\n<p>Antes de entrar nas estat\u00edsticas do v\u00f4lei, por\u00e9m, \u00e9 importante entender que qualquer pioneirismo envolve pol\u00eamicas, testes, adapta\u00e7\u00f5es e, principalmente, conquistas. Ao entrar em quadra por uma liga profissional, Tifanny carrega com ela a representatividade de toda uma minoria social, que busca abrir oportunidades de inser\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios \u00e2mbitos da sociedade, inclusive no mercado de trabalho. Ent\u00e3o n\u00e3o seria diferente no esporte, que vem se profissionalizando cada vez mais nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Limitar o debate exclusivamente ao aspecto biol\u00f3gico n\u00e3o abrange a complexidade do tema. Transexuais encontram barreiras para conseguirem emprego, t\u00eam \u00edndices de escolaridade baixo por sofrem preconceito nas ruas e nas pr\u00f3prias fam\u00edlias e s\u00e3o alvo de viol\u00eancia, sendo o Brasil o pa\u00eds que mais mata transg\u00eanero no mundo. Ver o esporte abrindo portas \u00e0 uma minoria t\u00e3o estigmatizada \u00e9 louv\u00e1vel. Proibir esse acesso seria um retrocesso. Debater para que haja regras mais r\u00edgidas pode ser uma sa\u00edda.<\/p>\n<h2><strong>Tifanny na Sele\u00e7\u00e3o Brasileira feminina de v\u00f4lei, ser\u00e1?<\/strong><\/h2>\n<p>&#8220;\u00c9 necess\u00e1rio garantir, na medida do poss\u00edvel, que atletas trans n\u00e3o sejam exclu\u00eddos da oportunidade de participar da competi\u00e7\u00e3o esportiva&#8221;, ressaltou o Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional (COI). Tifanny \u00e9 a primeira transexual a competir em um dos esportes mais populares do Brasil, mas o debate sobre a transexualidade no esporte come\u00e7ou h\u00e1 mais tempo. Em 2015, o COI autorizou trans no esporte, estabelecendo algumas condi\u00e7\u00f5es. Desde 2003, por\u00e9m, a entidade diz que reconhece a import\u00e2ncia da autonomia da identidade de g\u00eanero na sociedade, com modifica\u00e7\u00f5es na legisla\u00e7\u00e3o em diversos pa\u00edses.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/especiais.correiobraziliense.com.br\/trans-tambem-entram-em-quadra\">Para as Olimp\u00edadas do Rio-2016, o COI fez a \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o no regulamento e inclusive deixou de exigir a cirurgia de mudan\u00e7a de sexo<\/a>, al\u00e9m de ter passado a cobrar um ano de tratamento hormonal, em vez de dois anos. Para competir atualmente, a atleta que passar pela mudan\u00e7a de sexo biol\u00f3gico de masculino para feminino tem de ter a identidade de g\u00eanero feminina declarada e manter o n\u00edvel de testosterona, o horm\u00f4nio masculino, abaixo de 10 nmol\/L. Ou seja, atletas transexuais podem competir inclusive nas Olimp\u00edadas, segundo o regulamento vigente.<\/p>\n<p>Ao ser questionado sobre uma poss\u00edvel convoca\u00e7\u00e3o, o t\u00e9cnico da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira feminina de v\u00f4lei, Jos\u00e9 Roberto Guimar\u00e3es, foi conciso: \u201cUma quest\u00e3o simples. Se dentro de quadra fizer o esperado e fizer a diferen\u00e7a, tecnicamente falando, passa a interessar como qualquer outra atleta. Eu quero o melhor. Se for o caso, consultarei a CBV. N\u00e3o vejo problema nenhum na convoca\u00e7\u00e3o. Basta que esteja eleg\u00edvel\u201d.<\/p>\n<h2><strong>H\u00e1 ou n\u00e3o vantagem na performance de transexuais em disputas femininas?<\/strong><\/h2>\n<p>Voltando \u00e0s quadras da Superliga feminina, <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/tifanny-trans-superliga-volei-bauru\/\">Tifanny integrou o elenco do Bauru no meio da primeira fase da competi\u00e7\u00e3o<\/a>. At\u00e9 a sexta rodada do returno, somou 160 pontos em 30 sets disputados. Com o recorde de pontos na partida contra o Praia Clube, decidida no tie-break (por 3 sets a 2), a m\u00e9dia dela chegou a 5,33 pontos por set. Com a segunda melhor m\u00e9dia, Tandara marcou 4,79 pontos por set. Mas atuou bem mais, j\u00e1 que foram 316 pontos em 66 sets.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros mostram uma atua\u00e7\u00e3o de gala de Tifanny, estreante na Superliga feminina, mas tamb\u00e9m apontam que ela \u00e9 a jogadora mais acionada do Bauru. Contra o Praia Clube, ela recebeu 75 bolas e teve 44% de aproveitamento (33 de ataque e seis em bloqueio). A grande quest\u00e3o, ent\u00e3o, \u00e9 se transexuais levam vantagem f\u00edsica ou n\u00e3o por ter vivido a puberdade masculina, que a fez ter um esqueleto e mem\u00f3rias celular, motora e musculares de um homem?<\/p>\n<p>Antes de passar pela mudan\u00e7a de g\u00eanero, Tifanny atuou pela liga profissional masculina. A transi\u00e7\u00e3o dela foi aos 29 anos e ela voltou a jogar profissionalmente aos 31, em 2016, quando atuou na segunda divis\u00e3o da liga italiana. <a href=\"https:\/\/esporte.uol.com.br\/volei\/ultimas-noticias\/2018\/01\/24\/pros-e-contras-entenda-o-que-esta-em-discussao-no-caso-tifanny.htm\">Os estudos atuais sobre o tema, no entanto, n\u00e3o comprovam conclusivamente um ganho de performance por atletas trans<\/a>. Tamb\u00e9m n\u00e3o provam o contr\u00e1rio, que n\u00e3o h\u00e1 vantagem. A falta de exemplos semelhantes ao de Tifanny dificulta as pesquisas.<\/p>\n<p>O documento em que o COI define as diretrizes para a participa\u00e7\u00e3o de transexuais assume que as condi\u00e7\u00f5es podem ser repensadas caso novas descobertas m\u00e9dicas e cient\u00edficas sejam feitas. A entidade pretende discutir o tema novamente ap\u00f3s os Jogos Ol\u00edmpico de Inverno, que ser\u00e3o disputados a partir de 9 de fevereiro na Coreia do Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeira jogadora transexual a atuar na Superliga feminina, Tifanny Abreu marcou 39 pontos em um mesmo jogo nesta ter\u00e7a-feira (30\/1\/2018) e quebrou o recorde da principal competi\u00e7\u00e3o nacional de v\u00f4lei \u2014 que antes pertencia a Tandara (37), mas que quase tinha sido batido nesta edi\u00e7\u00e3o por Bruna Hon\u00f3rio (33). 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