{"id":1213,"date":"2018-03-08T13:23:45","date_gmt":"2018-03-08T16:23:45","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/?p=1213"},"modified":"2018-03-08T13:27:32","modified_gmt":"2018-03-08T16:27:32","slug":"bia-figueiredo-mulher-stock-car","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/bia-figueiredo-mulher-stock-car\/","title":{"rendered":"\u00danica mulher da Stock Car, Bia Figueiredo comemora 25 anos de carreira"},"content":{"rendered":"<p>Ser dona de resultados respons\u00e1veis por abrir portas para meninas e mulheres no mundo do automobilismo \u00e9 uma miss\u00e3o que Bia Figueiredo encara desde os 14 anos, \u00e9poca em que decidiu se dedicar somente ao automobilismo. Antes disso, j\u00e1 praticava o esporte desde os 8 anos, mas, ao optar pelas pistas, a paulistana nem sequer imaginava a import\u00e2ncia da pr\u00f3pria escolha. Na ocasi\u00e3o, o kart era a categoria dela. Hoje, aos 32 anos, \u00e9 a \u00fanica mulher no grid da Stock Car e comemora o 25\u00ba ano da carreira como piloto.<\/p>\n<p>Antes de come\u00e7ar a quinta temporada da Stock Car, Bia celebra as conquistas, por\u00e9m sabe que ainda tem muitos obst\u00e1culos a superar. \u201cPara mim, o sentimento \u00e9 de muito orgulho ao ver todas as barreiras que eu quebrei. \u00c9 um ambiente no qual a maioria \u00e9 masculina e ainda h\u00e1 muitas dificuldades, mas estou na luta at\u00e9 hoje\u201d, ressalta. As conquistas nas pistas s\u00e3o muitas. Ela \u00e9 a primeira mulher do mundo a vencer na Indy Lights, categoria de acesso \u00e0 F\u00f3rmula Indy, e a primeira brasileira a disputar a F-Indy.<\/p>\n<p>Para Bia, as conquistas mostram a outras garotas que \u00e9 poss\u00edvel praticar o esporte.<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cNa \u00e9poca em que comecei, at\u00e9 minha m\u00e3e duvidava, porque n\u00e3o existiam muitas refer\u00eancias. Por\u00e9m, voc\u00ea vira uma refer\u00eancia, quebra tabu e mostra que \u00e9 poss\u00edvel. Eu espero inspirar e ajudar de alguma forma\u201d.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Engana-se quem pensa que a escolha pelas pistas foi influ\u00eancia dos pais ou pela liga\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia com o esporte. Ela \u00e9 filha de um psiquiatra e de uma dentista. \u201cMeu pai gostava de assistir, mas n\u00e3o era nenhum aficionado\u201d, revela a piloto, que tamb\u00e9m costumava assistir \u00e0s provas. O pedido para entrar em uma escolinha ocorreu aos 5 anos, durante uma visita a um kart. Aos 8, os treinos come\u00e7aram.<\/p>\n<h2><strong>Preconceito<\/strong><\/h2>\n<p>Num ambiente predominantemente masculino, Bia se acostumou a piadas e brincadeiras, que escuta de vez em quando. Ela garante que n\u00e3o liga, mas lembra dos olhares que recebeu assim que come\u00e7ou na modalidade. \u201cA primeira vez que entrei num kart, os meninos me olhavam como se eu fosse um ET\u201d, diz. A estreia em competi\u00e7\u00f5es foi aos 9 anos. \u201cNa \u00e9poca, quase nenhuma mulher havia competido, e como os meninos eram imaturos, n\u00e3o entendiam que uma mulher podia correr como eles\u201d, completa.<\/p>\n<p>Bia conta que o preconceito era sentido nas pistas, pois recebia fechadas e batidas. \u201cEra meio complicado no in\u00edcio, mas aprendi a revidar e a contornar\u201d, afirma. Fora isso, ela n\u00e3o se lembra de nenhum epis\u00f3dio de machismo na carreira. \u201cSempre me respeitaram muito. Como \u00e9 um ambiente completamente masculino, brinco que me ajudaram a escolher meu marido, de tanta besteira que os meninos falavam\u201d, ri.<\/p>\n<p>O esporte, visto como arriscado e para homens, gerou uma pequena resist\u00eancia da m\u00e3e de Bia. \u201cAt\u00e9 hoje, ela acha perigoso, mas apoia\u201d, ressalta. A piloto entrou na escolinha tr\u00eas meses antes do acidente fatal de Ayrton Senna na F\u00f3rmula 1. \u201cCom toda a como\u00e7\u00e3o, rolou uma certa apreens\u00e3o de todos para saber se era isso que eu ia seguir mesmo\u201d, relembra.<\/p>\n<h2><strong>Inclus\u00e3o maior no esporte<\/strong><\/h2>\n<p>Bia Figueiredo acredita que o cen\u00e1rio para as mulheres no automobilismo melhorou bastante e ela v\u00ea crescimento no interesse. \u201cQuando corri na Indy, tinha um n\u00famero maior de mulheres participando tamb\u00e9m\u201d, relembra. Hoje, a piloto destaca o trabalho da engenheira Rachel Loh na Stock. \u201cEm cinco anos (na categoria), \u00e9 a primeira vez que trabalho com uma engenheira\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias, o cen\u00e1rio do automobilismo se movimentou em meio a declara\u00e7\u00f5es pol\u00eamicas sobre a participa\u00e7\u00e3o de mulheres na F\u00f3rmula 1. A piloto espanhola Carmen Jord\u00e1 \u2014 integrante da Comiss\u00e3o de Mulheres do Esporte a Motor da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Automobilismo (FIA) \u2014 declarou que a fragilidade f\u00edsica \u00e9 um impedimento \u00e0 entrada delas na categoria.<\/p>\n<p>\u201cCom a minha experi\u00eancia, posso dizer que na F\u00f3rmula 1 e na F\u00f3rmula 2 \u2014 ao contr\u00e1rio de outros campeonatos, como kart, F\u00f3rmula 3 e GT, onde, creio, as mulheres sejam capazes de conquistar bons resultados \u2014 h\u00e1 uma barreira, por uma quest\u00e3o f\u00edsica\u201d, disse Carmen Jord\u00e1 ao site da ESPN brit\u00e2nica. Bia discorda:<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cCom muita disciplina e treino f\u00edsico \u00e9 poss\u00edvel. Quando corria na F\u00f3rmula Indy, n\u00e3o tinha dire\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica e, com muito treino, eu conseguia correr de igual para igual\u201d.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Um dia ap\u00f3s a declara\u00e7\u00e3o de Carmen Jord\u00e1, <a href=\"https:\/\/www.df.superesportes.com.br\/app\/1,188\/2018\/03\/06\/noticia_automobilismo,461145\/sauber-promove-colombiana-a-piloto-de-testes-na-formula-1.shtml\" target=\"_blank\">a Sauber anunciou a colombiana Tatiana Calder\u00f3n como piloto de testes para a temporada 2018<\/a>. \u201cN\u00e3o sei se \u00e9 s\u00f3 uma coisa de marketing da equipe, mas espero que ela tenha chance de praticar e tentar participar de campeonatos no futuro\u201d, torce Bia.<\/p>\n<h2><strong>Nova equipe<\/strong><\/h2>\n<p>Hoje, 24 anos depois, Bia se prepara para sua quinta temporada da Stock Car. Ela tem expectativas altas depois da mudan\u00e7a de equipe em 2018. Desta vez, correr\u00e1 pela equipe Ipiranga Mattheis. \u201cEu ainda n\u00e3o me adaptei como eu queria na Stock Car. Agora, estou numa nova equipe e fiz uma \u00f3tima pr\u00e9-temporada. Acredito que tem tudo para ser o meu melhor ano\u201d, avalia.<\/p>\n<p>A Corrida de Duplas marca a primeira etapa da competi\u00e7\u00e3o e ocorre amanh\u00e3 e s\u00e1bado, em Interlagos. Bia convidou o piloto Beto Monteiro, bicampe\u00e3o da F\u00f3rmula Truck, para ser o parceiro na prova de estreia. \u201cEle tem uma boa m\u00e3o com Stock e estava no Brasil. O Beto correu algumas vezes na categoria, no ano passado, e nossa experi\u00eancia juntos vai ajudar\u201d, comenta.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h3><strong>Perfil\u00a0<\/strong><\/h3>\n<figure id=\"attachment_1217\" aria-describedby=\"caption-attachment-1217\" style=\"width: 330px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1217\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/03\/bia-perfil.jpg\" alt=\"Bia Figueiredo \u00e9 a \u00fanica mulher da Stock Car | Foto: Carsten Horst\/Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"330\" height=\"475\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/03\/bia-perfil.jpg 330w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/03\/bia-perfil-208x300.jpg 208w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/03\/bia-perfil-230x331.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 330px) 100vw, 330px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1217\" class=\"wp-caption-text\">Bia Figueiredo \u00e9 a \u00fanica mulher da Stock Car \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Foto: Carsten Horst\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Nome<\/strong><br \/>\nAna Beatriz Caselato Gomes de Figueiredo<\/p>\n<p><strong>Idade<\/strong><br \/>\n32 anos<\/p>\n<p><strong>Categoria<\/strong><br \/>\nStock Car<\/p>\n<p><strong>Categorias anteriores<\/strong><br \/>\nF\u00f3rmula Indy, F\u00f3rmula Renault e F\u00f3rmula 3<\/p>\n<p><strong>\u00cddolo<\/strong><br \/>\nAyrton Senna<\/p>\n<p><strong>Conquistas importantes<\/strong><br \/>\n\u00danica mulher a vencer na F\u00f3rmula Renault<br \/>\n\u00danica mulher a conquistar uma pole position na F\u00f3rmula 3<br \/>\nPrimeira brasileira a disputar a F\u00f3rmula Indy<br \/>\n\u00danica mulher que correu e venceu o Desafio Internacional das Estrelas de Kart<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser dona de resultados respons\u00e1veis por abrir portas para meninas e mulheres no mundo do automobilismo \u00e9 uma miss\u00e3o que Bia Figueiredo encara desde os 14 anos, \u00e9poca em que decidiu se dedicar somente ao automobilismo. 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